Prorrogação dos prazos para cumprimento das obrigações tributárias em sede de IRC
Por Despacho do Secretário dos Assuntos Fiscais (Despacho n.º 104/2020/XXII) (disponível aqui), foram prorrogados os seguintes prazos de cumprimento de obrigações fiscais em sede de IRC: O prazo do primeiro pagamento especial por
conta, a efetuar até 30 de março, é prorrogado para 30 de junho.
O prazo do primeiro pagamento por conta, a efetuar até 31 de julho, é prorrogado para 31 de agosto.
O prazo do primeiro pagamento adicional por conta, a efetuar até 31 de julho, é prorrogado para 31 de agosto.
O prazo da entrega da Declaração Modelo 22 é prorrogado para 31 de julho.
B) Obrigações tributárias a liquidar no 2.º trimestre de 2020 (IRC, IRS
e IVA)
Flexibilização do pagamento das obrigações tributárias a liquidar no 2.º trimestre de 2020 O Decreto-Lei n.º 10-F/2020, de 26 de março (disponível aqui), prevê a possibilidade de se efetuar a entrega das retenções na fonte de IRS e de IRC, bem como a entrega do IVA, nos regimes mensal e trimestral, a liquidar no 2.º trimestre de 2020 da seguinte forma:
• Em uma única prestação, nos termos habituais;
• Em três ou seis pagamentos mensais, fracionados, sem juros, sendo dispensada a apresentação de garantia.
Esta medida é aplicável a empresas e trabalhadores independentes que:
• Tenham iniciado atividade a partir de 1 de janeiro de 2019;
• Tenham reiniciado atividade a partir de 1 de janeiro de 2019, se em 2018 não tiverem obtido volume de negócios;
• Tenham um volume de negócio até 10 milhões de Euros, com referência ao período de tributação de 2018;
• Todas as entidades cuja atividade se enquadre nos setores encerrados nos termos do artigo 7.º do Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março; ou
• Restantes sujeitos passivos, caso se tenha verificado uma diminuição da faturação comunicada através do E-Fatura e comprovada por certificação de Revisor Oficial de Contas ou contabilista certificado de, pelo menos, 20% na média dos 3 meses anteriores ao mês em que se verifique a obrigação de pagamento, por referência a período homólogo do período de tributação anterior. Os pagamentos em prestações mensais estão dependentes de um pedido apresentado para esse efeito, por via eletrónica, até ao termo do prazo de pagamento voluntário.
Caso o sujeito passivo opte pelo pagamento destas obrigações fiscais de forma fracionada, a primeira prestação vence-se na data de cumprimento da obrigação de pagamento e as restantes prestações vencem-se na mesma data, nos meses subsequentes.
C) Imposto do Selo
Por Despacho do Secretário dos Assuntos Fiscais (Despacho n.º 121/2020/XXII) (disponível aqui) foi prorrogado o prazo para a aplicação obrigatória da nova Declaração Mensal de Imposto do Selo para 1 de janeiro de 2021, podendo, em 2020, a obrigação de liquidação e pagamento de Imposto do Selo ser cumprida mediante o preenchimento e submissão da guia multi-imposto prevista na Portaria n.º 523/2003, de 4 de julho, a qual voltará a incluir, temporariamente, o Imposto do Selo.
Adicionalmente, determina este Despacho que até 20 de janeiro de 2021 os sujeitos passivos poderão efetuar a compensação do imposto liquidado e pago até à concorrência das liquidações e entregas seguintes, caso depois de efetuada a liquidação do imposto for anulada a operação ou reduzido o seu valor tributável em consequência de erro ou invalidade, incluindo erros materiais ou de cálculo. Por fim, dispõe este diploma legal que a obrigação de liquidação e pagamento do Imposto do Selo referente a janeiro, fevereiro e março de 2020 poderá ser cumprida até 20 de abril de 2020, sem quaisquer acréscimos ou penalidades.
D) IVA
Por Despacho do Secretário dos Assuntos Fiscais (Despacho n.º 129/2020/XXII) (disponível aqui), foi determinado que as declarações periódicas de IVA referentes ao período de fevereiro de 2020 poderão ser calculadas tendo por base os dados constantes do E-Fatura, não carecendo de documentação de suporte.
Não obstante, os sujeitos passivos deverão proceder à regularização das declarações periódicas, mediante declarações de substituição, que não acarretarão quaisquer acréscimos ou penalidades, desde que submetidas e liquidadas durante o mês de julho de 2020.
Estabelece também este Despacho que, durante os meses de abril, maio e junho deverão ser aceites faturas em formato PDF, que serão consideradas como faturas eletrónicas para todos os efeitos previstos na legislação fiscal.
Esta medida é aplicável apenas a sujeitos passivos que:
• Apresentem um volume de negócios, referente ao ano de 2019, até 10 milhões de Euros; • Tenham iniciado atividade em ou após janeiro de 2020; ou
• Tenham reiniciado atividade a partir de 1 de janeiro de 2019, se em 2018 não tiverem obtido volume de negócios.
E) Impostos Especiais de Consumo
A Portaria n.º 89/2020, de 7 de abril (disponível aqui) apresenta medidas excecionais, de caráter temporário, relativas às formalidades aplicáveis à produção, armazenagem e comercialização, com isenção do imposto, de álcool destinado aos fins previstos no n.º 3 do artigo 67.º do Código dos Impostos Especiais de Consumo (designadamente, o álcool destinado a fins industriais, a consumo próprio dos hospitais e demais estabelecimentos de saúde, ou a fins terapêuticos e sanitários). Não obstante, quaisquer operações realizadas, ao abrigo deste diploma, pelos operadores económicos, estão sujeitas a prévia aprovação da estância aduaneira competente.
F) Obrigações Declarativas
Justo impedimento para o cumprimento de obrigações declarativas
São qualificadas como justo impedimento para o cumprimento das obrigações declarativas fiscais as situações de infeção ou isolamento profilático de contribuintes ou contabilistas certificados, determinadas por uma autoridade de saúde.
O Despacho n.º 129/2020/XXII, supramencionado, determina, também, que qualificam igualmente como situações de justo impedimento as situações de fixação de cerca sanitária que interdite as
deslocações de contribuintes ou contabilistas certificados de e para as zonas abrangidas pela cerca, desde que aqueles tenham o seu domicílio fiscal ou profissional nas referidas zonas.
G) Processos de Execução Fiscal
O Decreto-Lei n.º 10-F/2020, de 26 de março (disponível aqui) determina a suspensão, até 30 de junho de 2020, dos processos de execução fiscal instaurados pela Autoridade Tributária e dos processos de execução por dívidas à Segurança Social.
H) Serviços da Autoridade Tributária e Aduaneira
No âmbito da campanha “Não Paramos! Estamos on!" (disponível aqui), a Autoridade Tributária e Aduaneira disponibilizou um conjunto de instruções no âmbito do acesso e consulta dos seus serviços durante este período de Emergência Epidemiológica devido à COVID-19.
Neste sentido, durante este período, os Serviços da Autoridade Tributária e Aduaneira estarão disponíveis, por ordem preferencial:
• No Portal das Finanças (em http://www.portaldasfinancas.gov.pt); • Através do Centro de Atendimento Telefónico da AT (217 206 707);
• Atendimento presencial num Serviço de Finanças, apenas para situações urgentes e inadiáveis e em caso de impossibilidade de utilização dos meios eletrónicos e mediante agendamento prévio, efetuado por contacto telefónico.
A entrega de requerimentos à Autoridade Tributária deverá realizar-se, de forma preferencial: • Através do serviço pretendido no Portal das Finanças (p.e. para entregas de requerimentos relativos
a IVA, aqui);
• Através do serviço E-Balcão (aqui disponível), colocando-se as questões e apresentando-se os pedidos respetivos.
• Através de atendimento presencial num Serviço de Finanças, sujeito às mesmas limitações acima elencadas.
Os pagamentos de impostos deverão efetuar-se, de forma preferencial: • Por Homebanking;
• Os pagamentos de impostos poderão realizar-se, também, por multibanco ou presencialmente num Serviço de Finanças, mediante agendamento prévio.