266. Jesus chama seus apóstolos acima de tudo para que “fi - cassem com ele” (Mc 3,14). Na experiência da comunhão e convivência com os outros vocacionados, os discípulos missionários formam a família de Jesus e experimentam a sua intimidade (Mt 12,49; At 2,42). Somente a efetiva e pro- funda experiência de comunidade poderá formar o pres- bítero segundo o modelo deixado por Jesus (PDV, n. 60). O sentido da vida e da missão do presbítero é determinado pela qualidade e profundidade da sua experiência de co- munhão (DAp, n. 278). A vida de comunhão, experimen- tada e exercitada no cotidiano da casa de formação, favo- recida e fomentada pela presença do formador, torna-se a fonte de alegria para toda a vida. Esta experiência deve ser
39 Congregação para a Educação Católica, Instrução Sobre os critérios de discernimento vocacional acerca das pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão ao seminário e às ordens sacras, n.5, 2005. 40 Idem, n. 5.
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aprofundada no presbitério para reavivar sempre no cora- ção do presbítero a razão de sua consagração e lhe oferecer o necessário suporte afetivo para o árduo, e muitas vezes solitário, serviço pastoral.
267. As motivações para vida comunitária devem ser renova- das constantemente. Suas raízes consistem na natureza da vocação da Igreja chamada e constituída por Deus um povo (LG, n. 9); na essência do ministério presbiteral, que somente pode ser assumido como uma missão comuni- tária (PDV, n. 17); e na comunhão com Cristo vivida em intimidade pelos seus primeiros discípulos-missionários (Mc 3,14). Dessa raiz excelente, a vida comunitária coloca o formando diante de duas realidades fundamentais na vida do presbítero:
1. a comunhão de fé com o bispo e com todo o presbitério;
2. a partilha da vida com o Povo de Deus, a quem deve estimar, acolher, servir e amar.
268. A comunidade de formação tem diante dos olhos a reali- zação daquela comunhão que é, ao mesmo tempo, sinal e fruto da comunhão com Deus Pai, no Filho, pelo Espírito (Jo 17,18-18; DP 211-216). A Pastores Dabo Vobis afi rma: “Os vários membros da comunidade do seminário, reunidos pelo Espírito numa única fraternidade, colaboram, cada qual segundo o dom que recebeu para o crescimento de todos na fé e na unidade, a fi m de se prepararem adequa- damente para o sacerdócio” (PDV, n. 60). Essa vida de co- munidade, iniciada na casa de formação, deve continuar no presbitério para dar à Igreja e ao mundo ‘exemplo lu- minoso de caridade e de unidade’ (PDV, n. 81).
Objetivos
269. Entre os objetivos a serem alcançados na formação comu- nitária no amor à Igreja o formando deve responder con- cretamente com quatro atitudes básicas:
1. estar alegremente disponível ao serviço na missão que a Igreja lhe designar;
2. fi rmar-se na certeza de que se consagra para a missão e para servir a Igreja e não para atender às necessida- des pessoais;
3. aceitar e valorizar os vários carismas dentro da comu- nidade presbiteral, contribuindo para o fortalecimen- to do apelo permanente à missão e da comunhão da Igreja particular;
4. relacionar-se com as pessoas tendo presente que a manifestação do amor para cada uma, deve signifi car o amor oblativo de Jesus, caminho para o Pai.
270. Considerando a natureza comunitária do ministério pres- biteral, enfatizada pelo Vaticano II (PO, n. 8; OT, n. 4), o formando deve cultivar a capacidade de:
1. 1. conviver e integrar-se em comunidade;
2. 2. assumir gradualmente responsabilidades e desen- volver o espírito de iniciativa;
3. 3. trabalhar em equipe sabendo dar e receber ajuda; 4. reconhecer a necessidade do outro e ser solidário; 5. valorizar o trabalho de outros e saber integrar-se neles; 6. escutar atenta e obedientemente aos formadores e ao bispo.
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Meios
271. Da experiência de vida comunitária vivida na casa de for- mação e do trabalho pastoral praticado na comunidade de fé, o formando aprofunda a sua experiência de Igreja que, enraizada no Evangelho e na celebração do Mistério do Cristo, responde ao seu chamado na solidariedade com os mais pobres anunciando o Evangelho. A conversão pas- toral pedida pela Conferência de Aparecida (DAp, n. 370) exige que a formação dos presbíteros imprima no mais profundo dos formandos a experiência da comunhão em comunidade. Tal experiência requer que o formando seja preparado para acolher a participação dos cristãos leigos e leigas na vida da comunidade e na missão evangelizadora da Igreja (DGAE, n. 175).
272. Procure-se manter, na casa de formação, um clima de confi ança e respeito mútuo, de expressão sincera de senti- mento, de participação progressiva no planejamento e na disciplina da vida comunitária (CIC, n. 239, § 3). Ajude-se a perceber a dimensão positiva dos confl itos e a procurar a solução deles no diálogo franco e aberto. A vida da comu- nidade deve preparar o formando para uma vida sacerdo- tal sustentada pelo exercício do diálogo, pelo respeito às diferenças e pelo trabalho em equipe.
273. Na aquisição e na administração do dinheiro e dos bens dis- poníveis para todos na casa de formação, o formando deve ser necessariamente co-responsável, vivendo já os primeiros aprendizados de administração dos bens da Igreja. Todos os riscos de paternalismo, acomodação, aburguesamento, bem como todo desperdício, devem ser evitados. A cada for- mando, dentro de suas possibilidades ou de sua família, seja pedida uma participação para a sua própria manutenção.
O trabalho voluntário, os serviços manuais na casa de for- mação e trabalhos durante as férias devem ser incentivados para formar o espírito de pobreza e a solidariedade com os mais pobres. Se houver algum trabalho remunerado, não deve de modo algum impedir a dedicação aos estudos, difi - cultar a convivência com a comunidade e prejudicar o pro- cesso formativo. O trabalho seja considerado como critério para a formação da vida pastoral e comuntária (2Ts 3,7-8). 274. A comunidade de formação vive a experiência de uma con-
vivência fraterna e eclesial chamada a criar laços com as famílias e comunidades de origem dos formandos, com os vizinhos e a paróquia onde se localiza, com as paróquias em que os formandos exercem a pastoral e toda a Igreja local (CIC, n. 245, § 2). As várias comunidades de formação de uma mesma cidade, região, província eclesiástica, regional da CNBB ou do país se encontrem, troquem experiências, ajudem-se mutuamente e cooperem para o enriquecimento da tradição formativa da Igreja, com a devida ajuda da OSIB. Os critérios que regem estes caminhos de abertura devem atender às circunstâncias concretas de cada realidade; ao devido equilíbrio pedagógico entre a vida interna da comu- nidade de formação e sua abertura à comunidade eclesial mais ampla e ao mundo; e à adequada articulação dentro dos vários momentos e etapas do processo formativo.
Missão dos formadores
275. Os formandos devem ainda ajudar a superar entraves graves à experiência da vida comunitária e fraterna, tais como: 1. atitudes individualistas e narcisistas;
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3. busca de promoção pessoal; 4. espírito de competição;
5. gosto pelo luxo e pela mordomia e aburguesamento. 6. espírito de crítica negativa;
7. submissão por conveniência.
276. Pelo testemunho de vida fraterna e atuação em equipe, os formadores favorecem a formação para a vida comunitá- ria. Promovam entre os formandos atitudes de respeito mútuo, corresponsabilidade, participação, disciplina co- munitária e diálogo.