CAPÍTULO 3: A INTERPRETAÇÃO SOCIOLÓGICA DE FERNANDO ORTIZ
3.1. Fernando Ortiz e o ambiente cubano nos anos 30
Em dezembro de 1930 o ambiente político em Cuba era de muita tensão e conflito. A manobra política operada pelo “consenso cooperativista” em 1928, que reunia os três principais partidos políticos na época (o Liberal, o Conservador e o Popular), manteve Gerardo Machado no poder, aumentando o descontentamento de grupos que nos anos 20 reivindicavam mudanças políticas e administrativas mais profundas, como a Junta de Renovación Nacional
Cívica, a Federación Estudantil Universitária, a Confederación Nacional Obrera de Cuba e o Partido Comunista Cubano. O impacto da crise de 1929 na economia cubana foi devastador.
A produção de seu principal produto, o açúcar, sofreu um decréscimo de 60%. Trabalhadores agrícolas passaram a trabalhar cobrando 25% do que cobravam antes, o salário dos trabalhadores urbanos reduziu em cerca de 50%. O setor público também foi atingido com drásticas reduções salariais e demissões. As greves e os protestos tornaram-se comuns. O governo de Machado respondeu com práticas repressivas, prisões, torturas e assassinatos, fechando o ano de 1930 sob estado de sítio. A passagem reproduzida abaixo demonstra o clima de tensão, incerteza e insegurança.
La huelga general de 1930 no finalizó hasta después de que la feroz represión, las detenciones, la tortura y el asesinato pasaran a ser cosa común. Sin embargo, el incremento de la represión no mermó la resistencia. Al contrario, la oposición a Machado fue en aumento. En el campo estalló una guerra intermitente y los incendios provocados destruyeron millones de arrobas de caña de azúcar. Bandas armadas actuaban por todo el interior, tendiendo emboscadas a los trenes, cortando los hilos del teléfono y el telégrafo, y atacando puestos aislados de la Guardia Rural. En noviembre de 1930 el gobierno proclamó el estado de sitio en toda la isla. Unidades del ejército vistiendo uniforme de combate asumieron funciones policiales en las ciudades y poblaciones de provincias. Supervisores militares desplazaron a los gobernadores civiles de Pinar del Río, Matanzas, Las Villas, Camagüey y Oriente, a la vez que los tribunales militares sustituían a los civiles. Las
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garantías constitucionales se restauraron el 1 de diciembre, pero volvieron a suspenderse diez días después. La represión dependía de un amplio aparato policial: se organizó una policía secreta – la Sección de Expertos, especialistas en el método de torturar – al mismo tiempo que la Partida de la Porra hacía de escuadrón de la muerte al servicio del gobierno. Cuba adquirió el aspecto de un campamento en armas bajo un régimen para el cual la neutralidad era sospechosa y todo crítica, por leve que fuese, subversiva (PÉREZ Jr., 2001, p. 140).
Esse ambiente político fez que Fernando Ortiz se exilasse nos Estados Unidos. Antes disso, em dezembro de 1930, distribuiu um manifesto, Base para una efectiva solución
cubana, posicionando-se contra o governo de Machado. Naquela época formou-se, nos Estados
Unidos, uma Junta Revolucionária que reunia opositores ao regime vigente em Cuba e organizou um “Programa Mínimo Comum” com o objetivo de restaurar as instituições democráticas e republicanas, resgatando as liberdades públicas e a soberania popular. Esse programa, com o qual Ortiz compactuava, entendia que para se cumprir tais objetivos era necessário que o presidente e o Congresso renunciassem a seus cargos e fossem substituídos por um Governo Provisório.
Fernando Ortiz assumia uma posição política de oposição ao governo de Machado, atuando com a intenção de promover sua deposição. Além de contribuir com a elaboração do “Programa Mínimo Comum” e para sua divulgação em Cuba, participou de conferências nos Estados Unidos ocupando-se com a tarefa de “ (...) «educar» a esta gente en los aspectos más sutiles del problema de Cuba, o sea el de las responsabilidades del Tío Sam”134 e “evitar una intervención militar”135, relata a seu amigo José María Chacón y Calvo.
Em seus pronunciamentos, Las responsabilidades de los Estados Unidos en los
males de Cuba (1931) e em Lo que Cuba desea de los Estados Unidos (1932)136, Ortiz analisou
a situação de crise política e econômica que atravessava seu país. O controle que o capital americano exercia na estrutura econômica cubana (possuía a maior parte de sua produção e boa parte das terras), financiamento de partidos políticos e governos em Cuba por empresas americanas e as sucessivas intervenções diplomáticas e militares na ilha, tornavam os Estados Unidos, segundo Ortiz, responsáveis pela ditadura de Machado e seus efeitos perversos ao
134 Carta de Fernando Ortiz a José María Chacón y Calvo, Washington D.C., 12 de março de 1931
(GUTIÉRREZ-VEGA, 1982, p. 94).
135 Carta de Fernando Ortiz a José María Chacón y Calvo, Washington D.C., 19 de fev. de 1931
(GUTIÉRREZ-VEGA, 1982, p.99).
136 De acordo com a imprensa americana Las responsabilidades de los Estados Unidos en los males de Cuba
teria sido “la más violenta y documentada requisitoria contra el gobierno del presidente Machado que probablemente ha escuchado nunca un auditorio neoyorquino” (EL COMMITTEE 1931, p.1-3).
povo137. Reconstituindo historicamente as intervenções norte-americanas, afirmava que a maior parte das intervenções, sobretudo após 1916, foram feitas para manter governos tiranos no poder. O que contradizia até mesmo o texto original da Emenda Platt, pois neste, argumentava, a intervenção era justificada como forma de assegurar a vigência dos princípios republicanos e democráticos para que o povo cubano fosse livre. Entretanto, o apoio dos Estados Unidos ao governo de Machado configurava-se como uma intervenção indireta que mantinha no poder um governo corrupto e ditatorial, que não beneficiava aos cubanos.
Ortiz buscava o apoio dos americanos para reparar as instituições republicanas e democráticas, pois via o governo de Machado como uma ameaça à liberdade e ao “avanço” de Cuba. Pontuou os objetivos do auxílio: acabar com o governo usurpador; destituir o Congresso, eleito de forma inconstitucional; formar um Governo Provisório e restaurar as liberdades públicas; promulgar uma nova Constituição, que reestabelecesse a normalidade do Tesouro, limitasse os gastos públicos, reorganizasse os serviços públicos, aplicasse as penas devidas às
classes criminosas; revisão do Tratado de Reciprocidade, buscando uma “reciprocidade
verdadeira”. Esses objetivos seguiam o Programa Mínimo Comum elaborado pela oposição cubana nos Estados Unidos e que Ortiz havia enviado ao Diretório Estudantil em Havana (Cf. GARCÍA MOLINA, 2005). Esses passos foram, de certa maneira, seguidos pelos Estados Unidos a partir da intervenção diplomática protagonizada por Summer Welles em 1933, embaixador norte-americano em Cuba.
Ortiz apostava em uma argumentação “diplomática” para convencer os norte- americanos que a oposição ao governo de Machado era legítima e não representava ameaças às relações entres os dois países. Buscando apoio americano contra o governo de Machado, ocultou os componentes mais radicais da oposição cubana, apresentando-a como um grupo político de viés republicano. Ortiz, propositadamente, não menciona que as organizações mais radicais desse movimento de oposição possuíam princípios marxistas com tendências revolucionárias, como por exemplo, a ABC, a Organización Celular Radical Revolucionária, o Directorio Estudantil Universitario, a Liga Anti-Imperialista das Américas, a Ala Izquierda
Estudantil, o Partido Comunista Cubano (PCC) e a Confederación Nacional de Obreros Cubanos (CNOC). Além disso, referia-se aos jovens que faziam parte desses movimentos, não
137 Mesmo antes do golpe de Estado de Machado, Ortiz percebia a necessidade de Estados Unidos e Cuba se
conhecerem melhor, buscarem uma reciprocidade econômica e moral que beneficiasse aos dois países. Em
Las relaciones económicas entre Estados Unidos y Cuba, apresentado em 1927 na American Chamber of Commerce of Cuba, pontuou os deveres dos norte-americanos perante o desenvolvimento do povo cubano e
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como revolucionários, como eles mesmos se denominavam, mas como uma juventude republicana. Chegando a afirmar que tais grupos eram, na verdade, conservadores. Paradoxalmente, dizia, “ (...) los elementos realmente conservadores son los que quieren derrocar la tiranía y restaurar las elecciones regulares” (ORTIZ, 1932a, p.7).
A intenção de Fernando Ortiz era fazer com que as interferências americanas, que em seu entendimento não deixariam de ocorrer, tivessem, pelo menos, um sentido positivo para o povo cubano, em aspectos políticos e econômicos. Nas questões políticas, retirando o apoio a Machado e contribuindo na restauração das instituições republicanas e democráticas. Na economia, revendo os tratados comerciais e buscando uma reciprocidade benéfica para os dois países, para se chegar a uma união aduaneira como o “zollverein” alemão. Fernando Ortiz reclamava também um auxílio técnico nas questões econômicas e financeiras para reconstruir o país. Nesse caso, argumentava que ao dominar a “nervatura” econômica de Cuba, os Estados Unidos tornavam-se também responsáveis pelo desenvolvimento econômico do país dominado.
(...) si la interminable intervención norteamericana en los asuntos de Cuba ha de continuar por fuerza de las circunstancias; si el pueblo más fuerte insiste en continuar ejerciendo una forma especial de control sobre la vida del más débil, entonces es absolutamente necesario que esa intervención se haga a la luz de la solemne obligación que el gobierno de los Estados Unidos suscribió en el tratado existente entre los dos países: “entera y exclusivamente en beneficio de la libertad del pueblo cubano y para el mantenimiento de un gobierno adecuado para la protección de la vida, la propiedad y la libertad individual”. Si la intervención no puede ser evitada, que sea conforme a los preceptos del tratado y no para el propósito de mantener gobiernos ilegítimos, incompetentes y sanguinarios. (...)
Hay personas que creen que los cubanos, en estos momentos, no tienen derecho a apelar a la ayuda de los Estados Unidos; pero seguramente que nadie puede negar que al pueblo cubano le asiste el derecho de ejecutar con todo desembarazo y sin coacciones extranjeras, diplomáticas, militares o bancarias, su justa e soberana voluntad (ORTIZ, 1932a, p.13).
Sabendo que os Estados Unidos tinham muitos interesses em Cuba, Ortiz tentava sensibilizar a opinião pública e o governo americano demonstrando que frente ao impasse político vivido na ilha, a posição que mais interessaria aos Estados Unidos era ser contra o governo de Machado. Apesar de atribuir responsabilidades aos americanos pelos problemas de Cuba, pelo controle econômico e político e pelas inúmeras intervenções que fizeram na ilha, o intelectual cubano sabia que não seriam essas alegações que modificariam a postura do “Tio Sam”. A estratégia argumentativa de Fernando Ortiz consistia em retomar a retórica americana da “amizade entre os povos americanos”, da colaboração fraternal, “por humanidade, por civilização e pelo interesse dos Estados Unidos”, como dissera o senador Platt em 1898 (ORTIZ, 1932b, p. 9), que permeava os acordos e tratados firmados entre Cuba e Estados
Unidos, como na Joint Resolution e na Emenda Platt. Ao utilizar o discurso norte-americano da fraternidade entre os povos da América, Ortiz colocava a retórica da “boa vizinhança” em xeque, sem deflagrar um conflito direto.
A Emenda Platt.
De acordo com Manuel Fraginals “(...) el exilio cubano en Estados Unidos es uno de los hábitos más antiguos en la historia de Cuba” (FRAGINALS, 2000, p. 40), iniciado em meados do século XIX com os filhos da elite cubana indo estudar no vizinho do norte. Cuba seria vista pelos Estados Unidos como um grande empório de riquezas (com grande produção de açúcar, café, banana, tabaco e extração de cobre) e como um ponto geográfico estratégico em termos comerciais (situada no meio do caminho que se percorria da costa leste para a oeste passando pelo Panamá, mesmo antes da construção do canal). Durante a década de 1860 surgiram as primeiras versões do anexionismo (corrente ideológica favorável a Cuba torna-se um estado norte-americano), expressando a vinculação da elite cubana com a americana. As viagens diárias de Havana aos Estados Unidos (à colônia cubana de Cayo Hueso), iniciadas em 1880, expressavam a proximidade geográfica e de pensamento entre Cuba e os Estados Unidos (FRAGINALS, 2000). A relação entre esses países intensificou-se no século XX e era uma questão central nos anos 30 para se discutir a reorganização política e econômica.
O papel dos Estados Unidos em Cuba, desde a guerra hispano-americana pela independência da ilha, foi uma questão controversa. No início de 1898, os Estados Unidos entraram na guerra entre cubanos e espanhóis que se alastrava desde 1895 pela independência de Cuba. No final daquele ano, celebrou-se em Paris o Tratado de Paz entre Espanha e Estados Unidos, também conhecido como Joint Resolution, sem a participação de representantes cubanos, onde se declarava que Cuba se tornava um país livre e independente. Formou-se um Governo Provisório coordenado pelos Estados Unidos para se elaborar uma constituição para a nova República. Em 1901, a Assembleia Constituinte cubana, com a Constituição da República de Cuba já aprovada, recebeu a “recomendação” de anexar algumas cláusulas. Estas haviam sido aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos como uma emenda à lei orçamentária para o exército americano que ocupava Cuba. Curiosamente, o Congresso Americano propôs que tal emenda fosse inserida como apêndice à Constituição de Cuba. Esse apêndice à Constituição de Cuba, uma emenda a uma lei americana, é o que conhecemos por Emenda Platt (ROIG, 1973 [1935]).
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A Emenda Platt restringia os tratados de Cuba com outros países, colocava limites para a dívida pública nacional, assegurava aos Estados Unidos a possibilidade de se apossar de parte do território cubano (da Isla de Pinos e outros pontos para a instalação de carvoarias e de uma base naval), previa a elaboração de um tratado comercial entre os dois países, garantia o direito do governo americano intervir em Cuba quando necessário para garantir a vida, a propriedade e a liberdade. Inicialmente, a Constituinte Cubana negou a incorporação desse apêndice à Constituição. No entanto, com a pressão dos Estados Unidos e à luz das declarações de Elihu Root (secretário de Estado americano e o verdadeiro formulador da emenda) e de Orville H. Platt (senador que encaminhou a proposta da emenda no Senado Americano) assegurando as boas intenções desse apêndice, a Constituinte Cubana concordou em adicionar a emenda com a seguinte ressalva: cada ponto da emenda seria acompanhado de comentários que explicariam seu sentido e seus efeitos, para que não houvesse dubiedade na interpretação. A ressalva cubana não foi aceita pelos Estados Unidos, que exigia a incorporação do apêndice sem qualquer modificação em sua escrita original ou comentário interpretativo sobre eles. Mesmo percebendo que se tratava de uma imposição americana à Constituição de Cuba, a Comissão Constituinte entendeu que a melhor saída, naquele momento, seria incorporar a Emenda Platt para encerrar definitivamente a intervenção militar e iniciar a república.
Cuba viveu um longo período de transição para passar de colônia à república. Em 1895, iniciara a guerra de independência com Espanha, em 1898 os Estados Unidos entraram na guerra e selou com Espanha o Tratado de Paz, mantendo sua intervenção militar até 1902, quando deixou a ilha sob o comando de seu primeiro presidente republicano, Tomás Estrada Palma, e com a Constituição de 1901, que tinha seu caráter republicano reprimido pela Emenda Platt.
Os Estados Unidos abriram mão da Ilha de Pinos, mas construíram uma estação naval em Guantánamo e outras estações de carvão. O Tratado de Reciprocidade comercial entre os dois países ligava o açúcar, principal produto de exportação cubano, somente ao mercado americano, e abria os setores fundamentais da economia interna ao capital estrangeiro, que em sua maior parte era oriundo dos Estados Unidos. Esse tratado, por facilitar a entrada do açúcar e do tabaco nos Estados Unidos, incentivava os investimentos nessas indústrias fazendo com que as pequenas propriedades fossem absorvidas pelos latifúndios, dificultando a diversificação da economia. Como observado por historiadores:
Las manufacturas estadounidenses saturaron el mercado cubano y obstaculizaron el desarrollo de la competencia local; muchas empresas no podían competir con ellas y se registró un incremento del número de quiebras.
Antes de que transcurriera un decenio desde la guerra de la independencia, Estados Unidos ya era omnipresente en Cuba, dominaba totalmente la economía, penetraba por completo en el tejido social y ejercía el control pleno del proceso político. La ubicuidad de esta presencia dio forma al carácter esencial de la república en sus primeros tiempos (PÉREZ Jr., 2001, p. 137).
Em finais dos anos 20, as discussões sobre a Emenda Platt e as relações com os Estados Unidos voltavam a ser debatidas em Cuba, em parte pelas dificuldades econômicas que o país enfrentava, a queda no preço do açúcar, e as contínuas intervenções americanas na política cubana. Em texto de 1927, De Monroe a Platt, Ramiro Guerra y Sánchez afirmava que a Emenda Platt expressava os princípios da Doutrina Monroe, quando os Estados Unidos, em 1823, buscaram impedir a colonização e a cessão de territórios do continente americano às nações europeias, atribuindo-se a função de polícia internacional. Segundo Guerra, a emenda Platt não colocava Cuba em situação diferente dos demais países da América e não expressava, de forma alguma, um sentimento amistoso do povo americano pelo cubano. Este sentimento foi declarado, somente, na Joint Resolution de 1898. Ramiro Guerra referia-se também aos casos da interferência norte-americana em Nicarágua, Santo Domingo e Costa Rica, demonstrando que o problema não era de um só país, mas de toda a região caribenha. O espanhol Luís Araquistain, publicou La agonía Antillana em 1928, denunciando o caráter destrutivo do imperialismo americano para o Caribe. Entendia que o imperialismo espanhol, apesar de mais vexatório teria construído nacionalidades, enquanto que as interferências dos Estados Unidos estariam acabando com a “essência íntima” de seus vizinhos e com os aspectos da “civilização”, de tipo europeia, no continente. Emilio Roig, historiador cubano que participou com Ortiz de diversas instituições em Cuba, escreveu sobre a Emenda Platt e as intervenções americanas no Caribe em várias ocasiões138.
Em Historia de la enmienda Platt: una interpretación de la realidad cubana, de 1935, procura desvendar os bastidores da Emenda Platt e os interesses dos Estados Unidos nas relações com Cuba. Baseado em documentos de políticos americanos, Roig, radicaliza ainda mais a argumentação de Guerra y Sánchez, dizendo que nem mesmo a Joint Resolution traduzia algum sentimento amistoso do povo americano com o cubano, e sim seus interesses políticos e
138 Algumas obras de Emilio Roig sobre o assunto: La ocupación de la República Dominicana por los Estados Unidos y el derecho de las pequeñas nacionalidades de América. La Habana, 1919. La Enmienda Platt. Su interpretación primitiva y sus aplicaciones posteriores hasta 1921. La Habana, 1922. La ingerencia norteamericana en los asuntos interiores de Cuba (1913-1921). La Habana, 1922. El intervencionismo, mal de males de Cuba republicana. San José de Costa Rica, 1931. Historia de la enmienda Paltt: una interpretación de la realidad cubana. La Habana, 1935. La lucha cubana contra la Enmienda Platt, la intervención y el imperialismo yanqui. La Habana, 1937.
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imperialistas de possuir o domínio e o controle sobre Cuba. Aquela Resolução Conjunta era uma forma de manipular a opinião pública. Lembra que, segundo José Martí, para os Estados Unidos, Cuba nunca passou de “(...) posesíon apetecible, sin más incoveniente que sus pobladores, que tienen por gente levantica, floja y desdeñable” (MARTÍ, 1888, p.190, citado por ROIG, 1973, p.209). Recorda colocações de George Washington, para quem não existia favores desinteressados entre nações, tais favores seriam pagos por uma parte da independência nacional. De acordo com fontes levantadas por Emilio Roig, a Joint Resolution foi aprovada mediante pagamento, em dinheiro, do governo cubano a políticos americanos.
Nos referimos a los contratos celebrados por Estrada Palma en 1897 con míster Samuel Janny, corredor de bolsa neoyorquino, quien se comprometió mediante el pago de $37 500 000 a lograr, de gobernantes y congresistas norteamericanos el reconocimiento de la independencia de Cuba. En 1904, siendo ya Estrada Palma presidente de Cuba, hizo que el Congreso le autorizara a pagar parte de los bonos que entregó a dicho míster Janny en vista de las pruebas que éste le ofreció de que, no obstante vencidos los contratos, la Joint Resolution de 20 de abril de 1898 se debió, en lo que se refiere al reconocimiento de la independencia de Cuba, de modo muy efectivo a la actuación de míster Janny y ofrecimientos monetarios que éste hizo a algunos congresistas (ROIG, 1973 [1935], p.206-207).
À luz desse repertório crítico sobre as intervenções americanas em Cuba, especialmente a Emenda Platt, Fernando Ortiz utilizava a própria retórica americana presente nos documentos oficiais assinados pelos dois países para demonstrar que esses tratados não