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COVID de Abril de 2020

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COVID-19

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Indice

ESTADO DE EMERGÊNCIA _________________________________________________________ 1

A) Declaração do Estado de Emergência __________________________________________________ 1 B) Medidas Concretas ________________________________________________________________ 1

LABORAL _______________________________________________________________________ 14

A) Teletrabalho _____________________________________________________________________ 14 B) Medidas de apoio à continuidade da atividade e do emprego _______________________________ 14 C) Regime especial de faltas justificadas dos trabalhadores __________________________________ 21 D) Comparticipação da perda de remuneração dos trabalhadores pela Segurança Social ___________ 22 E) Diferimento dos prazos de pagamento de contribuições para a Segurança Social, a cargo da

entidade empregadora _________________________________________________________________ 23 F) Outras medidas ao abrigo do regime geral do Código do Trabalho ___________________________ 25

FISCAL _________________________________________________________________________ 28

A) IRC ____________________________________________________________________________ 28 B) Obrigações tributárias a liquidar no 2.º trimestre de 2020 (IRC, IRS e IVA) _____________________ 28 C) Imposto do Selo __________________________________________________________________ 29 D) IVA ____________________________________________________________________________ 30 E) Impostos Especiais de Consumo _____________________________________________________ 30 F) Obrigações Declarativas ___________________________________________________________ 30 G) Processos de Execução Fiscal _______________________________________________________ 31 H) Serviços da Autoridade Tributária e Aduaneira __________________________________________ 31

TRIBUNAIS ______________________________________________________________________ 33

Prazos e Diligências ___________________________________________________________________ 33

NOTARIADO E REGISTOS _________________________________________________________ 38

A) Prática de Atos Notariais ___________________________________________________________ 38 B) Serviços Públicos e Registos ________________________________________________________ 38 C) Registo Central do Beneficiário Efetivo ________________________________________________ 41 D) Assembleias Gerais _______________________________________________________________ 42

CONTRATAÇÃO PÚBLICA _________________________________________________________ 43

A) Contratação Pública _______________________________________________________________ 43 B) Procedimentos Administrativos em geral _______________________________________________ 45 C) Energia _________________________________________________________________________ 46 CONTRATOS ____________________________________________________________________ 48 A) Contratos em geral ________________________________________________________________ 48 B) Contratos públicos ________________________________________________________________ 51 C) Saúde __________________________________________________________________________ 53 D) Agroalimentar ____________________________________________________________________ 57

REGIME ESPECIAL SETOR IMOBILIÁRIO ____________________________________________ 58

A) Arrendamento Habitacional _________________________________________________________ 58 B) Arrendamento Não Habitacional _____________________________________________________ 60 C) Arrendamentos por Entidades Públicas ________________________________________________ 64 D) Regime Especial de Proteção dos Arrendatários _________________________________________ 64 E) Regime Especial de Proteção de Imóveis Hipotecados ____________________________________ 65

SOLUÇÕES DE FINANCIAMENTO COM APOIO PÚBLICO _______________________________ 66

A) Linha de crédito de apoio à tesouraria das empresas de EUR 400M _________________________ 66 B) Linha de crédito para microempresas do setor turístico no valor de EUR 60M __________________ 68 C) Linhas de crédito (no total de EUR 3.000M)_____________________________________________ 69

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A) Medidas de apoio extraordinário à liquidez de famílias, empresas, instituições particulares de

solidariedade social, associações sem fins lucrativos e demais entidades da economia social __________ 71 B) Meios de Pagamento ______________________________________________________________ 74

UNIÃO EUROPEIA – AUXÍLIOS DE ESTADO __________________________________________ 77

A) As medidas portuguesas de apoio às empresas _________________________________________ 77 B) O Quadro Temporário da UE ________________________________________________________ 77 Nota _______________________________________________________________________________ 79

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ESTADO DE EMERGÊNCIA

A) Declaração do Estado de Emergência

Foi decretado em Portugal, na sequência da situação epidemiológica do novo coronavírus SARS-CoV-2, após audição do Governo e de autorização da Assembleia da República (Resolução da Assembleia da República n.º 15-A/2020), através do Decreto do Presidente da República n.º 14-A/2020, o estado de emergência por calamidade pública, por um período inicial de 15 dias (período máximo previsto por lei) que se iniciou a 19 de março. Foi renovado por um período adicional de 15 dias a 2 de Abril e novamente renovado a 17 de Abril até ao dia 2 de maio, após audição do Governo e de autorização da Assembleia da República - Resolução da Assembleia da República n.º 23-A/2020 - através do Decreto do Presidente da República n.º 20-A/2020 em sem prejuízo de eventuais renovações.

Neste âmbito é prevista a suspensão e/ou limitação do exercício de direitos, liberdades e garantias, designadamente no que diz respeito aos seguintes direitos:

• direito de deslocação e fixação em qualquer parte do território nacional; • propriedade e iniciativa económica privada;

• direitos dos trabalhadores; • direito de circulação internacional; • direito de reunião e de manifestação;

• liberdade de culto, na sua dimensão coletiva; e • direito de resistência.

A declaração do estado de emergência confere às autoridades públicas o poder para tomarem as medidas consideradas necessárias e adequadas, reforçando para o efeito os poderes conferidos. As medidas, no cumprimento do princípio da proporcionalidade, devem limitar-se ao estritamente necessário para a adoção das mesmas e os seus efeitos terminarão logo que a normalidade seja retomada.

A violação das medidas previstas no âmbito da declaração do estado de emergência, faz incorrer os respetivos autores na prática do crime de desobediência.

B) Medidas Concretas

Após decretado o estado de emergência por calamidade pública, foi publicado no dia 20 de Março o Decreto n.º 2-A/2020 e que entrou em vigor às 00h00m do dia 22 de março de 2020.

Foi, entretanto, publicado no dia 17 de Abril o Decreto n.º C/2020 (que revogou o Decreto n.º 2-B/2020, de 2 de Abril) e que entrou em vigor às 00h00m do dia 18 de abril de 2020.

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Neste âmbito foram tomadas um conjunto de medidas que elencamos infra:

i) Limitações aos direitos de deslocação

Limitação genérica

O Decreto em apreço consagra três regimes:

– Pessoas que estão doentes ou em situação de vigilância ativa: isolamento obrigatório, incorrendo as pessoas abrangidas por este dever no crime de desobediência e a condução ao local do isolamento de imediato pelas autoridades, em caso de violação do referido isolamento;

– Maiores de 70 anos, imunodeprimidos e os portadores de doença crónica, designadamente os hipertensos, os diabéticos, os doentes cardiovasculares, os portadores de doença respiratória crónica e os doentes oncológicos: dever especial de proteção. As pessoas abrangidas pelo referido dever apenas podem circular em espaços e vias públicas, ou em espaços e vias privadas equiparadas a vias públicas, para propósitos relacionados com a aquisição de bens e serviços, motivos de saúde, deslocação a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras, deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, ou para efeitos de passeio dos animais de companhia, bem como outras atividades de natureza análoga ou por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que devidamente justificados;

– Restante população: dever geral de recolhimento domiciliário. Neste âmbito o Decreto prevê também que os abrangidos podem circular em espaços e vias públicas, ou em espaços e vias privadas equiparadas a vias públicas, para propósitos relacionados com a aquisição de bens e serviços, para o desempenho de atividades profissionais ou equiparadas, motivos de saúde, bem como um outro tipo de atividades prevista no Decreto que vão desde a assistência de pessoas vulneráveis, pessoas com deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes, deslocações de curta duração, para efeitos de fruição de momentos ao ar livre, deslocações por outras razões familiares imperativas, entre outras, bem como outras atividades de natureza análoga ou por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que devidamente justificados.

Declaração de circulação

O Decreto n.º 2-A/2020 e o Decreto n.º 2-C/2020 não preveem que quem circule em espaços e vias públicas tenha de fazer-se acompanhar obrigatoriamente de declaração emitida para o efeito, seja para desempenho de atividade profissional ou equiparada, seja para qualquer outra atividade prevista como autorizada.

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Não obstante, as declarações emitidas pelas entidades empregadoras facilitam a comprovação pelos cidadãos de que se deslocam da residência para o seu local de trabalho ou que o fazem em sentido inverso.

VEÍCULOS PARTICULARES

Relativamente aos veículos particulares, fica previsto que os mesmos podem deslocar-se na via pública para realizar para reabastecimento em postos de combustíveis e para:

• Aquisição de bens e serviços

• Deslocação para efeitos de desempenho de atividades profissionais ou equiparadas; • Procura de trabalho ou resposta a uma oferta de trabalho;

• Deslocações por motivos de saúde, designadamente para efeitos de obtenção de cuidados de saúde e transporte de pessoas a quem devam ser administrados tais cuidados ou dádiva de sangue; • Deslocações para acolhimento de emergência de vítimas de violência doméstica ou tráfico de seres

humanos, bem como de crianças e jovens em risco, por aplicação de medida decretada por autoridade judicial ou Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, em casa de acolhimento residencial ou familiar;

• Deslocações para assistência de pessoas vulneráveis, pessoas com deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes;

• Deslocações para acompanhamento de menores;

• Em deslocações de curta duração, para efeitos de fruição de momentos ao ar livre; • Para frequência dos estabelecimentos escolares;

• Deslocações para participação em ações de voluntariado social;

• Deslocações por outras razões familiares imperativas, designadamente o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente;

• Deslocações para visitas, quando autorizadas, ou entrega de bens essenciais a pessoas incapacitadas ou privadas de liberdade de circulação;

• Participação em atos processuais junto das entidades judiciárias;

• Deslocação a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras;

• Deslocações para alimentação de animais; • Deslocações de médicos-veterinários, de detentores de animais para assistência médico-veterinária, de cuidadores de colónias reconhecidas pelos municípios, de voluntários de associações zoófilas com animais a cargo

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que necessitem de se deslocar aos abrigos de animais e de equipas de resgate de animais;

• Deslocações por parte de pessoas portadoras de livre-trânsito, no exercício das respetivas funções ou por causa delas; note-se que o conceito de livre-trânsito não se encontra ainda determinado, aguardando assim legislação regulamentar para o efeito;

• Deslocações por parte de pessoal das missões diplomáticas, consulares e das organizações internacionais localizadas em Portugal, desde que relacionadas com o desempenho de funções oficiais;

• Deslocações necessárias ao exercício da liberdade de imprensa; • Retorno ao domicílio pessoal;

• Participação em atividades relativas às celebrações oficiais do Dia do Trabalhador, mediante a observação das recomendações das autoridades de saúde, designadamente em matéria de distanciamento social;

• Outras atividades de natureza análoga ou por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que devidamente justificados.

Entendemos ser este elenco taxativo e como tal a deslocação de veículos particulares na via pública está adstrita aos motivos ora elencados, podendo as autoridades nacionais confrontar qualquer condutor de veículo que circule na via pública questionando o motivo, sendo o cidadão obrigado a justificar, sob pena de cometer crime de desobediência.

São suspensas as aulas e exames de condução. Aulas feitas em desrespeito à suspensão não serão contáveis.

Documentos como a carta de condução e certificação de profissionais são válidos até 30 de junho, mesmo que o seu prazo de renovação já tenha expirado (se o prazo terminar a 15 de março ou nos quinze dias antes ou depois de 15 de março).

Ainda no que à circulação de veículos particulares diz respeito, o Decreto 2-B/2020 de 2 de abril estabelece que quanto ao aluguer de veículos de passageiros sem condutor (rent-a-car), o mesmo é permitido nos seguintes casos:

• deslocações excecionalmente autorizadas, designadamente, as deslocações para aquisição de bens ou serviços essenciais, nomeadamente medicamentos, e as deslocações por motivos de saúde ou para assistência a outras pessoas;

• Para o exercício das atividades de comércio a retalho ou de prestação de serviços autorizadas ao abrigo do Decreto 2-B/2020 de 2 de abril ou em diploma posterior que autorize aquele exercício; • Para prestação de assistência a condutores e veículos avariados, imobilizados ou sinistrados; • Quando os veículos se destinem à prestação de serviços públicos essenciais ou sejam

contratualizados ao abrigo do regime jurídico do parque de veículos do Estado.

No seguimento da prorrogação do estado de emergência, foi decretado através do Despacho n.º 4328-F/2020 de 8 de abril que se prorroga o prazo de suspensão da atividade do ensino da condução até

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dia 17 de abril de 2020, data em que será reavaliada a sua manutenção. No seguimento da nova prorrogação do estado de emergência, a 18 de abril, a suspensão da atividade do ensino de condução continua suspensa até 2 de maio de 2020, data em que será reavaliada a sua manutenção.

TRANSPORTES PÚBLICOS

Os serviços de transporte de passageiros são considerados serviço público essencial nos termos do ponto 14 do Anexo II do Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março e do Decreto n.º 2-C/2020, de 2 de abril, constituindo assim uma exceção às atividades suspensas, bem como a manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos, tratores e máquinas agrícolas e a venda de peças e acessórios e serviços de reboque.

As estações de serviço continuam em funcionamento, uma vez que não se suspendem as atividades de comércio a retalho, nem as atividades de prestação de serviços situados ao longo da rede de autoestradas e no interior dos aeroportos.

Os membros do Governo responsáveis pela área dos transportes, de acordo com as competências conferidas pela lei, com faculdade de delegação, determinam, entre outros:

• a prática dos atos

adequados e

indispensáveis para garantir os serviços de mobilidade, ordinários ou extraordinários, a fim de proteger pessoas e bens, bem como a manutenção e funcionamento das infraestruturas viárias, ferroviárias, portuárias e aeroportuárias; • o estabelecimento dos concretos termos e condições em que deve ocorrer o transporte de mercadorias em todo o território nacional, a fim de garantir o respetivo fornecimento;

• a declaração da obrigatoriedade de, em relação a todos os meios de transporte, os operadores de serviços de transporte de passageiros realizarem a limpeza dos veículos de transporte, de acordo com as recomendações estabelecidas pelo Ministério da Saúde;

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• o estabelecimento da redução do número máximo de passageiros por transporte para um terço do número máximo de lugares disponíveis, por forma a garantir a distância adequada entre os utentes dos transportes;

• a adoção de outras medidas adicionais que sejam adequadas e necessárias para limitar a circulação de meios de transporte coletivos no sentido de preservar a saúde pública.

No seguimento de orientações emanadas pela Organização Mundial de Saúde, Comissão Europeia, e DGS, já se têm vindo a adotar os seguimentos comportamentos sociais relativamente aos transportes públicos, nomeadamente em termos de higienização dos mesmos:

• planos de Contingência de medidas de higienização e desinfeção das frotas, material circulante, instalações dos trabalhadores, oficinas, lojas de apoio aos utentes, bilheteiras e restantes espaços; • medidas de proteção aos seus trabalhadores, em particular, aos motoristas, maquinistas, revisores,

comerciais e todos os demais que prestam serviços de contacto com o público;

• informação aos utentes dos transportes sobre comportamentos responsáveis, tentando evitar, sempre que possível, aglomerações de passageiros;

• nos autocarros, a entrada e saída dos utentes processa-se apenas pelas portas traseiras e já não há vendas a bordo de bilhetes; deixarão de ser obrigatórias as validações ainda que os passageiros devam viajar com título válido (aplicável também aos comboios);

• reforço das ações de limpeza e de higienização dentro dos transportes e nas superfícies e equipamentos de maior utilização (obliteradores, máquinas automáticas de venda de títulos, corrimãos, portas, pegas do interior, contorno superior dos bancos, contorno do habitáculo do tripulante, etc.).

TRANSPORTE DE MERCADORIAS

As restrições à circulação, incluindo nos municípios em que tenha sido determinada uma cerca sanitária, não prejudicam a livre circulação de mercadorias.

TRÁFEGO AÉREO

Foi determinada a suspensão, a partir das zero horas de dia 11 de março, de todos os voos de todas as companhias aéreas, comerciais ou privados, com origem de Itália ou destino para Itália, com destino ou partida dos aeroportos ou aeródromos portugueses, pelo período de 14 dias.

Este regime não se aplica a aeronaves de Estado, voos para transporte exclusivo de carga e correio, bem como a voos de carácter humanitário ou de emergência médica e a escalas técnicas para fins não comerciais.

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Com a prorrogação do estado de emergência, esta suspensão é prorrogada por novo período de 14 dias através do Despacho n.º 4328-D/2020 de 8 de abril, que entra em vigor nesse dia.

Foi posteriormente interditado o tráfego aéreo com destino e a partir de Portugal de todos os voos de e para países que não integram a União Europeia, com exceção:

• países associados ao Espaço Schengen (Liechtenstein, Noruega, Islândia e Suíça);

• países de expressão oficial portuguesa sendo que do Brasil serão admitidos apenas os voos provenientes de e para São Paulo e de e para o Rio de Janeiro;

• Reino Unido, os Estados Unidos da América, a Venezuela, o Canadá e a África do Sul, dada a presença de importantes comunidades portuguesas.

A interdição não se aplica aos voos destinados a permitir o regresso a Portugal dos cidadãos nacionais e titulares de autorização de residência em Portugal, nem aos voos destinados a permitir o

regresso aos respetivos

países de cidadãos

estrangeiros que se

encontrem em Portugal, desde que sejam promovidos pelas autoridades competentes, sujeitos a pedido e acordo prévio, e no respeito pelo princípio da reciprocidade.

A interdição não se aplica a aeronaves de Estado e às Forças Armadas, voos para transporte exclusivo de carga e correio, voos de caráter humanitário ou de emergência médica e a escalas técnicas para fins não comerciais.

A interdição produz efeitos a partir das 24 horas do dia 18 de março de 2020, sem prejuízo dos voos que, por razões estritamente operacionais, só consigam regressar a Portugal no dia seguinte, e vigora pelo prazo de 30 dias, tendo esta interdição sido prorrogada por um período adicional de 30 dias a 18 de Abril de 2020.

Note-se que, por Despacho de 17 de abril, é determinada a prorrogação da interdição do tráfego aéreo com destino e a partir de Portugal de todos os voos de e para países que não integram a União Europeia, com determinadas exceções.

Durante o período compreendido entre as 00h00m do dia 9 de abril e as 24h00m do dia 13 de abril não são permitidos voos comerciais de passageiros de e para aeroportos nacionais, sem prejuízo de aterragens de emergência, voos humanitários (incluindo voos de carga de equipamento de saúde ou de medicamentos) ou para efeitos de repatriamento.

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Desde o dia 3 de abril de 2020 foi também estabelecida a redução do número máximo de passageiros por transporte para um terço do número máximo de lugares disponíveis, por forma a garantir a distância adequada entre os utentes dos transportes.

Esta redução não se aplica nos seguintes casos:

− Voos especificamente destinados a repatriar cidadãos, seja no âmbito do mecanismo europeu de proteção civil, sejam voos não regulares contratados pelo Estado português ou por outros Estados;

− Voos comerciais de transportadoras aéreas, nacionais ou estrangeiras, na medida em que sejam aproveitados para efetuar ações de repatriamento de ou que sirvam justificadamente esse propósito.

TRÁFEGO MARÍTIMO

Foi determinada a interdição do desembarque e licenças para terra de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro nos portos nacionais, com exceção dos cidadãos nacionais e titulares de autorização de residência em Portugal; pode haver desembarque em casos excecionais, mediante autorização da Direção Geral de Saúde.

Os navios de cruzeiro estão autorizados a atracar nos portos nacionais para abastecimento e manutenção.

No âmbito da prorrogação do estado de emergência, foi determinada através da Portaria n.º 88-B/2020 de 6 de abril de 2020 uma suspensão semanal de atividade. Isto significa que no período compreendido entre as 22:00 horas de sexta-feira e as 22:00 horas de domingo e até 31 de maio de 2020, é suspensa a atividade de pesca em águas interiores não marítimas sob jurisdição das capitanias dos portos do continente e nas águas sob soberania ou jurisdição nacionais da divisão 9 definida pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar por embarcações licenciadas para a pesca nessas zonas.

CONTROLO DE FRONTEIRAS

Foi reposto, a título excecional e temporário, o controlo documental de pessoas nas fronteiras no âmbito da situação epidemiológica provocada pelo novo coronavírus.

Em consequência foi determinado:

• reintroduzir temporariamente o controlo fronteiriço nas fronteiras internas previsto no Código das Fronteiras Schengen entre as 23h00m do dia 16 de março e as 00h00m do dia 15 de abril de 2020, tendo este período sido alargado até 4 de maio de 2020, sem prejuízo de reavaliação a cada 10 dias e possível prorrogação;

• o controlo nas fronteiras internas deve ser adequado e proporcional de forma a reduzir o seu impacto sobre a livre circulação de pessoas;

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• a entidade responsável é o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras).

Em particular, relativamente a Espanha:

• são suspensos todos os voos, de todas as companhias aéreas, comerciais ou privados, com origem de Espanha ou destino para Espanha, com destino ou partida dos aeroportos ou aeródromos portugueses, com exceção das aeronaves de Estado, das Forças Armadas, voos para transporte de carga e correio, voos de caráter humanitário ou de emergência médica e escalas técnicas para fins não comerciais;

• é proibida a circulação rodoviária, nas fronteiras internas terrestres, independentemente do tipo de veículo, com exceção do transporte internacional de mercadorias, do transporte de trabalhadores transfronteiriços e da circulação de veículos de emergência e socorro e de serviço de urgência; • é suspensa a circulação ferroviária, exceto para o transporte de mercadorias;

• é suspenso o transporte fluvial;

• é interdita a atracagem de embarcações de recreio e o desembarque de pessoas;

• é suspensa a concessão de licenças para vir a terra a tripulantes de embarcações nos portos nacionais, sem prejuízo de, caso a caso, e mediante parecer da DGS, poder ser autorizada a troca de tripulações ou o desembarque para efeitos de regresso ao país de origem.

Os condicionalismos de tráfego entre Portugal e Espanha não se aplicam a:

• direito de entrada dos cidadãos nacionais e dos titulares de autorização de residência nos respetivos países;

• circulação do pessoal diplomático, das Forças Armadas e das forças e serviços de segurança; • circulação, a título excecional, para efeitos de reunião familiar de cônjuges ou equiparados e

familiares até ao 1.º grau na linha reta;

• acesso a unidades de saúde, nos termos de acordos bilaterais relativos à prestação de cuidados de saúde;

• direito de saída dos cidadãos residentes noutro país;

• entrada no território nacional podem ser introduzidos controlos sanitários assim como solicitado o preenchimento de uma declaração informativa;

• determinados pontos de passagem autorizados na fronteira terrestre entre as 23h00m do dia 16 de março e as 00h00m do dia 4 de maio de 2020.

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 22/2020, de 14 de abril prorrogou a reposição, a título excecional e temporário, do controlo de pessoas nas fronteiras, no âmbito da pandemia da doença COVID-19, que havia sido estabelecida pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 10-B/2020, de 16 de março.

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ii) Limitações à propriedade e iniciativa económica privada

Instalações e estabelecimentos

Fica também determinado o encerramento de determinadas instalações e estabelecimentos devidamente listados no anexo I ao Decreto (que prevê uma lista exaustiva de instalações e estabelecimentos) relacionados com:

• atividades recreativas, de lazer e diversão; • atividades culturais e artísticas;

• atividades desportivas (salvo as destinadas à atividade dos atletas de alto rendimento);

• atividades em espaços abertos, espaços e vias públicas, ou espaços e vias privadas equiparadas a vias públicas;

• espaços de jogos e apostas; • atividades de restauração;

• termas e spas ou estabelecimentos afins.

No que diz respeito ao contrato de arrendamento, o encerramento de instalações e estabelecimentos em resultado da aplicação do Decreto n.º 2-C/2020, não pode ser invocado como fundamento de resolução, denúncia ou outra forma de extinção de contratos de arrendamento não habitacional ou de outras formas contratuais de exploração de imóveis, nem como fundamento de obrigação de desocupação de imóveis em que os mesmos se encontrem instalados.

O Decreto prevê ainda a suspensão de atividades no âmbito do comércio a retalho e de prestação de serviços, exceto daquelas que

− disponibilizem bens de primeira necessidade ou outros bens considerados essenciais na presente conjuntura;

− prestem serviços de primeira necessidade ou outros serviços considerados essenciais na presente conjuntura,

os quais se encontram elencadas no anexo II ao referido Decreto.

De entre estas atividades (em enumeração não exaustiva) os seguintes estabelecimentos: • supermercados, hipermercados; produção e distribuição agroalimentar (v. adiante);

• farmácias; produtos médicos e ortopédicos; oculistas; de produtos cosméticos, de higiene e de produtos naturais e dietéticos;

• papelarias e tabacarias; • venda de material de bricolage;

• postos de abastecimento de combustível e de venda de combustíveis para uso doméstico; • manutenção, reparação venda de peças e acessórios de veículos, incluindo serviços de reboque;

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• venda e reparação de eletrodomésticos, equipamento informático e de comunicações e respetiva reparação;

• serviços bancários, financeiros e seguros;

• serviços de manutenção e de reparações ao domicílio e de segurança ou de vigilância ao domicílio; • atividades de limpeza, desinfeção e similares;

• serviços de entrega ao domicílio;

• estabelecimentos turísticos (exceto parques de campismo), podendo prestar serviços de restauração e bebidas exclusivamente para os respetivos hóspedes;

• serviços que garantam alojamento estudantil.

A referida suspensão não se aplica, também, aos estabelecimentos de comércio por grosso nem aos estabelecimentos que pretendam manter a respetiva atividade exclusivamente para efeitos de entrega ao domicílio ou disponibilização dos bens à porta do estabelecimento, estando interdito o acesso ao interior do estabelecimento pelo público.

Desde o dia 3 de abril de 2020 e na vigência do Estado de Emergência, é permitido aos estabelecimentos de comércio por grosso de distribuição alimentar vender os seus produtos diretamente ao público, exercendo cumulativamente a atividade de comércio a retalho, desde que em respeito das regras de segurança e higiene e de atendimento prioritário.

Para as instalações e estabelecimentos que permaneçam abertos são determinadas regras de segurança e higiene, devendo ser adotadas as medidas que assegurem uma distância mínima de dois metros entre pessoas, uma permanência pelo tempo estritamente necessário à aquisição dos produtos e a proibição do consumo de produtos no seu interior. Por outro lado, a prestação do serviço e o transporte de produtos devem ser efetuados mediante o respeito das necessárias regras de higiene e sanitárias definidas pela Direção-Geral da Saúde.

Com efeito a partir de dia 3 de abril, foi também prevista a regra de ocupação máxima indicativa de 0,04 pessoas por metro quadrado de área, prevista no artigo 1.º da Portaria n.º 71/2020, de 15 de março, aplicável aos estabelecimentos de comércio por grosso e a quaisquer mercados e lotas autorizados a funcionar.

Por outro lado, nos casos em que a atividade implique um contacto intenso com objetos ou superfícies, como sucede com máquinas de vending, terminais de pagamento, dispensadores de senhas e bilhetes ou veículos alugados, os responsáveis pelo espaço ou os operadores económicos devem assegurar a desinfeção periódica de tais objetos ou superfícies, mediante a utilização de produtos adequados e eficazes no combate à propagação do vírus.

Fica também previsto o atendimento prioritário para pessoas sujeitas a um dever especial de proteção, bem como profissionais de saúde, elementos das forças e serviços de segurança, de proteção e socorro, pessoal das forças armadas, e de prestação de serviços de apoio social.

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No caso específico da restauração, caso mantenham a respetiva atividade para efeitos exclusivos de confeção destinada a consumo fora do estabelecimento ou entrega no domicílio (diretamente ou através de intermediário), ficam os mesmos dispensados de licença para confeção destinada a consumo fora do estabelecimento ou entrega no domicílio e podem determinar aos seus trabalhadores a participação nas respetivas atividades, ainda que as mesmas não integrassem o objeto dos respetivos contratos de trabalho.

Não estão suspensos os serviços de restauração praticados em cantinas ou refeitórios que se encontrem em regular funcionamento, bem como noutras unidades de restauração coletiva cujos serviços de restauração sejam praticados ao abrigo de um contrato de execução continuada.

É Interdita a realização de eventos, de qualquer natureza, em recintos cobertos que, previsivelmente, reúnam mais de 1000 pessoas e ao ar livre com, previsivelmente, mais de 5000 pessoas.

É suspenso o funcionamento dos estabelecimentos de restauração e de bebidas que disponham de salas ou de espaços destinados a dança, i.e., discotecas e bares.

São encerrados os bares todos os dias a partir das 21 horas, a partir do dia 14 de março 2020 (inclusive) até ao dia 9 de abril 2020.

No setor agroalimentar, devem manter-se abertos os seguintes serviços essenciais: • Minimercados, supermercados, hipermercados;

• Frutarias, talhos, peixarias, padarias;

• Mercados, nos casos de venda de produtos alimentares; • Produção e distribuição agroalimentar;

• Lotas;

• Restauração e bebidas, nos termos do Decreto n.º 2-C/2020 de 17 de abril de 2020;

• Confeção de refeições prontas a levar para casa, nos termos do Decreto n.º 2-C/2020 de 17 de abril de 2020;

• Estabelecimentos de manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos, tratores e máquinas agrícolas, bem como venda de peças e acessórios e serviços de reboque.

• Os estabelecimentos de comércio a retalho ou de prestação de serviços que, ao abrigo deste diploma, mantenham a respetiva atividade, devem cumprir com regras especiais de segurança e higiene:

nos estabelecimentos em espaço físico, devem ser adotadas as medidas que assegurem uma distância mínima de dois metros entre pessoas, uma permanência pelo tempo estritamente necessário à aquisição dos produtos e a proibição do consumo de produtos no seu interior (para além do cumprimento das regras de acesso e afetação previstas na Portaria n.º 71/2020, de 15 de março); a prestação do serviço e o transporte de produtos devem ser efetuados mediante o respeito das necessárias regras de higiene e sanitárias definidas pela Direção-Geral da Saúde (art. 13º).

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Estes estabelecimentos deverão, ainda, atender com prioridade as pessoas sujeitas a um dever especial de proteção (definidas como tal neste mesmo diploma), bem como, profissionais de saúde, elementos das forças e serviços de segurança, de proteção e socorro, pessoal das forças armadas e de prestação de serviços de apoio social, o que ser informado, de forma clara e visível, e deve ser realizado de forma organizada e com respeito pelas regras de higiene e segurança (art. 14º).

No decurso da vigência deste Decreto n.º 2-C/2020, mantêm-se válidas as licenças, autorizações ou outro tipo de atos administrativos, independentemente do decurso do respetivo prazo (art. 30.º). Os regulamentos e atos administrativos de execução deste decreto são eficazes através de mera notificação ao destinatário, por via eletrónica ou outra, sendo dispensadas as demais formalidades aplicáveis. Esta notificação considera-se realizada através da publicação dos regulamentos ou atos no

site das entidades competentes para a aprovação dos

regulamentos ou a prática dos atos (art. 31.º).

As atividades de comércio eletrónico, as atividades relativas a serviços que sejam prestados à distância, sem contacto com o público, ou que desenvolvam a sua atividade através de plataforma eletrónica, não são suspensas. Desde 3 de abril e durante a vigência do Estado de Emergência encontra-se suspensa a atividade de comércio de velocípedes, veículos automóveis e motociclos, tratores e máquinas agrícolas, navios e embarcações.

(17)

LABORAL

A) Teletrabalho

Adoção obrigatória do regime de teletrabalho

Desde 22 de março de 2020, o regime de teletrabalho é obrigatório para todos os trabalhadores, independentemente do vínculo laboral, e membros de órgãos estatutários, quando as funções o permitam, sem prejuízo das deslocações e da prestação de trabalho nas instalações da empresa se tal for exigível face à natureza das funções exercidas.

B) Medidas de apoio à continuidade da atividade e do emprego

i) Apoio extraordinário à manutenção dos contratos de trabalho em empresa em situação de crise empresarial (Lay-off simplificado)

(18)

Este regime é aplicável a empregadores de natureza privada, incluindo as entidades empregadoras do setor social, e trabalhadores ao seu serviço, afetados pela pandemia da COVID-19 e que se encontrem, em consequência, em situação de crise empresarial.

Considera-se, para este efeito, situação de crise empresarial:

a) O encerramento total ou parcial da empresa ou estabelecimento, decorrente do dever de encerramento de instalações e estabelecimentos, previsto no Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março, ou por determinação legislativa ou administrativa1, relativamente ao estabelecimento

ou empresa efetivamente encerrados e abrangendo os trabalhadores a estes diretamente afetos;

b) A paragem total ou parcial da atividade da empresa ou estabelecimento que resulte da interrupção das cadeias de abastecimento globais, ou da suspensão ou cancelamento de encomendas ou reservas, dos quais resulte que a utilização da empresa ou da unidade afetada será reduzida em mais de 40 % da sua capacidade de produção ou de ocupação no mês seguinte ao do pedido de apoio;

c) A quebra abrupta e acentuada de, pelo menos, 40 % da faturação no período de 30 dias anterior ao do pedido junto dos serviços competentes da segurança social, com referência:

i. à média mensal dos dois meses anteriores a esse período, ou ii. ao período homólogo do ano anterior ou, ainda,

iii. para quem tenha iniciado a atividade há menos de 12 meses, à média desse período. As entidades beneficiárias destes apoios podem ser fiscalizadas, a posteriori, pelas entidades públicas competentes, devendo comprovar, junto das mesmas, os factos em que se baseou o pedido e eventuais renovações.

Só poderão aceder a estas medidas empresas com a sua situação contributiva regularizada. Para este efeito, até ao dia 30 de abril de 2020, não relevam as dívidas constituídas no mês de março de 2020. Em situação de crise empresarial, o empregador pode reduzir os períodos normais de trabalho (PNT) dos seus trabalhadores ou suspender os seus contratos de trabalho.

I) Redução dos PNT

Durante o período de redução, a retribuição do trabalhador é calculada em proporção das horas de trabalho. A retribuição é integralmente suportada pelo empregador.

1 Nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, ou ao abrigo da Lei de Bases

da Proteção Civil, aprovada pela Lei n.º 27/2006, de 3 de julho, assim como da Lei de Bases da Saúde, aprovada pela Lei n.º 95/2019, de 4 de setembro.

(19)

No entanto, o trabalhador terá sempre direito a um montante mínimo igual a 2/3 da sua retribuição normal ilíquida, ou o valor da retribuição mínima mensal garantida (RMMG = EUR 635,00) correspondente ao seu período normal de trabalho, consoante o que for mais elevado, até ao triplo da RMMG (EUR 1.905,00).

Por retribuição normal ilíquida entende-se a soma das quantias auferidas pelo trabalhador com natureza retributiva e caráter regular, sujeitas ao pagamento de contribuições à Segurança Social. Caso o valor da retribuição (pelo trabalho prestado na empresa ou fora dela) fique abaixo deste montante, o trabalhador terá direito a compensação retributiva na medida do necessário para, conjuntamente com a retribuição, assegurar essa quantia.

Essa compensação retributiva é suportada pela Segurança Social (70%) e pelo empregador (30%).

Exemplo 1: trabalhador aufere € 6.000,00 (retribuição normal ilíquida), com redução de PNT

em 50%. Terá direito a retribuição no valor de EUR 3.000,00 (6.000×0,5). Não terá direito a compensação retributiva.

Exemplo 2: trabalhador aufere € 1.200,00, com redução de PNT em 50%. Terá direito a

retribuição no valor de EUR 600,00 (1.200×0,5). Terá direito a compensação retributiva no valor de EUR 200,00 (800 [{1200÷3}×2] - 600).

Exemplo 3: trabalhador aufere € 635,00, com redução de PNT em 50%. Terá direito a

retribuição no valor de EUR 317,50 (635×0,5). Terá direito a compensação retributiva no valor de EUR 317,00 (635 – 317,50).

Exemplo 4: trabalhador a tempo parcial (com 50% do PNT a templo completo) aufere € 350,00; sofre redução de PNT em 50% (para 25% do PNT a TC). Terá direito a retribuição no valor de EUR 175,00 (350×0,5). Terá direito a compensação retributiva no valor de EUR 142,50 (317,5 - 175,00).

A compensação retributiva é paga pelo empregador ao trabalhador, sendo que a Segurança Social entrega ao empregador a sua comparticipação na mesma.

Em caso de redução do PNT, o trabalhador fica impedido de prestar trabalho suplementar, sob pena de a empresa ter de restituir os apoios recebidos.

II) Suspensão dos contratos de trabalho

Durante o período de suspensão dos contratos de trabalho, os trabalhadores terão direito a compensação retributiva correspondente a 2/3 da sua retribuição normal ilíquida, ou o valor da

(20)

retribuição mínima mensal garantida (RMMG = EUR 635,00) correspondente ao seu período normal de trabalho, consoante o que for mais elevado, até ao triplo da RMMG (EUR 1.905,00).

Por retribuição normal ilíquida entende-se a soma das quantias auferidas pelo trabalhador com natureza retributiva e caráter regular, sujeitas ao pagamento de contribuições à Segurança Social. Essa compensação retributiva é suportada pela Segurança Social (70%) e pelo empregador (30%).

Exemplo 1: trabalhador aufere € 6.000,00 (retribuição normal ilíquida) Terá direito a

compensação retributiva no valor de EUR 1.905,00.

Exemplo 2: trabalhador aufere € 1.200,00. Terá direito a compensação retributiva no valor de EUR 800,00 ([1200÷3]×2]).

Exemplo 3: trabalhador aufere € 635,00. Terá direito a compensação retributiva no valor de

EUR 635,00.

Exemplo 4: trabalhador a tempo parcial (com 50% do PNT a templo completo) aufere € 350,00.

Terá direito a compensação retributiva no valor de EUR 317,50.

A compensação retributiva é paga pelo empregador ao trabalhador, sendo que a Segurança Social entrega ao empregador a sua comparticipação na mesma.

É questionável se as empresas poderão pagar um valor superior aos trabalhadores, tanto no caso de suspensão, como de redução, sem prejuízo da comparticipação da Segurança Social na compensação retributiva (que constitui o apoio financeiro atribuído ao empregador). A lei não o refere expressamente. Poderá ser defensável que nesses casos não haverá perda do apoio, mas essa não parece ser a interpretação da Segurança Social, pelo menos nos casos de redução. Existe, pois, o risco de a Segurança Social se recusar a comparticipar ou, sendo o caso, exigir a devolução de comparticipações já pagas, quando os trabalhadores aufiram montante superior ao limite máximo supra referido.

O diploma refere expressamente a possibilidade de virem a ser efetuados acertos em virtude de prestações atribuídas indevidamente pela Segurança Social, o que indicia que, considerando o período de urgência que enfrentamos e a antecipação de um recurso massivo a estas medidas, a Segurança Social vá atribuir indiferenciadamente o apoio a todos os trabalhadores abrangidos, fazendo correções

a posteriori e exigindo dos empregadores as prestações que entregou indevidamente nesta sede.

Caso o trabalhador exerça atividade do trabalho remunerada fora da empresa (através de contrato de trabalho, prestação de serviço ou relação de natureza similar), esse rendimento será contabilizado para efeitos de eventual redução ou exclusão da compensação retributiva, salvo se a atividade for exercida nas áreas do apoio social, saúde, produção alimentar, logística e distribuição.

(21)

Para esse efeito, o trabalhador deve comunicar o exercício de outra atividade ao empregador, no prazo de 5 dias a contar do início dessa atividade, para efeitos de eventual redução na compensação retributiva, sob pena de perda do direito a essa compensação retributiva e, bem assim, dever de restituição dos montantes recebidos a este título.

Deverá ser observado o seguinte procedimento:

1. Consulta aos Representantes dos Trabalhadores

Deverão ser consultados a Comissão de Trabalhadores e os Delegados Sindicais, se existentes. A consulta deverá ser feita através de reunião presencial ou virtual a agendar para o efeito, pelo empregador. Esse agendamento deverá ser acompanhado da fundamentação do recurso à medida e e medidas propostas para os trabalhadores. Deverá ser lavrada ata da reunião ocorrida, ainda que não assinada pelos presentes.

2. Comunicação aos trabalhadores

Depois da consulta, a decisão poderá ser comunicada aos trabalhadores.

Recomendamos que a comunicação seja feita através de mensagem de correio eletrónico (preferencialmente, com sistema de certificação de envio/receção de mensagem). Caso tal não seja possível, é recomendável que os trabalhadores sejam contactados telefonicamente, sendo depois as comunicações escritas expedidas por correio registado, na mesma data.

3. Apresentação de Requerimento Eletrónico junto da Segurança Social

Na mesma data em que a decisão é comunicada, deverá ser apresentado requerimento eletrónico à Segurança Social, em formulário próprio (Mod. RC 3056-DGSS), disponibilizado pela Segurança Social), contendo declaração do empregador quanto à identificação da situação de crise empresarial que o afeta (campo 3), acompanhado de listagem nominativa dos trabalhadores abrangidos, conforme modelo disponibilizado pela Segurança Social (Anexo ao Mod. RC 3056-DGSS).

Esta listagem deverá incluir, para cada trabalhador, o nome, NISS, data de nascimento, modalidade da medida aplicada, remuneração ilíquida mensal (anterior à aplicação da medida), PNT semanal, horas de redução, data de início e fim da aplicação da medida.

(22)

Nos casos que não resultem de encerramento compulsório, o contabilista certificado da empresa deverá atestar a situação de crise empresarial, no próprio formulário (campo 4).

A lista nominativa dos trabalhadores abrangidos inclui referência à medida decidida quanto a cada um. O requerimento deverá ser entregue através da Segurança Social Direta, no menu “Perfil/Documentos de Prova”, com o assunto “COVID19-Apoio extraordinário à manutenção do contrato de trabalho”. Deverá ser registado ou alterado o IBAN da Empresa no portal Segurança Social Direta, em funcionalidade a disponibilizar no final do mês de março, para que a Segurança Social possa proceder ao pagamento dos apoios à entidade empregadora, que será, por sua vez, responsável pelo pagamento ao trabalhador.

A medida tem a duração de um mês (30 dias), prorrogável mensalmente (30 dias), até três meses, até 30 de junho de 2020. A prorrogação além dessa data será ponderada em função da evolução das consequências económicas e sociais da COVID-19.

ii) Plano extraordinário de formação

As empresas que, em situação de crise empresarial, não recorram ao apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho, podem aceder a um apoio extraordinário para formação profissional a tempo parcial (promovido pelos centros de emprego e formação profissional do IEFP), através de um plano de formação, tendo em vista a manutenção dos respetivos postos de trabalho e o reforço das competências dos seus trabalhadores.

O apoio extraordinário a atribuir a cada trabalhador abrangido é suportado pelo IEFP, sendo concedido em função das horas de formação frequentadas, até ao limite de 50 % da retribuição ilíquida, com o limite máximo de uma RMMG.

Nestes casos, o empregador comunica por escrito aos trabalhadores a decisão de iniciar um plano de formação e a duração previsível da medida, remetendo de imediato informação ao IEFP, com declaração do empregador e os mesmos elementos de instrução aplicáveis ao apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho, supra referidos.

Este apoio tem a duração de um mês e destina-se à implementação do plano de formação referido.

iii) Incentivo financeiro extraordinário para apoio à normalização da atividade da empresa Os empregadores que beneficiem destas medidas têm direito a um incentivo financeiro extraordinário para apoio à retoma da atividade da empresa, a conceder pelo Instituto do Emprego

(23)

e Formação Profissional, I.P. (IEFP), pago de uma só vez e com o valor de uma RMMG (EUR 635,00) por trabalhador.

Para aceder ao incentivo, o empregador apresenta requerimento ao IEFP, acompanhado, nomeadamente, dos seguintes documentos:

a) Balancete contabilístico referente ao mês do apoio bem como do respetivo mês homólogo ou meses anteriores, quando aplicável;

b) Declaração de Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA) referente ao mês do apoio bem como dos dois meses imediatamente anteriores, ou a declaração referente ao último trimestre de 2019 e o primeiro de 2020, conforme a requerente se encontre no regime de IVA mensal ou trimestral respetivamente, que evidenciem a intermitência ou interrupção das cadeias de abastecimento ou a suspensão ou cancelamento de encomendas; e

c) Quando aplicável, documentos demonstrativos do cancelamento de encomendas ou de reservas, dos quais resulte que a utilização da empresa ou da unidade afetada será reduzida em mais de 40 % da sua capacidade de produção ou de ocupação no mês seguinte ao do pedido de apoio; e

d) Elementos comprovativos adicionais a fixar por despacho do membro do Governo responsável pela área do trabalho e da segurança social.

iv) Isenção temporária do pagamento de contribuições para a Segurança Social, a cargo da entidade empregadora

Os empregadores que beneficiem destas medidas têm direito, durante o período de vigência das mesmas e relativamente aos meses em que se aplicarem, à isenção total do pagamento das contribuições à Segurança Social a cargo da entidade empregadora, relativamente aos trabalhadores abrangidos e membros dos órgãos estatutários.

A Segurança Social entende que relativamente aos trabalhadores abrangidos a isenção se reporta apenas ao valor da compensação retributiva.

O empregador deverá continuar a reter e entregar à Segurança Social o valor das contribuições a cargo dos trabalhadores.

É questionável que esta isenção possa abranger trabalhadores que não estejam sujeitos a redução do PNT nem a suspensão dos contratos de trabalho. Será, designadamente, o caso dos trabalhadores de serviços de suporte (p.ex., processamento salarial), que permanecem ao serviço em caso de encerramento da produção da empresa. Uma vez que o formulário da lista nominativa (Anexo ao Mod. RC 3056-DGSS) não contempla estas situações, a questão deverá ser clarificada junto da Segurança Social.

(24)

v) Limitações

O recurso às medidas descritas implica um conjunto de limitações às faculdades do empregador, sob pena de ocorrer a imediata cessação dos mesmos e a restituição ou pagamento, conforme o caso, total ou proporcional, dos montantes já recebidos ou isentados.

Concretamente, durante o período de aplicação destas medidas e nos 60 dias seguintes ao seu termo, o empregador não pode fazer cessar por despedimento (coletivo ou extinção do posto de trabalho previstos nos artigos 359º e 367º do Código do Trabalho) contratos de trabalho de quaisquer trabalhadores (incluindo os não abrangidos por medida de lay-off), exceto por facto imputável ao trabalhador. Não estão abrangidas as situações de caducidade dos contratos a termo.

São ainda consideradas incumprimento das obrigações emergentes deste regime as seguintes ações, durante a vigência dos apoios:

a) Não cumprimento pontual das obrigações retributivas devidas aos trabalhadores; b) Não cumprimento pelo empregador das suas obrigações legais, fiscais ou contributivas; c) Distribuição de lucros durante a vigência das obrigações decorrentes da concessão do

incentivo, sob qualquer forma, nomeadamente a título de levantamento por conta;

d) Incumprimento, imputável ao empregador, das obrigações assumidas, nos prazos estabelecidos;

e) Prestação de falsas declarações;

f) Prestação de trabalho à própria entidade empregadora por trabalhador abrangido pela medida de apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho na modalidade de suspensão do contrato, ou para lá do horário estabelecido, na modalidade de redução temporária do período normal de trabalho (conforme supra referido).

Embora a lei não seja clara, o incumprimento das obrigações emergentes deste regime relativamente a apenas algum(ns) dos trabalhadores abrangidos poderá implicar a restituição da totalidade dos apoios recebidos, relativamente a todos os trabalhadores abrangidos pelas medidas.

C) Regime especial de faltas justificadas dos trabalhadores

Além das faltas justificadas ao abrigo do disposto no artigo 249.º, n.º 2, do Código do Trabalho, consideram-se faltas justificadas as motivadas:

a) por assistência a filho ou outro dependente a cargo menor de 12 anos ou, independentemente da idade, com deficiência ou doença crónica, bem como a neto que viva

(25)

com o trabalhador em comunhão de mesa e habitação e que seja filho de adolescente com idade inferior a 16 anos, nos períodos de interrupção letiva;

b) por assistência a cônjuge ou pessoa que viva em união de facto ou economia comum com o trabalhador, parente ou afim na linha reta ascendente que se encontre a cargo do trabalhador e que frequente equipamentos sociais cuja atividade seja suspensa por determinação de Autoridade de Saúde ou pelo Governo, desde que não seja possível continuidade de apoio através de resposta social alternativa;

c) pela prestação de socorro ou transporte, no âmbito da pandemia da doença COVID-19, por bombeiros voluntários com contrato de trabalho com empregador do setor privado ou social, comprovadamente chamados pelo respetivo corpo de bombeiros.

Ao abrigo do Decreto-Lei n.º 10-K/2020, de 26 de março, as faltas justificadas acima indicadas não determinam a perda de quaisquer direitos, salvo quanto à retribuição, devendo para o efeito o trabalhador comunicar a ausência nos termos gerais.

As faltas dadas pelo trabalhador para assistência a filho ou à família nos termos acima indicados não são computadas nos limites previstos no Código do Trabalho.

Para “compensar” a perda de remuneração por assistência a filho ou à família (acima indicada), o trabalhador pode marcar férias (ainda que sem o acordo do empregador), desde que o faça mediante comunicação por escrito ao empregador com antecedência mínima de dois dias relativamente ao início do período de férias, salvo se se trate de trabalhadores de serviços essenciais.

Caso o trabalhador goze férias neste período, deve auferir a remuneração correspondente à que receberia se estivesse em serviço efetivo (conforme previsto no Código do Trabalho). O subsídio de férias pode ser pago na totalidade até ao quarto mês seguinte ao do início do gozo das férias.

D) Comparticipação da perda de remuneração dos trabalhadores pela

Segurança Social

Prevê-se uma comparticipação (total ou parcial), pela Segurança Social, da retribuição dos trabalhadores que faltem ao trabalho, de forma justificada, por motivo relacionado com o surto do Covid-19, mediante:

Prevê-se uma comparticipação (total ou parcial), pela Segurança Social, da retribuição dos trabalhadores que faltem ao trabalho, de forma justificada, por motivo relacionado com o surto do Covid-19, mediante:

(26)

− a equiparação das situações de isolamento profilático por decisão da autoridade de saúde a doença, sendo o subsídio de doença (no correspondente a 100% da retribuição de referência) pago pela Segurança Social;

− o pagamento do subsídio de assistência a filho a trabalhador com filho ou neto em isolamento profilático, por decisão da autoridade da saúde, durante 14 dias (não computados nos limites máximos previstos para assistência a filho ou a neto constantes do Código do Trabalho);

O subsídio para assistência a filho ou a neto corresponde, atual e respetivamente, a 100% ou a 65% da remuneração de referência;

− o pagamento de um apoio extraordinário aos trabalhadores que não possam prestar atividade na sequência da necessidade de prestar assistência a filho menor de 12 anos ou com deficiência ou doença crónica, independentemente da idade, na sequência da suspensão de atividades escolares e respostas sociais equivalentes.

O referido apoio extraordinário, no montante de 2/3 da retribuição do trabalhador (até ao máximo de € 1.905,00 e com o limite mínimo de € 635,00), pago em partes iguais pela Segurança Social e pelo empregador, não abrange o período das férias escolares (de 30.03.2020 a 13.04.2020 para a educação pré-escolar, ensino básico e secundário, e de 06.04.2020 a 13.04.2020 para o ensino especial).

A suspensão das atividades letivas presenciais iniciou-se no dia 16 de março de 2020 e estende-se até ao final do ano letivo para os alunos até ao 10.º ano inclusive.

Porém, de acordo com a informação publicada pela Segurança Social, o apoio é atribuído até 13 de abril de 2020 no caso de crianças que frequentem equipamentos sociais de apoio à primeira infância ou deficiência.

E) Diferimento dos prazos de pagamento de contribuições para a

Segurança Social, a cargo da entidade empregadora

O prazo para pagamento de contribuições correntes à Segurança Social, que terminaria dia 20 de março, foi estendido até ao dia 31 de março de 2020.

Paralelamente, foi criado um regime especial de diferimento e pagamento fracionado das contribuições devidas nos meses de março, abril e maio de 2020.

Podem beneficiar do diferimento de 2/3 das contribuições devidas nestes meses, além dos trabalhadores independentes, as empresas com:

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b) 50 a 249 trabalhadores, desde que apresentem uma quebra de, pelo menos, 20% da faturação comunicada através do E-Fatura nos meses de março, abril e maio de 2020, face ao período homólogo do ano anterior;

c) 250 ou mais trabalhadores, desde que apresentem uma quebra de, pelo menos, 20% da faturação comunicada através do E-Fatura nos meses de março, abril e maio de 2020, face ao período homólogo do ano anterior, e se enquadrem numa das seguintes previsões:

i. Se trate de instituição particular de solidariedade social ou equiparada;

ii. A atividade dessas entidades empregadoras se enquadre nos setores encerrados nos termos do Decreto n.º 2 -A/2020, de 20 de março, ou nos setores da aviação e do turismo, relativamente ao estabelecimento ou empresa efetivamente encerrados; iii. A atividade dessas entidades empregadoras tenha sido suspensa, por determinação

legislativa ou administrativa, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, na Lei de Bases da Proteção Civil ou na Lei de Bases da Saúde, relativamente ao estabelecimento ou empresa efetivamente encerrados.

Para efeitos de aplicação deste regime:

− A quebra de faturação é aferida por referência à média do período de atividade decorrido, caso as empresas tenham iniciado a atividade há menos de 12 meses.

− Quando a comunicação dos elementos das faturas através do E-Fatura não reflita a totalidade das operações praticadas sujeitas a IVA, ainda que isentas, relativas a transmissão de bens e prestações de serviços, relativas aos períodos em análise, a aferição da quebra de faturação deve ser efetuada com referência ao volume de negócios, com a respetiva certificação de contabilista certificado.

− O número de trabalhadores é aferido por referência à declaração de remunerações relativa ao mês de fevereiro de 2020.

A adesão ao pagamento fracionado e ao plano prestacional é feita através da Segurança Social Direta, sendo a mesma autorizada de imediato.

Quando as entidades empregadoras já tenham pago a totalidade das contribuições devidas em março de 2020, o diferimento inicia-se em abril de 2020 e termina em junho de 2020.

O montante correspondente a 1/3 da contribuição devida é pago no mês correspondente, sob pena de cessação destes benefícios.

Em julho de 2020, a entidade empregadora que tenha aderido ao plano de pagamento fracionado deverá indicar, na Segurança Social Direta, se pretende proceder ao pagamento dos restantes 2/3 em 3 meses (julho, agosto e setembro de 2020) ou 6 meses (de julho a dezembro de 2020), em qualquer dos casos em prestações iguais e sucessivas e sem juros.

(28)

Sem prejuízo da fiscalização, em qualquer momento, pelas entidades públicas competentes, e da verificação por via eletrónica com a Autoridade Tributária, durante o mês de julho de 2020, as empresas com 50 trabalhadores ou mais deverão demostrar a verificação dos requisitos, apresentando a certificação do contabilista certificado da empresa.

O incumprimento dos requisitos de acesso ao diferimento do pagamento de contribuições implica o vencimento imediato da totalidade das prestações em falta, bem como a cessação da isenção de juros. Os prazos dos planos prestacionais relativos a processos de execução fiscal encontram-se suspensos (até publicação de novo Decreto-Lei) sem prejuízo de poderem continuar a ser pontualmente cumpridos. Os processos de execução fiscal permanecerão suspensos até 30 de junho de 2020.

F) Outras medidas ao abrigo do regime geral do Código do Trabalho

Além das medidas já em vigor e de outras anunciadas, as empresas poderão ainda adotar soluções já previstas no Código do Trabalho, designadamente:

i) Marcação de férias aos trabalhadores

Nos termos gerais, as empresas com menos de 10 trabalhadores podem impor o gozo de férias aos trabalhadores sem o seu acordo.

Nas empresas com 10 ou mais trabalhadores, o empregador só pode marcar o período de férias entre 1 de maio e 31 de outubro, a menos que o instrumento de regulamentação coletiva de trabalho, ou o parecer dos representantes dos trabalhadores, admita época diferente. Tendo em conta a situação excecional, as empresas poderão, na ausência de acordo com o trabalhador e de outras alternativas, impor esse gozo, mas com o risco de os trabalhadores reclamarem (por não considerarem o período em causa como gozo de férias) e de a conduta ser considerada uma contraordenação grave.

ii) Gozo pelo trabalhador de licença sem retribuição

Mediante pedido do trabalhador e acordo das partes quanto à sua duração. Para efeitos de prova, a concessão de licença sem retribuição deverá constar de documento escrito.

(29)

iii) Acordo de redução de período normal de trabalho e retribuição

As partes podem acordar na redução do período normal de trabalho (e redução proporcional da retribuição do trabalhador), por tempo indeterminado ou com uma duração limitada (certa ou incerta), mediante a celebração de aditamento ao contrato de trabalho ou acordo escrito.

Os efeitos da redução da retribuição não dependem, nestes casos, de autorização da Autoridade para as Condições de Trabalho.

iv) Acordo de antecipação do termo no caso de contratos de trabalho a termo certo ou invocação da caducidade de contratos a termo incerto, em algumas situações

Consoante as necessidades que determinaram a admissão do trabalhador a termo certo, é possível que as partes, por acordo, antecipem a data de termo dos contratos (celebrados a termo certo), ou que a empresa, de forma unilateral, denuncie os contratos a termo incerto, mediante uma avaliação casuística das situações concretas e verificados os pressupostos necessários à caducidade.

v) Suspensão ou redução temporária de atividade devido a força maior

Esta medida pode ser adotada no atual contexto, ficando o empregador obrigado ao pagamento de 75% da retribuição (ou proporcional em caso de redução), sem que beneficie de um apoio suportado pela Segurança Social.

O trabalhador não beneficia de subsídio de desemprego.

Não está previsto procedimento específico, porém a empresa deve informar os trabalhadores da duração previsível da medida e suas consequências, ouvindo previamente as estruturas representativas dos trabalhadores existentes.

vi) Suspensão ou redução temporária de atividade em situação de crise empresarial (Lay-off)

Nos termos do regime geral, as empresas podem recorrer ao regime de lay-off geral (lay-off do Código do Trabalho), quando ocorra uma situação que afete gravemente a atividade da empresa e se a medida for indispensável para assegurar a viabilidade da empresa e a manutenção de postos de trabalho. Este regime permite ao empregador reduzir a retribuição do trabalhador para 2/3 com o limite mínimo de € 635,00 e máximo de € 1.905,00 e beneficiar de um apoio de 70% da Segurança Social (em termos idênticos aos previstos no lay-off simplificado), mas não permite ao empregador beneficiar da isenção de contribuições sociais pelo período de vigência da medida, como se verifica no lay-off simplificado.

(30)

Caso a empresa opte por pagar ao trabalhador um montante superior ao previsto supra, a compensação concedida pela Segurança Social é reduzida na proporção.

O gozo, marcação e vencimento de férias, bem como o pagamento do subsídio de férias, não é afetado, sendo suportado integralmente pelo empregador. Já o subsídio de natal suportado em parte pela Segurança Social (metade da compensação retributiva), sendo o restante pelo empregador.

O trabalhador não beneficia de subsídio de desemprego.

O lay-off dos trabalhadores deve ser precedido de um procedimento específico, que envolve uma comunicação inicial fundamentada, um eventual período de negociações com os trabalhadores ou seus representantes, seguido de decisão da medida a aplicar e sua duração.

Caso tenha sido iniciado um lay-off do Código do Trabalho, durante o período de lay off, e nos 30 ou 60 dias seguintes ao termo do lay-off, consoante a sua duração não exceda ou seja superior a 6 meses, o empregador não pode fazer cessar o contrato de trabalho de trabalhador abrangido (nomeadamente por despedimento coletivo ou por despedimento por extinção de posto de trabalho), exceto se se tratar de cessação da comissão de serviço, de contrato de trabalho a termo ou despedimento por facto imputável ao trabalhador, sob pena de devolução dos apoios recebidos em relação ao trabalhador cujo contrato tenha cessado.

vii) Despedimento coletivo / extinção de posto de trabalho

Se as medidas tiverem um impacto tal, em termos de mercado e estruturalmente, que a empresa decida encerrar ou reduzir definitivamente a atividade, poderá a mesma proceder a reduções de postos de trabalho, mediante procedimento prévio.

Os trabalhadores afetados têm direito a uma compensação, além dos créditos devidos até à cessação do contrato, e poderão aceder ao subsídio de desemprego.

Caso a empresa tenha implementado alguma medida de lay-off, estará impedida de efetuar despedimentos coletivos ou por extinção de posto de trabalho, nos termos supra descritos.

Referências

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