Sociedade 5.0: Um futuro que envolve qualidade de vida e segurança nos países desenvolvidos
2.2.2. FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS NO LOCAL DE TRABALHO
Existem diversos fatores que levam a riscos psicossociais. São muitas vezes provocados por mudanças na vida de trabalho como por exemplo, na organização do trabalho, no seu conteúdo, bem como na alteração do valor que o trabalho tem para cada um dos indivíduos.
Podem também decorrer de alterações socioeconómicas, que apesar de aumentar os riscos reconhecidos podem dar origem a novos riscos que são designados como emergentes, causados por novos meios tecnológicos, por processos, mudanças organizacionais (Leka et al.,2010; Pinho,2015).
Neste sentido, os riscos psicossociais são causados por uma diversidade de fatores, seguidamente descritos:
• Conteúdo de trabalho – Refere-se à falta de ciclos de trabalho curtos, ao facto de o trabalho ser fragmentado, aumentado ou sem sentido. Pode o trabalhador achar que o sub/sobre aproveitamento das suas competências. Pode ainda o trabalhador ter de desempenhar funções que não lhe competem. Até mesmo a falta de variedade complexidade das tarefas que levam à monotonia pode ser fonte de sofrimento, (Eurofound & EU_OSHA, 2014; Pinho, 2015). Diz ainda parte deste facto a elevada incerteza e exposição a pessoas através do trabalho. Por exemplo, aos professores é-lhes pedido que se relacionem com alunos, pais ou encarregados de educação, colegas e equipa não docente no recinto escolar, relacionamentos que podem ser ou tornar-se conflituosos, uma vez que tal relações não são escolhidas pelos professores e, frequentemente, não são aceites ou reconhecidos esforços a estes profissionais (Carlotto, 2011; Pinho 2015). É importante referir que o afastamento entre o trabalho prescrito e o trabalho real pode também ser problemático, levando a sofrimento e sentimentos de culpa.
• Carga de trabalho e ritmo de trabalho – Este fator de risco implica a incapacidade de se conseguir lidar com as exigências da profissão: se o trabalhador sentir que são excessivas e não consegue viver com as mesmas, isto pode desencadear stresse. No entanto, a situação inversa também pode ocorrer, sendo que a ausência de exigência pode levar a stresse. Isto está igualmente relacionado com o elevado nível de pressão emocional e carga mental, bem como a existência de prazos para cumprir (EU-OSHA, 2014; Pinho,2015).
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• Horário de trabalho – O problema associado com o horário de trabalho está presente quando é pouco compatível com a preservação do bem-estar e interfere a disponibilidade para as relações de esfera pessoal e familiar (Costa & Santos, 2013; Pinho, 2015). Se falarmos da classe docente, quanto maior for a carga horária dos professores (que aumenta com o número de cargo que exercem na escola) maior será o sentimento de desgaste emocional que levará a uma diminuição do sentimento de realização profissional (Carlotto, 2011; Pinho, 2015).
• Controlo – Os níveis de stresse de um trabalhador podem variar de acordo com o controlo que essas pessoas têm sobre a carga e o ritmo do seu trabalho, assim como outros fatores que possam aumentar o risco. Isto significa que se o trabalhador pode planear as suas tarefas, se algum imprevisto acontece, os imprevistos e desafios que possam surgir durante a realização da mesma serão mais fáceis de lidar logo o seu nível de stresse diminui. (EU-OSHA,2014; Pinho, 2015). Assim se a direção providenciar controlo e autonomia, possibilitando ao trabalhador a tomada de decisões utilizado a criatividade e as suas competências, isso levará a uma maior satisfação com o trabalho e ao aumento de compromisso com a organização. (Silva & Ferreira, 2013; Pinho, 2015).
• Ambiente e equipamentos – Este fator está relacionado com a precariedade dos empregos e com a insegurança de manter o posto de trabalho, que pode ainda estar relacionada com inadequada disponibilidade, manutenção dos equipamentos ou até mesmo a adequação dos aparelhos. Pode também ser influenciado pelas condições físicas do espaço de trabalho como o ruido, temperatura, luminosidade que afetam a concentração dos trabalhadores. (EU-OSHA,2014; Pinho,2015).
• Cultura e função organizacional – este fator de risco está relacionado com o nível baixo de apoio e estimulo para resolução de problemas e desenvolvimento pessoal, por exemplo a existência de feedback por parte de colegas e superiores, ou de apoio para exercer funções: isto permite superar dificuldades e os níveis de satisfação com o trabalho aumentam (Silva & Ferreira, 2013; EU-OSHA,2014; Pinho,2015).
Outro fator deve-se à má comunicação, à falta de definição de objetivos e concordância com os mesmos na organização, ou até mesmo com o tipo de liderança adotada tal como a falta de reconhecimento do seu trabalho. Um exemplo disto é o respeito dos superiores à liberdade de expressão dos empregados, ou seja, os empregados expressam os seus pontos de vista livremente sem medo de repreensões (Silva & Ferreira, 2013; Pinho2015).
• Relações interpessoais no trabalho – Uma vez que todos temos opiniões diversas e muitas vezes diferentes, os relacionamentos entre pares podem gerar imenso stress. Isto acontece quando há isolamento, discriminação e más relações com superiores e colegas, para além da falta de apoio
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(EU-OSHA, 2014; Pinho,2015). Se a supervisão for inadequada, insuportável e também incompreensiva, esta será também fonte de elevado stresse (Leka et al, 2003; Pinho, 2015). A existência de bullying, é também outro fator, que diz respeito a um comportamento repetido e despropositado, dirigido a um trabalhador ou a um grupo de trabalhadores, com o objetivo de humilhar, prejudicar e constranger as pessoas que estão expostas a tal durante o seu trabalho. Este
bullying pode ser violência (físico, verbal ou psicológico), assédio, intimidação, mas também pode acontecer de formas mais argutas como isolamento social e físico. O objetivo destas condutas é tornar a vida do trabalhador impossível, culminando num nível de stresse que levará a um continuo desgaste e a uma degradação constante do ambiente de trabalho, possível perca de emprego e afastamento da comunidade de trabalho. (Carvalho, 2010; Pinho,2015).
• Função na organização – o stresse surge muitas vezes quando não estão definidas as responsabilidades e funções de cada membro da organização, e isto pode ser fonte de conflito. Por exemplo, quando se pede a uma pessoa realize tarefas que não considera fazer parte da sua função, e isto leva a conflitos com colegas, superiores ou outras pessoas. Pode ainda ocorrer quando a pessoa tem funções cuja compatibilidade com as suas competências ou atribuem tarefas que estão além das suas capacidades (EU-OSHA,2014; Pinho,2015).
• Desenvolvimento da carreira – quando existe estagnação na carreira e a incerteza de promoção ou despromoção, este pode ser um fator de risco que gera stresse (Leka et al.,2010; EU-OSHA.2014; Pinho, 2015).
• Interação trabalho – casa – Se o trabalhador tiver exigências familiares e laborais que estejam em conflito, e que o leve a ter dificuldades em conciliar tempo, apoio e compromisso pode ser fator de risco. No entanto, muitas vezes a falta de apoio em casa e também a existência de um segundo emprego podem ajudar no aumento do stresse do trabalhador. É importante referenciar que a vida fora do ambiente de trabalho é importante, não apenas porque existe a necessidade de haver relacionamentos, mas também haver a necessidade de relaxar e desligar dos desafios enfrentados no trabalho. Há assim a exigência de alcançar um equilíbrio adequado entre trabalho e família. (Leka etal.,2010; EU-OSHA.2014).
• Novas formas de contratação e insegurança laboral – Caracteriza-se pelo aparecimento de contratos mais precários que levam à tendência de produzir bens e serviços com menos desperdício (Lean production) que resultam em subcontratação e a insegurança do posto de trabalho (CARIT & ACT, 2012; Pinho, 2015). Há que ter em atenção que são os trabalhadores mais precários que realizam tarefas mais perigosas e em más condições e aqueles que menos formação recebem (EU-OSHA,2012; Pinho, 2015).
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• Intensificação do trabalho – está relacionada com a necessidade de gerir a carga de trabalho e a crescente informação que leva a um aumento de pressão a nível laboral. Este é um risco acima de tudo presente nas novas formas de emprego, e para além disso nos campos mais competitivos, em que o desempenho e eficiência possam ser avaliados com maior rigor e isso pode ser fonte de stresse e de temor pelos trabalhadores (EU-OSHA,2012; Pinho, 2015).
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21 3. OBJETIVOS
Esta dissertação tem como objetivo apresentar a atual situação dos professores e apresentar uma proposta de implementação do conceito de Sociedade 5.0 na área da Educação, como ferramenta para melhorar a vida dos professores e diminuir os custos relacionados com as baixas médicas devido a problemas mentais e psicológicos.