6. RESULTADOS
6.3 Análise do discurso (Entrevista semi-dirigida sobre estratégias de
6.3.3 O significado de um filho, por que desejam engravidar, como se
6.3.3.2 Filho como continuidade de valores ao mesmo tempo em
Casal 5: João e Maria
“sou uma pessoa boa, de bons sentimentos, que preza muito amizade e aí eu gostaria em parte de ter um filho e uma filha para passar esse sentimento, essa educação essas coisas, contribuir e colocar no mundo uma pessoa que continuasse com essas idéias, e que fosse inclusive melhor que eu (...) mas não olha, dá trabalho, então sabe, é meio complicado esse conceito.eu como pai, acho que vou ficar cansado pra caramba, acho que vou ficar cansado porque se .., eu gostaria de ter tido filho há dez anos, quinze anos atrás, quando tinha vinte e poucos anos, trinta, antes eu ficava sem dormir uma noite e não tinha problema, agora eu deixo uma noite sem dormir e fico um pano de chão, eu me preocupo. ela será uma mãe excelente, muito limpa, muito organizada, comprando roupinhas para o neném super bonita, com muito carinho, ela é muito carinhosa, muito preocupada, acho que vai ser ótima” (João).
“quero engravidar porque acho que mais pelo fato de construir uma continuidade, da nossa relação, (...) acho que se tiver vai ser porque eu quero com a participação dele na educação do nosso filho, que será nossa continuidade biológica, é mais por isso, (...) a gente sabe que vai dar um trabalhão, no domingo a
gente dorme até mais tarde, nossa se tiver um filho agora já pensou, não vamos mais dormir, faz parte né, como pais, acho que a gente vai levar numa boa, vai ser ótimo (...) acho que sozinha eu não sei se daria conta, com ele sim , acho que ele vai um pai que vai assumir muita coisa da criança, assumir tanto em termos de educação, como psicológico” (Maria).
De forma geral este casal efetuou construções levando em consideração vários aspectos inclusos na função paterna e materna, a função social, da construção familiar de casal e filhos, continuidade biológica, valores pessoais, de correspondência a desejos e idealizações pessoais em cumprir necessidades pessoais de eternizar valores familiares, outras questões consideradas para função paterna e materna foram os cuidados com a subsistência de uma criança, que requer tempo e energia pessoal, a qual limita a liberdade de dispor do tempo pessoal nas escolhas diárias. Questões ligadas à afetividade, também foram consideradas, expectativa que a função paterna seja acompanhada de alegria. A auto-avaliação de si e do companheiro no comprimento da função paterna incluiu qualidades positivas pessoais e de cumplicidade. Ao se observar os fatores de enfrentamento aceitação de responsabilidade e resolução de problemas reforçam as posições do casal ao se pensarem cumprindo a função de pais.
Casal 10: Cristiano e Josefa
“ah.., acho que significa para qualquer homem um instinto masculino, querer uma continuidade da espécie, não sei acho algo assim, queria tentar um filho meu e dela, depois tem aquela coisa quando nasce, acho que são coisas que se guarda para sempre, ter uma criança adotada acho bacana também,são filhos seus igual a outro, mas você pula algumas partes que são importantes. penso em dois filhos; não sei como vou ser como pai, não sei, espero ser um pai bom, participante, e assim que eu quero ser, como vai ser depois e uma coisa que... imagino que ela será uma mãe super protetora, ai já tem o cachorrinho lá, ela já, o cachorrinho faz o que quer lá, não pode brigar com o cachorrinho,...acho que eu vou ser um pai mais, acho que eu e que vou colocar limites, acho que eu vou acabar fazendo a linha dura”
(Cristiano).
“ filho é nascimento, o momento de nascer, acho que...ele ainda fala assim ai..ele não vai ter os seus olhinhos, não vai ter ai... sabe assim, então acho que se e um desejo dele, e a gente tem que tentar né, mas eu quando penso em filhos, tento
não fazer essa diferença que ele faz. Um filho, para mim, também acho que é bem isso, não tenho uma família grande, nós dois não tivemos irmãos, e uma família, é aquela coisa de, eu acho que para mim e natural que eu buscasse isso entendeu, um filho, eu não queria um filho único, imagino dois filhos. o cachorrinho já faz o que quer comigo, então eu acho que vou ser uma mãe super protetora. Alguém vai ter que fazer e não vou ser eu, eu sou brava, sou uma pessoa meio que..mas tem coisa assim que não consigo, por exemplo: impor autoridade e uma coisa que não faço mesmo por nada, então esse lado vai ter que ficar com ele, acho que vou ser aquela mãe que bem melosa.. Como pai ....ele é muito sossegado né, então já pensei que ele vai ser aquele pai que vai deixar o filho fazer de tudo, mas ele e muito racional, então acho que ele e aquele que vai conversar, e assim, assim...” (Josefa)
As expectativas pessoais de cumprimento das funções paternas são acompanhadas de qualidades positivas, que não excluem limites, sendo atribuição da função masculina,. Josefa se percebe necessitando de alguém para equilibrar a sua falta de ponderação. A análise dos fatores de enfrentamento neste casal, em sua maioria não foram utilizados, fuga esquiva (utiliza grande parte das vezes) confirma a percepção feminina de não enfrentar momentos em que os limites se fazem necessários. A percepção de Cristiano como aquele que será racional, se contrapõem com a percepção daquele que deixa fazer tudo e é muito compreensivo. Casal 13: Marcelo e Ana
“ah eu acho que para mim é a vamos dizer que completa eu acho, a relação, eu como homem tendo um filho ou filha, isso é para mim normal, uma coisa que se não acontecer, mesmo que adote ela fala assim, é precisa acontecer para me completar, acho que se não tivesse ou de repente não vou ter mesmo então fico meio chateado assim, acho que é legal. como pai, é uma situação totalmente diferente, é uma responsabilidade a mais que vai se ter, eu penso isso, mais uma responsabilidade, ela como mãe acredito que ela vai ser uma boa mãe, porque eu conheço duas crianças que ela praticamente cuidou desde pequeno, e inclusive um é afilhado dela também e não tem o que falar também, super mãe, super carinhosa e tal (Marcelo)
“eu sempre tive vontade, eu sempre pensava assim deus me livre se depois eu não casar, pelo menos uma criança eu vou adotar, eu sempre pensava assim, eu gosto de criança, sinto aquela necessidade de ter uma criança, alguém para
preencher tua vida, não que não somos felizes e que não vivemos bem, mas é que falta alguém dentro de casa mexendo, em casa tem carrinhos, bonecas, ursos. acho que vai ficar os dois bobão, que é o que quer, mas imagino ele um bom pai e tudo, como ele é com as crianças por ai,”(Ana)
O significado de um filho para Marcelo contém a consangüinidade, constitui um referencial de si, o exercício da paternidade requer responsabilidade e limita o lazer pessoal. Para Ana um filho não necessita de laço consangüíneo, mas deve preenchê-la como pessoa, é um movimento para mudar a organização familiar atual. O casal estabeleceu de querem dois filhos. Ana tem vivência como de crianças, mostra uma flexibilidade pessoal, ampliando a escolha de atividades de lazer contemplando além do casal, crianças formando assim o grupo familiar. O fator fuga esquiva utilizado grande parte das vezes pelo casal permite entender as necessidades e os projetos profissionais de Marcelo participando da construção do significado de um filho e as necessidades de Ana serem mais voltadas para trocas afetivas.
Casal 14: Anderson e Mônica
“um filho porque..acho que uma relação e uma família para ser completa tem que ter um filho, um filho para mim vai trazer alegria, vai completar meu relacionamento dentro da minha casa, não adianta eu ser uma pessoa egoísta e simplesmente viver, (...) só que eu acho que para mim uma coisa que vai me completar como pessoa e um filho, uma vida que vai me dar carinho, (...)vai me mostrar uma maneira diferente de ser, um jeito diferente, vou ter um outro objetivo: será fazer meu filho crescer uma pessoa educada, idônea, conseguir formar ele um bom profissional. (...)como pai eu acho que serei um pouco exigente demais, eu gosto das coisas muito corretas, tipo, eu digo não pode mexer, eu não quero que mexe ali, se for preciso puxar as orelhas. com mãe acho que ela será extremamente cuidadosa, não vai dar muita liberdade para ele, acho que super protetora, (...) e acaba tirando a liberdade” (Anderson)
“por que um filho.. acho que...engravidar é acho que toda mulher sonha em ter um filho, a gente escuta falar que muitos casais não querem ter filho, preferem pensar na vida financeira, eu acho que uma família sem filho , não e família, eu penso assim,(...) quero ter uma família bem legal, quero tentar dar o máximo de mim para meu filho, para ser uma pessoa boa, quero educar meu filho (...) vai me
dar trabalho, (...) então acho que vou ser protetora e com o tempo, eu possa mudar um pouco, só acontecendo para saber . como pai ..ah, acho que será do jeito que ele falou, muito carinhoso, vai ser um paizão mesmo, só que eu vejo que ele e muito de conversar, ele fala de puxar a orelha, mas ele não tem coragem, se tiver que puxar a orelha vai ser eu, ele e muito de conversar, ele não gosta de coisas erradas, se tiver que conversar ele chama” (Mônica).
Para este casal, o significado de família deve ser ligado ao nascimento de um filho, a construção masculina contempla o projeto de ser pai a longo prazo, a experiência pessoal serve de modelo, para as projeções das expectativas futuras de si como pai, o afetivo comanda os elementos que devem compor o projeto de paternidade, a necessidade de estabelecer limites está dentre as prioridades que compõem a função paterna. A percepção da companheira como mãe é percebida como aquela que irá cercear, sendo uma relação afetiva que sufoca. A percepção de Mônica do significado de um filho está associada a aspectos da gestação, possui influência religiosa; a expectativa de uma família integrada, norteada pelo diálogo, o cuidar para esta mulher é valorizado se a atenção for próxima e contínua, a liberdade de experimentar é sinal de preocupação.Ao observar-se o fator auto- controle utiliza grande parte das vezes compreende-se que para este casal as atitudes masculinas sobre a construção do relacionamento e significado de um filho serão construídas com mais flexibilidade do que a construção feminina.
Casal 23: Wellington e Joana
a nós cabe decidir querer ter filhos, e o resto é conseqüência, (...)continuidade e a satisfação, de ter e ver as coisas acontecerem, a gravidez, a criação, educação, como ele vai ser, é difícil se descrever como pai, eu não parei para pensar muito ainda, mas um pai normal, que se preocupa se diverte com o filho, busca prazeres na realização dos sonhos dele, na vida acontecendo, a mãe, educando, nas coisas e conseqüências naturais, da maternidade.” (Wellington)
acho que são muitos, acho que principalmente e o fruto do nosso relacionamento, do nosso amor, da nossa união, da nossa segurança, da nossa independência, o fruto disso tudo e um filho, e o resultado, è o complemento também, (...) a gente já tem em mente um casal de filhos, o casal já foi batizado com os nominhos e tal, (...) uma mãe normal, preocupada com o filho, vai trazer as coisas
que a mãe dela, que a mãe dela tratou ela, os reflexos da avó, e vai ter uma vida normal,”(Joana).
O significado de um filho para este casal segundo exemplo masculino é enfrentar situações desconhecidas e se arriscar a buscar orientação em “terra” desconhecida, é se aventurar a ultrapassar obstáculos quando estes se apresentam, será construir uma relação de trocas voltadas à satisfação familiar, A função materna e paterna para Wellington não foi objeto de muita reflexão. A percepção feminina do significado de um filho estende-se a função de sacramentar o relacionamento do casal. Segundo Joana, o casal tem nomeado a criança que pretende ter, reflexo de gerações feminino anteriores na função materna. A escolha da identidade sexual e o número de filhos, já tiveram espaço no pensamento do casal, existe uma auto- percepção feminina e do companheiro, positiva no cumprimento das funções paternas. Este casal no fator resolução de problemas utilizam quase sempre este fator, reforçam seus depoimentos das funções paternas.
Casal 24: Tadeu e Tâmara
“o significado da gravidez é a vida que está chegando. pai em que sentido ? eu me acho um cara legal, e um pai normal como outro, que vai dar atenção, carinho, amor, acho que e isso. você protetora [referindo-se à companheira] ? pai é pai em todo o processo.. então pai em todos aspectos, se tiver que trocar, vou trocar entendeu, com certeza vou estar junto, mas espero ter condições de ter baba , quero ter baba para tomar conta e ir lá, se tiver que trocar vou trocar, mas se tiver alguém até então, mas me vejo sim trocando fralda, ela fala que é, mas acho que eu sou mais que ela., eu sou mais flexível” (Tadeu).
“um filho é isso mesmo que ele falou também, é exatamente isso, eu nunca tive um pensamento racional porque ter filho, nunca parei para pensar, é que a gente tem uma vontade, e a decorrência natural da vida, apesar da gente mudar, a seqüência natural da vida, na sociedade em que a gente vive, mas biologicamente é nascer, crescer acasalar , reproduzir enfim e ai, as pessoas costumam fazer isso normalmente sem pensar, (...)não queria passar minhas frustrações para o filho, e dizer assim: eu tive um filho antes do tempo, por causa do filho deixei de estudar, trabalhar ou qualquer coisa que queria ter feito, essa era minha única preocupação, só que aí passou do tempo e chegou o momento que fiz tudo isso, e cadê o meu filho ? então é isso, uma gravidez é uma família, como mãe, eu me imagino super-
protetora, e a imagem que consigo ter de mim, preocupada em tentar não ser tão protetora assim, e imagem que tenho dele(...) meu marido como pai, aquela coisa mais tranqüila de brincar, de cuidar não digo, mas da parte mais lúdica da coisa, essa e a imagem que tenho dele” (Tâmara).
Para este casal responder ao questionamento do significado de um filho e a imagem de si como pais, gerou polêmica entre o casal, pensar em desempenhar a função paterna, gerou ansiedade em Tadeu, contratar uma babá, foi o caminho possível para lidar com este sentimento, a percepção da companheira na função materna foi questionada, pondo em dúvida a condição feminina de ser protetora. A descrição de Tâmara sobre o significado de um filho, é orientada por postulações sociais, isto é: ao se casar, um casal em determinado período deverá ter filho. Este projeto começou a ser executado, após o casal alcançar estabilidade profissional e financeira, para Tâmara existe um tempo certo para esta experiência, ver-se como superprotetora, envolvida com cuidados alimentares, são atribuições femininas; a imagem masculina na função paterna foi associada a atividades prazerosas. O fator confronto (não utiliza e utiliza algumas vezes) identificou que este casal se posiciona de forma esquiva ao pensar o significado de tornarem-se pais.
Casal 28: Julio e Tais
“ah, eu acho que faz parte um filho, uma filha, sei la , isso faz parte mesmo, se você ..já está dentro da gente isso, não tem como explicar, é uma vontade que vem de dentro da gente, e alguém que você possa amar, possa se dedicar, direcionar, aquilo que você acha certo, entro no padrão de vida (...) eu como pai ?.. é assim..é...eu fico...e pela minha lagrima você percebe que tenho o dom de pai, desde adolescente eu sempre falei em criança, e ( ....) .dessa abertura, minha mulher como mãe será cuidadosa, se for menina, nossa coitada, coitada de zelo, vejo assim o zelo que ela tem comigo, com a casa e se for menino, ela vai ter o mesmo zelo, mas assim..tem coisa que ela vai deixar muito comigo, que o homem tem que dar direção, e estar mais presente, e por ai. , ” (Julio).
“um filho, acho que é assim ,que e o fruto do amor do casal, não que o outro assim não complete, acho que conforme o tempo vai passando, você vai sentindo necessidade de ter filho, porque toda a humanidade, toda família tem filho, e quem casa..e muito difícil um casal que casa falar que não quer ter filho, (...) quando a gente espera ...tanto e deseja tanto isso, assim na hora que a gente for mesmo a
gente vai..vai poder dar amor, poder educar realmente, o meu marido como pai, acho que um cuidador” (Tais).
O significado de um filho para este par, está ligado ao cumprimento das funções sociais de um casal, tendo conotação naturalizante, e condição de benção divina; a construção pessoal masculina no desempenho da função paterna surgiu na adolescência, apoiando-se em estabelecimento relação afetiva depositária de amor. O fator confronto (tabela?) não utiliza, foi indicativo que este casal possui construção pessoal semelhante ao pensar o significado do filho e função paterna, de acordo com as determinações sociais.