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5. RADIOTERAPIA (RT)

5.2. Finalidades da Radioterapia

Tendo-se em vista o aspecto multidisciplinar e multiprofissional do tratamento do câncer, a autorização da radioterapia também deverá estar sempre dentro de um planejamento terapêutico global, com início e fim previstos. As finalidades da radioterapia estão relacionadas a seguir e mais se referem a doentes adultos, já que, em crianças e adolescentes, cada vez mais se vem reduzindo as indicações da

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radioterapia, pelos efeitos colaterais tardios que ela acarreta ao desenvolvimento orgânico.

5.2.1. Radioterapia Paliativa

Objetiva o tratamento local do tumor primário ou de metástase(s), sem necessariamente influenciar a taxa da sobrevida global do doente. Geralmente, a dose aplicada é menor quando comparada à da radioterapia com finalidade curativa, exceto quando utilizada em caso de paciente com boa condição clínica e que apresente no máximo três metástases e um curso insidioso da neoplasia maligna, situação em que pode ser utilizada a dose máxima, ablativa.

5.2.2. Radioterapia Pré-Operatória (RT Prévia, Neoadjuvante ou Citorredutora.)

É a radioterapia que antecede a principal modalidade de tratamento, a cirurgia, para reduzir o tumor e facilitar o procedimento operatório.

5.2.3. Radioterapia Pós-Operatória ou Pós-QT (RT Profilática ou Adjuvante.) Segue-se à principal modalidade de tratamento do doente, com a finalidade de esterilizar possíveis focos microscópicos do tumor e dimunuir o risco de uma recidiva no local operado ou nos linfonodos regionais.

Em casos de carcinoma indiferenciado de células pequenas de pulmão e de leucemia, a radioterapia do sistema nervoso central pode ser autorizada com finalidade profilática (no sentido estrito de profilaxia) por conta do comportamento biológico próprio destas neoplasias malignas primárias.

5.2.4. Radioterapia Curativa

Consiste na principal modalidade de tratamento e visa à cura do doente. A dose utilizada é geralmente a dose máxima que pode ser aplicada na área. [O radioterapeuta pode utilizar os termos “radical”, “curativa” ou “exclusiva” no sentido de dose máxima, seja qual for a finalidade da radioterapia. Porém, no sub-sistema APAC-ONCO, deve-se entender como exclusiva a radioterapia de finalidade paliativa, ou curativa, que não se associa a outra(s) modalidade(s) terapêutica(s), independentemente de se aplicar a dose máxima.] Em alguns casos, a radioterapia curativa pode ser realizada de forma concomitante a algum tipo de tratamento sistêmico com finalidade de potencializar o efeito da radioterapia.

5.2.5. Radioterapia Anti-Álgica

Radioterapia paliativa com esta finalidade específica. Tanto pode ser aplicada em dose única como pode ser aplicada diariamente ou, em doses diárias maiores, semanalmente.

Repete-se que o procedimento 03.03.12.005-3 – TRATAMENTO DA DOR/METÁSTASE ÓSSEA COM RADIOISÓTOPO (POR TRATAMENTO – EXCETO CÂNCER DE TIREOIDE) é de alta complexidade, do âmbito da Medicina Nuclear, compatível com metástase óssea e informado em BPA consolidado.

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5.2.6. Radioterapia Anti-Hemorrágica

Radioterapia paliativa com esta finalidade específica. Como é de finalidade paliativa, a dose total é menor do que a máxima permitida para a área, aplicada em dose única.

5.3. Autorização e Ressarcimento pelo SUS

As formas de informação e ressarcimento dos procedimentos radioterápicos se fazem de acordo com as especificações feitas após a citação de cada item, no Grupo 03, Sub-Grupo 04 e Forma de Organização 01 - Radioterapia, da tabela do SUS. A codificação do procedimento radioterápico deve ser compatível com a doença ou condição, explicitada por seu respectivo código da CID.

Mais uma vez, volta-se a alertar que, com a publicação da Portaria SAS/MS 263/2019(*), a APAC de radioterapia passa a ser única, com validade fixa e máxima de 3 (três) meses, por situação tumoral (caso), sem mais correlação com tipo de equipamento, com técnica ou com um número máximo de campos, inserções ou aplicações estabelecido por procedimento ou indicação.

No novo modelo adotado, as seguintes bases para a autorização da APAC única devem ser observadas:

a) Cada procedimento radioterápico será registrado de acordo com a localização do tumor, sendo autorizado apenas um procedimento para cada sítio tumoral, salvo as condições discriminadas na Portaria SAS/MS 263/2019(*), como a irradiação de cadeia(s) linfática(s) quando não incluída na irradiação do respectivo sítio tumoral primário (tumor de pele e tumor de partes moles), explicitado na descrição do procedimento e nas compatibilidades estabelecidas no Anexo II dessa Portaria (APAC Principal X APAC Principal Concomitante).

b) Procedimentos de radioterapia que, em sua descrição, incluem a irradiação da cadeia de drenagem linfática não devem ser autorizados concomitantemente com o procedimento 03.04.01.054-5 Radioterapia de cadeia linfática; no caso dos procedimentos cuja descrição especifica não a incluir, a concomitância com o procedimento 03.04.01.054-5 Radioterapia de cadeia linfática não é geral nem obrigatória, aplicando-se apenas quando indicada.

c) Deverá ser liberada somente uma APAC por procedimento (única por tratamento, com validade fixa e máxima de três meses), independentemente do número de sessões ou duração da radioterapia.

d) A APAC Única só comporta um procedimento (principal), podendo-se autorizar como secundário ou o procedimento 03.04.01.017-0 Narcose de criança (por procedimento) ou o procedimento 03.04.01.034-0 Narcose para braquiterapia (por procedimento), em conformidade com as compatibilidades entre procedimentos radioterápicos estabelecidas no Anexo II da Portaria SAS/MS 263/2019(*).

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e) Dois procedimentos de radioterapia realizados em um mesmo paciente, de forma sequencial, em uma mesma localização ou em localizações distintas deverão ser registrados em APAC únicas distintas. Quando for o caso, a autorização deve observar as descrições dos procedimentos e as concomitâncias estabelecidas no Anexo II (APAC Principal X APAC Principal Concomitante) da Portaria SAS/MS 263/2019(*).

f) Em caso de dois procedimentos de radioterapia de um mesmo sítio anatômico em um mesmo paciente de forma sequencial, deverão ser registrados em APAC únicas distintas. Quando for o caso, a autorização deve observar as descrições dos procedimentos e as concomitâncias estabelecidas no Anexo II (APAC Principal X APAC Principal Concomitante) da Portaria SAS/MS 263/2019(*).

g) Em caso de dois procedimentos de radioterapia de sítios anatômicos distintos e em um mesmo paciente, o máximo de APAC únicas liberadas serão duas.

[Qualquer um dos procedimentos principais pode ser concomitante com outro, desde que as suas descrições não indiquem excludência. Note-se que as compatibilidades e concomitâncias do Anexo II da Portaria SAS/MS 263/2019(*) são específicas (Radioterapia e Braquiterapia; APAC e AIH; e os raros casos de Procedimento Principal x Procedimento Secundário). Porém, irradiar mais de uma área concomitantemente e ocorrer tumores malignos sincrônicos são raridades, razões pelas quais toda solicitação dessas possíveis situações deverá ser verificada antes de autorizar. Lembrar que, em caso de dúvida, o autorizador pode solicitar parecer técnico a [email protected], enviando as respectivas informações constantes do Anexo IV - Informações para solicitação de parecer, cujas orientações para o preenchimento encontram-se no Anexo V.]

h) Pode-se autorizar, concomitantemente, APAC única de radioterapia e AIH para internação para radioterapia externa ou para internação para braquiterapia, desde que se observem as concomitâncias estabelecidas no Anexo II (Registros admitidos durante o tratamento apesar das modalidades diferentes) da Portaria SAS/MS 263/2019(*).

i) Conforme já realçado nos sub-itens 2.3 e 2.5, caso de carcinoma in situ deve ser considerado estágio 0 de câncer e, assim, codificado no Capítulo C da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).

j) Em caso de óbito do paciente ou suspensão no transcurso do tratamento, o procedimento registrado será ressarcido integralmente, desde que se tenham iniciado as aplicações da radioterapia planejada (Planejamento Terapêutico Global) de forma que a duração da radioterapia seja compatível com a expectativa de vida do paciente e a finalidade da radioterapia. [Lembrar que, em caso de dúvida, o autorizador pode solicitar parecer técnico a [email protected], enviando as respectivas informações constantes do Anexo IV - Informações para solicitação de parecer, cujas orientações para o preenchimento encontram-se no Anexo V.]

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k) Em caso de radioterapia de resgate, será autorizada somente uma vez nova APAC Única para um mesmo procedimento radioterápico para re-irradiação de um mesmo sítio anatômico em um mesmo paciente, desde que respeitado o período mínimo de 6 (seis) meses entre o término do primeiro tratamento e o início do segundo.

l) A autorização e o ressarcimento têm como base o procedimento principal e, quando for o caso, também o procedimento secundário. Ambos independem da técnica, finalidade ou esquema radioterápico (dose total, número de campos, número de aplicações e dose e número de sessões diários).

m) O motivo de encerramento “2.6 – Permanência por mudança de procedimento” é aplicável aos procedimentos de radioterapia, podendo-se dar nas seguintes circunstâncias, para um mesmo doente de um mesmo tumor: m1) de procedimento de braquiterapia para um procedimento de radioterapia de megavoltagem (acelerador linear só de fótons, acelerador linear de fótons e elétrons ou cobaltoterapia), ou vice-versa; ou m2) irradiação sequencial, em um mesmo paciente, de dois sítios anatômicos distintos de um mesmo tumor ou de diferentes tumores.

Vale ressaltar que a autorização, além de observar as compatibilidades e concomitâncias estabelecidas no Anexo II (APAC Principal X APAC Principal Concomitante e Registros admitidos durante o tratamento apesar das modalidades diferentes) da Portaria SAS/MS 263/2019(*), deve igualmente observar as excludências discriminadas nas descrições dos procedimentos que as referem:

- O procedimento 03.04.01.035-9 INTERNAÇÃO PARA RADIOTERAPIA ESTEREOTÁXICA DE SISTEMA NERVOSO CENTRAL é excludente com os procedimentos 03.04.01.011-1 - Internação p/ radioterapia externa (cobaltoterapia /acelerador linear) e 03.04.01.059-6 Internação para braquiterapia;

- O procedimento 03.04.01.039-1 - RADIOTERAPIA DE OSSOS/CARTILAGENS/PARTES MOLES, quando se fizer por braquiterapia, é excludente com os procedimentos 03.04.01.011-1 Internacão p/ radioterapia externa (cobaltoterapia/acelerador linear) e 03.04.01.017-0 Narcose de criança (por procedimento);

- O procedimento 03.04.01.040-5- RADIOTERAPIA DE PELE, quando se fizer por braquiterapia, é excludente com os procedimentos 03.04.01.011-1 Internacão p/

radioterapia externa (cobaltoterapia/acelerador linear) e 03.04.01.017-0 Narcose de criança (por procedimento);

- O procedimento 03.04.01.045-6 - RADIOTERAPIA DE PRÓSTATA é excludente com o procedimento 03.04.01.046-4 - Braquiterapia de próstata, e vice-versa;

- O procedimento 03.04.01.048-0 RADIOTERAPIA DE OLHOS E ANEXOS é excludente com o procedimento 03.04.01.049-9 - Braquiterapia oftálmica, e vice-versa;

- O procedimento 03.04.01.049-9 - BRAQUITERAPIA OFTÁLMICA é excludente com os procedimentos 03.04.01.048-0 - Radioterapia de olhos e anexos e

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03.04.01.017-0 Narcose de criança (por procedimento) e, obviamente por também serem procedimentos em AIH, com os procedimentos 03.04.01.011-1 Internacão p/

radioterapia externa (cobaltoterapia/acelerador linear) e e 03.04.01.059-6 Internação para braquiterapia.

Especial atenção deve-se prestar à autorização dos procedimentos de radioterapia do sistema nervoso central:

- O procedimento 03.04.01.052-9 RADIOTERAPIA DE METÁSTASE EM SISTEMA NERVOSO CENTRAL (inclusive invasão do neuroeixo) não pode ser autorizado concomitantemente com os procedimentos 03.04.01.035-9 Internação para radioterapia estereotáxica de sistema nervoso central, 03.04.01.050-2 - Radioterapia de sistema nervoso central (de lesões primárias e para profilaxia de todo o neuroeixo) e 03.04.01.053-7 Radioterapia de plasmocitoma / mieloma / metástases em outras localizações.

Notar que o procedimento 03.04.01.058-8 - RADIOTERAPIA DE DOENÇA BENIGNA não pode ser utilizado para irradiação de queloide ou ginecomastia; para estas condições, há o procedimento 03.04.01.057-0 - RADIOTERAPIA DE QUELOIDE E GINECOMASTIA).

Notar também que para a irradiação do baço (código da CID C26.1), quando indicada para radioterapia de tumor primário não linfomatoso, deve ter autorizado o procedimento 03.04.01.055-3 - RADIOTERAPIA DE LINFOMA E LEUCEMIA;

quando indicada para radioterapia de tumor linfomatoso, o 03.04.01.055-3 - RADIOTERAPIA DE LINFOMA E LEUCEMIA; e quando indicada para tumor metastático, o 03.04.01.053-7 RADIOTERAPIA DE PLASMOCITOMA / MIELOMA / METÁSTASES EM OUTRAS LOCALIZAÇÕES.