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Felipe Pena e Monica Martinez

No documento PORTCOM (páginas 69-87)

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o contexto de um governo anti-iluminista e

autoritário, toda pesquisa é um ato de resistência. Por consequência, o jornalismo também será resistência.” Com estas palavras o jornalista Felipe Pena define a atuação de seu campo de conhecimento na entrevista concedida à professora Monica Martinez para a Cátedra INTERCOM. Professor da Universidade Federal Fluminense, conselheiro da ABI e diretor da INTERCOM, Pena usa a psicanálise e a linguística para fazer uma análise sobre o autoritarismo de Bolsonaro durante a pandemia e seus reflexos no jornalismo contemporâneo.

Felipe se vale das ideias de Sigmund Freud, para quem a civilização, sob o império da lei, é a responsável pela inibição da agressividade humana, que é uma expressão narcísica do ego. No entanto, segundo Pena, “tal narcisismo agressivo rompe a barreira do recalque e se manifesta publicamente quando incentivado por líderes que se supõem acima da lei (e, portanto, da civilização) ou quando avalizados por um grupo “

que recorre a pequenas diferenças em relação ao outro para justificar a barbárie.’

Para o pesquisador, os “bolsominions” se encaixam em ambos os casos. “Seguem o líder, a quem chamam de mito, e dão vazão aos recalques narcísicos atacando as diferenças dos grupos que elegem como rivais. Daí a constante referência agressiva a homossexuais, negros e feministas”. Tudo isso potencializado por canais próprios de comunicação e pela ineficiência da imprensa tradicional em explicar a guerra semiótica em que nos encontramos.

Quando alguns críticos consideram a palavra nazismo exagerada para definir o Brasil de 2020, Pena observa que as características citadas por Freud no livro “Mal estar na civilização” já estavam presentes na Alemanha da década de 1930. Além disso, o professor também cita o filólogo Viktor Klemperer e seu clássico “A linguagem do terceiro reich”, de 1946, para explicar o sequestro da cognição pública através da ressignificação de palavras e dos neologismos ativistas, demonstrando que os signos veiculados pela imprensa já foram contaminados e, portanto, estão nos condenando à desinformação e à ignorância.

Mônica Martinez: Felipe, queria saber quais são suas

reflexões sobre a pandemia no contexto da pesquisa que a gente faz em jornalismo hoje. Como é que você está vendo isso?

Felipe Pena: É muito cedo pra dizer, embora seja

necessário dizer. A ciência requer um longo prazo, a pesquisa precisa de um longo prazo. E nós estamos na emergência, estamos na perspectiva da urgência. Entretanto, essa perspectiva de urgência requer uma certa assertividade no que vamos fazer para nos debruçarmos sobre o presente. Assertividade que se resume numa única ação: resistência. As pesquisas sobre jornalismo precisam focar nas maneiras de resistir às fake news produzidas por Bolsonaro e seus asseclas de inclinações claramente fascistas, no sentido estrito do termo. No contexto

de um governo anti-iluminista e autoritário, toda pesquisa é um ato de resistência. Por consequência, o jornalismo também será resistência.

Agora, na perspectiva do longo prazo, devemos ter em mente as avelãs dos historiadores da escola dos Anais, na França, conforme a metáfora de Jean Lacouture, de que o jornalista acaba roendo as avelãs com muita velocidade e o tempo histórico é o tempo da lentidão, do longo prazo. Só que, nesse momento, a gente está vivenciando a história, então é impossível não refletir com um olhar crítico, com um olhar de pesquisa sobre o momento, principalmente no nosso campo, em que as informações e as contrainformações são utilizadas para um ataque direto à democracia. Este tempo não inaugurou a era das Fake News, mas este tempo potencializou a era das Fake News. E se a era das Fake News potencializada já era muito perigosa do ponto de vista político, (e continua sendo, a gente vai falar sobre autoritarismo daqui a pouco), ela é mais perigosa ainda em tempos de pandemia, pois está mexendo diretamente e literalmente com a vida das pessoas. Há milhares de brasileiros que acreditam no conto da cloroquina, por exemplo, que é divulgado por Fake News. O próprio presidente da república é o primeiro a difundi-las, o que acaba influenciando cognitivamente no comportamento da população.

A gente vê que boa parte dos brasileiros não entende o que está sendo feito, não entende o que é o isolamento social e aí o presidente sequestra a cognição pública fazendo falsos dualismos. Aliás, falsos dualismos que vêm sendo feitos há algum tempo, mas que agora são resumidos no falso dualismo entre salvar vidas e salvar a economia. E ao divulgá-lo como se fosse verdadeiro, com alguns meios de comunicação comprando essa ideia e dando alguma voz a versões completamente inverossímeis, a mentira se potencializa em grande parte da população.

Então, a gente tem que começar desde já a se debruçar sobre isso. Devemos pesquisar como se dá essa guerra semiótica que é produzida no campo jornalístico. O que que falta para a gente entrar nessa guerra como profissionais do ramo, como pesquisadores do ramo, mostrando suas estratégias com fatos, com pesquisas, com dados fáticos? Como se contrapor a esse tipo de narrativa que tem fundamentos muito bem elaborados, que vêm lá da eleição americana de 2016, gestados por Steve Bannon para a campanha do Trump, sequestrando a cognição pública a partir de conceitos mimetizados dos nazifascistas?

É preciso entender que essa mimetização foi potencializada pela rede constituída por grupos de bolsonaristas, cujos contextos beiram o surrealismo. É inacreditável que pessoas defendam o fim do isolamento, é inacreditável que um ex-ministro de estado vá a uma emissora de TV como a Globo News, por exemplo, e tenha a palavra garantida para dizer que precisamos de imunidade de rebanho. Quantos milhões morreriam? Há uma falsa equivalência no jornalismo tradicional e ela é influenciada pela lógica das redes.

A gente tem que tentar entender o momento factual e fazer pesquisa sobre isso. Devemos perguntar o que significa dar voz a um sujeito como este. Isso é liberdade de imprensa? O conceito realmente se aplica a um ex-ministro que defende a imunidade de rebanho quando a gente tem acesso às informações do mundo inteiro e todos os líderes que tentaram essa estratégia preferiram voltar atrás? Dou o exemplo aqui do Boris Johnson na Inglaterra. O Reino Unido foi o último país a fazer o isolamento e agora aparece como o segundo em número de mortos porque o Johnson tentou essa famosa imunidade de rebanho, que comprovadamente não funciona. Divulgar isso como alternativa é liberdade de imprensa?

Também precisamos fazer a interlocução com os outros campos do saber para entender o que está acontecendo. Então,

eu acho que dois campos fundamentais se apresentam, neste momento, para interagir com o jornalismo nas pesquisas durante essa emergência, nesses tempos de pandemia e autoritarismo: a psicanálise e a linguística. Essas disciplinas me parecem determinantes para a gente tentar entender como é que se dá esse sequestro da cognição pública, como é que se dá essa guerra semiótica.

Para usar um conceito do Searle, que é um clássico da linguística, o país renunciou ao signo interpretante. Por exemplo: você imagina alguém lá nos grotões do Brasil ouvindo o termo “déficit primário” todo dia no Jornal Nacional? Ou entendendo o que são pedaladas fiscais? O público compra o dualismo, a facilidade da dicotomia, a indução da conclusão mais simples, a informação que prescinde do signo interpretante.

Quando alguém fala que vai salvar tua vida ou que vai te dar uma esperança de viver melhor, você não precisa do signo interpretante, O signo interpretante é própria dualidade entre viver ou morrer, só que esse signo interpretante é sequestrado não na resposta que te dão, mas na forma como te perguntam. Há uma experiência que fazemos muito em psicologia social, que é perguntar a uma plateia qual é o contrário de branco. Todos respondem que é preto. Em seguida, perguntamos qual é o contrário de claro. Aí a plateia responde: “é escuro” e, então, você pergunta qual é o contrário de verde. E boa parte da plateia fica em silêncio e aí você responde: “será que é vermelho? É azul?” e boa parte diz: “Não tem contrário de verde, não existe o contrário de cor”. Aí eu digo que tem sim, que o contrário de verde é maduro, e há um certo desconforto porque as pessoas percebem o óbvio: que foram manipuladas. Elas foram induzidas pelo condutor da plateia, que sou eu, a pensar apenas em termos cromáticos, e é isso que eu chamo de sequestro da cognição pública. Esse sequestro é feito através da linguagem. Se eu começo a falar em termos cromáticos, você

vai pensar em termos cromáticos, e vai ter muita dificuldade em mudar sua chave para outros significados que não estão ligados àquele significante com o qual eu iniciei a conversa.

Então, no contexto da pandemia, se eu já inicio a conversa dizendo que o isolamento vai acabar com empregos e vai causar mais mortes do que a própria doença, a cognição já foi sequestrada, a informação já foi deturpada. Esse é o discurso genocida bolsonarista. Essa é a barbárie de 2020.

MM: Só um minutinho, Felipe, é que você ia falar

também sobre psicanálise. Mas conclua sobre a linguística.

FP: Desculpe. Vou concluir. Há um livro de que eu

gosto muito, que é “A linguagem do Terceiro Reich”, do Victor Klemperer, que era um linguista, professor titular de uma universidade alemã na década de 1920, judeu, que, obviamente, perdeu a cátedra, perdeu o lugar na universidade e teve que ir pro gueto junto com a esposa, que não precisava ir porque era ariana, mas o acompanhou assim mesmo. Lá, no gueto, ele compôs esse livro através de pequenos bilhetes que escrevia diariamente e entregava pra mulher, que se arriscava para deixá-los na casa de uma amiga, nos bairros nobres de Berlim, para que o livro fosse publicado ao final da segunda guerra mundial e os alemães tivessem uma ideia de como as palavras foram sequestrados pelos nazistas e mudaram de significado. Um exemplo claro que o Klemperer dá no livro é a palavra fanatismo, que virou símbolo de heroísmo. Então, na Alemanha de Hitler, identificar alguém como fanático era identificar alguém como herói. Vamos trocar a chave e pensar isso no Brasil de Bolsonaro. Quantas palavras nós conhecemos cujas chaves de significado foram trocadas para algo pejorativo e, a partir disso, se fez política?

Vou dar alguns exemplos. A palavra “esquerda” aparece em composição com neologismos inventados por gente da imprensa. Esquerdopata é um termo inventado por Reinaldo

Azevedo, que é um jornalista conhecido, mas você nunca ouviu a palavra direitopata. Então só a esquerda aparece no glossário fascista como algo doentio. Um outro exemplo é o antipetismo, que existe com muita força, mas baseado numa suposta relação de que o PT teria sido o partido mais corrupto da história da república nos últimos anos (e eu não tô aqui negando a corrupção por parte do PT). Mas não existe o antipessedebismo, embora dois ex-governadores do PSDB estejam presos e o mensalão começando no PSDB. E também há o PP, que foi o partido de Bolsonaro, com o maior número de envolvidos na lava-jato, mas não existe a palavra antipepismo. Então, por meio de neologismos e sequestros de significados de palavras, a extrema-direita conduz a cognição pública. A palavra feminismo, por exemplo, virou luta de mulheres mal amadas a partir de ironias dos conservadores. A expressão “direitos humanos” virou direito de bandido e não algo que está na declaração dos direitos universais do homem há mais de 70 anos. O mundo inteiro trata os direitos humanos com muita seriedade e no Brasil isso foi usado numa guerra semiótica covarde pela extrema-direita bolsonarista.

Trata-se de uma estratégia de Goebbles, que foi o ministro da propaganda de Hitler. Não é à toa que a gente tem citações nazistas e até encenações hitleristas no governo Bolsonaro. É porque isso é estratégico, isso é feito de forma estudada pelos asseclas que se instalaram no gabinete do ódio que funciona no Palácio do Planalto. Fake news são notícias falsas, mas são propaganda verdadeira. Essa inversão semiótica difundida por redes de whatsApp está levando o país de volta ao século XIX.

Agora, entrando na psicanálise, Mônica, para dar continuidade àquilo que você tinha me perguntado, vou falar de civilização e de narcisismo das pequenas diferenças. A civilização é resultado da primazia do princípio da realidade sobre o princípio do prazer, conforme a lógica freudiana.

É o que dá corpo ao nosso contrato social. Sem ele temos a barbárie. E é por isso que existe o recalque dos desejos anticivilizacionais. E é, provavelmente, pela mesma razão, que você não dá um tiro no motorista que te dá uma fechada no semáforo vermelho.

Entretanto, a existência de um líder que não tem superego dá margem para que os desejos mais repulsivos ultrapassem o princípio da realidade. E isso também se aplica à circulação da informação. Então, mais do que uma época da pós-verdade, a gente vive a época da autoverdade. Aquilo que consolida meu desejo por uma autoverdade consolida a informação que recebo, mesmo que ela seja falsa.

Vou repetir para ficar mais claro. Freud dizia que havia dois princípios básicos: o princípio da realidade e o princípio do prazer. O princípio do prazer está ligado a tudo que me traz alguma satisfação imediata e não tem limites. Já o princípio da realidade vem para conter o princípio do prazer e constituir aquilo que nós chamamos de civilização. Isso está muito bem escrito no livro “mal-estar na civilização”, um clássico de Freud. O recalque dos princípio do prazer nos causa mal- estar porque a gente tem que abdicar de determinados desejos em função da civilização, De novo: você não atravessa um um farol vermelho porque sabe que vai ser multado, você abdica de desejos primitivos sexuais sabendo que vai ser preso ou que não há concordância da outra parte. Tudo isso é signo de civilização, mas com Bolsonaro os monstros saem do armário e a barbárie passa a imperar.

Há um conceito que o Freud explorou muito tanto no livro “Mal-estar da civilização” como no “Psicologia de grupo”, que é o conceito de narcisismo das pequenas diferenças. Freud explica que quando você recalca os seus desejos através do princípio da realidade, eles ficam de tal maneira subjugados pela civilização que há sempre uma

vontade de cortar esse elo com a contrato social e poder externar aquilo que havia sido recalcado.

Para Freud, a civilização, sob o império da lei, é a responsável pela inibição da agressividade humana, que é uma expressão narcísica do ego. No entanto, tal narcisismo agressivo rompe a barreira do recalque e se manifesta publicamente quando incentivado por líderes que se supõem acima da lei (e, portanto, da civilização) ou quando avalizados por um grupo que recorre a pequenas diferenças em relação ao outro para justificar a barbárie.

Os bolsominions se encaixam em ambos os casos. Seguem o líder, a quem chamam de mito, e dão vazão aos recalques narcísicos atacando as diferenças dos grupos que elegem como rivais. Daí a constante referência agressiva a homossexuais, negros e feministas. Em muitos casos, tal referência esconde algo ainda mais profundo: um desejo reprimido de ser o outro. Portanto, matar o outro se torna uma forma de matar o próprio desejo reprimido. O discurso armamentista na segurança e conservador nos costumes é a perfeita expressão desse recalque.

Quando alguns críticos consideram a palavra nazista exagerada para definir um “bolsominion” no Brasil de 2020, sempre pergunto se as características citadas por Freud não estavam presentes também na Alemanha da década de 1930. Algo como “Dr. Freud falou, Dr. Freud avisou!”, parodiando a música dos Paralamas. Da mesma forma, recorro algumas condições históricas, como crise econômica, desgaste da esquerda, falta de representatividade política e a busca por um salvador da pátria. Não estaria sendo pavimentado o caminho para um totalitarismo nazifascista no país? Ou vocês ainda acham que é exagero?

MM: Nem estava entre as perguntas que a gente

também, já como eu puxo mais para o Jung. Essa noção que o Jung vai trazer de projeção e ligando com isso que você está trazendo, como está sombra que tem, que tá sendo projetada nesse representante, ela acaba respingando na imprensa com o comportamento violento que muitos colegas têm sofrido, eu vou colocar essa pergunta para você e depois como é que você está vendo isso, e depois eu vou falar aqui, não me deixa esquecer, uma boa notícia que o Pedro nos deu tá ?

FP: Como você sabe, eu não sou um especialista em

Jung, sou apenas um leitor de Jung, mas vejo o conceito de sombra projetado na própria imprensa, porque a gente tem sempre que se perguntar quem criou a sombra que agora a própria imprensa tem que enfrentar. O Bolsonaro não surgiu do nada, ele foi tratado durante muito tempo como uma aberração que dava ibope. O CQC, por exemplo, que era um programa que supostamente fazia jornalismo, tentava ironizar o Bolsonaro o tempo inteiro, só que essa tentativa acabou sendo uma catapulta para Bolsonaro. A própria imprensa deu voz a todos esses signos que a gente mencionou. Ou seja, esse sequestro da cognição pública começou bem antes do golpe de 2016. Signos como” antipetismo” e “esquedopata” são a sombra criada pela imprensa, que agora tem que conviver com o resultado da própria sombra que ela projetou. O monstro se voltou contra quem o alimentou.

Quando a imprensa apanha na rua ou quando está ali naquele cercadinho do Alvorada, ela sofre uma das coisas mais humilhantes que eu já vi na história do jornalismo nesse país. A imprensa tem que ficar ali naquele cercadinho, em frente ao Palácio, ao lado de militantes bolsonaristas, sendo menosprezada, chutada, mas todo dia está lá. Aquilo é o resumo mais consistente do reflexo da própria sombra que a imprensa construiu e é triste ter que falar sobre isso, é triste ter que assumir essa responsabilidade, mas houve um momento da nossa história em que se deu a construção dessa sombra a

partir de interpretações mentirosas dos fatos, de construções sociais que nos levaram a um momento de sequestro da cognição pública.

Já naquele momento (golpe contra Dilma em 2016) havia uma voz uníssona que apresentava um discurso homogêneo, um discurso que era totalizante e que não abria espaço a contestação. E aí volto para falar sobre essa sombra usando aquela minha primeira metáfora sobre o contrário de verde, que não existia, apesar de sabermos que é a palavra “maduro”. Isso nunca era perguntado pela imprensa. No golpe de 2016, os repórteres perguntavam para os juristas se o impeachment era crime. Essa pergunta estava errada, era uma condução coercitiva da cognição pública. A pergunta certa deveria ser “impeachment sem crime de responsabilidade é ilegal?” E a resposta seria “Sim, é ilegal, o impeachment está na constituição, mas sem crime de responsabilidade não é legal.”

Então, não deram voz para que houvesse um contraponto e agora chega-se a um momento de um paroxismo total, porque há muitos crimes cometidos pelo atual presidente da república, só que a pauta foi sequestrada e o diversionismo impede o debate sobre o tema. Entrando na teoria do agendamento, eu diria que ele se dá de forma diversionista na imprensa brasileira.

O agendamento diversionista ocorre sempre que o Bolsonaro se vê acuado por algum assunto. O primeiro passo é colocar uma pauta ao estilo Regina Duarte ou Damares, que são aberrações semânticas. Daí todo o resto se dilui. Queiroz caiu no esquecimento, o celular do miliciano que foi assassinado caiu no esquecimento. Afinal, o que que tinha naquele celular? Há quatro meses que o celular está aqui na polícia do Rio de Janeiro e ninguém fala mais na perícia. Disseram que o conteúdo do aparelho ia revelar muita coisa sobre a morte de Marielle, pois pertencia a um miliciano que teve a mulher e a mãe empregadas nos gabinetes dos Bolsonaros, mas a gente não

fala mais no assunto. A pauta foi sequestrada pelas besteiras da Damares, da Regina Duarte e do ministro da educação.

Sempre que “Jesus sobe na goiabeira” e a Damares fala “Meninos de azul, meninos de rosa”, alguma pauta importante some do noticiário. Sempre que o Weintraub fala suas coisas idiotas, a pauta é sequestrada de novo. Isso é o agendamento diversionista. Não sei se ele vai conseguir fazer isso agora, porque, nesse momento, estou olhando todos os sites de notícias dos principais jornais do país e todos eles falam que Bolsonaro pediu a troca na PF para evitar danos à família.

No documento PORTCOM (páginas 69-87)