FLORA DA BAHIA: Boraginaceae I – Heliotropioideae
(Flora da Bahia: Boraginaceae I – Heliotropioideae) – Este trabalho apresenta o resultado do levantamento da subfamília Heliotropioideae (Boraginaceae Juss.) para o Estado da Bahia. Foram registrados três gêneros e 25 espécies. São apresentados: chaves de identificação, descrições, comentários, ilustrações, fotos e mapa de distribuição das espécies.
Palavraschave: Boraginaceae, Heliotropioideae, flora, Bahia.
(Flora of Bahia: Boraginaceae I – Heliotropioideae) – This paper presents a survey of the species of Heliotropioideae in Bahia State. Three genus are listed and 25 species. Descriptions, illustrations, comments, photos, maps and key of the taxa are presented.
Keywords: Boraginaceae, Heliotropioideae, flora, Bahia.
Boraginaceae Juss.
Ervas, subarbustos ou árvores, raramente lianas, raro parasitas de raízes; glabras ou com tricomas com cistólitos ou corpos semelhantes a cistólitos basais e/ou parede calcificadas; alcalóides presentes ou não. Folhas geralmente alternas, raro opostas ou verticiladas, simples, raro fortemente lobadas a compostas; estípulas ausentes. Flores solitárias ou em cimeiras, monóclinas ou díclinas, geralmente actinomorfas, raro assimétricas, gamosépalas, gamopétalas, geralmente pentâmeras; estames geralmente cinco; gineceu súpero, sincárpico, 2(614) carpelar, 1 a muitos óvulos por lóculo, placentação parietal ou axilar, estilete presente ou ausente, ginobásico ou terminal. Fruto drupa, esquizocarpo ou cápsula.
A família é distribuída largamente nas regiões tropicais, subtropicais e temperadas, onde ocorre o maior número de táxons (Cronquist, 1981). Os centros de diversidade genética são na zona temperada do hemisfério Norte e nos trópicos (América Central e norte da América do Sul) (AlShehbaz, 1991). Possui
cerca de 148 gêneros e 2740 espécies, sendo os maiores gêneros: Cordia L. (ca. 320 spp.), Heliotropium L. (ca. 260) e Tournefortia L. (ca. 150) (Judd, 2002). No Brasil ocorrem 12 gêneros com espécies nativas, sendo que cinco deles estão presentes na Bahia (Cordia, Heliotropium, Tournefortia, Rotula Lour. e Schleidenia Endl.) (Barroso, 1991).
CANDOLLE, A.P. 1845. Prodromus systematis naturalis regni vegetabilis. Parte 9: 467563 p.
FRESENIUS, G. 1857. Boraginaceae; Heliotropiaceae. In C.F.P. Martius & A.G. Eichler (eds.). Flora Brasiliensis 8(1): 558.
GÜRKE, M. 1893. Borraginaceae. In: ENGLER, A. & PRANTL, K. (eds.) Die Natürlichen Pflanzenfamilien 4 (3a): 71131. Chave para as subfamílias 1 Plantas parasitas de raízes...Lennoideae 1’ Plantas clorofiladas, nunca parasitas. 2 Estilete ginobásico...Boraginoideae 2’ Estilete terminal. 3 Óvulos com placentação parietal, fruto capsula loculicida, sementes numerosas (4 %)...Hydrophyloideae 3’ Óvulos com placentação axilar, raro apical, fruto drupáceo ou esquizocárpico, sementes 14. 4 Estilete inteiro, estigma capitado...Heliotropioideae 4’ Estilete 12 vezes dividido, estigma clavado ou cilíndrico. 5 Estigma bífido, cotilédones lisos...Ehretioideae 5’ Estigma duas vezes dividido, cotilédones plicados...Cordioideae Chave para Heliotropioideae
1 Erva, flores solitárias, axilares...Schleidenia Endl. 1’ Subarbustos, arbustos ou lianas, raro árvores, flores reunidas em cimeiras.
2’ Fruto drupáceo...Tournefortia L. 1. Heliotropium L.
Subarbustos ou arbustos, eretos, decumbentes ou prostrados, anuais ou perenes. Folhas margens inteiras, crenadas a crenuladas ou revolutas, alternas, subopostas a opostas, sésseis ou pecioladas. Inflorescências em cimeiras escorpióides, inteiras ou bifurcadas, raro 34 cimas, com ou sem brácteas. Flores cálice 5 lobos iguais ou desiguais entre si; corola tubo cilíndrico, tricomas presentes ou ausentes internamente, branca, amarela ou lilás; estames 5, epipétalos, filete curto ou ausente, anteras livres ou coerentes; estilete presente ou ausente; estigma cônico. Fruto esquizocárpico, 2 ou 4 núculas.
Este gênero é representado por cerca de 260 espécies, as quais ocorrem nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. No Brasil existem cerca de 25 espécies de Heliotropium L.; destas 12 ocorrem na Bahia, sendo que uma delas (Heliotropium barbatum DC.) é endêmica do Estado.
FÖRTHER, H. 1998. Die infragenerische Gliderrung der Gattung Heliotropium L. und ihre Stellung innerhalb der subfam. Heliotropioideae (Schrad.) Arn. (Boraginaceae). Sendtnera 5: 35241.
FRESENIUS, G. 1857. Boraginaceae; Heliotropiaceae. In C.F.P. Martius & A.G. Eichler (eds.). Flora Brasiliensis 8(1): 558.
JOHNSTON, I.M. 1928. Studies in the Boraginaceae – VII: The South American Species of Heliotropium. Contr. Gray Herb. 81: 383.
JOHNSTON, I.M. 1935. Studies in the Boraginaceae – X: The Boraginaceae of Northeastern South America. J. Arnold Arbor. 1(16): 164.
Chave para Heliotropium
1 Planta coberta por tricomas bífidos, frutos com cavidades laterais...H. transalpinum 1’ Planta sem tricomas bífidos, frutos sem cavidades laterais 2 Inflorescências com brácteas. 3 Anteras livres, brácteas ca. 1 C 0,3 mm,...H. filiforme 3’ Anteras coerentes, brácteas 2,54,5 C 12 mm. 4 Ritidoma presente, folhas com venação hifódroma. 5 Folhas margem inteira...H. polyphyllum 5’ Folhas margem revoluta.
6 Folhas ovais, congestas, estilete 0,81,5 mm compr...H. salicoides 6’ Folhas elípticas, esparsas, estilete ca. 0,2 mm compr...H. ternatum 4’ Ritidoma ausente, folhas com venação eucamptódroma...H. fruticosum 2’ Inflorescências sem brácteas.
7 Anteras coerentes.
8 Folhas e frutos híspidos, corola totalmente branca...Heliotropium sp. 8 Folhas e frutos serícios, corola branca, fauce amarela.
9 Face abaxial tricomas com base discóide, flores 34,5 mm comp., estigma com tricomas curtos, esparsos...H. procumbens 9’ Face abaxial tricomas sem base discóide, flores 67,5 mm comp., estigma com tricomas longos, concentrados no ápice...H. barbatum 7’ Anteras livres entre si.
10 Folhas com tricomas de tamanhos aproximadamente iguais, fruto verrucoso...H. angiospermum 10’ Folhas com tricomas curtos intercalados com tricomas longos, fruto glabro ou finamente pubescente.
11 Cálice 11,5 mm comp., fruto 2 núculas, conadas, glabro, com estrias verticais...H. elongatum
11’ Cálice 23,5 mm comp., fruto 4 núculas, divergentes, finamente pubescente...H. indicum
1.1. Heliotropium angiospermum Murray, Prodr. Stirp. Gott.: 217. 1770. Heliotropium parviflorum L., Mant. Pl. 2:201. 1771.
Heliophytum parviflorum (L.) DC., Prodr. 9: 553. 1845. Heliophytum foetidum DC., Prodr. 9: 553. 1845.
Heliotropium foetidum (DC.) Gürke, Nat. Pflanzenfam. 4(3a): 96. 1893 non Salisb. 1796.
Fig. 1A; 2 AG; 3.
Nomes populares: balaiodevelho (Jacobina); cristadegalo (Campo Formoso, Ipirá, Feira de Santana); cristadegalodaflormiúda (Castro Alves, Muritiba); ervaferro (Jacobina).
Subarbusto ereto 0,21,5 m alt.; caule tricomas brancos, esparsos, ramos maduros sulcados, ritidoma ausente. Folhas alternas, subopostas ou opostas, 1,811,2 C 0,53,6 cm, membranáceas, verdes, levemente discolores ou discolores, elípticas ou ovais, ápice acuminado, base oblíqua, atenuada, margem inteira a crenulada, ciliada, tricomas brancos, superfície plana a bulada, face adaxial tricomas esparsos, face abaxial tricomas concentrados nas nervuras principal e secundárias, venação broquidódroma; pecíolo 0,21,5 cm compr., ca. 0,5 mm espessura, tomentoso, tricomas brancos. Inflorescências terminais, inteira ou bifurcada, brácteas ausentes. Flores 2,54 mm compr., sésseis; cálice verde, lobos ovais, ápice agudo 12 mm compr., tomentoso externamente e internamente, margem ciliada; corola branca ou lilás, fauce amarela, tubo 1,52,5 C 1 mm, pubescente externamente e internamente, no terço superior do tubo, tricomas brancos, lobos 11,5 mm compr., obovais; anteras sésseis ovais, ápice agudo, livres, inseridas no terço superior do tubo; ovário ca. 0,5 mm compr., estigma séssil, ca. 1 mm, capitado, com tricomas longos, esparsos. Frutos núculas 2, subglobosas, 1,52 C 2,53 mm, verrucosas, imaturo verde, maduro marrom; sementes 4.
Sul dos Estados Unidos, México, América Central, Antilhas, Chile e Brasil (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe). B7, B9, C7, C8, D7, D6, E6, D8, D9, E8, E9, F4, F5, F6, F7, G5, G6, G7: caatinga, dunas, bordas e interiores de matas, vegetações ciliares, margens de lagoas, beira de
estradas e encostas de "inselbergs", em solos arenosos, com ou sem afloramentos rochosos, ou argilosos, seco ou encharcado. A espécie floresce e frutifica durante todo o ano.
Materiais examinados: Boa Nova, mar.1977, Shepherd et al. 4488 (MBM); Brumado, abr.2005, Conceição et al. 222 (HUEFS); Caetité, abr.2005, Conceição et al. 200 (HUEFS); Feira de Santana, set.2004, Conceição et al. 26 (HUEFS); Jacobina, jul.1996, Harley et al. in PCD 3406 (CEPEC, HUEFS); Jequié, fev.2003, F. França et al. 4346 (HUEFS); João Dourado, mai.2004, Silva 219 (HUEFS); Juazeiro, out.1967, Duarte et al. 10553 (HB, RB); Lagoa Real, fev.2003, França et al. 4673 (HUEFS); Morro do Chapéu, jan.2005, Conceição et al. 119 (HUEFS); Paulo Afonso, ago.2005, Miranda et al. 858 (HUEFS); Pindaí, jan.1997, Hatschbach et al. 65783 (MBM); São Félix do Coribe, abr.2005, Conceição et al. 196 (HUEFS); Senhor do Bomfim, out.2005, Conceição et al. 285 (HUEFS); Serrinha, mar.2005, Conceição et al. 126 (HUEFS); Souto Soares, mai.1980, Harley et al. 22135 (SPF); Tucano, jan.2006, Queiroz et al. 9022 (HUEFS); Vitória da Conquista, s/data, Santos et al. 24354 (HB).
Os materiais examinados de Heliotropium angiospermum mostraram a ocorrência de variação nas folhas, sendo que os espécimes coletados em ambientes secos apresentaram folhas menores (1,86,3 C 0,51,8 cm) e com nervuras mais proeminentes do que as dos espécimes coletados em locais úmidos, que apresentaram folhas maiores (7,211,2 C 2,13,6 cm).
Os espécimes que possuem folhas maiores, sem nervuras proeminentes, se assemelham vegetativamente com os espécimes analisados de H. transalpinum, que também possuem folhas elípticas, membranáceas e de dimensões parecidas. Entretanto, H. angiospermum pode ser facilmente distinta destas e das demais espécies de Heliotropium encontradas na Bahia, por ser a única a apresentar frutos com pericarpo verrucoso. Na ausência de frutos, H. angiospermum pode ser separado de H. transalpinum com base na presença de tricomas bífidos, que são encontrados apenas em H. transalpinum.
Os sinônimos listados para Heliotropium angiospermum seguem Förther (1998). Este autor ainda citou como sinônimos de H. angiospermum as espécies Heliophytum odorum Fresen. e Heliophytum crispulum Fresen., publicadas na
“Flora Brasiliensis”, e descritas com materiais provenientes do Estado de Minas Gerais.
Fig. 3. Mapa de distribuição geográfica de Heliotropium angiospermum, H. barbatum e H. elongatum.
1.2. Heliotropium barbatum DC., Prodr. 9: 541. 1845. Schleidenia barbata (DC.) Fresen., Fl. Bras. 8(1): 43. 1857. Fig. 1B; 2 HN; 3.
Subarbusto ereto ou prostrado, até 0,3 m alt.; caule tricomas brancos, esparsos, flexíveis, ramos maduros levemente sulcados, ritidoma ausente. Folhas alternas, subopostas ou opostas, 0,72,6 C 0,20,7 cm, membranáceas, verdes, concolores ou levemente discolores, oboval ou elíptica, raro oval, ápice acuminado, base atenuada, margem inteira, serício, tricomas brancos, superfície plana, face adaxial tricomas esparsos ou densos, face abaxial tricomas densos, venação hifódroma; pecíolo 0,10,4 cm compr., ca. 0,5 mm espessura, serício, tricomas brancos. Inflorescências terminais, inteira ou bifurcada, brácteas ausentes. Flores 67,5 mm compr., sésseis; cálice verde, lobos ovais, ápice agudo, 33,5 mm compr., serício externamente; corola branca, fauce amarela, tubo 45 C 1 mm, serício externamente e internamente, no terço superior do tubo, tricomas brancos, lobos 22,5 mm compr., lobos ovais; anteras sésseis, ovais, ápice agudo, ápice pubescente, coerentes, inseridas no terço superior do tubo; ovário ca. 0,5 mm compr., estigma séssil, ca. 0,5 mm, cônico, ápice com tricomas longos, concentrados. Frutos núculas 4, subglobosas, 11,5 C 1,52 mm, serício, imaturo verde; sementes 4.
Brasil (Bahia). C5, C6, D6, F6: caatinga, em solo úmido ou vegetação aquática. A espécie floresce e frutifica nos meses de fevereiro a abril e novembro a dezembro.
Materiais examinados: Dom Basílio, dez.1989, Carvalho et al. 2683 (SP); Jacobina, mar.2004, Stapf et al. 243 (HUEFS); Morro do Chapéu, mai.2003, Junqueira et al. 207 (HUEFS); XiqueXique, fev.1977, Harley et al. 19076 (CEPEC, HUEFS, RB).
O material tipo de Heliotropium barbatum (Blanchet 2726) é procedente da Serra Jacobina. A fotografia do isótipo depositado no K e o opus princeps da
espécie foram obtidas, o que teve grande contribuição para identificação desta espécie.
Heliotropium barbatum é vegetativamente muito semelhante a H. procumbens. No entanto, estas espécies diferenciamse porque H. barbatum possui flores de 67,5 mm compr. e estigma com tricomas longos concentrados no ápice, enquanto H. procumbens apresenta flores de 34,5 mm compr. e estigma com tricomas curtos esparsos. A presença do estigma com tal característica faz com que H. barbatum seja distinguida das demais espécies estudadas, sendo assim de fácil reconhecimento.
1.3. Heliotropium elongatum (Lehm.) I.M.Johnst., Contr. Gray Herb. 81: 18. 1928.
Basiônimo: Tiaridium elongatum Lehm., Asperif. nucif. 14. 1818. Heliophytum elongatum (Lehm.) DC., Prodr. 9: 555. 1845. Fig. 1C; 3; 4 AG.
Nome popular: cristadegalo (Canudos, Casa Nova, Cruz das Almas, Feira de Santana, São Felipe).
Subarbusto prostrado ou ereto, 0,41,0m alt.; caule sulcado, hirsuto, tricomas brancos, ritidoma ausente. Folhas alternas ou subopostas, 2,512,3 C 1,25,9 cm, membranáceas, verdes, levemente discolores ou discolores, ovais ou cordiformes, ápice agudo, base oblíqua, atenuada ou cordada, margem crenulada, superfície bulada, pubescente, tricomas curtos abundantes, tricomas longos esparsos, brancos, venação reticulódroma; pecíolo 0,55,4 cm compr., ca. 2 mm espessura, parcialmente alado, hirsuto, tricomas brancos. Inflorescências terminais, inteira, brácteas ausentes. Flores 56 mm compr., sésseis, cálice verde, lobos lanceolados, 11,5 mm compr., hirsuto; corola branca ou lilás, fauce amarela, tubo 45 C 1 mm, pubescente externamente e internamente, no terço médio do tubo, tricomas brancos, lobos ca. 1 mm compr., lobos rotundos; estames filete ca. 0,1 mm, anteras ovais, ápice agudo, livres, inseridas na metade inferior do tubo; ovário 0,30,4 mm compr., estilete cilíndrico, ca. 0,2 mm, estigma ca. 0,3 mm, capitado, glabro. Frutos núculas 2, conadas, com estrias verticais, ápice denticulado, 25 C 1,53,5 mm, glabras, verdes; sementes 4.
Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Brasil (Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Rio Grande do Sul). B6, B7, B8, B9, C7, C8, E8, E9, E10, F5, F6, G7, I8: caatinga, cerrado, borda de mata, margem de lagoas, beira de estrada, áreas antropizadas, em solo arenoso, com afloramentos rochosos, argiloso ou em arenito vermelho. Foram observados materiais com flores e frutos coletados nos meses de junho, julho e de setembro a março.
Heliotropium elongatum é utilizada na medicina popular pela suas características adstringente, diurética, e antiasmática. Suas raízes e folhas são empregadas popularmente na cura do antraz, icterícia, afecções no fígado, baço ou bexiga, inflamações no ânus e úlceras de origem sifilítica. Já suas flores são utilizadas no tratamento de resfriados (Corrêa, 1926).
Materiais examinados: Caetité, mar.1994, Souza et al. 5399 (SPF); Canudos, jun.2003, Silva et al. 413 (HUEFS); Casa Nova, out.2004, Queiroz et al. 9647 (HUEFS); Feira da Santana, jul.2002, Santos et al. 27 (HUEFS); Juazeiro, dez.1922, Porto 1438 (RB); Mata de São João, nov.2005, Conceição et al. 424 (HUEFS); Milagres, jun.2003, Hatschbach et al. 75775 (MBM); Paulo Afonso, nov.2005, França et al. 5324 (HUEFS); Rio de Contas, nov.1998, Silva et al. 177 (HUEFS); Santa Cruz Cabrália, dez.2005, Nunes et al. 1423 (HUEFS); Senhor do Bomfim, out.2005, Conceição et al. 286 (HUEFS); Vitória da Conquista, nov.1988, Wanderley et al. 1642 (SP).
Heliotropium elongatum é uma espécie que muitas vezes é confundida com Heliotropium indicum, sendo que estas espécies algumas vezes ocorrem simpatricamente. No entanto, H. elongatum distinguese de H. indicum principalmente pelo fruto, o qual possui núculas conadas e com estrias verticais em H. elongatum e núculas divergentes, sem presença de estrias em H. indicum.
Johnston (1928) reconheceu, com base no comprimento do tubo e lobos da corola, duas variedades para esta espécie: Heliotropium elongatum var. genuina I.M.Johnst. (tubo 34,5 mm compr. e lobos 23 mm compr.) e Heliotropium elongatum var. burchellii I.M.Johnst. (tubo 57 mm compr. e lobos 710 mm compr.). Heliotropium elongatum var. genuina teria ocorrência no Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil (Bahia, Ceará e Minas Gerais) e H. elongatum var. burchellii ocorreria apenas no Brasil, no Estado de Goiás.
Ao analisar os espécimes de H. elongatum, não foi encontrada essa correlação entre o tamanho do tubo e dos lobos da corola. Por esse motivo, as variedades não foram adotadas neste trabalho.
Hoffmansegg, no exemplar Herb. Willd. n.115, manuscreveu o binômio Heliotropium elongatum. Roemer & Schultes (1819 apud Förther 1998) trataram esta espécie como Tiaridium elongatum, e listaram como sinônimo o nome
Heliotropium elongatum dado por Hoffmansegg. Johnston (1928) considerou como autor de H. elongatum Hoffm. ex Roem. & Schult. No entanto, quem fez essa combinação e a publicou pela primeira vez foi o próprio Johnston, em 1928 (Förther, 1998; Melo & Sales, 2004).
1.4. Heliotropium filiforme Lehm., Gött. Gel. Anz. 3(152): 1515. 1817.
Heliotropium filiforme Humb., Bonpl. & Kunth, Nov. gen. sp. 3: 86. 1818 non Lehm. 1817.
Schleidenia filiformis Fresen., Fl. bras. 8(1): 40. 1857. Fig. 4 HQ; 5.
Subarbusto ereto ou decumbente, 0,10,25 m alt.; caule ramos jovens serícios, tricomas brancos ou ferrugíneos, ritidoma ausente. Folhas alternas, subopostas ou opostas, 0,51,9 C 0,10,3 cm, cartácea, verdes, concolores, elípticas, ápice e base agudos, margem levemente revoluta, superfície plana, serício, tricomas ferrugíneos, venação hifódroma; pecíolo 0,10,3 cm compr., ca. 0,5 mm espessura, serício, tricomas ferrugíneos. Inflorescências terminais, inteira ou bifurcada, brácteas ovais, ápice agudo, ca. 1 C 0,3 mm. Flores pedicelo ca. 0,5 mm; cálice verde, lobos ovais, ápice agudo, desiguais entre si, ca. 1,5 mm compr., maiores ca. 1 mm diâm., menores ca. 0,5 mm diâm., acrescente, ca. 3 mm compr., serícios; corola branca, fauce amarela, tubo ca. 1,5 C 1 mm, serício externamente, tricomas brancos, lobos desiguais entre si, maiores ca. 0,5 mm compr., menores ca. 0,3 mm compr., lobos ovais, ápice agudo; anteras sésseis, ovais, ápice agudo, livres, inseridas no terço médio do tubo; ovário ca. 0,3 mm compr., estilete 0,10,2 mm compr., estigma 0,20,3 mm compr., capitado. Fruto núculas 4, subglobosas, 11,5 C 1,52 mm, serício, imaturo verde, maduro marrom; sementes 4.
Argentina, Bolívia, Guianas, Honduras, Paraguai, Trindade, Venezuela e Brasil (Amazonas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Tocantins). C6, F5, I8: caatinga, mata atlântica, em beira de estrada, lagoa temporária. A espécie floresce e frutifica em março e em dezembro.
Materiais examinados: Caetité, mar.1994, Souza et al. 5386 (HUEFS); Jacobina, dez.1984, Furlan et al. in CFCR 7485 (SPF); Santa Cruz Cabrália, dez.2005, Nunes et al. 1424 (HUEFS).
Esta espécie assemelhase a Heliotropium polyphyllum por possuir lobos do cálice desiguais entre si e pela presença de folhas de margem plana associada a presença de brácteas. Entretanto, H. filiforme distinguese desta espécie e das demais por apresentar folhas e brácteas estreitamente elípticas, sendo as brácteas inconspícuas.
Na “Flora Brasiliensis” esta espécie foi tratada por Schleidenia filiformis (Humb., Bonpl. & Kunth) Fresen. Este nome baseouse em um homônimo posterior, visto que H. filiforme já tinha sido publicado anteriormente pelo Lehmann. O artigo 58 do Código Internacional de Nomenclatura Botânica (2007) diz que o epíteto em um nome ilegítimo pode ser usado, se disponível, numa combinação diferente, se nenhum epíteto de um nome que tiver prioridade naquele nível estiver disponível. O nome resultante dessa combinação é tratado como um nome novo, portanto, a autoria de Schleidenia filiformis é de Fresenius(1857).
Os sinônimos listados para H. filiforme seguem Förther (1998). A espécie S. stenostachya Fresen., descrita na “Flora Brasiliensis” para a Paraíba, também foi citada por este autor como sinônimo de H. filiforme.
Fig. 5. Mapa de distribuição geográfica de Heliotropium filiforme, H. fruticosum e H. indicum.
1.5. Heliotropium fruticosum L., Syst. Nat. Ed.10 (2): 913. 1759. Schleidenia dasycarpa Fresen., Fl. Bras. 8(1): 37. 1857.
Fig. 5; 6 AH.
Subarbusto decumbente 0,30,4 m alt.; caule estrigoso, tricomas brancos, ritidoma ausente. Folhas alternas, 1,12,7 C 0,20,9 cm, cartáceas, verdes, levemente discolores, elípticas, ápice e base agudas, margem inteira a levemente revoluta, ciliada, superfície plana, estrigoso, tricomas brancos, venação eucamptódroma; pecíolo 12,5 mm compr., ca. 0,5 mm espessura, tomentoso, tricomas brancos. Inflorescências terminais, inteira ou bifurcada, brácteas foliáceas, ovais, ápice agudo, 34,5 C 12 m. Flores pedicelo 0,51 mm; cálice verde, lobos ovais, ápice agudo, 3,54,5 mm compr., acrescente na frutificação, até 5,5 mm, estrigoso externamente; corola amarela, tubo 45 C 1 mm, estrigoso externamente e internamente, tricomas brancos, lobos 11,5 mm compr., ovais, ápice agudo; estames filete ca. 0,2 mm, anteras ovais, ápice agudo, coerentes, inseridas no terço superior do tubo; ovário 0,50,7 mm compr., estilete ca. 0,8 mm, estigma ca. 1 mm, capitado. Frutos núculas 4, subglobosos, estrigoso, 11,5 C 1,52 mm, imaturo verde, maduro marrom; sementes 4.
Sul dos Estados Unidos, Antilhas, Argentina, Venezuela, Colômbia e Brasil (Bahia, Goiás, Piauí e São Paulo). E6, F4, F5: cerrado, em beira de estrada e caatinga com brejo e lagoa temporária. A espécie floresce e frutifica em fevereiro e em abril e em dezembro.
Materiais examinados: Bom Jesus da Lapa, fev.2000, Queiroz et al. 5779 (HUEFS); Caetité, abr.2005, Conceição et al. 199 (HUEFS); Palmeiras, dez.2002, França et al. 3949 (HUEFS).
Heliotropium fruticosum é uma espécie muito semelhante a Heliotropium salicoides, pelas flores de corola amarela e a margem foliar que às vezes se apresenta revoluta em H. fruticosum. Tais espécies separamse porque H. fruticosum possui folhas elípticas e brácteas maiores (34,5 C 12 mm) com
aspecto foliáceo, enquanto H. salicoides possui folhas ovais e brácteas menores (23 C 11,5 mm), sem aspecto foliáceo.
Schleidenia dasycarpa foi descrita por Fresenius, em 1857, na “Flora Brasiliensis”, sendo o material tipo procedente da Bahia. Tal espécie foi listada por Förther (1998) como sinônimo de Heliotropium fruticosum.
1.6. Heliotropium indicum L., Sp. Pl. 1: 130. 1753. Heliophytum indicum (L.) DC., Prodr. 9: 556. 1845. Fig. 1D; 5; 6 IP.
Nomes populares: bicodegalo (Ilhéus); borragem brava (Cachoeira); cristade galo (Amélia Rodrigues, Cachoeira, Itabuna, Itaetê, Rodelas, Salvador, Simões Filho, Uruçuca); cravodeurubu (Cachoeira); cristadeperu (Conde).
Subarbusto ereto 0,51,0 m alt.; caule hirsuto, tricomas brancos, ramos jovens sulcados. Folhas alternas, subopostas ou opostas, 3,222,0 C 1,210,5 cm, membranáceas, verdes, discolores, ovais ou elípticas, ápice agudo, base atenuada, margem crenada a crenulada, superfície plana a bulada, face adaxial tricomas brancos, esparsos, face abaxial tricomas brancos, tricomas curtos intercalados com os tricomas longos, concentrados nas nervuras principal e secundárias, venação broquidódroma; pecíolo 0,85,8 cm compr., ca. 1 mm espessura, tomentoso, tricomas brancos. Inflorescências terminais, inteira ou bifurcada, brácteas ausentes. Flores sésseis, cálice verde, lobos ovais, ápice agudo, 23,5 mm compr., pubescente externamente; corola branca ou lilás, fauce amarela, tubo 46 C 1,5 mm, pubescente externamente, tricomas brancos, lobos 1,52 mm compr., lobos rotundos; anteras sésseis, ovais, ápice agudo, livres, inseridas no terço médio do tubo; ovário ca. 0,3 mm compr., 4lobado, estilete 0,4 0,6 mm compr., estigma 0,20,3 mm compr., capitado. Frutos núculas 4, subglobosas, pubescentes, ápices divergentes, 24 C 3,57 mm, verde; sementes 4.
Cosmopolita. Brasil (Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins). B9, D4, D10, E6, E8, E9, F9, G6, G8, H8, I9: caatinga, restinga, beira de estrada, margem de rios e em áreas antropizadas em geral. A espécie floresce e frutifica durante todo o ano.
As folhas de Heliotropium indicum são utilizadas popularmente em Uruçuca (BA) para o tratamento da gripe, na forma de chá ou xarope, também chamado de
“lambedor” (M.B. Jogaib et al. 93). Também em Amélia Rodrigues é tida como planta medicinal, sem indicação de uso específico (D.L. Santana et al. 33).
A espécie é utilizada para tratamento de algumas doenças de pele, de aftas, úlceras, furúnculos, faringites, estomatites, antrazes, hemorróidas, entre outras (Corrêa, 1926; Cruz, 1995). A planta também é utilizada em queimaduras (Corrêa, 1926) e em banhos contra reumatismo articular, no Litoral Norte da Bahia