1. CANCRO DO COLO DO ÚTERO
1.2. FATORES DE RISCO PARA O CCU
Entende-se que fator de risco é tudo o que aumenta a probabilidade de se desenvolver cancro (National Cancer Institute, 2018, p. 2).
São identificados como fatores de risco para o cancro em geral, pela mesma entidade: a idade; ingestão de álcool; exposição a certas substâncias tais como tabaco, raios ultravioletas do sol e outras radiações; a inflamação crónica; dieta desequilibrada; terapêutica hormonal; imunossupressão; alguns agentes infeciosos; a obesidade.
O avançar da idade é o fator de risco mais relevante para o aparecimento da maioria dos cancros, se olharmos para um passado relativamente recente verificamos que a esperança de vida era bastante inferior em relação aos nossos dias, Macip (2013, p. 89) corrobora “Poucos dos nossos antepassados duravam o suficiente para dar tempo aos tumores de se desenvolverem, por isso eram detetados com uma frequência relativamente baixa”.
No que diz respeito aos outros fatores de risco associados ao desenvolvimento de cancro Macip (2013, p. 109), alega que estes podem ser evitáveis, mas que funcionam fortemente como “detonadores do cancro”. Aponta como principais: o tabaco; a obesidade (IMC>25kg/m2); o álcool; uma alimentação desequilibrada, pobre em frutas e legumes e pobre em fibras (menos de 23 gr/dia), rica em sal (mais de seis gramas/dia), rica em carnes vermelhas e carnes processadas; os fatores de risco associados ao trabalho e ao ambiente tais como exposição ao sol e às máquinas com raios ultravioletas; exposição a infeções (HPV e hepatite); vida sedentária (menos de cento e cinquenta minutos de atividade moderada por semana); amamentar menos de seis meses quando se tem um filho; exposição a tratamentos hormonais.
Os fatores de risco relacionados com o CCU, segundo Vasconcelos, Franco, de Almeida, and Pinheiro (2010, p. 913) classificam-se em: “factores imunológicos” que estão relacionados com a resposta imune do local onde surge o tumor e a resposta tumoral e com o SIDA; “os fatores genéticos” relacionados como o polimorfismo da proteína p53; “factores clínicos ou epidemiológicos” tais como o tabagismo e o uso prolongado de contracetivos orais, o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, baixa escolaridade, baixos rendimentos, multiparidade e história prévia de doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com os mesmos autores a progressão tumoral, que se inicia com a infeção das células do epitélio polo HPV, parece associar-se também com “factores relacionados ao vírus” como por exemplo tipo ou subtipo do vírus, carga viral e infeção simultânea por vários tipos de vírus oncogénicos; “fatores relacionados ao hospedeiro” imunidade e paridade do mesmo; e ainda influenciado por “cofatores” tais como tabagismo, infeção repetida pelo HIV ou outros agentes de transmissão sexual e ainda com o uso prolongado de contracetivos orais. Também Agostinho (2012, p. 20) refere que é essencial a existência de determinados “cofatores” para que a infeção pelo HPV evolua até ao CCU. Esses são: a alimentação deficitária em vitamina A e C e ácido fólico, a raça, o consumo de tabaco, o início da atividade sexual em idade precoce, parceiros sexuais múltiplos, parceiros sexuais de alto risco, paridade elevada e utilização de anticoncecionais orais.
Segundo Costa and Goldenberg (2013, p. 251) o comportamento sexual sofreu uma evolução ao longo dos tempos, tradicionalmente a sexualidade tinha o sentido de reprodução, sendo que na atualidade com a liberação sexual, verificou-se a desvinculação de atividade sexual/ reprodução, sendo realçada em primeira instância a questão da prevenção da gravidez e controle de nascimentos. Nesse interregno de tempo, registou-se o aumento significativo das
infeções sexualmente transmitidas, surgindo uma preocupação acrescida com a prevenção e controle das doenças de delas advêm. Por outro lado, cada vez mais cedo as adolescentes iniciam a atividade sexual - situação que influencia diretamente o aumento da quer da incidência como prevalência de HPV e das lesões causadas por esta infeção.
Assim, no que dia respeito às adolescentes sexualmente ativas, têm-se verificado taxas de incidência e prevalência mais elevadas de infeção por HPV, variando entre 50% e 80% de infeção, a partir de dois a três anos do início da prática sexual. Os mesmos autores referem ainda que é nesta faixa etária que há relações com um maior número de parceiros, favorecendo a ocorrência de DSTs. Posto isto, torna-se fundamental, segundo (Panobianco et al., 2013, p. 202):
“A informação da população sobre os fatores de risco associados ao comportamento sexual, por meio de atividades educativas, é importante para o controle da transmissão. O uso do preservativo nas relações sexuais é uma das principais formas de reduzir o risco, porém não elimina o risco de contaminação pelo HPV”.
Em várias literaturas, é unânime que a utilização de preservativo reduz significativamente o risco de infeção por HPV, no entanto o risco de contaminação existe ainda assim devido há possibilidade da infeção se encontrar para além da área genital, apesar disso é fortemente recomendada a sua utilização como método barreira, “Based on solid evidence, the use of barrier methods (e.g., condoms) during sexual intercourse is associated with a decreased risk of cervical cancer”
O avançar da idade é o fator de risco mais relevante para o aparecimento da maioria dos cancros, se olharmos para um passado relativamente recente verificamos que a esperança de vida era bastante inferior em relação aos nossos dias, para Macip (2013, p. 89) “Poucos dos nossos antepassados duravam o suficiente para dar tempo aos tumores de se desenvolverem, por isso eram detetados com uma frequência relativamente baixa”.
Segundo a World Health Organization (2007, p. 5) são fatores de risco para o CCU: início da atividade sexual em idade precoce, relações sexuais sem preservativo, mudança frequente de parceiros sexuais, Imunossupressão por exemplo infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), cujas pessoas apresentam risco aumentado para infeção por HPV, outras condições associadas são a diminuição da imunidade e o tabagismo.