3. LOTEAMENTO DE ACESSO CONTROLADO 1 CONCEITO
3.5 FECHAMENTO DO LOTEAMENTO
O loteamento pode ser aprovado e concebido como loteamento fechado (de acesso controlado), caso em que, no próprio ato municipal de aprova- ção, ou em ato concomitante se preverá a possibi- lidade de seu fechamento, as condições para tanto, as eventuais compensações urbanísticas exigidas e como se dará o trespasse do uso dos bens públicos.
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Loteamento - circunscrições diversas Comunicação à Prefeitura Loteamento - fechamentoNessa hipótese, dentre os documentos que figurarão no processo de loteamento constará o ato municipal que autoriza e regula o fecha- mento do perímetro do loteamento, bem como as áreas que deverão ser mantidas fora da parte cercada para uso da comunidade vizinha e ou- tras possíveis compensações urbanísticas. O re- gistrador, a nosso ver, poderá dar publicidade ao regime jurídico do loteamento, indicando no registro se tratar de loteamento de acesso con- trolado, fazendo referência ao ato administrati- vo do Município.
Como dito, não haverá necessidade de se efe- tuar licitação anteriormente ao trespasse do uso dos bens públicos, uma vez que inexistem outros interessados diretos além dos proprietários/mora- dores do loteamento. Outrossim, não haverá ne- cessidade de se proceder à desafetação dos bens públicos, uma vez que, embora haja controle de acesso, eles não perderão sua finalidade originária.
A eventual concessão ou permissão de uso das vias públicas, praças, áreas livres e áreas ins- titucionais se fará a uma associação de morado- res/proprietários que deverá ser formalmente constituída com registro no Registro Civil de Pes- soa Jurídica da Comarca de sua sede (art. 45 do Código Civil e art. 119 da Lei n. 6.015/1973). O ato efetivo de trespasse do uso não tem ingresso no Registro de Imóveis, nas matrículas das áreas pú- blicas, por falta de previsão legal, de acordo com o que preconiza o princípio da taxatividade.
A concessão de direito real de uso, por ou- tro lado, é registrável, em atenção ao que dispõe
Licitação - dispensa
Concessão de Direito Real de Uso Bens públicos - concessão ou permissão de uso
o art. 167, I, 40, da Lei n. 6.015/1973. Nesse caso, o registrador teria de abrir matrícula para as áreas públicas geradas a partir do loteamento e, então, registrar em cada uma delas a concessão de direi- to real de uso.
Apesar de ser possível o Município aprovar o loteamento como fechado, o ato de trespasse de uso em si, no mais das vezes, não ocorre de imediato, seja pela necessidade de realização das obras de infraestrutura e de fechamento do em- preendimento, seja pela necessidade de prévia e regular constituição da associação que se benefi- ciaria da outorga do uso dos bens públicos.
De todo modo, independentemente do re- gistro do ato de trespasse, o Oficial poderá dar publicidade ao regime jurídico especial do lote- amento, mediante informação lançada no corpo do registro, a partir do ato municipal que apro- vou e regulamentou aquele loteamento de acesso controlado. Trata-se de informação relevante e que afeta o próprio regime jurídico do loteamen- to, logo deve ser publicizada.
Outrossim, é possível que um loteamento seja concebido como aberto, aprovado normalmente, e, em momento posterior, se pretenda seu fecha- mento, buscando a autorização do Município e o ato de trespasse do uso das áreas públicas. Parece- -nos que, nessa hipótese, apesar do que já foi de- cidido pela Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo42, a autorização para o fechamento, alterando o regime jurídico do loteamento, deve ser averbada na matrícula-mãe, pois se trata de informação relevante que influi em ato registra-
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Regime jurídico - publicidade Fechamento do loteamento - averbaçãodo, o que possibilita seu ingresso por averbação com fundamento no art. 246, caput, da Lei n. 6.015/1973. Note-se também que, após o adven- to da Lei n. 13.465/2017, o loteamento de acesso controlado é figura expressamente acolhida no or- denamento jurídico pátrio. A possibilidade de se averbar o ato municipal que autoriza o fechamento do loteamento (rectius, que autoriza a alteração do regime jurídico do loteamento) não se confunde com o ato de trespasse de uso, sendo que este não é passível de ingresso no fólio real, salvo a concessão do direito real de uso, como já visto.
A questão que se põe no particular é: se essa alteração do regime jurídico ocorrer após a comer- cialização dos lotes, haverá a necessidade de anu- ência dos adquirentes nos termos do art. 28 da Lei n. 6.766/1979? Pensamos que sim, pois, ao se alte- rar o regime jurídico do empreendimento o direito dos adquirentes é afetado, inclusive gerando novas despesas que lhes poderão ser exigidas nos termos do art. 36-A da Lei n. 6.766/1979. Por isso, o fecha- mento a posteriori pode ser complicado e, a de- pender do tamanho do loteamento, até inviável. O melhor mesmo é que o empreendimento seja con- cebido desde o início como de acesso controlado.
Alteração - anuência dos adquirentes
42 Processo n. 2014/24793, Parecer n. 155/2014-E, da lavra da Exma. Juíza
Auxiliar Ana Luiza Villa Nova, aprovado pelo Exmo. Corregedor Geral da Justiça de São Paulo, Desembargador Hamilton Elliot Akel, em 22 de maio de 2014, no qual se impediu que a informação de o loteamento ser fechado ingressasse no fólio real. Acesso: Idem nota 38.
3.6 TRANSFORMAÇÕES
As transformações a que nos referimos neste tópico são: a) transformação de loteamento fe- chado em loteamento aberto; e b) transformação de loteamento de acesso controlado em condo- mínio de lotes. Questionamos: é possível realizar tais transformações?
Com relação ao item “a”, parece-nos indene de dúvida a possibilidade de se transformar um loteamento fechado em loteamento aberto. Isso pode ocorrer por ato da municipalidade, de revo- gação do uso exclusivo das áreas públicas, o que implicará a abertura do perímetro, ou em decor- rência de ação judicial que determine a abertura do loteamento.
Se a abertura não decorrer de ato da mu- nicipalidade calcado no interesse público, mas sim de acordo (ou de pedido) entre o loteador e a municipalidade, entendemos que será o caso de aplicar a regra do art. 28 da Lei n. 6.766/1979, exigindo-se que os adquirentes dos lotes consin- tam com essa alteração, uma vez que seus direitos serão afetados. Mas isso só ocorrerá se a atuação da municipalidade se der em resposta ao pedido dos particulares e em razão do interesse destes, sem haver interesse público especial incidente no caso. Isso porque, se houver interesse públi- co, com revogação dos atos administrativos que sustentam o uso privado dos bens públicos, não há como condicionar a abertura do loteamento à anuência do loteador ou mesmo dos adquirentes.
Em qualquer um desses casos de abertura
Loteamento fechado - transformação para aberto
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do loteamento, se houver constado do registro do loteamento, ou por averbação posterior, na matrícula do imóvel loteado que se trata de lote- amento de acesso controlado, deverá ser proce- dida a averbação de alteração do regime jurídico do empreendimento – de loteamento de acesso controlado para loteamento aberto –, com fun- damento no art. 246, caput, da Lei n. 6.015/1973. Com relação ao item “b”, entendemos não ser possível transformar um loteamento de aces- so controlado em condomínio de lotes por haver incompatibilidade entre os regimes jurídicos, em especial porque o primeiro compreende a exis- tência de áreas públicas ao passo que o segundo somente abarca áreas privadas. Nesse caso há ne- cessidade de prévio cancelamento do registro do loteamento, com observância do procedimento previsto no art. 23 da Lei n. 6.766/1979, e poste- rior registro da incorporação ou da instituição do condomínio de lotes. Loteamento de acesso controlado - transformação para condomínio de lotes