CAPÍTULO II – GESTÃO DO CONHECIMENTO – GC
4. FLUXO DE GC
FIRESTONE (1998, p. 3) conceitua o processo de gestão do conhecimento como a constante interação entre pessoas que objetivam integrar todos os vários agentes, componentes e atividades de gerenciamento do conhecimento em um sistema que planeja, dirige, processa e mantém uma base de conhecimento, e adita que o sistema de gerenciamento do conhecimento organizacional é influenciado fortemente pela estruturas de poder, influência e autoridade existentes nas organizações.
DEPRES & CHAUVEL (1999, p. 111), por sua vez, estabelecem as fases do processo de GC, quais sejam:
a) Mapeamento: refere-se ao levantamento da informação utilizada e produzida nos ambientes de trabalho, devendo-se atentar para a falhas nos sistemas de “radar” de informação, estabelecendo-se um equilíbrio entre divergência (abrangência de exploração) e convergência, focalização da atenção em determinado tema.
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b) Aquisição, Captura e Criação: refere-se à apropriação da informação ou combinação de elementos julgados valiosos para a organização.
c) Empacotamento: refere-se ao processo de incorporação da informação a um meio físico – papel, meio eletrônico, dispositivo de voz, multimídia e outros – sendo importante, nessa fase, os processos de codificação pelo autor (que buscará tornar significativa a informação codificada), sendo uma fase baseada na semântica e na semiótica da comunicação.
d) Armazenamento: refere-se à identificação e recuperação de protocolos associados com o armazenamento da informação.
e) Aplicação, Compartilhamento e Transferência: refere-se ao processo de comunicação social da informação por meio de: “knowledge cafés”, grupo de trabalho virtual, equipes virtuais, comunidades de prática etc.
f) Inovação, Evolução e Transformação: refere-se ao processo de modificação do ambiente, implicando no desenvolvimento de novos produtos, adaptação da ciência pura aos processos de produção.
O modelo gráfico das fases do processo é o indicado na figura 11.
Fonte: DEPRES; CHAUVEL (1999, p. 115)
Figura 11 – Fluxo de Gestão do Conhecimento
Evoluindo no processo definido, DEPRES & CHAUVEL (1999) apontam um mapa de técnicas para a realização da gestão do conhecimento, segundo níveis ontológicos, como se apresenta na figura 12.
Mapeamento
Aquisição Captura
Criação Empacotamento Armazenamento
Aplicação Compartilhamento Transferência
Inovação Evolução Transformação mapeamento
O mundo da inteligência para negócios,
percepção
O mundo da pesquisa, do desenvolvimento
e da criação
O mundo da codificação, representação
O mundo da alavancagem,
recursos intelectuais e
inovação.
O mundo das competências, das
equipes de trabalho, intranets
e compartilhamento
do conhecimento O mundo das
bases de dados dos bancos de informação, das
bases de conhecimento,
memória
Reuso
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Fonte: DEPRES; CHAUVEL (1999, p. 116)
Figura 12 – Mapa de Técnicas de Gerenciamento do Conhecimento
Observa-se que os pesquisadores centram o processo de GC mais na gestão da informação que na gestão do conhecimento propriamente dita. Em contraposição, o sítio de serviços de saúde da Universidade de Washington (LARSSON, 2001, p. 17-19) estabelece um conjunto mais amplo de atividades para a GC, com similares fases, quais sejam:
a) Aquisição do Conhecimento: compreende a identificação das competências específicas, das áreas de domínio, das melhores práticas, da obtenção de informação organizacional, além da seleção e avaliação interna (criação de estratégias de conhecimento, utilização melhor das práticas de conhecimento, treinamento de pessoal) e externa (compra ou incorporação de conhecimento externo), bem como a interpretação da “idade” da informação e da cultura organizacional;
b) Criação do Conhecimento: compreende a pesquisa e o desenvolvimento, a experimentação, a síntese, além do uso do brainstorming e de parceiros estratégicos (clientes, fornecedores);
c) Armazenamento do Conhecimento: compreende o tratamento do capital intelectual (conhecimento tácito), processos de tecnologia da informação, bases de dados, sistemas e procedimentos, educação e treinamento, pesquisas empíricas sobre
Business Intelligence
Benchmarking
DataWarehouse
Aprendizado, Competências Desenvolvimento dos Empregados
GroupWare e Equipes Virtuais
Comunidades de Prática
Inovação Sinergia Criatividade Contexto
Mapeamento
Captura Criação
Empacotamento Armazenamento
Compartilhamento Aplicação
Transformação Inovação
Organização
Grupo
Individuo
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conhecimento, ferramentas de GED, intranet, internet, e-mail, groupware, páginas amarelas, mapas de conhecimento corporativo, sistemas de compartilhamento global de conhecimento, ferramentas de avaliação e síntese da comunicação, sistemas especialistas de inteligência artificial e sistemas de gerenciamento de funções administrativas;
d) Recuperação do Conhecimento: compreende ferramentas de busca, metaconhecimento, agentes inteligentes e datamining;
e) Transferência e Utilização do Conhecimento: compreende a venda do conhecimento (tecnologia, produtos baseados em conhecimento e patentes), a relação com os clientes, a liberação de informações aos consumidores, os novos produtos e serviços e os processos automáticos de transferência de conhecimento entre empregados; e, f) Medição dos Resultados do Projeto de GC: compreende o estabelecimento e a
medição de parâmetros de avaliação do projeto de GC.
NAKANO (2002, p. 4), estudando a gestão do conhecimento em redes interempresariais, com ênfase no conhecimento tecnológico, entende a GC formada por apenas quatro processos básicos:
a) “Criação: a geração de conhecimento com atividade interna à organização;
b) Aquisição: absorção de conhecimento de fontes externas à organização;
c) Interpretação: a capacidade de transformar e modificar o conhecimento, adaptando o seu uso a cada situação particular; e,
d) Armazenamento: os processos de alimentação, manutenção e recuperação de informações dos aparatos de memória organizacional.”
De forma complementar e tratando especificamente da utilização do conhecimento, SKYRME (1997-A) considera que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) exercem papel fundamental no processo de GC, ajudando no compartilhamento do conhecimento tácito e explícito. Porém, ressalta a importância do profissional da informação no processo, principalmente no uso de recursos da internet, na condição de facilitador do acesso à informação desejada, à seleção da informação a
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ser disponibilizada, à facilidade de utilização da informação, etc. Destaca ainda o apoio das TIC no processo do conhecimento, como descrito na figura 13.
Fonte: SKYRME (1997-A, p. 9)
Figura 13 – Suporte da computação para os processos do conhecimento,
Nessa linha de raciocínio, SKYRME (1997-A, p. 10) apresenta diferentes camadas de funcionalidade para as TIC:
a) Conecções: capacidade de ligação entre pessoas a qualquer hora e em qualquer lugar, como é o caso das redes de comunicação com uso da telecomunicação móvel e computadores portáteis;
b) Comunicações: consiste da capacidade de estabelecer facilidades de comunicação como listas de discussão e reuniões virtuais;
c) Conversação: desenvolvimento de técnicas e habilidades de conversão eletrônica de extração de significado ao longo da conversação; e,
d) Colaboração: desenvolvimento de ferramentas de compartilhamento de conhecimento, com a participação de moderadores que desenvolvem novos conhecimentos a partir das contribuições recebidas.
Finalizando o tópico sobre processo de GC, vale apresentar a “Taxonomia básica para Ferramentas de Gestão do Conhecimento”, desenvolvida pelo Centro de Referência em Inteligência Empresarial da UFRJ (CRIE, 2001), que acrescenta aos processos básicos de GC os principais elementos intervenientes.
Finalizando o tópico sobre processo de GC, vale apresentar a “Taxonomia básica para Ferramentas de Gestão do Conhecimento”, desenvolvida pelo Centro de Referência em Inteligência Empresarial da UFRJ (CRIE, 2001), que acrescenta aos processos básicos de GC os principais elementos intervenientes, conforme ilustrado na figura 14.
Mineração de dados Resumo de textos Agentes Inteligentes Recuperação de Informação
Intranetes
Ambiente de Grupo (virtual) Apoio à decisão
Colaboração Base de
Conhecimento
Processos de entrada
Aquisição do Conhecimento
Processos de saída
Difusão do Conhecimento
CAPÍTULO II – GESTÃO DO CONHECIMENTO – GC- INDICADORES DE GC
Fonte: CRIE (2001, p. 1)
Figura 14 – Taxonomia Básica para Ferramentas de Gestão do Conhecimento