Os fortes reconhecem seus erros, os frágeis os escondem
Aula 6 – Fazer a higiene mental e resgatar a autoestima
A educação mundial está doente, formando pessoas doentes para uma sociedade doente. Por que? Porque ela é racionalista e ingênua, pois crê há séculos, desde seus primórdios, que bombardearam o córtex cerebral com milhões de dados sobre o mundo em que estamos sobre o planeta Terra, podemos reorganizar o mundo que somos, o complexo planeta Mente.
A educação mundial nos prepara, mesmo que insuficientemente, para interpretar textos e dialogar com o mundo social, mas não nos educa minimamente para interpretar nossas emoções e realizar um auto diálogo, um diálogo aberto, transparente e inteligente com o nosso lixo psíquico. E, apesar de haver mais lixo na mente humana do que nas cidades mais poluídas do mundo, a educação racionalista não prepara seus alunos americanos, europeus, asiáticos e outros, para fazer uma reciclagem inteligente deles. Ela sequer sabe que existe um biógrafo inconsciente no
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metabolismo cerebral, o fenômeno RAM, que está arquivando todos os pensamentos perturbadores e emoções angustiantes sem a nossa autorização consciente. E tudo o que é ativado, nos constitui, não pode ser mais apagado. Mas estudaremos que pode ser reeditado. Como desenvolver saúde emocional, se somos irresponsáveis em proteger e higienizar nossa mente? Infelizmente estamos no tempo da pedra em relação à gestão da emoção, e você é um privilegiado em fazer esse curso. Mas, por favor, não faça apenas para si. Ensine essas ferramentas, pense no quanto a sociedade está doente. Por exemplo, pense que em cada 4 segundos, uma pessoa tenta suicídio no teatro da Humanidade. E a cada 40 segundos, alguém consegue.
Por isso, a academia de gestão da emoção vai pulverizar projetos gratuitos de prevenção em todo o mundo. É um grande sonho. Se as pessoas de todas as idades e de todos os povos descobrissem essas técnicas e se soubessem do poder surpreendente que está dentro delas, deixariam de ser espectadores passivos das suas mazelas, tornar-se-iam roteiristas mais criativos de sua História, seriam atores e atrizes principais do teatro da sua mente.
Décima ferramenta do Programa de Gestão da Emoção “4 Semanas Para Mudar a sua História”. Essa ferramenta é vital, é ampla, genérica, mas você deve aplicá-la na sua individualidade. Quanto pior a qualidade da educação, mais importante será o papel da Psiquiatria e da Psicologia. A educação mundial se tornou estritamente cartesiana, racionalista. Ela bombardeia o córtex cerebral, com milhões de dados sobre o mundo em que estamos, na esperança de que lá na frente, sai um aluno da universidade, da pós-graduação lato sensu ou stricto sensu, ou mestrado e doutorado.
Um aluno brilhante, altruísta, generoso, resiliente, proativo. Ledo engano. Isso é tão ingênuo como você acreditar que se colocar numa máquina pincéis, tintas, você lá na frente, através do processamento, vai ter uma obra-prima. Essas obras primas são produzidas de maneira artesanal, de forma inteligente, libertando imaginário, também para produzir o ser humano ou ajudar a formar o ser humano mentalmente livre, emocionalmente saudável, intelectualmente proativo, ousado, reinventivo. O processo é artesanal.
Nós não podemos acreditar que, bombardeando com milhares de dados de Matemática numérica, nós vamos ensinar um aluno a desenvolver a matemática da emoção. Na Matemática numérica que você aprendeu, eu aprendi, toda vez que você divide, você diminui, em qualquer circunstância. Mas na Matemática da emoção, toda vez que você divide, você aumenta. Se você aprende a dividir as suas dores com os seus pais, com a sua esposa, com seu marido, você aumenta a capacidade de superação.
Na escola cartesiana, você aprende línguas, você aprende a usar verbos, os vários tempos verbais, emendar os verbos em um pronome, no adjetivo, num substantivo para produzir o quê? Para produzir frases, sentenças de maneira correta. Essa é a tese cartesiana do aprendizado de línguas, mas, por favor, aprender línguas para se conectar com o mundo, não quer dizer aprender línguas para se conectar consigo, para dialogar consigo. Qual o teu diagnóstico quando você vê alguém falando sozinho? Eis aí um louco. O que você pensa quando vê alguém mexendo os lábios?
Está falando para o ar, eis aí um psicótico.
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Nós somos preconceituosos. Claro, não devemos sair falando em voz alta no meio das pessoas, vão achar estranho. Mas o fato é que o auto diálogo é muito importante.
Se você não dialogar com os seus fantasmas mentais, por exemplo, os seus sentimentos de culpa, se você não questionar a sua auto cobrança, se você não impugnar os seus pensamentos perturbadores, você vai acumular lixo no córtex cerebral. A mesa do seu escritório pode estar limpa, mas a mesa da sua emoção está poluída. Se você não reciclar tudo aquilo que te perturba, se você não se comunicar com a sua própria mente, perguntando, questionando “por que eu produzo tantos pensamentos perturbadores? por que que eu sofro por antecipação?”. Sim, ninguém está ouvindo, você está se calando por fora, mas fazendo a Mesa Redonda por dentro.
O eu está reunindo com os seus fantasmas e dando um choque de lucidez neles. “Por que o futuro me assombra? Por que eu sou tão preocupado que as coisas não deem certo? Por que eu rumino o que eu tenho de pior?”.
Lembre-se do que eu disse. Ninguém entraria na casa de alguém e enfiaria a cabeça numa lata de lixo, mas nós fazemos isso na grande casa, chamada Mente Humana.
Nós ruminamos as perdas, as mágoas, as traições, as frustrações, os desafetos, fixamos a nossa leitura, ancoramos a nossa capacidade, o nosso foco, naquilo que nós temos de pior. E quanto mais o fazemos, mais desertificamos a nossa memória, a nossa paisagem emocional.
Por isso, que eu estou advogando no mundo todo, para ter saúde emocional, para prevenir os transtornos psíquicos, para desenvolvermos uma mente criativa, proativa, livre e ousada. Temos de fazer a Mesa-Redonda do Eu. Nós temos de conversar de maneira inteligente no silêncio da nossa mente contra tudo aquilo que nos perturba.
“Como surgiu esse pensamento? Porque surgiu? Como surgiu o sentimento de culpa?
Porque sou escravo dele? Eu não concordo em ser vítima, eu quero ser autor da minha própria história, eu duvido do controle dos meus medos, eu exijo ser gestor da minha mente, gestor da minha emoção”.
Há ambições que são ilegítimas, a necessidade neurótica de poder é uma ambição ilegítima, a necessidade neurótica de ser o centro das atenções é outra ambição ilegítima, tola, débil. A necessidade de estar acima dos outros é outra ambição doente.
Ter dinheiro por ter dinheiro vai te empobrecer, porque o dinheiro mal usado, ele empobrece. Empobrece você no único lugar em que você não deveria ser paupérrimo.
Mas há ambições legítimas. Ambição de ser feliz, ambição de ser tranquilo, ambição de você reciclar o lixo da sua mente, ambição de você conversar com os seus fantasmas mentais e perguntar “por que que eu sofro por antecipação? por que que eu sou vítima do meu passado? por que que eu sou uma máquina de trabalhar? Por que eu estou preparando-me para ser o mais rico de um cemitério ou um profissional mais perfeito de um leito do hospital? Esgotei tanto o cérebro, me identifiquei tanto a ser perfeito que eu me autodestruí, enfartei ou desenvolvi outras doenças psicossomáticas, autoimunes. Alguns desenvolvem diabetes, outros cânceres.
Queridos amigos, quanto pior a qualidade da educação!
E a gestão da emoção vem turbinar a qualidade da educação, vem dar ferramentas para todos os níveis das crianças aos da High School, alunos do Ensino Médio, do ensino universitário a pós-graduação, dos profissionais liberais aos executivos, dos
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pais aos professores, a gestão da emoção vem dar ferramentas para que nós não tenhamos essa tese. Quanto pior a qualidade da educação, mais importante será o papel da Psiquiatria e da Psicologia neste século.
E nunca, o papel da Psiquiatria e Psicologia clínicas foram tão importantes. Está havendo, por exemplo, uma verdadeira epidemia de suicídios. Estamos assustadíssimos, preocupados e você deve estar preocupado. E a imprensa quase não fala sobre isso, porque é um tabu. Há 30 anos, não se falava sobre drogas nas escolas. Eu me lembro quando eu comecei a fazer prevenção, havia uma proibição porque falar de drogas estimulava o consumo. Aquilo era tão ingênuo e tantas pessoas acabaram usando drogas, porque não tiveram orientação adequada. E a mesma coisa em relação ao suicídio. Não se fala sobre o suicídio, é proibido porque isso pode estimular as pessoas a tirarem a sua vida.
Não sei se você sabia, mas eu escrevi vários livros que falam sobre as doenças emocionais. Um deles é “O Vendedor de Sonhos”, que se tornou filme, outros é “O Futuro da Humanidade”, “O Colecionador de Lágrimas”, também “Felicidade Roubada”, “A ditadura da beleza” e “A Revolução das Mulheres” que vai se tornar um filme nos Estados Unidos, um filme em inglês. Eu falei dos problemas de maneira aberta. Sabe o que tem acontecido? Milhares de pessoas tem escrito cartas, dizendo que já haviam tentado uma ou mais vezes o suicídio e, depois dos meus livros, elas ou eles entenderam que, de verdade, eles não queriam matar a vida, queriam matar a dor, queriam matar o autoabandono, o sentimento de culpa, angústia que calava fundo na sua alma. Eles entenderam que dentro deles, há uma força incontrolável para viver, mesmo quando pensam em viver.
Os jovens, frequentemente, dizem “”eu não pedi para nascer”. Infelizmente como eu lhes disse, na era da Medicina, na era da indústria, do lazer, nunca tivemos tantas pessoas doentes, nunca tivemos uma geração tão triste. Aumentamos em 40% o índice de suicídio numa época que raramente havia crianças de 10 a 15 anos. Jovens estressados passam por problemas, às vezes, rompem namoros e eles então se auto punem e querem desistir da vida. Alguns dizem “eu não pedi para nascer”, mas eu estou proclamando nos meus livros, que vão se tornar filmes. Mentira. Tese 100%
errada. Você não apenas pediu para nascer, você gritou para nascer. Se você entender gestão da emoção e entender os bastidores da vida, você lutou para nascer e você foi o maior alpinista da História. Você escalou vários Everest, você escalou edifícios, muitas vezes maiores, sem cordas, sem aparelhos, como aqueles que escalam Everest. Você foi o maior nadador da história, mas você poderia me dizer:
”Dr. Cury, eu nunca nadei mais do que 100m ou 1km, quanto mais oceanos”. Mas nadou, comparativamente ao seu corpo no começo da vida, nadou oceanos atlânticos e pacíficos inteiro, e você foi também o maior maratonista da história.
Alguns alunos quando vão fazer concursos, por exemplo, o concurso para a magistratura, um advogado concorre com 100, 200 ou 300 outros alunos. Quando vão fazer concurso para Medicina, concorrem com 50, 100 ou 200 alunos e acham que tudo isso é demais. Mas eu te digo, no começo da sua vida, você concorreu com dezenas de milhões de participantes. Quando? Quando você era simplesmente um espermatozoide. Você foi um espermatozoide vencedor e, se outro espermatozoide
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tivesse fecundado o óvulo da sua mãe, não seria você. Seria outra pessoa, outra personalidade, com outras manias, com outras características, mas foi você que lutou pela vida. Você, como Romeu da mais incrível história de amor, se apaixonou pela Julieta (óvulo). O Romeu (espermatozoide) lutou, escalou Everest, nadou oceanos e fecundou o óvulo, e gerou você, com todas suas características.
Por isso, jamais se diminua. Por isso, você deve saber que se naquela época quando havia só a carga genética, você foi profundamente apaixonado pela vida, imagine hoje quando você tem a capacidade de desenvolver um raciocínio esquemático, a capacidade de desenvolver o pensamento estratégico. Imagine hoje que você pode ousar, pode se reinventar, pode escrever os capítulos mais nobres da sua história dos dias mais tristes da sua vida.
Eu me lembro que quando estava dando uma conferência do maior anfiteatro de Angola, o âncora do principal jornal, ele falou assim para mim: “Eu sou William Bonner de Angola. Dr. Cury, muito obrigado, eu descobri que eu sou um espermatozoide vencedor”. Ele foi para a plateia e falou: “Gente, eu descobri que eu escalei Everest, eu descobri que eu nadei oceanos, eu descobri que apesar de todos os meus defeitos dentro de mim tenho fome e sede de viver”.
Deveríamos ensinar para prevenir o suicídio que todos os jovens não apenas não pediu para nascer, mas gritou para nascer, lutou para nascer e foi um espermatozoide vencedor.
E você também. Por isso, se geneticamente você tem muito poder, imagine intelectualmente o poder que você tem. Você pode e deve fazer coisas incríveis, você pode e deve impactar sua família, impactar as pessoas que estão ao seu redor, você pode e deve ter um caso de amor com a sua saúde emocional, você pode e deve libertar a sua criatividade e deixar fluir o gênio, o líder, o empreendedor.
Basta todos os dias você aplicar as ferramentas de gestão da emoção como aluno disciplinado. Assim, 4 semanas depois estendendo-as para a sua vida, certamente você não vai colocar pontos finais na sua história, mas em cada momento dramático vai colocar vírgulas, porque os melhores textos estão por vir.
Forte abraço!
Conclusão da décima ferramenta: Todos os dias devemos ter um auto diálogo inteligente para domesticar nossos fantasmas mentais. É nossa responsabilidade treinar nossas habilidades para sermos, pouco a pouco, diretores do nosso script socioemocional. Mas, saiba que nunca seremos diretores plenos, sempre produziremos lixos mentais e emocionais, mas podemos transformá-los em adubos para crescermos, podemos e devemos ser gestores de nossas mentes para desenvolver saúde psíquica, minimamente aceitável. Desse modo, aplaudiremos a vida como um espetáculo único e imperdível. A existência ganhará mais inteligência global, seu sabor emocional terá mais profundidade e estabilidade.
Mas, paciência! Este treinamento será para a vida toda. E neste momento solene, eu o parabenizo, querido aluno, você completou a segunda semana do nosso programa.
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MÓDULO 4
Aula 1 – Introdução
Parabéns, você já completou metade da sua jornada.
Agora, preste muita atenção no que que você deverá aprender ao decorrer desta semana.
Agora você vai começar a aprender sobre os bastidores da mente humana e as sofisticadas funções do eu. Com isso, você vai começar a aprender aos fenômenos inconscientes que controlam a sua mente. Você vai aprender a dominar o seu eu, a desenvolver a sua autonomia, capacidade de escolha e seu autocontrole.
E agora que você está se abraçando mais, finalmente você vai começar a perceber a sua autoliderança. Ser líder dos seus pensamentos e emoções!