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3. AVALIAÇÃO E GESTÃO DO RUÍDO AMBIENTAL 36

3.6. FERRAMENTAS NA GESTÃO DO RUÍDO AMBIENTAL 47 

Para o estudo de ruído urbano, comumente, são observados trabalhos de mapeamentos e predição acústica de uma determinada área.

3.6.1. Mapeamento sonoro

O mapeamento acústico é uma ferramenta fundamental para o estudo, diagnóstico e gestão do ambiente sonoro. Baseado no levantamento dos níveis sonoros de uma cidade, através da medição ou através do uso de método predicional, o mapa acústico, nada mais é do que a representação de curvas isofônicas (similar às curvas topográficas dos mapas convencionais) - pontos de ruído com a mesma intensidade - de certa área geográfica. Os diversos níveis de intensidade sonora são separados por zonas com cores padronizadas em trechos de 5dB.

Desta forma, a principal função de um mapeamento sonoro é proporcionar diagnósticos precisos do meio ambiente acústico, evidenciando os pontos críticos (de risco) da cidade, bem como as áreas de tranqüilidade da mesma.

No caso urbano, a combinação do mapeamento sonoro com os dados sobre a população que reside ou é usuária da área, permite obter informações sobre o percentual de pessoas que são expostas a diferentes níveis sonoros. (COELHO, 2003).

O mapeamento acústico fornece informações do ruído ambiental para estabelecer diretrizes ao planejamento acústico urbano. Na gestão ambiental, as informações coletadas podem ser usadas para: ajudar a criar políticas de implantação de estratégias de manejo do ruído na cidade, servir como base para o processo decisório sobre o uso do solo (zoneamento) e para o planejamento dos meios de transporte e, também, servir como índices para avaliar a eficácia das medidas de redução de ruídos. (COELHO, 2003).

Quando estes mapas são elaborados a partir de programas computacionais que realizam a predição dos níveis sonoros, eles podem ser facilmente modificados, atualizados, pois permitem o acompanhamento da evolução de ambientes sonoros, e monitorados, checando os resultados das alterações de variáveis nas fontes de ruídos. Como exemplo,

verificar as conseqüências de uma alteração do fluxo de tráfego ocasionada pela inserção de um novo pólo gerador de tráfego em determinada área.

Portanto, o mapeamento poderá produzir um integrado e interativo sistema de análise do mapeamento da qualidade e ruído do ar, constituindo-se como uma fonte de informação estruturada para os cidadãos, para os técnicos municipais e para os decisores. E, a medida que o público em geral passa a ter conhecimento com relação ao estado do meio ambiente, do ponto de vista sonoro em que vivem, passam a ter discernimento para cobrar de si mesmos, das autoridades e poderes públicos, bem como das construtoras, medidas que possam modificar cenários de riscos a sua própria saúde e também às gerações futuras.

Para a realização de um mapeamento sonoro a partir do método de medição dos níveis sonoros na área em estudo, devem ser consideradas algumas questões, como: número de medições, distribuição espacial e localização dos pontos de medição; dias, horários e duração das coletas dos dados acústicos, meteorológicos, geométricos e de tráfego; além da configuração e posicionamento dos equipamentos (NAGEM, 2004).

3.6.2. Simulação computacional

Segundo Guedes (2005) os modelos de predição acústica apresentam muitas vantagens quando comparados aos procedimentos de medições sistemáticas, pois fornecem informações detalhadas das fontes sonoras, possibilitam análises em um maior número de pontos, não sofrem interrupções diante de condições meteorológicas adversas, demonstram uma menor sensibilidade aos efeitos do ruído de fundo, permitindo, ainda, a avaliação de situações hipotéticas e simples atualizações.

Atualmente, existem vários procedimentos para predição dos níveis de pressão sonora em áreas adjacentes às fontes de ruído. Basicamente, esses métodos descrevem a propagação do som ao ar livre, normalmente sendo baseados em dados referentes à potência das fontes emissoras (GERGES, 2000).

Foi visto que os ambientes urbanos apresentam cenários acústicos complexos e seus estudos precisam considerar a participação de várias fontes sonoras e a necessidade de se avaliar inúmeros pontos. Para este fim, os modelos computacionais se tornam

imprescindíveis, uma vez que possibilitam a realização de cálculos, análises, e relatórios rápidos e com precisão.

Normalmente, esses cálculos são desenvolvidos por meio de algoritmos padrões que calculam o nível de pressão sonora aplicados a fontes específicas.

É importante ressaltar que a obtenção de resultados representativos do ambiente sonoro em estudo vai depender muito da confiabilidade dos dados de entrada, ou seja, irá depender da precisão de coleta dos dados (acústicos e geométricos), dos pontos de obtenção de informação e sua representatividade e das habilidades acústicas e experiências em modelagem por parte do usuário (BRÜEL & KJÆR, 2000).

Esses modelos precisam ser calibrados para que possam fornecer resultados confiáveis e representativos. Para tanto, o procedimento envolve algumas medições in loco, sendo comparados os níveis calculados com os medidos. No entanto, alguns cuidados precisam ser considerados, ao se estar realizando a calibração, como a existência de condições meteorológicas estáveis, a garantia de que a atividade da fonte durante medição e cálculo seja a mesma e, ainda, a necessidade de se fazer correções das contribuições indesejadas provenientes de outras fontes sonoras, são determinantes para o seu sucesso.

Ao realizar tais predições, é preciso ainda considerar alguns aspectos como: nível de interrupção do fluxo de veículos, características geométricas das vias, correções devido à inclinação da pista, velocidade média real dos veículos, porcentagem de veículos pesados, dentre outros (NUNES e SANTOS, 1998).

Dentre os mais populares modelos de predição acústica estão: Calculation of Road Traffic Noise (CoRTN) - Reino Unido; Federal Highway Administration (FHWA) -

Estados Unidos; Richtlinien für den Lärmschutz an Straβen (RLS-90) – Alemanha;

Statens Planverk 48 – Escandinávia; EMPA - Suíça e o ASJ - Japão, cuidadosamente desenvolvidos e validados, sendo confiáveis por produzirem resultados de considerável precisão (LI et al., 2002).

Para o desenvolvimento desta dissertação, cuja única fonte de ruído considerada advém do tráfego de veículos das avenidas principais, optou-se pela metodologia da norma

alemã RLS-90, cujo seu procedimento de cálculo já fora devidamente explicitado no item: 2.6.3, que segundo Calixto (2002) mostrou ser aplicável às condições brasileiras.

a. Software de Mapeamento Acústico: SoundPLAN®

Atualmente existe a nível internacional uma série de programas computacionais para a previsão do ruído desde situações simples até aquelas mais complexas que se norteiam em alguns desses modelos, por exemplo, Predictor e Lima (Empresa Brüel & Kjær),

Mithra (Empresa 01 dB), SoundPLAN® (Empresa Braunstein + Berndt GmbH),

geralmente, usados para: geração de mapas de ruído com base em predições a partir de dados reais; identificação de importantes fontes sonoras; proposição e demonstração dos efeitos das soluções adotadas para redução de ruído; hierarquização das fontes sonoras pelo nível de pressão sonora; e, monitoramento e controle do ambiente sonoro de uma área geográfica.

O SoundPLAN®

é um software comercial desenvolvido pela empresa alemã Braunstein

+ Berndt GmbH, voltado para análises ambientais, possibilitando gerar mapas sonoros, avaliações de impactos acústicos e comparações entre cenários ambientais.

O programa apresenta ferramentas para criação de modelos 3D, para importar e exportar dados, concordância com principais normas internacionais para ruído de estradas (por exemplo, RLS - 90, CoRTN), ferrovias, indústria e aeronaves. Quanto ao procedimento de cálculo para o ruído de tráfego, apresenta modelo que calcula as potências sonoras dos veículos, podendo ser derivadas de dados de tráfego. Além disso, o software considera os principais fatores de atenuação sonora ao ar livre (BRAUNSTEIN e BERNDT, 2007).

4. PROPOSTA METODOLÓGICA PARA O MAPEAMENTO SONORO