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Fim do dia de trabalho 20.00 Hora de jantar 

No documento Contaminação. Confronto e partilha. (páginas 36-61)

Capítulo II  Base Prática

1. Casos de Estudo 

18.00  Fim do dia de trabalho 20.00 Hora de jantar 

22.00 Fim do dia     

2.3 Três Identidades 

Cada  um  dos  programas  autonomiza‐se  como  um  objecto  arquitectónico  por  si.  Não  só  a  nível  programático, como formal, estrutural e material. Criam‐se três identidades diferentes. 

a)Programa 

O Habitar foi programado por uma lógica  de  tipos  de  vida  ao  invés  de  número  de  quartos  ou  assoalhadas.  Nos  diferentes  tempos  de  uma  vida  existem  necessidades diferentes, vive‐se de forma  diferente. Habita‐se os espaços de forma  diferente.  As  tipologias  habitacionais  pensam  os  tempos  da  vida,  a  condição  económica, educação, a cultura de quem  a habita.  

Sistematizando temos o seguinte quadro: 

Tipos / Lógica  Altura  Grande  Pequena Norma  Qt  % 

Luxo  1  1  4  Família Média  4  2  2  2  10  37  Económica  4  4  15  Pequena  5  5  19  Trabalho  1  1  2  7  Townhouse  1  1  2  7  Experimental  1  1  1  3  11  27  100 

O  quadro  apresenta  na  vertical  a  característica  predominante  na  tipologia  e  na  horizontal  a  lógica  utilizada  para  a  desenhar.  Temos  a  característica  predominante  elaborada  na  norma  e  a  partir  dai  trabalhamos o conceito numa lógica de condensação (Pequena), dispersão (grande) e altura. 

A  tipologia  de  Luxo  ocupa  três  pisos.  Exagerou‐se  o  Luxo  e  atribui‐se  a  cada  piso  uma  valência  diferente, o Privado onde estão os quartos, o público, o piso da entrada principal e o do lazer. Assim  esta tipologia é facilmente transformada numa pousada ou hostel. 

A tipologia da Família Média tida como convencional actualmente foi amplamente explorada dando  uma normalidade aos conceitos estudados nas tipologias experimentais. 

A  tipologia  Económica  tem  a  ver  com  a  habitação  subsidiada.  Não  deve  só  servir  para  albergar  pessoas em transição mas, sendo a sua lógica a de custo, possa ser comprada a um preço razoável.  A tipologia Pequena está relacionada com o uso por tempos mais curtos (situação de idosos, recém  divorciados, casais jovens, estudantes) prestando‐se mais a situações de arrendamento.   A tipologia Trabalho tem a ver com pessoas que trabalham em casa como pequenos empresários e  profissionais liberais (arquitectos, designers, costureiras, informáticos, advogados, etc.).  A Townhouse representa um modo de viver unifamiliar com um acesso directo à rua.    

A  tipologia  Experimental  vai  desenvolver  o  argumento  a  partir,  em  grande  parte,  do  estudo  das  tipologias de Sverr Fehn. Tem a ver com um modo não convencional de estar na vida. 

b)Estrutura, Ritmo e Detalhe 

 

O edifício de habitação é construído integralmente em  madeira.  Para  o  seu  estudo  foi  feita  uma  maquete  à  escala  1:20  de  forma  a  estudar  o  melhor  sistema  de  composição da madeira. 

A  construção  em  madeira  trabalha  com  linhas  e  num  processo constante de adição de sistemas. A estrutura  principal  trabalha  com  perfis  de  80x30cm  numa  métrica  de  7.5  x  5  x  10m.  Os  10  metros  de  altura  albergam  três  pisos  com  ajuda  de  duas  vigas  intermédias. O sub‐sistema que vai ajudar a configurar  o  espaço  e  vai  construir  as  janelas  é  um  sistema  de  perfis  de  10x20cm  que  funcionam  de  2.5m  em  2.5m  na  direcção  perpendicular  à  da  parede  exterior.  Este  sub  sistema  está  desfasado  por  1.25m  da  estrutura  principal.  

O  modo  de  construir  da  madeira  presta‐se  ao  argumento  pois  os  limites  convencionais,  o  tecto,  a  parede o chão acabam por se desmotivar uma vez que se desconstroem. Por exemplo o tecto tem  variados pés direitos. O primeiro é onde o primeiro sistema começa, o segundo é outro, 80cm mais  Figura 17 Maqueta ‐ Escala 1:20 Edificio de Madeira

acima, depois 20 cm mais acima outro e com isto o  tecto  ganha  uma  profundidade  e  uma  riqueza,  desmaterializando‐se  como  plano  e  contaminando  todo o espaço. 

As aberturas são feitas sempre retardadas em linha  com  a  estrutura  principal  de  modo  a  evitar  as  treliças  que  na  parede  exterior  correm  no  plano  que antecedo o revestimento final. 

  O  alçado  é  construído  por  ripas  verticais  que  ao  chegar  a  uma  abertura  rodam  sobre  o  seu  eixo  vertical  tornando‐se  guardas  deixando  entrever  o  que se passa atrás. Em adição a este sistema existe  um sistema genérico a todo o objecto de uma rede  metálica  perfurada  que  concebe  o  invólucro  final.  Todo  o  conjunto  vai  criar  uma  interioridade  com  várias  camadas  de  privacidade  e  diferentes  limites 

físicos.  Do  exterior  a  sensação  que  se  vai  ter  a  olhar  para  o  alçado  será  a  de  interioridades  mais  profundas  onde  a  luz  vai  esvanecendo,  interioridades  mais  abundantes  onde  se  denota  apontamentos de arbustos e natureza ou perfurações simples e pouco profundas.              Figura 18 Pormenor Maqueta ‐ Escala 1:20 Edificio de  Madeira 

  Figura 20 Alçado Madeira _ esquema de composição           

c)Organização das tipologias  

 

 

  

Figura 21 Organização das tipologias  As  imagens  apresentadas  explicam  como  o  motor  das  águas  é  utilizado  para  definir  a  vivência  da  tipologia.  Na  primeira  imagem  os  motores  colam‐se  aos  limites  da  tipologia  deixando  o  resto  do 

espaço livre para ser apropriado pelos pátios verdes e pelos diferentes programas. O motor define o  espaço que confronta. 

 Na  segunda  figura  verificamos  os  motores  separados  e  no  meio  do  espaço.  Estes  contaminam  a  tipologia pelos quatro lados com que a configuram. Na última figura em vez de blocos separados de  águas  temos  todo  o  conjunto  do  programa  da  habitação  dentro  de  uma  faixa  que  organiza  toda  a  casa deixando o espaço fora da faixa livre, desprogramado.  

Tendencialmente, nas diferentes tipologias as portas e os espaços fechados vão deixando de existir,  originando apenas planos que vão transitando o grau de privacidade. 

Tendo a estrutura de madeira uma presença tão imponente dentro do espaço foi decidido descolar  as paredes limite das tipologias de estrutura principal, deixando‐a respirar e contaminar o espaço. O  modo  de  apropriação  do  objecto  arquitectónico  que  vai  alargando  foi  através  de  vários  pátios  que  ajudam a organizar a tipologia podendo estes ser de origem vegetal ou não.           

 

 

 

 

II. Trabalhar 

 

a)Programa 

O  programa  do  Trabalhar  centrou‐se  em  humanizar  um  espaço  muitas  vezes  mecânico  e  genérico.  Os  diferentes  tipos  de  trabalhar que se emprestam a estes espaços  foram  tidos  em  conta  pela  forma  como  se  podem  relacionar  entre  si  nos  pisos  que  os  configuram  e  com  o  espaço  exterior.  O  primeiro  piso  de  acesso  mais  directo  ao  exterior  é  o  de  uma  livraria.  Espaço  caracterizado  pelo  Pensar  que  tem  a  possibilidade  se  estender  para  o  mobiliário  urbano  no  exterior.  De  seguida  temos  o  ComPartilhar  um  espaço  co‐work  que  se  define  por  um  conjunto  de  trabalhadores  independentes  que se juntam num espaço comum para trabalharem acompanhados incentivando redes socais e de  trabalho.  No  piso  seguinte  é  uma  incubadora  de  empresas,  espaço  onde  grupos  de  trabalho  que  queiram criar empresas se instalam e têm a oportunidade de usar recursos diponibilizados por uma  “empresa mãe” como a reprografia, o departamento jurídico,etc. Tanto este piso como o do co‐work  são servidos por espaço público com mobiliário urbano onde o Trabalhar se pode estender.No piso  seguinte  é  o  dos  serviços  que  a  empresa  mãe  disponibiliza  à  incubadora.  Os  três  pisos  onde  a  empresa  mãe  se  desenvolve  caracterizam‐se  pelo  Servir,  o  Produzir,  open‐space  com  muitos  trabalhadores onde a massa da empresa trabalha e o Gerir, espaço com gabinetes individuais e salas  de reunião de onde se tomam as decisões sobre o rumo da empresa. O Alimentar é o piso que serve  de combustível a toda a empresa e que pode ser também utilizado por pessoas externas.        Figura 22 Diagrama Programático ‐ TRABALHAR

b)Estrutura, Ritmo e Detalhe 

O  objecto  de  betão  tem  uma  forma  que  parece  desafiar  a  gravidade.  Foram  estudados  diversos  sistemas  de  construção  desde  o  metálico  ao  betão.  O  sistema  que  se  mostrou  mais  eficaz  e  que  servia  ao  mesmo  tempo  o  argumento  de  criar  uma  identidade  própria  ao  Trabalho  foi  o  sistema  Laminar  de  betão.  Lâminas  de  40cm  de  espessura  atravessam  toda  a  forma  transversalmente  com  um  intervalo  de  7.5m  e  longitudinalmente  com  um  intervalo  de  5m.  No  entanto,  e  como  era  necessário ter mais circulação vertical, existe um núcleo de escadas que ajuda a suportar todo este  peso. 

Para  aligeirar  esta  estrutura  foram  estudadas  diferentes  tipos  de  aberturas  que  atravessam  tanto  longitudinalmente,  transversalmente  e  horizontalmente.  Criando  espaços  de  encontro  que  funcionam  nas  três  dimensões.  Esta  perfuração  foi  estudada  a  partir  da  obra  do  Gordon  Matta‐Clark  do  estádio  do  Sp.  Braga  do  Souto  Moura  e  da  obra  de  Christian Kerez.  

   

 

 

 

 

            Figura 25 Processo ‐ Perfurar as Lâminas de Betão 2 

            Figura 26 Axonometria ‐ lâminas perfuradas 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 27 Diagramas Finais ‐Perfuração das lâminas estruturais de betão

 

 

  Figura 29 Fotomontagens interiores

 

 

III. Viver 

O  espaço  Viver  é  o  agente  que  activa  o  edifício  e  o  programa  que  consubstancia  o  argumento.  Ele  origina‐se a partir de uma praça tectónica onde três placas se parecem levantar para deixar descobrir  uma  linha  de  água.  Essas  placas  vão  criar  a  lógica  da  contaminação  do  espaço  público  no  Objecto  arquitectónico.  

Num primeiro momento este espaço vai resolver a diferença entre as cotas das ruas que confinam o  objecto  que  entre  si  fazem  uma  diferença  de  7  metros.  Ao  desenhar  os  trajectos  públicos  de  encontro  à  praça  cria‐se  uma  bolsa  de  dois  pisos  térreos  que  ganham  programa  e  interactividade  com a praça.   Todo o edifício vai crescer por entre as duas outras identidades sempre com uma lógica de espaço  público que se movimenta por placas que rompem o espaço e que pontualmente contêm bolsas de  programa.  a)Programa 

 

O  programa  do  Viver  pode‐se  dividir  em  6  acções  principais:  Actuar,  Educar,  Comer,  Descontrair, Brincar e Praticar. 

 O  actuar  desenvolve‐se  num  espaço  de  auditório que está enterrado abaixo da cota da  praça. Esse espaço contém uma black box, um  espaço  expositivo,  e  um  café  cultural.  Actuar  não  só  de  participar  num  espectáculo  mas  também  de  Agir.  O  palco  quando  encerrado  oferece  um  auditório  a  quem  se  quiser  apropriar dele. Este espaço quer‐se de acção e  de discussão, de cultura e pensamento.  

O  Educar  refere‐se  à  cota  da  praça,  consiste  numa  Creche,  um  A.T.L.,  uma  biblioteca  e  um  centro  educativo.   

O Comer encontra‐se a meio caminho de duas cotas das ruas confinantes, é um espaço que pretende  ser de encontro à mesa com características para servir de cantina ou self service mais económico. 

O  espaço  seguinte  quer  ser  comprimido,  calmo  e  descontraído.  Alberga  uma  sala,  um  espaço  encerrado onde se pode trabalhar, ouvir música, ler o jornal com o som da água ao nosso lado e o  cheiro das flores a circular. 

O Brincar é transversal a todo o programa do Viver mas neste piso existem condições que o facilitam,  um escorrega, uma rede elástica que contém baloiços, e diferentes planos inclinados que constroem  uma  topografia  artificial  que  se  pode  escalar,  deslizar  fazer  acrobacias,  etc.  conjuntamente  com  espaços verdes onde se pode rebolar.  

O  Praticar  refere‐se  a  um  ginásio  com  a  valência  das  máquinas  de  exercício,  de  estúdio  de  dança,  espaço Spa e encabeçado por uma piscina. Desta piscina com cobertura de vidro tem‐se uma vista  para um espaço de tensão entre os objectos do Trabalho e do Habitar. 

 

  Figura 31 Diagrama Altimétrico e Programático VIVER

 

    b)Estrutura, Ritmo e Detalhe 

Este edifício é construído em estruturas metálicas e vidro. Esta estrutura adapta‐se ao que o espaço  quer ser. Regula‐se entre espaços comprimidos, ortogonais, poliédricos. Por vezes a cobertura de um  espaço  é  habitada  com  um  programa  ou  uma  parede  distende‐se  para  deixar  passar  alguém.  Esta  característica das estruturas metálicas que têm o poder de se distender reforça o argumento de que  este espaço é dinâmico, interactivo e resulta de uma força externa que abre e descobre o espaço.  É o Viver que envolve todo o edifício num só invólucro constituído por uma rede metálica perfurada  e também ela contaminada por diferentes lógicas. Esta é a última camada antes do exterior. A rede  tem 2.5m x 1 m e é afixada a um sistema de RHS que funciona de nível de um em um metro e que  por  sua  vez  estão  afixados  a  um  RHS  de  perfil  que  funciona  de  2.50  a  2.50m.  Este  perfil  vai  ser  afixado a uma viga treliçada que se encontra a um metro de distância. Quando não há espaço para  esta viga a rede é afixada directamente ao edifício do Habitar ou do Trabalhar. O desenho da rede  obedece  a  uma  séria  de  transformações:  inicia‐se  com  uma  placa  de  aço  corten  de  2.5m  por  1m  perfura‐se  um  padrão  circular  recorrente  no  projecto,  volta‐se  a  perfurar  com  uma  malha  quadrangular  apertada  para  ganhar  maior  permeabilidade  e  dobra‐se  a  placa  para  ganhar  resistência.  

O espaço público no Viver é caracterizado na maioria dos pisos por mobiliário urbano, uma linha de  água que unifica todo o edifício e que desagua na linha de água da praça, por vegetação de cheiro e  relva e um escorrega para miúdos e graúdos. 

              Figura 32 Estudos de perfuração da lâmina metálica ‐ Fachada   

    Figura 33 Diagrama Final ‐ Lâmina Metálica Perfurada                    Figura 34 Maqueta digital ‐ Lâmina Metálica Perfurada da Fachada

    Figura 35 Fotomontagem Interior VIVER   

 

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão 

 

 

O edifício híbrido como modo compacto e sustentável de vida é actualmente um tema explorado em todo o  mundo  como  solução  às  cidades  segregacionistas  e  dispersas  definindo‐se  entre  outras  valências  como  a  celebração  da  complexidade,  diversidade  e  variedade  programática.  O  argumento  constrói‐se  a  partir  da  exploração do programa que existe para além da rotina habitual Casa‐Trabalho. Esse programa tem de ter a  capacidade de se incutir nessa rotina transformando‐se numa mais‐valia. 

O  Projecto  desenvolveu‐se  em  duas  componentes  principais:  a  componente  sociológica,  onde  se  definiu  o  programa como forma de questionar o paradigma estabelecido e a componente estrutural, onde a estrutura se  tornou a identidade dos diferentes programas. 

Os espaços criados tornam‐se estranhamento conhecidos quando existe um confronto entre formas estranhas,  materialidades  conhecidas  e  programas  ordinários.  Existe  uma  sobreposição  de  espaços,  vistas,  programas  e  materialidades  que  ousam  criar  novas  maneiras  de  Habitar  em  comunidade,  Trabalhar  conectado  e  Viver  livremente.  

Este  edifício  pretende  ser  um  grito  à  nossa  cidade,  re  conectando  todas  as  valências  urbanas  que  hoje  se  encontram esparsas e parcas definhando com o tecido urbano. É um pensar no que é ser urbano e como pode  um edifício responder a essa urbanidade necessária à cidade. 

Habitar, Trabalhar, Viver a cidade e na cidade.  

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No documento Contaminação. Confronto e partilha. (páginas 36-61)

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