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“Colocar num bilhete (aviso) para os alunos venham para a escola no dia da festa – todos de traje junino. Uma criança não veio de traje junino e sim de uniforme e ficou constrangida. Tivemos que arrumar uma saia para ela.” (Professora 88 – rede pública) “[...]“solicitam”(através de bilhete) para o aluno vir para a festa junina com uma roupa voltada para a copa (principalmente vestidos verde e amarelo), onde os mesmos já possuem uma roupa que não seja da copa e que pode ser usada. Me sinto incomodada que tudo gire em torno da copa.” (Professora 97 - rede privada)

“Na festa junina a criança tem que pagar uma taxa, os pais enviam brinquedos para as brincadeiras, mas no dia da festa as crianças tem que pagar para brincar. A escola manda bilhete cobrando os brinquedos. Sou obrigada a pressionar as crianças. Somos orientadas o tempo todo para pegar o dinheiro dos pais.”(Professora 77 - rede privada)

BILHETES ENVIADOS NAS AGENDAS

TRECHOS DAS RESPOSTAS AO QUESTIONÁRIO

Fonte: a autora

Em relação ao assunto cobrança de taxas, na posição de docentes da rede privada, parte delas se posiciona contrárias e outra parte se posiciona contra os altos valores cobrados, pois notam o interesse da escola em lucrar. A maioria das docentes, de ambas as redes, avaliam que tanto a cobrança de taxas, quanto o incentivo a aquisição de algum material provocam

constrangimento e exclusão dos alunos especialmente aqueles que não podem arcar com esses custos. Sobre isso disseram:

[...] Já aconteceu em outras escolas em que trabalhei, o Patati Patata mandou os kits pra casa, botaram aquela bolsinha do Patati Patatá com revistinha na bolsa. Cada criança levou pra casa um comunicado dizendo que tinha que pagar X e teve uma criança que o pai não podia pagar, foi choro, a criança passou bem uns três dias sem querer vir pra escola, foi um aperreio mesmo pra convencer a criança que o pai não podia pagar, que não tinha dinheiro. Foi uma coisa séria, porque, querendo ou não, foi um constrangimento quando a minoria comprou. Foi aperreio esse dia. (P-95-PRI)

A criança que, depois do desfile, não tiver a farda nova que o grupo tem, vai ser motivo de graça, de zoação. (P-64-PRI)

As docentes da rede privada possuem uma atitude negativa em relação aos altos valores das taxas cobrados para as diversas comemorações, inclusive para lembrancinhas. Também, as docentes da rede pública assumem posição negativa para com a oferta de lembranças ou presentes oferecidos de forma individual nas diversas comemorações, algumas afirmam que é inviável a oferta para todos devido à falta de recursos. Outra parte de entrevistadas diz que “a lembrancinha é dispensável. “Não precisa dar o paninho de prato.”(P-109-PU). Segundo elas, a ênfase deve ser nos valores afetivos e as produções infantis devem ser vistas como lembranças. Contudo, as famílias cobram a comemoração e/ou a oferta de algo material. Disseram:

Já teve um presente que a gente distribuiu sacolinha e a mãe olhou para mim e disse: "É só isso?". Ela não entendeu. Aquela sacola pintada com as mãos do filho era tudo de bom, mas ela não entendeu. (P-92-PU).

A gente comemora o dia dos pais e das mães porque os pais cobram né? A comunidade cobra. [...] Mesmo que a gente não queira comprar nada do bolso da gente, a gente é obrigado a pensar algo de muita relevância, que a gente não vai dar um pedaço de emborrachado por dar, que a gente sabe que o pai vai se desfazer daquilo em segundos, a gente é que tem que se virar. Tem que ter a lembrancinha.(P-105-PU)

Essas falas nos chamam a atenção para como as famílias representam as comemorações. Segundo as docentes, as famílias ancoraram as comemorações e eventos no que é oferecido pela escola como festas e presentes/lembrancinhas.

Em relação aos eventos realizados pelas escolas, muitas professoras relatam já ter vivenciado e se mostraram favoráveis às comemorações acontecerem no espaço escolar, seja

dia dos pais, das mães ou da família. Para elas é a melhor opção, pois além de evitar exageros desnecessários, constituem oportunidades para se mostrar os trabalhos produzidos pelas crianças, conhecer os familiares e proporcionar aproximação e interação entre as famílias e crianças. Citaram diversas atividades que já vivenciaram durante essas comemorações.

As professoras da rede privada relataram passeios diversos em hotéis cinco estrelas, resort, clubes, clubes de campo, casas de campo, cinemas. Muitas delas demonstraram preocupação com essas formas de comemorar. Relataram que as crianças já frequentam cinemas com seus pais sem necessitar da interferência da escola, consideram que no cinema quase não há interação, uma vez que a regra básica é o silêncio. Avaliam que as crianças das quais são professoras tem acesso a diversos locais de lazer (clubes, hotéis, casas de campo e praia, viagens ao exterior entre outros) e que nos passeios realizados pela escola, as famílias se dispersam, outras levam babás para cuidar das crianças o que acaba distorcendo o objetivo do passeio, ou seja, a interação entre pais e filhos. Além do mais, referiram-se à exclusão, pois devido ao alto custo, alguns alunos acabam por não participar.

Para as comemorações no interior das escolas, algumas sugerem atividades, outras dizem já ter participado de atividades, como: brincar na areia, biodança, dançar, jogar futebol, oficina de pintura, exibir vídeos ou músicas para reflexão, construção de brinquedos com as crianças, as crianças desenharem os pais e estes desenharem os filhos, picnics, corrida de saco, café da manhã, show de talentos, palestras, chá da tarde, jantar, aula de massagem, vôlei, bolão, cabo de guerra, etc.

Em relação às apresentações, nenhuma participante informou ter conhecimento de show do “solzinho” nas escolas. No entanto, a maioria das docentes, não demonstrou surpresa quanto à apresentação do Patati Patatá, ao contrário, algumas afirmam já ter presenciado, no ambiente escolar, apresentações deles e de outros palhaços, de mágicos etc. Ficou evidente que as participantes são mais tolerantes em relação aos palhaços Patati Patatá do que ao Solzinho. Elas disseram que a dupla Patati Patatá é divertida, trabalha com músicas apropriadas às crianças pequenas, possui vídeos interessantes e já faz parte do dia a dia das crianças.

Salientamos que pareceu consenso entre as professoras, que os palhaços Patati Patatá25 têm feito sucesso com as crianças pequenas. Durante as entrevistas, algumas professoras

25

Em 2013 existiam mais de 40 duplas, autorizadas pelo dono da marca, se apresentando diariamente em 160 escolas de 17 estados. Somando produtos licenciados, shows, venda de CDs e DVDs, apresentações em escolas, festas infantis e o merchandising no programa de TV semanal exibido no SBT, a marca movimentava R$ 250 milhões por ano. Fonte: <http://goo.gl/TcXYtr>. Acessado em: 07.05.2014.