• Nenhum resultado encontrado

No seu livro A vantagem competitiva das nações, PORTER (1993), define a produtividade como o valor do que é produzido por uma unidade de trabalho ou de capital, sendo um fator dependente a qualidade a eficiência com que são produzidos. Para o autor, o único conceito significativo de competitividade em nível nacional é a produtividade nacional.

PORTER diz que a vantagem competitiva é criada e mantida através de um processo altamente localizado. Dessa forma, diferenças nas estruturas econômicas, valores, culturas , instituições e histórias nacinais contribuem profundamente para o sucesso competitivo. Para se criar esse ambiente produtivo, quatro atributos podem promover (ou impedem) a criação da vantagem competitiva:

1. Condições de fatores: A posição do país nos fatores de produção, como trabalho especializado ou infra-estrutura, necessários à competição em determinada indústria.

2. Condições de demanda: A natureza da demanda interna para os produtos ou serviços da indústria.

3. Indústrias correlatas e de apoio: A presença ou ausênciaa, no país, de indústria abastecedora e indústrias correlatas que sejam internacionalmente competitivas.

4. Estratégia, estrutura e rivalidade das empresas. As condições que, no país, gevernam a maneira pela qual as empresas são criadas, organizadas e dirigidas, mais a natureza da rivalidade interna. (PORTER, 1993. p. 87)

De acordo com PORTER, pode ocorrer o desgaste da vantagem quando ocorrem os seguintes fatos:

“Condições dos fatores deterioram-se; necessidades locais perdem sintonia com a demanda global; compradores locais perdem sofisticação; mudança tecnológica leva a prementes desvantagens de

fatores especializados ou à necessidade de novas indústrias de apoio, que não existem; metas limitam a taxa de investimento; empresas perdem a flexibilidade de ajustar-se; rivalidade interna diminuiu” (PORTER, 1993. p. 198).

Em HARRISON e HUNTINGTON, Michael PORTER (2002) afirma que existem alguns atributos culturais genéricos desejáveis para se obter a prosperidade econômica: a capacidade de trabalho, a iniciativa, a crença no valor da educação, e em fatores tirados da macroeconomia, como a propensão a economizar e investir. Ele, também, ressalta que tudo isso é relevante para a prosperidade, mas nenhum desses atributos genéricos está inequivocamente relacionado com o progresso econômico.

No caso, a capacidade de trabalho é importante, mas vai depender da orientação e direção dada ao tipo de trabalho realizado. A iniciativa é valiosa, mas nem toda iniciativa é produtiva; educação é fundamental, mas também é fundamental o tipo de educação que se busca, e o que se pretende alcançar com a educação; e economizar é bom, desde que saiba dispor de forma produtiva do dinheiro economizado.

Na opinião do PORTER, a prosperidade de um país é determinada por sua produtividade no uso de recursos humanos, naturais e de capital:

“A produtividade estabelece o nível sustentável de salários e de retorno para o capital, principais determinantes da renda nacional por cidadão. A produtividade é, portanto, a base da ‘competitividade’. Ela depende do valor dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas de um país, resultando, por exemplo, da qualidade e da singularidade, assim como da eficiência, com que aqueles são produzidos. A questão básica do desenvolvimento econômico é criar as condições de rápido e sustentado crescimento da produtividade” (PORTER, In. HARRISON e HUNTINGTON, 2002. p. 55)

Nesse novo paradigma de produtividade, as distinções tradicionais entre empresas estrangeiras e nacionais perdem o sentido. Na moderna economia global, as empresas podem ter acesso a recursos em qualquer parte, a custos baixos e com eficiência, tornando os recursos

propriamente ditos menos valiosos.

Desse modo, a vantagem comparativa passa a ser menos relevante do que a vantagem competitiva, que substitui as bases de riquezas por demonstração de mais produtividade. Pode-se dizer que os países que melhoram seu padrão de vida são aqueles nos quais as empresas se tornam mais produtivas pelo desenvolvimento de fontes mais sofisticadas de vantagem competitiva, baseada s em conhecimento, investimento, perspicácia e inovação.

PORTER também argumenta que, na economia global, as coisas locais se tornam mais importantes e decisivas para determinar se uma empresa é mais competitiva e produtiva do que outra sediada em outro lugar. Agora, as fontes de vantagem competitiva que restaram são cada vez mais locais, tais comoas relações especiais com fornecedores ou com clientes, compreensão única de necessidades de mercado garimpada entre clientes ou parceiros locais, acesso especial a tecnologia e conhecimento de outras instituições locais, ou flexibilidade de produção resultante do uso de um fornecedor próximo.

Outro fator que aumenta a produtividade é a competição saudável entre empresas locais. Mecanismos como as leis antimonopólio e políticas que apóiem a atividade empresarial e a abertura de novos negócios são ferramentas que um país pode usar para fomentar uma saudável rivalidade local.

No livro Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira, COUTINHO et al descrevem a definição proposta em 1985, pela Comissão da presidência dos EUA sobre Competitividade Industrial:

“Competitividade para uma nação é o grau pela qual ela pode, sob condições livres e justas de mercado, produzir bens e serviços que se submetam satisfatoriamente ao teste dos mercados internacionais enquanto, simultaneamente, mantenha e expanda a renda real de seus cidadãos. Competitividade é a base para o nível de vida de uma nação. É também fundamental à expansão das oportunidades de emprego e para a capacidade de uma nação cumprir suas obrigações internacionais.” (COUTINHO et al, 1994. p. 17)

Essa abordagem reconhece que a competitividade internacional de economias nacionais é construída a partir da competitividade das empresas que operam dentro e exportam a partir das suas fronteiras. Ao mesmo tempo, identifica a competitividade das economias nacionais como sendo algo mais do que a simples agregação do desempenho de suas empresas.

Os autores afirmam que boa parte dos especialistas vê a competitividade como “um fenômeno diretamente relacionado às características apresentadas por uma firma ou um produto. Estas características relacionam-se ao desempenho no mercado ou à eficiência técnica dos processos produtivos adotados pela firma, conforme a filiação teórica de quem examina o assunto”(COUTINHO et al, 1994. p. 17).

Numa visão dinâmica, a competitividade pode ser entendida como a capacidade da empresa de formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam conservar, a longo prazo, uma posição sustentável no mercado. Desse modo, o sucesso competitivo passa a depender da criação e da renovação das vantagens competitivas por parte das empresas.

Como Fatores determinantes da Competitividade, COUTINHO et al citam: a capacitação tecnológica e produtiva; a qualidade e a produtividade dos recursos humanos; e o conhecimento do mercado e a capacidade de se adequar às suas especificidades; a qualidade e a amplitude de serviços pós- vendas; as relações privilegiadas com usuários e fornecedores. Além destes, existem os fatores estruturais que, mesmo não sendo inteiramente controlados pela firma, estão parcialmente sob a sua área de influência: as características do mercados consumidores; a configuração da indústria em que a empresa atua; e a concorrência.

Ainda podemos citar os fatores sistêmicos da competitividade, que constituem externalidades stricto sensu para a empresa produtiva: a) macroeconômicos, como taxa de câmbio, oferta de crédito e taxas de juros; b) político-institucionais, como as políticas tributária e tarifária, as regras que definem o uso do poder de compra do Estado e os esquemas dde apoio ao risco tecnológico; c) regulatórios, como as políticas de proteção à propriedade industrial, de preservação ambiental, de defesa da concorrência e proteção ao

consumidor; d) infra-estruturais, tais como disponibilidade, qualidade e custo de energia, transportes, telecomunicações e serviços tecnológicos; e) sociais, como a situação da qualificação da mão-de-obra (educação profissionalizante e treinamento), políticas de educação e formação de recursos humanos, trabalhista e de seguridade social, grau de exigência dos consumidores; f) referentes à dimensão regional, como os aspectos relativos à distribuição espacial da produção; e, g) internacionais, como as tendências do comércio mundial, os fluxos internacionais de capital. De investimento de risco e de tecnologia, relações com organismos multilaterais, acordos internacionais e políticas de comércio exterior.

III – Coréia do Sul: Histórico da Industrialização

Documentos relacionados