I. Criação de um núcleo único que centralizasse toda a actividade piscatória da região, ou, em alternativa,
5- Material Muito Contaminado
4.9. Ordenamento do território
4.9.2. Planos de Ordenamento
4.9.2.2. Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa
O Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa e o seu respectivo Regulamento foram elaborados pelo Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, tendo obtido aprovação pelo Decreto Regulamentar n.º 2/91, de 24 de Dezembro.
O Parque Natural da Ria Formosa foi criado pelo Decreto - Lei n.º 373/87, de 9 de Dezembro, com os objectivos principais de preservação, conservação e defesa do sistema lagunar do Sotavento Algarvio, protegendo a fauna e flora específicas da região, bem como as espécies migratórias. Simultaneamente procura o uso ordenado do território e o seu desenvolvimento económico, social e cultural.
Refira-se que o presente Plano encontra-se parcialmente suspenso pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 37/2001, de 3 de Abril, numa pequena área a sul da cidade de Tavira. No entanto, esta suspensão não interfere com a área de estudo do projecto, pelo que a aplicação do Plano continua válida para a zona de intervenção.
As principais cartas constantes do Plano de Ordenamento, com relevância para a área de intervenção são as seguintes:
• Proposta de Ordenamento;
• Ocupação do Território (Jurisdições e Regulamentações; Ocupação Edificada);
• Actividades Económicas (Utilização Actual do Solo; Bivalves - Áreas de Produção; Recreio, Turismo e Desporto; Qualidade do Ambiente).
Na planta da Proposta de Ordenamento verifica-se que são coincidentes com a área de estudo as seguintes categorias de zonamento (ver Figura 4.6.1: Vol. II) :
• Na orla terrestre: Áreas urbanas de média e média a alta densidade de ocupação;
• No sistema lagunar: Zonas de reserva natural, de uso extensivo e de uso limitado.
Na faixa terrestre identificam-se as áreas urbanas correspondentes à vila da Santa Luzia (média a alta densidade de ocupação) e à zona de expansão da localidade para Norte (média densidade de ocupação).
Para estas categorias os regimes jurídicos para a construção estão estabelecidos nos artigos 3º e 4º do regulamento do Parque Natural da Ria Formosa (PNRF).
No sistema lagunar identificam-se zonas de uso extensivo dos recursos naturais, localizadas a nascente de Santa Luzia, na margem Norte do canal de navegação, não sendo permitida a construção de habitações.
Estas áreas destinam-se à exploração dos recursos marinhos com carácter extensivo, sendo permitidas somente construções de apoio às explorações de madeira, segundo modelo já aprovado pelo Parque Natural, desde que não alterem substancialmente as condições do meio. Na área de estudo estas áreas correspondem à região de sapal localizada a nascente de Santa Luzia.
As zonas de uso limitado dizem respeito à área do canal de navegação, compreendida entre Santa Luzia e a ilha de Tavira, estando proibida a instalação de qualquer tipo de construção, infra-estrutura ou equipamento. Nestas zonas húmidas são apenas permitidas actividades de pesca e apanha de espécies marinhas animais, de acordo com a legislação vigente para as referidas actividades. A área de intervenção localiza-se na sua totalidade em espaço classific ado como zona de uso limitado.
Existem também zonas de reserva natural, para Sul e para poente de Santa Luzia, que abrangem toda a largura do canal de navegação. Nestas áreas, a conservação da natureza e o desenvolvimento de projectos específicos de investigação científica constituem os objectivos primordiais, possuindo programas de gestão específicos.
Ainda no âmbito da proposta de ordenamento para a área do parque natural, mais concretamente no que diz respeito ao desenvolvimento económico do sector da pesca, foi activado um “Programa Piloto de Desincentivação da Pesca na Ria Formosa, promovendo-se em lugar desta a pesca oceânica e a pesca desportiva. Para tal está previsto no Plano de Ordenamento do Parque, o reforço das infra-estruturas necessárias, admitindo-se a dragagem do canal navegável interno ligando as duas barras fixas: Tavira e Nova, desde que as dragagens sejam executadas com os cuidados necessários à não afectação das diversas cadeias biológicas e dos viveiros.
Também neste documento está pre vista a construção de docas de pesca na zona imediatamente a nascente da povoação de Santa Luzia e em Cabanas, dadas as carências detectadas quanto a este tipo de infra-estruturas.
Relativamente à Ocupação do Território, a planta de Jurisdições e Regulamentações mostra claramente que a área de intervenção está totalmente inserida no Domínio Público Marítimo, na zona do porto de pesca, do canal de navegação e da ilha de Tavira. A área de estudo, contudo, sendo mais abrangente engloba ainda áreas identificadas nesta planta como Reserva Agrícola Nacional, a Norte de Santa Luzia. Na planta de Ocupação Edificada é possível identificar a Norte do perímetro urbano actual de Santa Luzia, mas adjacente a este, uma zona destinada ao turismo e à habitação, prevista como área de expansão no Plano Geral de Urbanização de Tavira.
A planta da utilização actual do solo classifica como área de ocupação edificada contínua toda a localidade de Santa Luzia. As regiões correspondentes à ilha de Tavira e a nascente da localidade estão catalogadas como sapais.
As principais Actividades Económicas identificadas na área de intervenção são as instalações portuárias correspondentes ao cais e instalações de apoio. Deve no entanto referir-se também que na área de estudo considerada, registam-se áreas consideradas de boa produção de bivalves e piscicultura, com viveiros de moluscicultura situados a nascente de Santa Luzia, na zona do sapal. Encontra-se igualmente neste local salinas abandonadas e algumas salinas mecanizadas. Também a agricultura tem um peso considerável nos terrenos a Norte de Santa Luzia, com culturas de sequeiro: amendoeiras, alfarrobeiras, oliveiras,
figueiras e alguma vinha. Existem igualmente algumas áreas de agricultura de regadio, como os pomares de poimoideas e citrinos.
Relativamente ao Turismo, Recreio e Deporto salientam-se na área de estudo a existência de um ancoradouro localizado na zona do cais da pesca. Em Santa Luzia regista -se ainda a existência de um pavilhão polidesportivo. No que diz respeito à Qualidade do Ambiente, há apenas a assinalar a existência de uma rede de esgotos na vila da Santa Luzia cujo dispositivo de descarga final está instalado junto do canal e a estação de tratamento na zona poente da vila.
O Plano de Ordenamento do PNRF regulamenta ainda no seu artigo 26º as dragagens e a extracção de areias. Assim, a dragagem de areias fica condicionada à elaboração, por parte das entidades competentes, de planos anuais de extracção de areias, nos quais se definem as áreas a explorar, os quantitativos a extrair, o processo de extracção e os locais de armazenamento.
Segundo o mesmo artigo, não é permitida a deposição de dragados ao longo das margens dos canais, excepto quando tal se justifique para reforço da estabilidade do cordão dunar litoral. Poderão também ser definidos locais para a deposição de dragados para a utilização por viveiristas. Enquanto não existirem planos anuais de extracção de areias, a licença para a exploração deste material será concedida pelos organismos competentes, após parecer prévio e vinculativo do Parque Natural da Ria Formosa