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Sociedade 5.0: Um futuro que envolve qualidade de vida e segurança nos países desenvolvidos

2.1.5 OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS PARA A SOCIEDADE 5.0

Segundo Salgues (2018) existem palavras chave para a sociedade 5.0: i) adaptabilidade; ii) agilidade; iii) mobilidade e iv) reatividade. Estão diretamente ligadas ao facto de as mutações, mudanças e evoluções serem uma observação constante na nossa vida diária, que se reflete na infraestrutura, conhecimento e competências

A adaptabilidade, agilidade e reatividade são extremamente importantes e requerem a implementação do modelo Indústria 4.0, que implica o uso de técnicas aditivas que elevam o consumo de poucos recursos para a produção de bens. Mas a mobilidade produz efeitos nos meios de transporte e em nossas casas, e verificamos que cada vez estamos numa era mais mobile e mais inteligente. (Salgues, 2018)

Nesta sociedade 5.0 traduz um “novo mundo”, no qual a permuta é o fator mais importante. Existe o conceito da primazia de questões que envolvem permutas económicas e a primazia das ideias. Nas democracias ocidentais, o que prevaleceu durante anos terá sido a transação de bens e este desempenho dos meios de transporte levaram à globalização, mas a primazia de ideias é aquela que terá precedência. Por exemplo, a China em 1992 desenvolveu o seu poder soft de primazia de ideias, e hoje vemos em consequência todo o seu desenvolvimento económico. Também a França é um exemplo que refletiu esta primazia de ideias, num outro campo e sendo designado como uma exceção cultural. Basicamente, isto leva-nos ao conceito que a exportação de ideias e conhecimento se tornou numa fonte de riqueza, num período em que a exportação de bens está em declínio e a procura de serviços está a aumentar (Salgues, 2018).

Um claro exemplo disso são os novos tipos de negócios que surgiram nos últimos anos, tais como:

• Uber – embora seja uma aplicação informática e não possua em seu nome nenhum veículo, esta empresa rapidamente se transformou na maior empresa de táxis a nível mundial.

• Airbnb – Não possui um único hotel, no entanto é a maior companhia hoteleira que existe em todo o

mundo.

Ainda de acordo com Salgues (2018) neste momento, nos Estados Unidos da América, existe uma elevada percentagem de jovem licenciados em Direito que encontram grandes dificuldades de inserção profissional. Isto acontece porque com ajuda da Inteligência artificial, Internet das coisas e cibernética a IBM criou o computador Watson, que oferece conselhos legais em apenas segundos, quer para caso legais simples como para mais complexos, com nível de exatidão de 90% (superior aos 70% de exatidão humana). Em consequência, espera-se que nos próximos anos esta profissão assista a uma redução efetivos: 90% menos advogados, e apenas aqueles que são especializados irão sobreviver.

É expectável, segundo o mesmo autor, que, já em 2030, o computador seja capaz de competir com a inteligência humana. Facilmente verificamos, mesmo nos dias de hoje, que os nossos telemóveis já dispõem de software de reconhecimento de imagem, que pode ser utlizado para imensas funções: por exemplo, procurar pessoas, o que está a destronar profissionais fisionomistas.

E isto conduz-nos a outra questão: quais as competências necessárias para os empregos do futuro? Ao longo dos anos as capacidades exigidas foram-se alterando dependendo das necessidades. No século XX,

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enquanto que no fim dos anos 80 foi necessário ter carta de condução, já na década de 90 saber utilizar o computador e o seu Software revelaram-se determinantes (Gray, 2016).

Segundo Gray (2016) neste novo século as capacidades são diferentes e refere que de acordo com o

World Economic Forum (WEF, 2015), as dez principais competências necessárias serão as seguintes:

1. Resolução de problemas complexos

2. Coordenação com outros

3. Gestão de pessoas

4. Pensamento critico

5. Negociação

6. Controlo de Qualidade

7. Orientação para o Cliente

8. Avaliação e julgamento das decisões tomadas

9. Escuta ativa

10. Criatividade

No entanto, o autor Gray (2016) refere quais as competências previstas para o ano de 2020:

1. Resolução de problemas complexos

2. Pensamento critico

3. Criatividade

4. Gestão de pessoas

5. Coordenação com outros

6. Inteligência emocional

7. Avaliação e julgamento das decisões tomadas

8. Orientação para o cliente

9. Negociação

10. Flexibilidade cognitiva

Ainda de acordo com Gray (2016), a pergunta que se coloca é “Quais as competências que mais irão mudar?” Sem dúvida que a criatividade será uma das necessidades de topo para os trabalhadores. Com o avanço temos novos produtos, novas tecnologias e novas formas de trabalhar, exigindo aos trabalhadores uma contínua adaptação sob a forma de criatividade, forma a beneficiar destas mudanças. Os robots podem apenas ajudar-nos a ser mais rápidos, mas para já ainda não ajudar-nos podem ajudar a ser criativos.

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14 2.2 RISCOS PSICOSSOCIAIS

O ambiente de trabalho e tipo de trabalho que realizamos influencia de uma forma muito significativa a nossa saúde. As mudanças que ocorreram no mundo laboral trouxeram novos desafios no campo da saúde e segurança ocupacional, e com eles os riscos psicossociais (EU-OSHA,2007; Gil- Monte, 2012), os quais podem conduzir numa grave deterioração da saúde física e mental dos trabalhadores.

A Organização Internacional de trabalho (ILO, 1986) definiu os riscos psicossociais como “as interações com o conteúdo de trabalho, organização e gestão do trabalho e outras condições organizacionais e ambientais, por um lado, e as consequências e necessidades dos trabalhadores, por outro, que provem ter uma influência perigosa na saúde dos trabalhadores através das suas perceções e experiências” (Costa & Santos, 2013).

Há que ter em conta que o que torna um risco para a saúde no trabalho psicossocial, é a origem do risco e não a manifestação desse mesmo risco. Por isso os riscos psicossociais são definidos como riscos para a saúde mental, física e social, originados no local de trabalho pelas condições de trabalho pelos fatores organizacionais e relacionais.

No entanto, os riscos psicossociais quando presentes num determinado contexto laboral, estão diretamente ligados com a organização, conteúdo de trabalho e realização da tarefa, afetando tanto o trabalho como a saúde do trabalhador (Silva & Marques, 2013)

O stress relacionado com o trabalho anda lada o lado com os riscos psicossociais, que é estabelecido como uma das principais causas de doenças profissionais. Este é uma resposta que as pessoas têm quando as exigências e pressões que lhe são imputadas não são compatíveis com as suas habilidades e conhecimentos (Leka et al.,2003).

Uma das consequências da exposição a este stress excessivo é o burnout. Esta condição foi definida como um estado de exaustão física, emocional e mental, que resulta de um envolvimento emocionalmente exigente de longo-prazo no trabalho (Leka et al.,2010).

Os riscos psicossociais são, atualmente, considerados como um problema de saúde pública, tais são os custos económicos e sociais que envolvem: só em 2005, cerca de 20% dos trabalhadores de todos os 25 estados membros da União Europeia reportaram o stress como um problema que envolveu custos de no mínimo de 20 000 milhões perdidos em tempo e gastos médicos (EU-OSHA,2007).

Quanto à legislação portuguesa, a temática dos riscos psicossociais enquadra-se na Lei n.º 3/2014 de 28 de janeiro, procede à segunda alteração à Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, que aprova o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, artigo 15.º Obrigações gerais do empregador “ (…) f) Assegurar, nos locais de trabalho, que as exposições aos agentes químicos, físicos e biológicos e aos fatores de risco psicossociais não constituem risco para a segurança e saúde do trabalhador; g) Adaptação do trabalho ao homem, especialmente no que se refere à conceção dos postos de trabalho, à escolha de equipamentos de trabalho e aos métodos de trabalho e produção, com vista a, nomeadamente, atenuar o trabalho monótono e o trabalho repetitivo e reduzir os riscos psicossociais”.

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