ORÇAMENTO DE CAPITAL 2005 R$mil
COMPANHIA Fontes 381
B. FATORES DE RISCO SETORIAIS 1 Natureza Cíclica
O setor siderúrgico como um todo possui natureza cíclica, em virtude dos períodos de crescimento e declínio diretamente relacionados aos aumentos e diminuições da demanda e oferta das siderúrgicas, a flutuações cambiais, disponibilidade e preços de produtos alternativos e tendências de consumo de indústrias consumidoras de aço, tais como automobilística, de construção civil e utilidades domésticas. Segundo o IISI, o mercado siderúrgico mundial atualmente opera a cerca de 75 a 80% da sua capacidade produtiva total.
Historicamente, o aumento da oferta sem a contrapartida esperada por parte da demanda fez com que os preços do aço no mercado internacional caíssem. Não há como assegurar que um novo declínio dos preços no mercado internacional de produtos siderúrgicos não venha a ocorrer e a afetar negativamente os resultados da Usiminas.
2. Dependência do Mercado Doméstico
2.1 Concentração do Fornecedor de Minério de Ferro
As siderúrgicas adquirem os insumos necessários para a produção de seus produtos no mercado interno e externo, destacando os principais insumos adquiridos no Brasil o minério de ferro e o coque verde de petróleo. Ressalvada a CSN, que obtém o minério de ferro de sua jazida própria, as demais siderúrgicas dependem preponderantemente da CVRD para a obtenção do minério de
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resultados das siderúrgicas, inclusive da Usiminas.
2.2 Risco de Venda para o Mercado Doméstico
As vendas da Usiminas para o mercado doméstico representaram 79% do total de vendas em 2004, sendo que o restante foi exportado. Uma redução no nível de atividade econômica no mercado doméstico pode afetar negativamente os resultados das siderúrgicas, incluindo a Usiminas.
3. Dependência dos Setores Automobilístico, de Autopeças, de Utilidades Domésticas e de Eletro-Eletrônicos
As siderúrgicas, incluindo a Usiminas, vendem seus produtos a vários setores de indústria no Brasil. Dentre os principais clientes da Usiminas incluem-se empresas do setor automobilístico e de autopeças e do setor de utilidades domésticas e eletro-eletrônicos, que foram responsáveis, em conjunto, por 39,9% e 43,9% do volume total de suas vendas ao mercado interno no ano de 2003 e no de 2004, respectivamente. Alterações na demanda por veículos e autopeças e por utilidades domésticas e eletro-eletrônicos podem reduzir suas vendas, prejudicando seus resultados.
4. Demanda por Energia
A matriz energética brasileira, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, é composta, aproximadamente, por 82% de geração hídrica, ficando o restante distribuído entre geração térmica, eólica e nuclear. O crescimento da economia brasileira, a falta de investimentos em geração de energia e as baixas afluências hidrológicas verificadas nos últimos anos deram origem à crise energética enfrentada em nível nacional, particularmente crítica nas regiões nordeste, sudeste e centro-oeste, durante os dois últimos trimestres de 2001 e o primeiro trimestre de 2002.
A Usiminas não é auto-suficientes em produção de energia e, como seus processos produtivos demandam grandes quantidades de energia, restrições impostas pelo Governo referentes ao consumo de eletricidade podem ter um impacto adverso sobre a mesma, assim como sobre economia brasileira em geral e, em particular sobre a demanda de certos produtos de aço como utilidades domésticas. Adicionalmente, tais restrições podem afetar adversamente os fornecedores dos materiais utilizados pela Usiminas na produção de aço. Os reflexos da crise energética sobre seus clientes e fornecedores poderão ter um impacto negativo sobre os seus resultados.
5. Custo e Fornecimento de Matéria-Prima – Risco Cambial
As principais matérias-primas para a produção de aço em uma usina integrada são minério de ferro, carvão e coque. No Brasil, há falta de carvão mineral de qualidade adequada para fabricação de aço pela Usiminas, o que obriga a mesma a importar todo carvão necessário para a produção do coque. O preço e as quantidades contratados são renegociados anualmente. Por conseguinte, os custos da Usiminas com carvão variam de ano a ano. Não há garantia de que os preços do carvão não terão aumentos no futuro.
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Não há garantias de que os aumentos de preço (particularmente produtos e serviços obtidos de terceiros e/ou do exterior) não ocorrerão no futuro, resultando numa piora nos seus resultados.
Cumulativamente, uma vez que a Usiminas importa carvão de coque, eventuais desvalorizações da moeda brasileira poderão causar o aumento no custo final de tal importação, afetando negativamente seu resultado operacional.
6. Regulação Ambiental
O processo produtivo de usinas siderúrgicas gera resíduos que representam perigo de dano ao meio ambiente. Dessa forma, a atividade das siderúrgicas brasileiras, incluindo a Usiminas, está sujeita à rígida legislação ambiental federal, estadual e municipal relacionadas com, dentre outros, a saúde humana, a poluição atmosférica e das águas e a manipulação e escoamento de resíduos sólidos e gasosos.
Na hipótese do vazamento de substâncias perigosas geradas pela Usiminas a partir de suas atividades de aciaria ou mineração, a Usiminas poderá ser considerada responsável pela solução da contaminação provocada por esses vazamentos. Despesas imprevistas, necessárias para que a Usiminas, conforme o caso, permaneça operando em conformidade com as leis e regulamentos ambientais, incluindo despesas com o local ou custos com outras soluções, ou responsabilidades imprevistas com relação ao meio ambiente, podem ter um impacto negativo sobre a mesma, conforme o caso.
7. Demandas Antidumping, Medidas Compensatórias e Medidas Protecionistas
Nestes últimos anos a Usiminas, em conjunto com outras produtoras de aço, tem sido objeto de medidas antidumping, medidas protecionistas, medidas compensatórias e outras investigações relacionadas com o comércio internacional em alguns dos principais mercados mundiais do aço. A maioria dessas investigações teve como resultado a aplicação de medidas que dificultam o acesso a tais mercados por parte das empresas investigadas.
Eventuais medidas antidumping e protecionistas que restrinjam o acesso da Usiminas a mercados internacionais poderão resultar no decréscimo de suas vendas e, conseqüentemente, poderão ter impacto negativo nos seus resultados operacionais.
8. Disputas Envolvendo ICMS
A Usiminas é parte em algumas disputas envolvendo ICMS, cujos valores de principal são de aproximadamente R$552 milhões. As disputas são variadas, envolvendo exportação de semi- elaborados, utilização indevida de crédito do ICMS, divergência quanto a valores recolhidos. Não há garantias de que o resultado de tais processos seja favorável à Usiminas, podendo ter efeito material adverso na sua condição financeira.
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A expansão da oferta de aço no mercado doméstico e mundial, resultado de grandes investimentos recebidos pelo setor, pode resultar em uma sensível queda nos preços dos produtos oferecidos pela Usiminas.
Não há garantias de que a demanda dos diversos segmentos consumidores de produtos siderúrgicos do país apresente o crescimento esperado pela Usiminas.
Adicionalmente, grandes investimentos no setor, que causem o aumento da oferta, podem resultar em impacto negativos nos seus resultados.
10. Competitividade
O setor siderúrgico brasileiro conta com 24 usinas siderúrgicas, operadas por 12 empresas, sendo oito delas responsáveis por 75% da produção brasileira. Essas oito empresas conferem forte competitividade ao setor, devido ao seu alto nível de especialização, tanto tecnológica quanto técnica, e ao próprio modelo produtivo utilizado.
O mercado siderúrgico internacional é também altamente competitivo com relação a preço, qualidade dos produtos e serviços ao consumidor, assim como a avanços tecnológicos que proporcionam aos produtores siderúrgicos redução de seus custos de produção. Além da concorrência dentro do setor, os produtores siderúrgicos enfrentam ainda significativa concorrência de outros produtos ou materiais (produtos substitutos), inclusive plástico, alumínio, cerâmica, vidro, madeira e concreto.
Os altos custos relacionados a interrupções e reinício de produção incentivam a produção contínua de produtos siderúrgicos, mesmo em períodos de menor demanda, o que pode impactar negativamente os resultados das siderúrgicas em razão da necessidade de escoamento de produtos e diminuição de preços decorrentes de excesso de oferta. Não há garantia de que a concorrência com outros produtores de aço e com produtores de produtos alternativos não afetará adversamente a Usiminas no futuro.
Transações com Pessoas Ligadas
A Companhia atualmente é parte em transações comerciais e financeiras com alguns dos seus principais acionistas ou empresas ligadas e pretende continuar a celebrar tais operações no futuro. Alguns desses principais acionistas ou empresas ligadas também são acionistas relevantes de competidores da Companhia e com eles celebram transações financeiras e comerciais. As relações dentro da indústria siderúrgica brasileira e com seus principais acionistas podem criar um eventual conflito de interesses.
CVRD
A Companhia compra a maior parte do seu minério de ferro da CVRD, que detém 11,46% do capital social da Companhia. A CVRD foi privatizada pelo governo brasileiro, em maio de 1997. É acionista de outras companhias siderúrgicas brasileiras, incluindo a Companhia Siderúrgica de Tubarão (“CST”). A CVRD é também proprietária da malha ferroviária que a Companhia utiliza para transportar suas matérias-primas e seus produtos finais e é proprietária e opera o terminal de carvão do porto de Praia Mole, em Vitória, ES, que serve a Companhia.
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Em 31/12/2004, a Companhia como patrocinadora do fundo de pensão de seus empregados, tem um valor provisionado de R$ 962.431 mil, referente ao passivo atuarial do fundo de pensão, valor este que é recalculado periodicamente, com base em cálculos atuariais do valor presente das obrigações do fundo. A Companhia, bem como as demais patrocinadoras da Caixa dos Empregados da Usiminas, vem efetuando mensalmente as contribuições amortizantes para cobertura da insuficiência de reserva apurada ao final do exercício de 1994, conforme plano de amortização, em 35 anos, aprovado pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência e Assistência Social.
A partir de janeiro de 2002, tendo-se como base o saldo devedor da reserva a amortizar, apurado em dezembro de 2001, a amortização dar-se-á em prestações mensais e iguais, calculadas para o prazo de 19 (dezenove) anos, a juros de 6% a.a., sendo atualizadas, mensalmente, pelo IGP-M.
De acordo com o regulamento do Plano de Benefícios 1, aprovado em 11 de novembro de 1996, a partir daquela data, insuficiências de reservas que venham a ocorrer serão cobertas, em partes iguais, pelas patrocinadoras e participantes, ativos ou aposentados, de acordo com condições e critérios atuarialmente fixados, a serem aprovados pela autoridade competente.