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FOCA-RN – Trabalho infantil e aprendizagem

4. O CONTRATO DE APRENDIZAGEM NO MUNICÍPIO DE CAICÓ

4.1. ATUAÇÃO DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO TRABALHO E EMPREGO

4.1.3. FOCA-RN – Trabalho infantil e aprendizagem

A luta contra o trabalho infantil, que se estende também à proteção do trabalho do menor, tem ligação direta com a causa da aprendizagem, uma vez que, ao serem retiradas das situações ilegais existentes, as crianças terão posteriormente na adolescência a necessidade de serem introduzidas no mercado de trabalho,

principalmente por serem, em sua maioria, provenientes de situações de vulnerabilidade social. Nesse sentido tanto o MPT, como a Secretaria Estadual de Trabalho Habitação e Assistência Social, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, algumas secretarias municipais de trabalho e assistência social, e entidades educacionais como o CIEE/RN, o SENAI, o Centro Educacional Dom Bosco e as Aldeias Infantis SOS, integram oFOCA-RN, que é o Fórum Estadual de Combate ao Trabalho da Criança e Proteção ao Trabalhador Adolescente, formando assim, como o próprio nome já sugere, uma rede de trabalho e combate à exploração do trabalho infantil e proteção do trabalho do adolescente.

O FOCA-RN é coordenado pela auditora fiscal do trabalho Marinalva Cardoso Dantas, representante da Superintendência Regional do Trabalho/RN e referência nacional na luta contra o trabalho escravo e no combate ao trabalho infantil, sendo composto por várias entidades interessadas na erradicação do trabalho infantil e na inserção do jovem no mercado de trabalho de forma digna. O fórum é pioneiro na luta contra o trabalho infantil, atuando há 26 anos como defensor da causa e integra o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, que foi criado em 1994, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tendo o mesmo objetivo do FOCA.

No dia 11 de novembro foi realizada, na sede da SERTE-RN, em Natal, a última reunião do ano de 2019 (Figura 03),contando com vários segmentos da sociedade. A reunião teve como objetivo principal o planejamento de ações para 2020, FOCAndo em ações dedicadas a uma frente de combate à exploração de crianças e adolescentes em vias públicas, e tratando também de várias outras questões, como a situação das feiras livres e a mendigagem infantil exploratória no município. Além disso, mencionou-se ainda a criação recente do Instituto FOCA, pessoa jurídica própria para gerir fundos financeiros direcionados ao combate ao trabalho infantil por meio de projetos direcionados.

Figura 03 – Equipe e participantes da última reunião do FOCA-RN de 2019.

Fonte: Arquivo Pessoal, 2019.

Dentre as discussões mais relevantes tratadas, foram mencionadas realidades alarmantes. Dentre elas foi menciona a exploração sexual do menor, que é ainda uma realidade existente no cenário estadual, como sendo uma atividade que sofreu mutação, ocorrendo em ambientes domésticos e não mais em casa de prostituição urbanas.

Ainda além dessa outra questão alarmante foi relatada, que é a situação da exploração do trabalho infantil em supermercados e nas vias públicas através da mendicância. Nessa realidade, exploradores literalmente contratam crianças como pedintes e retém seu apurado em favor próprio. Tal problemática chega a ser usada inclusive pelo tráfico de drogas. Mas a realidade ainda vai além. Existem mulheres que literalmente alugam bebês e crianças pequenas a suas mães com o objetivo de, através da sensibilização, aumentar a renda através da esmolagem.

Com relação a situação das crianças pedintes em supermercados, após a verificação de exploração por terceiros, a inspeção trabalhista tem orientado os supermercados a evitarem a venda de gêneros alimentícios a crianças sob pena de serem autuados como beneficiários da exploração infantil. Por causa disso tem surgido projetos com o intuito de financiar programas, através das redes de supermercados, que venham a dirimir essa realidade absurda. Nessa ótica, durante a reunião sugeri que a rede buscasse parcerias com a impressa e associações atléticas profissionalizantes com o objetivo de fornecer algum tipo de bolsa-esporte

desestimular ainda mais o trabalho infantil, tendo em vista a impossibilidade de inclusão em programas de aprendizagem profissional antes dos 14 anos de idade.

Foi falado ainda que a população também pode ajudar a desestimular a mendicância infantil destinando esses valores a projetos específicos de monitoramento e assistência a famílias retiradas das ruas. Todavia existe ainda uma resistência social grave quanto à compreensão da realidade obscura por trás das esmolas, e muitos combatem a própria filosofia da causa.

Faz-se necessária acima de tudo trabalhar a conscientização social através de campanhas sólidas eficazes que busquem despertar o povo para que não ajude a piorar a situação, direcionando a sua solidariedade da forma certa, não sendo reféns da engrenagem criminosa que existe por trás da realidade vista nas ruas.

Aparentemente, no município de Caicó, a realidade tende a ser a mesma. Vê-se até tarde da noite, crianças pedindo dinheiro na praça de alimentação, das quais algumas aparentam estar ligadas de alguma forma a orientações de adultos. Na cidade esse trabalho de monitoramento do trabalho infantil e da vulnerabilidade tem sido feita pelo município, através dos Centros de Referência em Atendimento Social, palas Aldeias e pelo programa Busca Ativa, da Secretaria de Educação, que visa trazer de volta para a escola menores que não estejam frequentando as aulas.

Nessa perspectiva o FOCA, por ser um fórum estadual, acaba atuando também no município de Caicó através das Aldeias Infantis SOS e do Instituto Dom Bosco, que detém cadeiras no fórum, com direito a voto e apresentação de projetos.

O presente trabalho monográfico aponta para a criação de uma rede municipal oficial própria como estratégia de combate à exploração do trabalho infantil e proteção do trabalhador menor de idade, tendo em vista a realidade de mendicância infantil, a vulnerabilidade ao consumo de drogas na adolescência e a necessidade de aumento no quantitativo de integrantes em programas de aprendizagem.

A partir das percepções feitas, visitas institucionais, conversas, participações nos eventos citados, e demais informações descritas acima, percebe-se que a SRTE-RN tem uma atuação vasta na defesa do trabalho do jovem e do adolescente no estado, através de seus auditores, coordenando projetos vultuosos que envolvem não só setores governamentais administrativos mas organizações civis e jurisdicionais, desempenhando um papel dramático na mudança da realidade norte- rio-grandense e caicoense. Tanto é que no município tem havido, após as

fiscalizações realizadas e o aumento da oferta de turmas a partir das Aldeias, um crescimento do número de aprendizes e mais empresas tem se regularizando nos últimos anos, atestando, mesmo com as dificuldades, a importância das ações da inspeção trabalhista.

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