I. Criação de um núcleo único que centralizasse toda a actividade piscatória da região, ou, em alternativa,
5- Material Muito Contaminado
4.5. Ambiente sonoro
4.6.3. Flora Terrestre
4.6.3.1. Enquadramento fitogeográfico
Biogeograficamente, Portugal tem a seguinte localização (Rivas-Martinez et al., 1990):
1. Reino Holoártico
2. Região Mediterrânica e subregião Mediterrânica occidental 3. Superprovíncia Mediterrânico-Iberoatlântica.
Em termos regionais, o litoral algarvio onde se enquadra a área de estudo integra-se nas seguintes unidades biogeográficas:
1. Provincia Gaditano-Onubo-Algarviense 2. Sector Algarviense
3. Superdistrito Algárvico.
A referida província apresenta uma Flora de características únicas, bastante diversificada e rica em endemismos. No que se refere ao sector Algarviense são característicos os seguintes taxa: Thymus camphoratus, Cistus palhinhae, Limonium spp.. Também no superdistrito Algárvico se encontram espécies florísticas singulares como os endemismos Thymus lotocephalus e Ulex subsericeus (Rivas-Martinez et al., 1990).
4.6.3.2. Espécies protegidas, raras, endémicas ou ameaçadas
Os diversos habitats existentes na Ria Formosa albergam espécies de grande relevância ecológica, quer a nível nacional, quer internacional.
No âmbito da flora podem referir-se as espécies com estatuto de conservação elevado (espécies RELAPE), ou seja, espécies raras, endémicas, localizadas, ameaçadas ou em perigo de extinção e espécies protegidas ao abrigo da Directiva Habitats (Anexo B-II). De entre as espécies vegetais com estas características são indicadas aquelas cuja ocorrência é provável na área envolvente ao projecto (Castroviejo, et al., 1986-1996; SNPRCN, 1986 ):
• Armeria pungens (Link) Hoffmanns & Link - espécie endémica do Algarve e do SW de Portugal que ocorre nas areias litorais;
• Artemisia campestris ssp. maritima Arcangeli – espécie endémica da Europa que ocorre nas areias marítimas do litoral português;
• Biscutella vincentina Samp.; espécie endémica da Península Ibérica que ocorre no litoral algarvio sobre substratos arenosos e calcários;
• Echium gaditanum Boiss. – espécie de distribuição localizada nas areias marítimas do Barlavento e Sotavento Algarvio;
• Limonium algarvense Erben - espécie endémica do Algarve e SW de Portugal que ocorre nos sapais;
• Jonopsidium acaule (Desf.) Rchb.; espécie incluída no Anexo B-II da Directiva Habitats e endémica da região litoral da metade sul do nosso país que ocorre, normalmente sobre substratos arenosos húmidos e por vezes semi-ruderais, na bordadura de caminhos;
• Spergularia heldreichii Simon & Monnier - espécie endémica do Algarve e do SW de Portugal que ocorre nas areias litorais;
Nos levantamentos florísticos efectuados para a área de projecto, não foram identificadas quaisquer espécies RELAPE, nem qualquer espécie constante dos anexos da Directiva Habitats.
4.6.3.3. Flora e vegetação da área de estudo
A metodologia usada na análise da flora e da vegetação consiste na realização de levantamentos de campo e na identificação dos exemplares florísticos recolhidos, por meio de Floras, bem como na análise e selecção de bibliografia especializada.
A inventariação realizada no campo compreendeu o preenchimento de uma ficha de campo onde se registam as espécies encontradas e se atribui a cada uma dessas espécies um índice de abundância/dominância de acordo com a metodologia de Braun-Blanquet (Kent & Coker, 1992). Os levantamentos florísticos realizaram-se em áreas distintas que possuem diferentes tipos de vegetação.
Após a identificação de todas as espécies florísticas em laboratório, foi efectuada a descrição da vegetação existente com o auxílio do sistema fitossociológico.
O inventário demonstra a existência de espécies características da vegetação de sapal. A vegetação de sapal constitui uma biocenose sensível, que caso seja intervencionada é passível de sofrer impactes de grande significância.
A vegetação halófita ou comunidade de sapal encontra-se na envolvente imediata à área de projecto, relativamente degradada e ruderalizada, devido ao pisoteio e ao estacionamento de embarcações.
O elenco florístico é apresentado no Anexo III, onde constam para cada espécie o nome científico, o nome comum e o(s) biótopo(s) onde naturalmente ocorre.
Sapal
As espécies vegetais que compõem o sapal instalam-se em áreas de águas calmas e reduzido fluxo das marés onde se formam os bancos vasosos. Estas áreas litorais abrigadas das correntes marinhas e dos ventos oceânicos constituem zonas privilegiadas do ponto de vista ecológico.
A vegetação do sapal encontra-se organizada por faixas, correspondentes a uma zonação correlacionada com as cotas alcançadas pelas marés. Em situações ambientais favoráveis as faixas ou cinturas de vegetação sucedem-se entre si variando a sua componente florística (Figura 4.6.1).
Figura 4.6.1 – Corte tipo de um sapal climácico da região algarvia onde se identificam as diferentes cinturas de vegetação (adaptado de Cruz (1986)).
Legenda:
Na área de estudo (área de projecto e envolvente próxima) as zonas de sapal existentes não se individualizam de uma forma clara devido às intervenções que sofrem. A vegetação inventariada demonstra alguns sinais de degradação, de que é exemplo o facto de na vegetação das zonas de sapal não ocorrerem algumas das espécies indicadas na Figura 4.6.2. Outro sinal de degradação é a presença de espécies características de zonas intervencionadas, nomeadamente de bermas de estradas e de áreas pisoteadas como é o caso das gramíneas Lagurus ovatus e Piptatherum miliaceum. As comunidades ruderais surgem junto às áreas sujeitas a pressões constantes por parte dos utilizadores dos apoios de pesca e dos barcos estacionados (Fotografia 4.6.1; Vol. II).
Em áreas onde o ciclo da maré é mais curto e a vegetação é frequentemente submersa, ocorre a morraça ou Spartina maritima. Verifica-se também a presença dos taxa Sarcocornia fruticosa, Salsola vermiculata, Arthrocnemum macrostachyum e Limoniastrum monopetalum.
De acordo com a classificação fitossociológica, a vegetação composta pela gramínea vivaz Spartina maritima inclui-se na associação Spartinetum maritimae e na classe Spartinetea maritimae.
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As áreas menos influenciadas pelas marés apresentam maior diversidade florística e registam a presença de caméfitos suculentos dos géneros Sarcocornia spp., Arthrocnemum spp. e Suaeda spp..
Este tipo de vegetação enquadra -se na classe fitossociológica Sarcocornietea fruticosae da qual são caracetrísticas as espécies: Limoniastrum monopetalum, Arthrocnemum macrostachyum, Suaeda vera, Salsola vermiculata e Sarcocornia fruticosa.
Nas margens do canal em zonas arenosas onde a maré regista pouca influência e a evaporação é elevada, registou-se a presença de Halimione portulacoides, espécie extremamente resistente que se desenvolve em circulo a partir de um núcleo central a partir do qual cria uma porç ão de solo sobre as partes mortas da planta (Cruz, 1986) (Fotografia 4.6.2; Vol. II).
Nas zonas mais próximas da estrada a vegetação encontra-se ruderalizada e ocorrem espécies herbáceas pioneiras características de sítios intervencionados com alguma influência salina como a salgadeira (Atriplex halimus), o rabo-de-lebre (Lagurus ovatus) e o talha-dente (Piptatherum miliaceum).
As comunidades de sapal são sensíveis e de grande importância ecológica e conservacionista. No entanto, as áreas de sapal a afectar directamente pelo presente projecto possuem uma extensão muito reduzida e encontram-se relativamente degradadas.