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4. PROPOSTA METODOLÓGICA PARA O MAPEAMENTO SONORO 51

4.3. ESTUDO PILOTO 55 

4.3.1. Resultados Obtidos 56 

ƒ Mapa Acústico

O software após ser devidamente alimentado com as informações necessárias, automaticamente realiza todos os cálculos para obter como resultado final o gráfico, ou seja, o mapeamento acústico da área, através da interpolação dos níveis sonoros transformados em linhas de contorno, como é possível observar no mapa 4.2.

Observa-se, através da escala gradual de cores, a variação dos níveis sonoros de 35 a 80 dB(A). Os níveis mais elevados de pressão sonora tendem para a cor azul e os mais baixos se aproximam da cor verde.

Com estes resultados, pode-se observar quais as vias de tráfego de veículos que causam os maiores níveis sonoros, que para o caso específico, verifica-se que é a avenida Prof. Othon Gama d’Eça, justificada pelo intenso volume de automóveis que por lá transita diariamente. Como já fora mencionado, esta avenida é um dos principais acessos de veículos que originam de bairros vizinhos em direção ao centro administrativo e comercial da cidade de Florianópolis. Merece ainda destaque os níveis sonoros

produzidos nas ruas Bocaiuva e Esteves Júnior, que apresentam níveis entre 70 e 75dB(A), considerados ainda altos e nocivos à saúde humana.

Mapa 4.2: Mapeamento Sonoro – estudo piloto – “Mapa da Quadra”.

Pode-se destacar também, através deste mapa, quais as edificações que estão sendo mais atingidas por este nível de ruído, que naturalmente acabam por ser as que se localizam em frente a esta avenida mais movimentada, devido à não consideração de outras fontes de ruído senão a do tráfego.

ƒ Mapa de Conflitos

Com a obtenção do mapeamento sonoro através do software SoundPLAN®

foi realizada

a transposição das curvas isofônicas para uma base computacional SIG (Sistema de Informações Geográficas).

SIG, segundo a Associação para Informação Geográfica (AGIS, 1993), é um sistema de captura, armazenamento, controle, integração, manipulação, análise e exposição de dados os quais são referenciados para o espaço geográfico da Terra. A tecnologia SIG integra operações de dados comuns, como por exemplo, questões e análises estatísticas,

com uma única visualização, os mapas, que oferecem os benefícios das análises geográficas (VALLET J. et al., 2004).

O software utilizado que trabalha com Sistema de Informações Geográficas foi o

ArcVIEW. Através dele, foram inseridas, além das curvas isofônicas extraídas a partir

do mapeamento sonoro (*.dxf), informações adicionais referentes à área em estudo como: zoneamento da área conforme o Plano Diretor do Município de Florianópolis - PDMF (FLORIANÓPOLIS, 1999), definição dos limites de níveis de pressão sonora conforme o que é estabelecido pela Lei Complementar Municipal CMF n. 003/99 (1999) e pela NBR 10.151 (2000) e número de pessoas (residentes ou usuários) existentes nas edificações.

Sobre o zoneamento da área, ressalta-se a adaptação realizada no zoneamento original estabelecido pelo Plano Diretor de Florianópolis (FLORIANÓPOLIS, 1999), conforme pode ser verificado no mapa 4.3, para entrar em conformidade com o que está estabelecido na Lei Complementar CMF n. 003/99 (1999) a qual cita em seu Artigo 3, parágrafo 3º, que para áreas de escolas e hospitais devem-se respeitar os mesmos limites determinados para uma Área Residencial Exclusiva. Portanto, as áreas que estão hachuradas, para ficar de acordo com os limites estabelecidos pela legislação municipal de controle de ruído, precisam mudar o seu zoneamento, conforme pode ser verificado no mapa 4.4.

Mapa 4.4: Zoneamento da área em estudo conforme Plano Diretor Municipal de Florianópolis (1999), adaptado para Lei Complementar 003/99 (1999).

Outra questão a ser levantada é a diferença existente entre a Lei Complementar 003/99 e a NBR 10.151, com relação aos limites estabelecidos para os níveis sonoros. Ao observar a tabela 4.1, verifica-se que a legislação municipal é pouco rígida a respeito dos valores considerados como incômodos para os usuários ou moradores de determinada área quando comparada com a normativa nacional. Desta forma, como a própria Lei Complementar menciona em seu artigo 2º, deve-se obedecer às recomendações da norma NBR 10.151.

Com estas informações adicionais podem-se realizar panoramas da realidade existente, mais precisos e corretos, de acordo com os usos das edificações existentes na área em estudo. Como exemplo, observa-se no mapa de conflitos 4.5, que indica quanto o ruído está acima do permitido pela lei municipal e pela normativa nacional na área em estudo. Primeiramente o software calcula as diferenças entre os níveis sonoros em cada ponto da área delimitada com o nível de referência estabelecido pela legislação, e posteriormente, aplica-se a cada um dessas “áreas” uma cor relativa à escala cromática definida na legenda.

Tabela 4.1: Comparação: limites estabelecidos Lei Complementar 003/99 (1999) e NBR 10.151 (2000). Lei Complementar CMF n. 003/99 (1999) NBR 10.151 (2000) Zonas de Uso Diurno (7h–22h) [dB(A)] Noturno (22h–7h) [dB(A)] Tipos de Área Diurno (7h–22h) [dB(A)] Noturno (22h–7h) [dB(A)] Escolas e hospitais + 200m de

distância (zona de silêncio) 55 45

Área estritamente residencial urbana ou de hospitais ou escolas 50 45 Área Residencial Predominante

Área Comunitária Institucional

60 50 Área mista, predominantemente residencial

55 50 Área Mista Central

Área Turística Residencial 65 55

Área mista, com vocação

comercial e administrativa 60 55

Nota-se uma grande diferença do mapeamento acústico mostrado no mapa 4.2 para o mapa de conflito 4.5, o qual se observa mais claramente o real incômodo causado para os moradores ou usuários das edificações que está diretamente relacionado às atividades que são desempenhadas pelos mesmos durante o dia e à noite. Por exemplo, onde o zoneamento delimita a área de escola, nota-se ser uma região com muita sensibilidade ao ruído, onde a legislação NBR 10.151 estabelece limite de 50 dB, em que os níveis chegam a ultrapassar até 25 dB. Em contrapartida, nas proximidades à avenida Prof. Othon Gama D'Eça, onde no mapa acústico os níveis apresentavam-se muito altos, perceber-se que eles são pouco incômodos à população residente ou usuária do local, no mapa de conflitos.

ƒ Mapa de Exposição da População

Além do mapa de conflitos, tem-se os dados a respeito da população usuária ou residente nas edificações da área de estudo, podendo-se obter uma correlação dos níveis sonoros extrapolados pelos limites estabelecidos na legislação e o número de pessoas atingidas por esse incômodo.

Para o estudo piloto o estabelecimento do número de usuários e moradores foi realizado a partir de uma correlação ao número de apartamentos, ou salas comerciais existentes nas edificações. Foi feita uma estimativa, onde em apartamentos pequenos adotou-se o número de dois moradores e nos grandes, quatro. No caso de salas comerciais, o número de usuários variou de dois a três, dependendo do tamanho das mesmas.

No mapa 4.6 a representação da quantidade de pessoas por edificação foi feita através de diferentes hachuras para não prejudicar as cores do mapa acústico de fundo.

Mapa 4.6: Mapa de Exposição da População – estudo piloto – “Mapa da Quadra”.

Nota-se que no mapa de exposição da população a situação da escola se agrava ainda mais, devido ao número de alunos e funcionários (mais de 500 pessoas) expostos a

níveis sonoros muito altos, acima do permito pela legislação como visto no mapa de conflitos.

ƒ Mapa de Riscos

Ainda para este estudo piloto, foi desenvolvido um mapa de riscos, conforme pode ser verificado no mapa 4.7 o qual representa o risco de incômodo e distúrbios do sono na população. Portanto, a representação gráfica irá integrar o percentual de pessoas

perturbadas pelo tipo de ruído originado (de acordo com o Lden).

Mapa 4.7: Mapa de Riscos da População – estudo piloto – “Mapa da Quadra”.

Três categorias de riscos foram assinaladas: baixo risco (marcada com o círculo pequeno na cor amarela), médio risco (círculo médio na cor laranja) e alto risco (círculo grande e vermelho). Quanto maior o diâmetro do círculo e mais escura a cor utilizada, mais importante será o risco.

Neste tipo de visualização, o usuário pode ter uma idéia de como está a situação global do ruído, a população exposta e o risco de incômodo no território estudado.