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Ferramentas de análise

3.3 RCFA Root Cause Failure Analysis

3.3.8 Ferramentas de análise

De acordo com a pesquisa efectuada, existem um conjunto de ferramentas que servem de apoio à análise RCFA. Estas ferramentas apoiam a sua iniciação da análise e servem de auxílio na construção de um raciocínio lógico e estruturado, designadamente:

• Análise de Pareto

A análise de Pareto ou a regra de 80 - 20 define que 80% dos problemas são oriundos de apenas 20% de causas. A título de exemplo (gráfico 2) é possível verificar que os equipamentos A e B constituem 80% do tempo de paragem total, sugerindo que o inicio da análise deverá ser começada por estes. Esta ferramenta será mais dirigida ao início de uma análise RCFA.

Uma das dificuldades que podem surgir na análise do gráfico é que o efeito de Pareto pode não ser visível. Neste caso é necessário repensar a análise a efectuar e escolher um outro tipo de variável a analisar, de modo a ser possível a criação do efeito (por exemplo: número de ocorrências, MTBF, MTTR, custo, entre outros).

• 5 Porquês

A denominada ferramenta dos “5 Porquês” é a espinha dorsal de uma análise RCFA (figura 12). É a ferramenta que mais aproxima o analista da raiz do problema. Esta ferramenta

57% 79% 88% 93% 95% 98% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% A B C D E F

Análise de Pareto - Tempo de paragens do

equipamento

Frequência relativa Frequência acumulada Gráfico 2 - Exemplo de aplicação da análise de Pareto.

28 é extremamente bem-sucedida devida: à facilidade de utilização (logo é fácil criar um método de investigação); facilidade de ensino (assimilação intuitiva); capacidade de prevenção do “crónico remendo” ou à solução rápida baseada em julgamentos meramente impulsivos e pouco aprofundados.

Um vedante está danificado. Óleo a verter da máquina.

Aparas metálicas presentes no óleo.

d

Um visor da bomba de recirculação do óleo está partido.

O ecrã está num local onde é alvo da queda de peças que o partem. Foi descoberto óleo debaixo de um equipamento.

Root Cause

Acção: Redesenhar a máquina, ou adicionar uma protecção sobre o ecrã para prevenir a sua quebra. Se o vedante apenas tivesse sido substituído, certamente o problema iria ocorrer novamente.

“5 Porquês”

Porquê?

Porquê?

Porquê?

Porquê?

Fig. 12 - Exemplo de aplicação do método dos “5 Porquês” (adaptado de [21]).

Deve-se no entanto ter em atenção que esta análise apenas aponta para uma causa possível e a mesma pessoa em dias diferentes, usando este método, pode chegar a resultados diferentes. Esta ferramenta torna-se ainda mais eficiente quando combinada com o diagrama de causa-efeito (abaixo referido - figura 13). A existência de confirmação de cada “Porquê” colocado serve de evidência para uma maior assertividade da causa raiz (anexo B).

• Diagrama causa-efeito (diagrama de Ishikawa)

O diagrama causa-efeito tem como objectivo organizar as ideias e montar uma estrutura de suporte no processo de resolução do problema. É comum, na indústria usar-se os “6’s M” como possíveis causas: equipamentos (Machines), métodos (Methods), ambiente (Mother Nature), materiais (Materials), medições (Measurement) e pessoas (Manpower).

29 As hipóteses de possíveis causas são propostas através de um “brainstorming” com pessoas chave da equipa de trabalho. Cada problema a estudar deve ter o seu próprio diagrama e a sua construção deve ser faseada. É uma ferramenta à qual se deve aliar o método dos “5 Porquês” (acima referido). As vantagens desta ferramenta têm a ver com o trabalho em equipa, contemplar uma análise estruturada, consideração de todas as hipóteses e ser de fácil leitura. No entanto apresenta algumas limitações, tais como uma eventual falta de experiência da equipa trazer dificuldades no seu desenvolvimento e ficar aquém do seu potencial quando utilizado de forma isolada de outras ferramentas, como por exemplo, sem a integração dos “5 Porquês”.

• Ciclo PDCA (o ciclo de Deming)

O ciclo PDCA (figura 14) é um ciclo eterno que tem como objectivo a melhoria contínua do problema em causa. O acrónimo PDCA significa:

- Planear (Plan): é onde se traçam os objectivos e se reúne informação para o melhoramento;

- Fazer (Do): efectuar a actividade segundo o planeamento; - Verificar (Check): monitorização dos resultados obtidos;

- Agir (Act): com os resultados obtidos, efectuar novos planos de forma a melhorar o problema se necessário.

• FMEA/FMECA

Failure mode and effects analysis

analysis (FMECA) é uma técnica usada para estruturar entenda-se falha como uma

que podem levar a que um determinado objecto ou sistema não cumpra o propósito para o qual foi concebido. O FMEA t

seus efeitos sistémicos, contribui

todos os modos de falha de sistema foram considerados,

humanos e servindo para melhorias nos procedimentos de manutenção.

Algumas das vantagens do método são a sua ampla aplicabilidade equipamentos, procedimentos, pessoas, sistemas de falhas,

falhas dos componentes e seus efeitos no sistema, apresentando os resultados num simples modo de leitura. Algumas das limitações prendem

identificar falhas isoladas e não uma

objectivo, existe o risco de ser muito moroso e dispendioso.

uma ferramenta que na falta de dados (métricos), é assente num empirismo que pode levar à falta de precisão na sua conclusão.

• Árvore de falhas (

É uma ferramenta usada para o rastreio de factores que possam contribuir para uma causa específica, denominada de “evento principal”

Fig.

/FMECA

Failure mode and effects analysis (FMEA) ou Failure mode and effect critically é uma técnica usada para estruturar e identificar as potenciais falhas (e

uma avaria do equipamento ou desvio no seu modo de fu

que podem levar a que um determinado objecto ou sistema não cumpra o propósito para o O FMEA tem a capacidade de identificar os mecanismos de falhas

contribuindo para a mitigação dos mesmos. As a de sistema foram considerados, identifica para melhorias nos procedimentos de manutenção.

mas das vantagens do método são a sua ampla aplicabilidade os, procedimentos, pessoas, sistemas de falhas, entre outros),

e seus efeitos no sistema, apresentando os resultados num simples modo de leitura. Algumas das limitações prendem-se com o facto de só poder ser usado para identificar falhas isoladas e não uma possível combinação; se não for bem controlado

xiste o risco de ser muito moroso e dispendioso. Ainda limitante é o facto de ser uma ferramenta que na falta de dados (métricos), é assente num empirismo que pode levar à falta de precisão na sua conclusão.

Árvore de falhas (Fault tree analysis)

a usada para o rastreio de factores que possam contribuir para uma nominada de “evento principal” (figura 15).

Fig. 14 - Ciclo de Deming (adaptado [23])

30 Failure mode and effect critically as potenciais falhas (e desvio no seu modo de funcionamento) que podem levar a que um determinado objecto ou sistema não cumpra o propósito para o os mecanismos de falhas e os Assegura também que tificando potenciais erros

mas das vantagens do método são a sua ampla aplicabilidade (englobando entre outros), identificação das e seus efeitos no sistema, apresentando os resultados num simples se com o facto de só poder ser usado para ; se não for bem controlado e Ainda limitante é o facto de ser uma ferramenta que na falta de dados (métricos), é assente num empirismo que pode levar à

31 Esta ferramenta permite a aproximação disciplinada e sistemática ao caminho que levou à falha, apresentando flexibilidade em vários factores, incluindo os factores humanos e fenómenos físicos; durante a sua aplicação mantém sempre o centro da atenção no evento em análise, sendo particularmente focado para sistemas com numerosos interfaces e interacções Adicionalmente, dada ser uma árvore com pictogramas, favorece uma leitura simples e rápida. No entanto, a ferramenta apenas permite tratar estados binários (falha/não falha) sendo os modelos subjacentes estáticos. Realce-se também a dificuldade na assertividade de todos os caminhos.

• Árvore de evento (Event tree analysis)

Esta ferramenta constitui uma representação gráfica da sequência de eventos que se seguem ao evento principal, de acordo com o funcionamento (ou não funcionamento) dos vários sistemas projectados para mitigar as suas consequências. Podem ser aplicados factores quer qualitativos quer quantitativos. A título de exemplo, a figura 16 apresenta a sequência de eventos e uma probabilidade de ocorrência associada.

Estas árvores encerram representações gráficas da sequência de eventos que não podem ser representados usando uma FTA que tem em conta o “timing”, a dependência e o

32 efeito dominó que tornam a FTA pesada. As suas limitações prendem-se com a necessidade de identificar todas as potenciais falhas que podem ocorrer.

Evento inicial Existência de incêndio Sprinkler funcionar Alarme disparar Situação final Frequência anual Incêndio controlado e detectado pelo alarme Incêndio controlado mas não detectado

pelo alarme Incêndio não controlado mas detectado pelo alarme

Incêndio não controlado e não detectado pelo alarme

Sem incêndio Explosão Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não 0,8 0,2 0,99 0,01 0,999 0,999 0,001 0,001

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