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Fontes, Meios e Espécie de Provas

2 PROCESSO PENAL

2.3 DAS PROVAS

2.3.2 Fontes, Meios e Espécie de Provas

A apresentação de provas em juízo terão o formato documental, material ou testemunhal. O documento escrito visa trazer nos autos a declaração da existência ou não de um fato; a prova material resulta da verificação existencial do fato; enquanto a testemunhal será a manifestação pessoal de forma oral, esta mais abrangente, pois inclui, ainda, tanto a voz do perito quanto da vítima.

Fonte de prova é a expressão utilizada para denominar pessoas ou coisas que propiciam as provas, podendo ser classificadas em fontes pessoais, entre elas o ofendido, o perito, o acusado e as testemunhas; e as fontes reais são dadas pelos documentos de uma forma geral.

Para que as provas produzidas sejam introduzidas no processo, utiliza-se o instrumento chamado meios de provas, ou seja, é a atividade desenvolvida perante o juiz do caso, com o conhecimento e a participação das partes, para que o objeto da fonte de prova seja inserido formalmente no processo.

Os meios de provas podem ser lícitos e ilícitos, porém somente os lícitos serão admitidos. Os meios de provas ilícitos têm vedação expressa da CRFB, no art. 5º, inciso LVI,

“são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos” (BRASIL, 1988), e do CPP, no art. 157, que taxativamente torna “inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais” (BRASIL, 1941). A doutrina, segundo Nucci (2021, p. 236), esclarece que a proibição dos meios ilícitos abrangem ainda os “meios morais, antiéticos, atentatórios à dignidade e à liberdade da pessoa humana e aos bons costumes, bem como os contrários aos princípios gerais do direito”.

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Das espécies de provas, conceitua Nucci (2021) o corpo de delito como a existência do crime, a materialidade; exame de corpo de delito é a prova pericial da materialidade do crime;

interrogatório é o ato em que o réu ou o indiciado apresenta a sua versão dos fatos, na frente da autoridade policial ou do juiz, podendo ficar em silêncio; confissão é a admissão de culpa de forma voluntária, diante de autoridade competente em ato solene e público, e essa declaração será reduzida a termo; testemunha, pessoa compromissada com a verdade, traz o conhecimento de um fato juridicamente relevante à autoridade competente; reconhecimento de pessoas e coisas é um ato formal de identificação que possa conectar ao ato ilícito indicando a culpa;

acareação é o meio pelo qual se confrontam duas pessoas que apresentaram declarações contraditórias, objetivando extrair a verdade dos fatos; documento é a base material válida para registrar manifestação de vontade, de um fato juridicamente relevante; indício é um fato secundário que se relaciona com o fato principal, por raciocínio indutivo-dedutivo, desde que conhecido e provado; busca é o trabalho desenvolvido por agentes públicos na investigação, a fim de descobrir algo útil ao processo criminal; apreensão é o ato de tomar algo de alguém ou de algum lugar, de coisa ou pessoa, visando a prova ou preservação, seja do bem ou da pessoa.

2.3.2.1 Da Prova Oral

A prova oral é uma característica da prova testemunhal, colhida de pessoa com condições para depor, sem interesse no caso. A capacidade jurídica é irrelevante para o processo penal.

Quando prestado o depoimento, este será oral, não sendo admitido apresentar-se na forma escrita. O depoimento somente será considerado prova quando feito em juízo, garantindo a ampla defesa e o contraditório. Por existir certa complexidade na produção de prova testemunhal, o relato oral não será único e definitivo e a credibilidade das informações do caso concreto deverá ser verificada.

Será aceito somente relato limitado aos fatos e o juiz não permitirá qualquer manifestação de juízo de valor ou apreciações pessoais sobre o caso, conforme art. 213 do CPP, exceto se a narrativa for inerente ao caso (BRASIL, 1941).

O compromisso da testemunha é falar a verdade, assim, deverá prestar compromisso antes do interrogatório, na frente do juiz. Esse ato tem fundamental importância para o processo penal, ou seja, falar somente a verdade e narrar os fatos relevantes que sabe. Faltar com a verdade depois do juramento cabe o crime do art. 342 do CP de falso testemunho, e tal conduta

de “afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha [...]” tem previsão de pena de reclusão, de dois a quatro anos, mais multa (BRASIL, 1940).

O depoimento somente terá valor jurídico se respeitadas as condições de ampla defesa.

A ausência das partes no momento da coleta de depoimento, seja no escritório do Advogado, seja no gabinete do Promotor de Justiça, ou mesmo no gabinete do Juiz, inviabilizada a prova, tornando ilícita e não será admitida no processo. Nas palavras de Nucci (2021), mesmo quando o magistrado entender necessário colher algum depoimento de ofício (art. 209 do CPP), deverá designar audiência própria, com ciência tanto para acusação como para a defesa.

2.3.2.2 Da Prova Documental

A prova documental é a forma de expressar a verdade dos fatos em uma peça, seja escrita, gráfica, filme, esquemas, e-mail, carta, planilha, croquis, mídias digitais etc., isto é, que expresse pensamento ou vontade humana, que venha provar um fato ou acontecimento juridicamente relevante. Admite-se a juntada da prova documental em qualquer fase processual, com a ciência das partes, exceto quando a lei proibir, ou seja, pelo art. 479 do CPP, o qual não permite, durante um julgamento, a leitura ou exibição de documento se este não tiver sido juntado três dias úteis antes, para ciência da outra parte (BRASIL, 1941).

Tourinho Filho (2017, p. 635) reitera que documento é qualquer coisa representativa de um fato, dividido quanto à forma:

 escritos: são os documentos que tomam corpo no papel em que são escritos;

 gráficos: quando os fatos ou ideias são representados “por sinais gráficos diversos da escrita: desenhos, pinturas, cartas topográficas etc.”;

 diretos: quando o fato representado se transmite diretamente para a coisa representativa – fotografia, cinematografia, microfotografia etc. (Grifos no original)

A autenticidade é outro fator importante da prova documental, pois somente terão validade processual os documentos originais ou cópias, se conferidas com os originais, condição dada pelos art. 237 do CPP, ou, de acordo com o art. 232, parágrafo único, do CPP, também terão o mesmo valor de original se autenticadas por agente do serviço público (BRASIL, 1941).

Nesse contexto, Nucci (2021) explica ainda que não é vedada a consideração da fotocópia como documento, porém não terá o mesmo valor probatório que a original (ou autenticada) e seu valor dependerá da avaliação do juiz, podendo ser juntada aos autos livre de controvérsia, caso não tenha manifestação das partes para impugná-la.

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São admitidos no processo penal os documentos anônimos, aqueles que não têm identificação da autoria e, nestes casos, a avaliação do juiz determinará o valor da prova, que poderá ter um peso menor do que um documento nominado.

É importante destacar que o documento anônimo não será descartado, uma vez que o art. 232 do CPP menciona que qualquer forma documental que descreve um fato com relevância jurídica configura prova (BRASIL, 1941).

2.3.2.3 Da Prova Pericial

Segundo Tourinho Filho (2017), perícia é um exame executado por pessoa capacitada em determinados conhecimentos técnicos, científicos, ou experiência qualificada sobre determinados fatos, condições pessoais ou circunstâncias relevantes para o desembaraço de determinada missão, de modo a promover a comprovação ou não de um fato.

A perícia tem natureza variada, atua em áreas com o propósito de determinar a insanidade mental do acusado, faz análises laboratoriais, faz análise e determinação de instrumentos utilizados na cena do crime, além de, o mais importante, faz a atividade de perícia do corpo de delito.

O profissional que desenvolve a perícia é o Perito, o qual pode ser servidor de carreira pública, com diploma superior (art. 159 do CPP), chamado Perito oficial. No entanto, na ausência do Perito oficial, o exame pericial será realizado por dois profissionais idôneos, com curso superior, preferencialmente na área técnica em que se pretende periciar, devendo ainda prestar compromisso de bem desenvolver suas atividades (art. 159, §§ 1º e 2º), chamados de Peritos não oficiais (BRASIL, 1941).

Ambos os peritos serão remunerados, tanto o oficial pela função pública quanto o não oficial pelo órgão requerente da perícia, seja o Ministério Público, seja a Defensoria Pública, ou mesmo pelo Poder Judiciário, quando o juiz determinar por ofício. A fundamentação para o pagamento do perito não oficial está no art. 3º do CPP, que admite interpretação analógica dos princípios gerais de direito (BRASIL, 1941), aplicando assim o art. 91 do CPC (BRASIL, 2015b).

Cabe às autoridades, judiciária ou policial, e às partes a iniciativa para o pedido de perícia, que, de acordo com Tourinho Filho (2017, p. 587):

A Autoridade Policial tem, até, o dever jurídico de determinar, se for o caso, a realização de exames periciais (CPP, art. 6º, VII). A Autoridade Judiciaria não tem tal dever, possuindo, entretanto, inteira liberdade de determinar que se procedam a quaisquer exames periciais. Respeitante às partes, poderão requerê-los àquelas; mas

a autoridade deverá indeferir o pedido se a perícia não for necessária ao esclarecimento da verdade (Grifo nosso).

Quando o juízo determinar a produção de provas periciais, essa deverá vir acompanhada das perguntas (quesitos) ao perito, formulada pelo juiz e pelas partes (art. 159, § 3º, do CPP), devendo ser encaminhada antes da diligência (BRASIL, 1941). A participação dos envolvidos na produção dos quesitos é de fundamental importância para o esclarecimento da verdade como também para garantir a ampla defesa e o contraditório.

Importante destacar que na fase extrajudicial são realizados inúmeros laudos periciais, por determinação da autoridade policial, sem a participação das partes.

O primeiro trabalho de perícia no local do crime, realizada logo após o isolamento da área, com a verificação do cadáver, dos instrumentos do crime, das análises toxicológicas e da dosagem alcoólica dos envolvidos, sem a presença e participação das partes do caso, não caracteriza a violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.

Segundo Nucci (2021 p.247):

O direito à escorreita produção de provas é inafastável, mesmo reconhecendo-se que aguardar seria pior, pois os sinais deixados pelo delito poderiam desaparecer. Para compor os interesses de efetivação do laudo em curto espaço de tempo e de participação dos interessados na discussão do seu conteúdo, pode haver complementação da perícia, sob o crivo do contraditório, respeitando-se o devido processo legal.

Durante a investigação policial, o procedimento é inquisitivo, ou seja, o indiciado não é considerado parte. As provas levantadas neste momento, dada a característica única do evento, são provas são pré-constituídas e, assim, não existe a possibilidade da sua produção ocorrer durante a instrução judicial.

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