CAPÍTULO I – Enquadramento Teórico
3. Participação e envolvimento da família no processo educativo do/a filho/a
3.4. FATORES QUE INFLUENCIAM O ENVOLVIMENTO PARENTAL
O envolvimento dos pais em contexto escolar tem sido estudado ao longo dos anos e até aos dias de hoje. Alguns dos estudos realizados procuravam entender os fatores que influenciariam o envolvimento e a participação das famílias, em contexto escolar.
Num estudo realizado por Green e Hoover-Dempsey (2007) em que tinham como objetivo analisar as diferentes motivações psicológicas dos pais e que foram mencionadas no modelo de Hoover-Dempsey e Sandler (crenças motivacionais; perceção das solicitações dos filhos e dos professores; e contexto familiar), os resultados mostraram que a idade da criança poderá influenciar o envolvimento parental. Verificou-se que à medida que a idade da criança aumenta, diminui o envolvimento dos pais, em contexto escolar. Por outro lado, quando foram comparados os dois ciclos de escolaridade, o 1º ciclo e o 2º ciclo, em que estão incluídas crianças do 1º ao 4º ano, e crianças do 5º e 6º ano de escolaridade, os autores verificaram uma diferença relativamente às motivações para se envolverem. Os pais do 1º ciclo demonstraram que o envolvimento ocorre com maior frequência, porque estava relacionado com a perceção dos pais acerca das solicitações dos filhos, sendo que nas
outras variáveis – crenças motivacionais e contexto familiar – o envolvimento era de menor intensidade (Green & Hoover-Dempsey, 2007). Os mesmos autores (Green & Hoover-Dempsey, 2007) conseguiram demonstrar que no 2º ciclo o mesmo também ocorre, sendo que, no que se refere às crenças motivacionais, em que os pais revelam ter uma perceção acerca do seu tipo de envolvimento, estas não influenciavam o envolvimento dos pais.
Outros estudos focaram, como fator determinante para o envolvimento parental, a experiência positiva ou negativa que os pais tiveram com os seus próprios pais, relativamente à relação que estabeleceram com a escola (Bandura, citado por Hoover- Dempsey & Sandler, 1995). Sugerem que os pais que tiveram sucesso na escola ou que receberam diversas formas de envolvimento dos seus próprios pais ajudaram-nos a serem também, eles, pais mais envolvidos e participativos na educação dos seus filhos (Bandura, citado por Hoover- Dempsey & Sandler, 1995). Hoover-Dempsey e Sandler (1995) sugerem que a construção do papel dos pais é feita através da observação e da modelagem dos seus próprios pais. Consideram que a construção do papel dos pais “é importante porque permite aos pais imaginar, antecipar e agir sobre uma serie de atividades educacionais relacionadas com os seus filhos”. (Hoover-Dempsey & Sandler, 1995, p. 314)
Já num estudo realizado em contexto norueguês ficou demonstrado que as habilitações literárias dos pais revelaram-se um fator que influenciava o envolvimento parental, em contexto escolar (Epstein; Hallgarten; Hanafin & Lynch; Lareau; Useem; Vincent; Vincent & Ball; Vincent & Martin; citados por Baeck, 2010). Neste estudo, mostrou-se que os pais com mais habilitações literárias tinham uma predisposição maior no que se refere ao envolvimento, em contexto escolar, do que aqueles pais com menos habilitações literárias (Epstein et al., citado por Baeck, 2010). Já, Lee e Bowen (citados por Jafarov, 2015) referem que os pais com habilitações literárias mais baixas, não se envolvem, uma vez que não se sentem confiantes para se relacionarem com os professores. Este fator, também foi tido em consideração, num estudo realizado por Baeck (2010), no qual procurou entender de que forma as habilitações literárias dos pais, juntamente com o entendimento, destes, acerca da cultura da escola, ou seja, o conhecimento sobre o sistema educacional, influenciaria o envolvimento parental, em contexto escolar. O autor mostrou que os dois fatores, habilitações literárias e entendimento da cultura escolar (e.g. integração em órgãos escolares), são determinantes para que os pais se envolvam, em contexto escolar (Baeck, 2010).
Especificando, o estudo mostrou, também que os pais aderem mais facilmente quando realizam trabalho voluntário (85%) do que em papéis que representam os pais, em órgãos escolares (73%) (Baeck, 2010).
Neste mesmo sentido, Hoover-Dempsey e Sandler (1995) propõem que os pais que compreendem as solicitações escolares ou os pedidos dos filhos para participarem nas atividades escolares, têm mais probabilidade em envolverem-se, em contexto escolar. Os mesmos autores (Hoover-Dempsey & Sandler, 1995) afirmam que “as características gerais dos pedidos e oportunidades podem influenciar o surgimento do envolvimento ativo dos pais.” (p.316).
Um outro aspeto que se revela determinante para o envolvimento parental, diz respeito à eficácia e preocupação pessoais por parte dos pais, no sentido de ambicionarem que os seus filhos sejam bem-sucedidos (Hoover- Dempsey & Sandler, 1995). Esta eficácia pessoal está relacionada com a perceção dos pais em que acreditam que têm o conhecimento e a capacidade de conseguir ajudar os seus filhos a ter sucesso na escola (Hoover-Dempsey & Sandler, 1995). Na mesma linha de pensamento, Hoover- Dempsey e Sandler (1995) propõem que o sentido de eficácia por parte dos pais irá unir-se com a satisfação emocional. Os autores sugerem que os pais que estão emocionalmente ligados e preocupados com o sucesso escolar dos filhos serão pais, provavelmente, mais envolvidos.
Pela mesma razão, os autores Hornby e Lafaele (2011) mostram que os pais com crianças com NEE, geralmente estão mais disponíveis para se envolverem com a escola, devido às preocupações que têm com o sucesso dos seus filhos. Por outro lado, apresentam a ideia de que nem sempre isso acontece, podendo existir um desacordo entre a escola e a família, relativamente àquilo que os pais considerem que os seus filhos conseguem alcançar ou quando existe um interesse por parte dos professores em que as famílias apoiem o trabalho que é desenvolvido, em contexto escolar (Seligman, citado por Hornby & Lafaele, 2011). Além disso, os problemas de comportamento que os filhos apresentam poderá ser um fator influenciador para o envolvimento parental. Os pais que têm filhos com problemas de comportamento têm tendência a sentir alguma relutância em envolverem-se ou mesmo participarem nas atividades escolares, uma vez que as crianças acabam por ter uma reputação de crianças problemáticas e estes não se sentem à vontade para que sempre vão à escola receberem mais notícias (Parsons, citado por Hornby & Lafaele, 2011).
Adicionalmente, alguns estudos apresentam um fator que também tem efeito no envolvimento parental, a estrutura familiar. Os autores mostraram que famílias monoparentais apoiavam com menos frequência os/as seus/suas filhos/as em comparação com famílias nucleares e verificou-se, ainda que o nível de envolvimento de famílias após o divórcio é bastante baixo (Astone & McLanahan; Potvin et al.; Jordan et al., citados por Jafarov, 2015).
Para terminar, outros estudos mencionam diferentes fatores que influenciam o envolvimento dos pais, em contexto escolar, como as diferenças culturais e a falta de transporte (Aronson & Pena, citados por Jafarov, 2015).
Independentemente dos fatores que estão associados ao envolvimento parental, torna-se importante destacar que tanto a escola como as famílias devem procurar partilhar tarefas e responsabilidades no sentido de promover o sucesso educacional da criança.