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7. Formação de Professores

A carência de professores formados tem sido sempre um dos principais constrangimentos ao funcionamento normal do Sistema Educativo em Cabo Verde. Para o tornar sustentável e também para o sucesso da Reforma, a formação de professores no curso médio, é um dos seus objectivos fundamentais, agora consagrado no no BO/2010 na Constuição da Répública os artºs 7º e 9º:

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Artigo 28°

(Caracterização)

“1. O ensino médio tem a natureza profissionalizante e visa a formação de quadros médios em domínios específicos do conhecimento.

2. Às instituições de ensino médio caberá a realização de tarefas de formação e de ligação às actividades económicas do país.

3. As estruturas de ensino médio deverão Ter uma organização flexível que possibilite o ingresso de candidatos oriundos de diversas proveniências.

Em relação ao IP, os cursos de formação de Educadores de Infância e do Ensino Básico tem uma duração de 2 anos, exigindo-lhes para o ingresso nos mesmos o 10º ano de escolaridade. Possui também todo um programa de formação contínua ou em exercício que se destina aos professores que não possuem habilitação própria. É significativo o número de professores sem formação que continuam no Sistema com os quais é necessário fazer-se um trabalho intensivo no sentido de poderem estar preparados para interpretar os programas em vigor. A acrescentar a esta situação é de se apontar alguns factores que podem contribuir para que esses na sua prática lectiva tenham muitas dificuldades e não consigam ter sucesso desejado:

− Muitos professores, formados desde 1992, não se actualizaram e continuam a usar estratégias e metodologias a que sempre se habituaram e por isso estagnaram-se, acomodando-se ao que é mais fácil, sendo o modelo de aulas sempre o mesmo. As reuniões de Coordenação, conforme o testemunho de alguns coordenadores, que podiam ser momentos em que os professores trocariam as suas experiências e discutiriam estratégias e metodologias, são transformadas em reuniões em que cada um diz como cumpriu ou não o que foi programado para a semana, a partir de uma planificação trimestral;

− Um número significativo de professores na sua maioria cabo-verdianos, não tem domínio satisfatório, da LP e, no seu discurso, produzem textos com interferências e ainda alguns decalques da sua língua materna.

E se tivermos ainda em conta o estatuto da LP em Cabo Verde, onde não existe uma imersão na língua e em apenas nas salas de aulas, com o professor é que

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representam os poucos momentos em que essa língua é ouvida ou falada e a necessidade de também se aprender/ensinar nesse ciclo de ensino onde a língua não é muito usada, esse constrangimento tem consequências negativas para o ensino da LP como L2.

As aprendizagens escolares em Cabo Verde desde a primeira fase do Ensino Básico têm sido feitas a partir a LP. Convém destacar que esta língua é usada como língua oficial e de aprendizagem para crianças em cujo contexto familiar, cujo convívio do quotidiano social, ou seja, a comunidade em geral, elas não a usam.

Podemos afirmar que em Cabo Verde à entrada para o EBI, as crianças não têm competências expressivas, isto é, não falam a LM, elas possuem alguma competência receptiva, compreendem melhor, ou, menos bem, alguns padrões de comunicação em LP porque foram expostas ou observaram situações de comunicação em que a língua veicular era a LP, através de contacto directo com falantes que usam o português ou através da rádio ou televisão.

No entanto, aprender uma outra língua acarreta um conflito linguístico. No contexto cabo-verdiano há que ter este aspecto sempre presente quando se fala do processo ensino/aprendizagem, principalmente nos primeiros anos de escolarização, ou seja, o EBI. Conforme Constituição da República de Cabo Verde:

"Artº 9º

1. É língua oficial o Português.

2. O Estado promove as condições para a oficialização da língua materna Cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa.

3. Todos os cidadãos nacionais têm o dever de conhecer as línguas oficias e o direito de usá-las."

O Estado promove as condições para a oficialização da língua materna Cabo-verdiana, em paridade com a língua Portuguesa;Todos os cidadãos nacionais têm o dever de conhecer as línguas oficiais e o direito de usá-las mas o que acontece na prática é que o uso das duas línguas é diferenciado.

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A criança de 6/7 anos quando entra para a escola, em termos linguísticos, encontra um ambiente diferente. Um professor que comunica com ela numa língua diferente da sua, a LP, espera que ela entenda, esquecendo-se que alguns alunos não tiveram contacto com esta língua em casa, outros apenas tiveram através dos meios de comunicação como a televisão em filmes infantis.Mas na idade escolar, a criança já possui as regras da sua LM que adquiriu de uma forma natural e rápida. Comunica espontânea e fluentemente nela. Torna-se muito difícil aprender uma L2 e através dela organizar os conhecimentos nas diferentes áreas do saber.

Por esta razão, no processo de ensino-aprendizagem da LP há desvios, erros, inadequações, incorrecções em relação às normas do sistema da línguada LP. Esses desvios,erros e inadequações às regras do código linguístico, por parte dos alunos, têm proveniência de vária ordem e são de natureza diferente.Assim, torna-se necessário que se conheça os vários problemas que entram em jogo nesse processo, nomeadamente:

− Necessidade de se conhecer os dois sistemas linguísticos (crioulo e português) e sua inter-relação:

− Necessidade de se conhecer os problemas da linguagem verbal de ordem fonológica, morfológica, sintáctica e semântica;

− Necessidade de conhecer o processo de aquisição e evolução da língua na criança;

− Necessidade de conhecer as experiências linguísticas que os alunos possuem; − Necessidade de conhecer os factores que influenciam o comportamento verbal

dos alunos.

Nesta visão, torna-se de extrema importância que se conheça o contexto sociolinguístico antes de se implementar qualquer alteração no processo ensino – aprendizagem.

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