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2 M-LEARNING

2.2 Ferramentas e estruturas de um m-learning

Os dispositivos móveis trouxeram novas concepções comportamentais à sociedade, desde novas formas de comércio e serviços até novas atividades econômicas e criativas. Eles não só criaram novas maneiras de ter acesso a materiais educacionais, como também criaram novas formas para o seu desenvolvimeto (TRAXLER, 2009).

O diferencial para a construção de um m-learning é o desenvolvimento de um material atrativo e de fácil utilização pelo aluno. Quanto maior for a facilidade de uso e a interatividade com o material, maior será a possibilidade de seu sucesso pedagógico (PELISSOLI; LOYOLLA, 2004).

De acordo Fonseca et. al. (2014), com o material educacional, o desenvolvimento do material de um m-learning deve levar em conta que os dispositivos móveis possuem:

 Ferramentas de leitura e desenvolvimento de textos;

 Conteúdos em aúdio nativos já desenvolvidos e ferramentas para desenvolvê-los;

 Suportes para transmissão e desenvolvimento de vídeos;

 Conexão a rede de dados.

Todas essas ferramentas contribuem para o aumento do engajamento

educacional e da motivação para o uso dos materiais educacionais (HARGIS et. al., 2014).

De acordo com Squire & Dikkers (2012), conforme pode ser observado na tabela 2.1, as ferramentas de um m-learnig devem ser estruturadas seguindo cinco princípios descritos após a tabela:

21 Tabela 2.1 – Ferramentas de m-learning (SQUIRE; DIKKERS, 2012).

Portabilidade – podem ser acessados em qualquer local, inclusive em movimento;

Interação social – permitem a troca de informações e arquivos afins, além de permitirem o trabalho colaborativo com outra pessoa;

Contexto de sensibilidade – podem guardar uma informação única relacionada ao local, ambiente, tempo, incluíndo a possibilidade de serem reais ou digitais;

Conectividade – permitem a conexão de dispositivos móveis a bancos de dados de informações direcionadas e pertinentes, com outros dispositivos móveis, podendo formar uma comunidade integrada por uma rede de distribuição de arquivos;

Individualidade – permite uma estrutura de estudo personalizável e única.

Para Guazzaroni (2013), fazendo uso de uma adaptação do que ele propôs em seu estudo, a concepção de ambiente como um m-learning, deve seguir um ciclo de criação dividido em sete passos, expostos na tabela 2.2.

22 Tabela 2.2 – Ferramentas de m-learning baseadas na concepção de ambiente (GUAZZARONI, 2013).

Preparação – o professor (ou facilitador tutor) deve preparar o uso da tecnologia que será utilizada e preparar uma apresentação didática do uso desse material tecnológico;

Engajamento – o professor (ou facilitador tutor) deve explicar a

experiência, os procedimentos e fluxos que serão usados no processo planejado por ele. Além de dividir os alunos em quantos grupos forem preciso para bom funcionamento do m-learning;

Exploração – os alunos devem ter acesso ao material tecnológico, de forma a poderem explorar e experimentalizar o que foi proposto no planejamento do professor (ou facilitador tutor);

Explicação – o grupo de alunos deve começar a interação real com o material tecnológico, de forma a validar a intenção de conhecimento proposto por ele;

Elaboração – os grupos de alunos criados anteriormente devem desenvolver algum material que envolva o processo de aprendizado sugerido pelo material tecnológico didático.

Extensão – os alunos devem procurar encontrar fora do material tecnológico exemplos do tema escolhido para o momento do

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aprendizado. Dessa forma, consolidando o aprendizado em outro ambiente.

Avaliação – o professor (ou facilitador tutor) deve coletar as informações necessárias para avaliar o processo proposto.

De acordo com Godoi (2012), conforme pode ser observado na tabela 2.3, essas mesmas ferramentas podem ser utilizadas em três abordagens pedagógicas, de acordo com o processo de construção do conhecimento requerido, sendo elas:

a broadcast, a sala de aula virtual e a “estar junto virtual”.

Tabela 2.3 – Ferramentas de m-learning baseadas em abordagens pedagógicas (GODOI, 2012)

Broadcast – o professor organiza uma sequência de informações, que ele acredita ser adequada e não prevê interação entre o professor-aluno e aluno-aluno;

Sala de aula virtual – utiliza um suporte de ensino, tal como um dispositivo móvel como recurso para reproduzir uma sala de aula tradicional. Dessa forma, o processo educacional continua centrado no professor. Nessa modalidade existe “alguma” interação professor-aluno;

Estar junto virtual – possibilita a construção do conhecimento por meio de interações que se estabelecem entre professor-aluno e aluno-aluno, exigindo que os professores recriem novas estratégias

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didáticas, desafiem a cognição e assessorem constantemente os alunos. Essa prática exige qualidade da mediação pedagógica.

Importante ressaltar que uma abordagem não exclui necessariamente a outra, podendo, inclusive serem complementares.

De acordo com Traxler (2009), existem cinco categorias de estruturas e ferramentas que são possíveis de encontrar em um m-learning: o m-learning de desenvolvimento orientado, o e-learning portátil e miniaturizado, a sala de aula conectada, o ensino informal personalizado e o m-learning rural e remoto. Essas categorias se baseiam no desenvolvimento tecnológico (tabela 2.4). O que, tornam as suas interpretações contextualizadas mas, mesmo assim, contribuem para a presente pesquisa.

Tabela 2.4 – Ferramentas de m-learning de Traxler (2009)

M-learning de desenvolvimento orientado – algumas inovações tecnológicas são desenvolvidas com a orientação acadêmica de demonstrar a possibilidade de viabilidade técnica e pedagógica;

E-learning portátil e miniaturizado – são as ferramentas que

apresentam a diferenciação tecnológica de um dispositivo móvel com o desktop, por exemplo. É o caso da a portabilidade do dispositivo

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móvel, da conexão de dados, e todos os demais itens relatados. Por exemplo, um notebook com conexão de dados 3G.

A sala de aula conectada – as mesmas estruturas que são usadas para apoiar o aprendizado colaborativo, pode ser usado para conectar os alunos de uma sala de aula e, por ventura, até mesmo os alunos de diferentes salas;

Ensino informal e personalizado – são as ferramentas de

transferência de arquivos de vídeo e afins que permitem que o aluno possa ter acesso ao material de ensino em qualquer situação ou ambiente. Por exemplo, os tutorias do site de streaming de vídeo, youtube;

M-learning rural e remoto – essa tecnologia pode ser usada em locais muito distantes, onde não é possível a conexão com outro recurso a não ser um dispositivo móvel com conexão de dados remotos.

É possível destacar, a partir dos conceitos criados por Bloom (1956),

observados em sua taxonomia, um contexto educacional com o objetivo de apoiar os processos de projeto e avaliação educacional. Essa taxonomia, apoiada em uma estrutura de utilização, descreve seis níveis de uso: o conhecimento, a compreensão, a aplicação, a avaliação e a síntese. Que podem ser facilmente inseridos no contexto de ferramentas e estruturas de um m-learning, conforme pode ser observado na tabela 2.5.

26 Tabela 2.5 – Ferramentas e estruturas baseadas na taxonomia de Bloom (1956).

Conhecimento – nessa estrutura, o objetivo é trazer à consciência conhecimentos, tais como, fatos, datas, palavras, teorias, métodos, classificações, lugares, regras, critérios, procedimentos, etc.;

Compreensão – nessa estrutura, encontra-se a capacidade de entender a informação de captar um significado e de utilizá-lo em um contexto diferente. Isso pode ser demonstrado por meio da tradução de um conteúdo compreendido para uma nova forma (oral, escrita, gráfica, etc.);

Análise – nessa estrutura, é necessário não apenas a compreensão do conteúdo, mas, também, a da sua estrutura. Basicamente, a habilidade de subdividir um conteúdo em partes menores com a finalidade de entender uma estrutura final, identificando suas partes, analisando o relacionamento entre ambas e reconhecendo o princípio organizacional envolvido;

Aplicação - nessa estrutura, é possível identificar a capacidade de usar informações, métodos e conteúdos aprendidos em novas situações concretas. Incluindo aqui, aplicações de regras, métodos, modelos, leis, princípios, teorias e conceitos;

Avaliação - nessa estrutura, destaca-se a habilidade de julgar com um propósito específico. Esse julgamento é baseado em critérios

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definidos, podendo ser externos ou internos, de maneira a julgar o valor do conhecimento;

Síntese/criação - nessa estrutura é envolvida a habilidade de juntar partes com a finalidade de criar um todo. Essa habilidade requer a produção de uma comunicação única, um plano de operações ou um conjunto de relações abstratas.

Essa taxonomia possui uma relação muito próxima das propostas de m-learning, em especial, no que diz respeito ao domínio cognitivo e construção do conhecimento (SCHMITZ; KLEMKE; SPECHT, 2012) (BROM; PREUSSl;

KLEMENT, 2011).

De qualquer forma, as inovações tecnológicas resultantes do m-learning, tem por objetivo melhorar o processo de ensino dos alunos, que devem ser capazes de dar suporte para situações de dificuldade que possam surgir (FONSECA et. al., 2014).

De certa forma, o entendimento aprofundado das ferramentas e estruturas de um m-learning podem contribuir para o desenvolvimento dos itens que devem existir em um instrumento de avaliação prognóstica, em especial no sentido de entender como avaliar as demais ferramentas e estruturas.