Parte I - Enquadramento Teórico
2. Design Thinking
2.2 Fases
Do ponto de vista do processo (Figura 3), o Design Thinking segue um fluxo de três grandes áreas (conhecimento, exploração e materialização), desdobrado em 6 fases (sentir empatia, definir, conceber, prototipar, testar e implementar) (Gibbons, 2016).
Figura 3: Processo do Design Thinking.
Fonte: Adaptado de Gibbons (2016).
A fase de sentir empatia consiste na realização de pesquisas e observações para desenvolver o conhecimento sobre o que os utilizadores fazem, pensam e sentem (Gibbons, 2016).
Definir consiste em reunir todas as pesquisas feitas na fase anterior e observar onde existem as necessidades dos utilizadores, destacando as oportunidades de inovação (Gibbons, 2016). No entanto, se for detetado que existe um ponto de dor comum em muitos utilizadores diferentes é necessário identificar as necessidades não consideradas (Gibbons, 2016).
Para tal, na fase de conceber, é recomendado fazer um brainstorming de um conjunto de ideias loucas e criativas que abordem as necessidades não atendidas, identificadas na fase de definição (Gibbons, 2016). Juntando os membros da equipa e esboçando as imensas ideias diferentes, consegue-se a partilha de uns com os outros, baralhando e envolvendo, construindo sobre as ideias de todos.
Prototipar consiste em criar representações reais e táteis para um subconjunto de ideias, tendo como objetivo entender quais os constituintes que funcionam ou não (Gibbons, 2016). Permite começar a pensar no impacto versus viabilidade das ideias, com base no feedback e comentários feitos aos protótipos, por outros grupos de pessoas (Gibbons, 2016).
A fase de teste consiste em voltar aos utilizadores para obtenção de comentários, colocando o protótipo à sua frente e verificando se ele atinge os objetivos definidos, se corresponde às necessidades encontradas e se melhorou a forma como eles se sentem, pensam ou fazem as suas tarefas (Gibbons, 2016).
Implementar consiste em assegurar-se de que a solução encontrada se materialize e toque na vida dos utilizadores finais (Gibbons, 2016). É a fase mais importante do pensamento de design, contudo é o mais frequentemente esquecido (Gibbons, 2016). O sucesso do pensamento de
design está na capacidade de modificar um aspeto da vida do utilizador final (Gibbons, 2016).
Ainda sob o ponto de vista do processo, são indicadas, pela IDEO, três fases para o Design Thinking: ouvir, criar e implementar (Cavalcanti, 2014). Brown (2008) corrobora e defende que o processo envolve três fases fundamentais: inspiração, ideação e implementação. Contudo, o
Design Thinking não deve ser entendido como uma sequência de fases, mas sim como um
sistema de sobreposição de espaços (Brown, 2010). Durante as fases enunciadas, os problemas são questionados, as ideias criadas e as respostas obtidas, de forma não linear já que podem suceder simultaneamente e repetir-se para criar as ideias ao longo do processo da inovação (Bonini & Sbragia, 2011).
O processo do Design Thinking começa então com a fase de inspiração que consiste na identificação do problema ou oportunidade de projeto, na elaboração do documento de design
para dar uma ferramenta à equipa do projeto e na observação do comportamento do grupo-alvo (Bonini & Sbragia, 2011; Tschimmel, 2012). De forma a auxiliar, os designers têm desenvolvido ferramentas etnográficas que servem para observar o comportamento do grupo-alvo no seu dia-a-dia ou como executam determinada atividade (Bonini & Sbragia, 2011; Tschimmel, 2012). Além disso, servem também, como documentação para estas análises, vídeos, fotografias ou relatos (Bonini & Sbragia, 2011). Outra ferramenta que pode ser aplicada é o storytelling, que consiste na capacidade de contar histórias de maneira relevante, onde os recursos audiovisuais são utilizados juntamente com as palavras e tem como objetivo reformular o problema e passar à criação de ideias (Bonini & Sbragia, 2011). Assim, a fase da inspiração consiste em observar, ouvir e entender as expectativas, desejos e necessidades das pessoas (Cavalcanti, 2014), correspondendo às fases de sentir empatia e definição, defendidas por Gibbons (2016).
Na segunda fase, ideação, são criadas e prototipadas as ideias e conceitos, depois de identificado o contexto de observação, dando oportunidades de mudança ou criando inovações sobre os problemas identificados anteriormente (Brown, 2009); Tschimmel, 2012). Para tal, realizam-se sessões de brainstorming com pessoas diferentes e multidisciplinares para se obterem visões divergentes (Bonini & Sbragia, 2011; Casas & Merino, 2011). As melhores ideias são submetidas a uma avaliação da própria equipa (Bonini & Sbragia, 2011). As que forem selecionadas ganham forma com a rápida elaboração de protótipos, fundamentais para testar, melhorar e ajudar a compreender ideias complexas (Bonini & Sbragia, 2011; Tschimmel, 2012). O resultado principal desta etapa passa por identificar pontos fortes e fracos da ideia, além dos novos rumos para esse protótipo, já que permite que os pensamentos se materializem, abordando-se assim a lógica de criar para visualizar (Bonini & Sbragia, 2011). É considerada a fase mais abstrata do processo e requer dos envolvidos a capacidade de síntese e interpretação das informações recolhidas (Cavalcanti, 2014). No entanto, é também um dos processos-chave do Design Thinking pela particularidade de rápidos ciclos de criação de ideias e de prototipagem, originando continuamente
feedbacks até à maturidade dos conceitos (Bonini & Sbragia, 2011). Assim, a fase de ideação consiste em definir, idealizar e criar (Cavalcanti, 2014), correspondendo às fases de conceber, prototipar e testar, defendidas por Gibbons (2016).
Na última fase do Design Thinking, implementação, após as soluções estarem bem definidas e terem como foco as necessidades do grupo-alvo, é necessário estabelecer uma estratégia de comunicação, para ajudar a informar a solução encontrada, dentro e fora da organização (Bonini & Sbragia, 2011; Tschimmel, 2012), correspondendo da mesma forma à fase de implementação, defendida por Gibbons (2016).
Assim, o Design Thinking é orientado por evidências, abrange o pensamento holístico com uma visão integrativa, destaca a experimentação e permite a intuição do pensamento e otimismo (Rodriguez, 2007 citado por Matosas, 2014, p.40).
Todos os projetos de design possuem limitações e como tal a sua aceitação constitui um fundamento do Design Thinking, pelo que podem ser visualizadas com base em três critérios, que devem ser equilibrados: praticabilidade (o que é funcionalmente possível num futuro próximo), viabilidade (o que se adequa ao modelo de negócios da organização) e desejabilidade (o que faz sentido para as pessoas, despertando o seu interesse) (Brown, 2009).