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FILIÈRES AUXILIARES TECNOLOGICAMENTE ATIVAS

No documento A filiere suinicola em Santa Catarina (páginas 34-39)

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CAPÍTULO II

2. A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FILIÈRE SUINÍCOLA EM SANTA CATARINA

2.1 - Aspectos Históricos da Filière - A influência da agroindústria sobre a produção de suínos

A história da "filière" de carne suína no estado de Santa Catarina começa na segunda metade do século XIX, e tem relação direta com a ocupação do Vale do Itajaí, a partir de 1850, pelos imigrantes europeus.

.As colônias se desenvolveram com base em uma agricultura familiar orientada para o auto-consumo e, inicialmente de forma secundária, para o mercado. Os camponeses produziam leite, trigo, cevada, aveia, centeio, porcos, aves e mais tarde milho, feijão e mandioca.

Diversos fatores contribuíram para a implantação da filière suinicola. Dentre eles, deve-se considerar o isolamento das colônias do sul da economia do café. Se, realmente, a imigração européia no centro do país estava ligada aos problemas de falta de mão-de-obra na economia do café e às restrições postas pela Inglaterra ao tráfico de escravos vindos da África, a imigração no sul tinha outros problemas.

O isolamento da região de economia agrícola de exportação que dominava o país na época, a existência de uma variedade de profissões e qualificações (entre os imigrantes europeus, além dos agricultores, vieram médicos, advogados, professores, engenheiros, artesãos, etc.) e a existência de um mercado local, favoreceram o aparecimento de condições prévias necessárias ao desenvolvimento de pequenas empresas em quase todos os setores, isto pode explicar a existência de uma estrutura industrial muito diversificada no estado de Santa Catarina: indústrias agro-alimentares, até as indústrias eletro-mecânicas, plásticas, fundições, de equipamentos médicos, indústria da madeira, do papel, textil, etc..

Nesse contexto, nasceu, no Vale do Itajaí, no início dos anos 70 do século XIX, a primeira empresa de transformação de carne suína.

Os acontecimentos nacionais e internacionais estavam se desenvolvendo favoravelmente à economia de Santa Catarina. O Vale do Itajaí pode se caracterizar,

desde o fim do século XIX como importante exportador de banha e produtos suínos para os mercados do Rio de Janeiro e São Paulo.

A qualificação técnica do imigrante alemão e a acumulação através das vendas regionais seriam a origem do desenvolvimento industrial que se instalou na região a partir do fim do século XIX (CEAG, 1978).

A colonização da região Oeste e do Vale do Rio do Peixe, no início deste século, desloca a criação de suínos do Vale do Itajaí. A mão-de-obra agrícola excedentária no estado do Rio Grande do Sul se instala no Oeste e se orienta em maior número para a produção de milho e para a criação de suínos.

A partir daí, a história do desenvolvimento da suinocultura em Santa Catarina se confunde com a própria história do Oeste Catarinense.

Pouco a pouco, a atividade suinícola se concentra no Oeste e no Vale do Rio do Peixe. O deslocamento do polo de desenvolvimento da filière suína foi, possivelmente, favorecido pelas melhores condições do meio, pela produção de milho no Oeste e pelo fenômeno de industrialização e de urbanização do Vale do Itajaí (PIMENTA, 1984).

Por outro lado, a proximidade de centros consumidores permitia aos agricultores do Vale do Itajaí obter mercados ou ter atividades alternativas. Já no Oeste e Vale do Rio do Peixe, a inexistência de centros urbanos importantes e o isolamento da região, não permitia tais facilidades para os criadores.

Inicia-se em fins dos anos 30, a segunda fase de migração para o Oeste Catarinense. Nas três décadas seguintes operam-se grandes transformações na economia local, tendo em sua raiz a expansão da pequena produção familiar.

Na década de 30, deu-se a maturação dos projetos de colonização com a construção de estradas e a interligação do município de Chapecó ao Vale do Rio do Peixe onde passava a estrada de ferro São Paulo - Rio Grande. Contribuiu, também, uma pequena acumulação de capital, iniciada com o comércio de erva-mate e fumo e depois com a exploração da madeira.

A substituição do fumo pelo suíno como principal atividade comercial dos pequenos produtores consolida-se no decorrer dos anos 40 e início dos anos 50. A criação de porcos para subsistência familiar era praticada tanto entre teuto-brasileiros quanto entre ítalo-brasileiros. Após 1940, ao contrário das duas décadas anteriores, a migração italiana predomina sobre a alemã, o mesmo acontecendo durante o período de colonização do Vale do Rio do Peixe.

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Para melhor se compreender as questões da mudança da rota de comercialização e da substituição de produtos comerciais na agricultura do extremo Oeste Catarinense, convém adentrar-se um pouco no desenvolvimento da economia do Vale do Rio do Peixe.

Conforme relatos de Attílio Fontana (1980), em seu livro de memórias, em 1923, "Ali, na colônia (no atual município de Joaçaba) já havia uma criação apreciável de porcos, desenvolvida pelos lavradores, mas faltava mercado comprador na região"

Neste período (1923) foi feita a ligação ferroviária com o estado de São Paulo. A estrada de ferro São Paulo - Rio Grande, que corta o Rio do Peixe, em toda sua extensão, permitia o escoamento fácil de excedentes locais para o principal mercado consumidor do Brasil. Desde logo surgiram comerciantes locais que compravam suínos junto aos lavradores e os comercializavam em Osasco e Itararé (São Paulo), trazendo em seu retorno muitos produtos manufaturados. O serviço de telégrafo podia facilmente informar as cotações dos produtos coloniais no mercado paulista.

Attílio Fontana prossegue:

"... a par de minha atividade como enfardador, comecei a fazer pequenos negócios com suínos, comprando e vendendo lá mesmo com algum lucro...

quando chegou 1924, eu já tinha uma importância razoável... e depois:

... comprava suínos em Bom Retiro (em Joaçaba) e ia negociá-los em Itararé".

Com o intercâmbio comercial crescente com São Paulo, a produção local de Joaçaba passou a não mais suprir a demanda dos comerciantes ávidos por realizarem "bons negócios". Assim, conforme relatos do próprio Attílio Fontana, em fins da década de 20 a sua firma, já associada com capitais comerciais paulistas, comprava suínos desde Caçador, mais ao norte, até Marcelino Ramos no Rio Grande do Sul.

A década de 30 marca a fundação de moinhos de trigo e os primeiros empreendimentos no sentido do processamento de suínos no Vale do Rio do Peixe. São frutos da associação de capitais locais, forjados no intercâmbio comercial com São Paulo. Esta centralização de capitais desloca muitos comerciantes da atividade suínicola, sem condições de competirem com os novos frigoríficos na compra de suínos. Pouco mais tarde, em 1943, sob o comando de Attílio Fontana cria-se a SADIA (S.A. Concórdia) e que veio a se tomar no maior conglomerado agroindustrial da

região, com incursões em outros setores como a aviáção civil (Transbrasil). Antes da SADIA, foram criadas a Perdigão S.A. e a Comércio e Indústria Pagnocelli, respectivamente em 1940 e 1942, ambas no Vale do Rio do Peixe (ALTMANN, 1979).

Ao contrário da indústria fumageira, o processamento industrial do suíno

í não era, naquela época, uma atividade oligopolizada a nível nacional, permitindo j

inicialmente a criação de diversos frigoríficos. A base econômica dos frigoríficos residia numa acumulação comercial prévia calcada na pequena produção familiar. Com a acumulação de capital agroindustrial, a demanda por suínos extrapolou os limites do Vale do Rio do Peixe e elevou fortemente sua procura. O polo comercial e agroindustrial do Vale do Rio do Peixe passou, então, a interferir na economia de todo o oeste catarinense.

Estavam colocadas as bases para o fluxo comercial leste-oeste, com a suinocultura se firmando como principal atividade agropecuária, comercial e industrial de todo o Oeste Catarinense. Assim, inicialmente no município de Chapecó, instalou-se um polo comercial de suínos que mantinha intercâmbio com o Vale do Rio do Peixe. Não tardou a se criar, em Chapecó, as condições para o início de uma acumulação agroindustrial. De fato, em 1952 fundou-se o frigorífico da SAIC - Sociedade Anônima Indústrias Chapecó. Quatro anos mais tarde, cria-se o frigorífico SEARA, no município de mesmo nome localizado entre Chapecó e Concórdia, no Vale do Rio do Peixe. Agregando-se o frigorífico Eliane, pertencente à Cooperativa Central Oeste, criado em 1969, tem-se o quadro das cinco grandes empresas agroindustriais de aves e suínos, formado pela Sadia, Perdigão, Seara, SAIC e Coopercentral. Além destas empresas houve outras menores, que foram progressivamente sendo incorporadas às cinco grandes. (Ver Tabela 01).

Com a expansão das agroindústrias e de sua infra estrutura comercial, estavam abertos os caminhos para a expansão de outras culturas como o feijão, a soja e o milho, sendo este último o principal componente da alimentação de suínos.

A expansão comerciai e agroindustrial gerada pela suinocultura permitiu a abertura de uma série de atividades comerciais para a pequena produção e para a própria acumulação agroindustrial do capital.

A partir de 1969, a filière suinícola passou por importantes modificações: a integração vertical e horizontal, a diversificação em congêneros e a diversificação em conglomerados.

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TABELA 0 1 ANO DE CRIAÇÃO DAS PRINCIPAIS AGROINDÚSTRIAS DA FILIÈRE SUINÍCOLA

No documento A filiere suinicola em Santa Catarina (páginas 34-39)