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Formação Docente e as Tecnologias Digitais

No documento Organizador Carlos Alberto Vasconcelos (páginas 183-187)

No contexto da formação docente, uma das coisas que não se pode perder de vista é a ligação dessa formação às tecnologias digitais, tendo em vista que estamos vivendo numa sociedade notadamente tecnológi-ca – a sociedade da informação. Essas tecnologias têm redimensionado nossas ações em todos os setores sociais, principalmente na educação. É muito difícil, nos dias de hoje, um professor trabalhar sem fazer uso das tecnologias digitais, pois elas estão em toda a parte, fazem parte de nossas vidas e estão nas mãos dos nossos alunos por meio dos seus smartphones, tablets e notebooks, cabendo a nós nos adequarmos a este

novo século e compreender que novos tempos exigem novas práticas educativas, o que requer do professor uma formação em serviço para dar conta das exigências que se impõem.

As tecnologias digitais [...] proporcionam possibilidades diversas de aprendizagem e, especificamente aos docen-tes, a experimentação de diferentes abordagens na edu-cação. Os benefícios são provenientes das experiências vividas e podem mudar o planejamento das aulas, como também a articulação e a mediação nos espaços de apren-dizado colaborativo (VIDAL; MERCADO, 2020, p. 724). Trata-se de novas possibilidades de aprendizagem para os alunos, que são da geração dessas tecnologias digitais, que fazem diversas coi-sas em seus aparelhos, sejam escolares ou de lazer, e de novas práti-cas pedagógipráti-cas por parte do docente, que precisa, em primeiro plano, compreender que essas tecnologias são uma realidade (que vieram para redimensionar os processos de ensino e de aprendizagem) e, em segun-do plano, que não pode ignorá-las, sob o risco de exercitar uma prática pedagógica desarticulada do momento atual, marcada pelo tradiciona-lismo do quadro, giz e saliva, e descompromissada com a formação do novo cidadão contemporâneo. Assim, de acordo com Vicente e Almeida (2017, p. 03), “um dos pontos significativos ao se debater a utilização das tecnologias na formação de professores é a autonomia docente”.

Nosso desafio como docentes é não nos distanciarmos, confrontarmos ou resistirmos aos recursos tecnológicos. Precisamos nos aproximar e compreender que as novas tecnologias digitais oferecem um desafio viável, visto que a aprendizagem pode acontecer em qualquer hora e qualquer lugar e de diferentes modos. Assim, a tecnologia digital pode ser uma grande aliada no processo de ensino e apren-dizagem escolar (MENDES; CHAMPAOSKI, 2017, p. 428). Estamos vivendo na cibercultura, ou seja, na cultura digital do acesso, na sociedade marcada pela produção e disseminação de conhecimento

em rede, por isso, precisamos entender como funciona essa sociedade e como interagir com ela, para não corrermos o risco de ficarmos ultra-passados em coisas básicas.

A cibercultura, tanto quanto quaisquer outros tipos de cultura, são criaturas humanas. Não há uma separação entre uma forma de cultura e o ser humano. Nós somos essas culturas. Elas moldam nossa sensibilidade e nossa mente, muito especialmente as tecnologias digitais, com-putacionais, que são tecnologias da inteligência (SAN-TAELLA, 2003, p. 30).

Assim, é necessário acompanhar as mudanças que ocorrem no con-texto social, principalmente as de cunho tecnológico, devido à veloci-dade com que elas acontecem. Não podemos ficar alheios, sob o risco de ficarmos ultrapassados no nosso ofício e de sermos desacreditados em nossa profissão. É nosso dever enquanto docentes encontrar as me-lhores formas de educar nossos alunos e, se vivemos numa sociedade conectada, precisamos pensar nossa prática contextualizada.

Precisa-se quebrar alguns paradigmas e reconhecer a necessidade de trazer a tecnologia digital para dentro da sala de aula para promover uma educação de qualidade que atenda a demanda do atual contexto que vivemos. A escola precisa assumir postura didática de comprome-timento oferecendo ao aluno diversas possibilidades de aprendizagem. De encontro com essa necessidade nos deparamos com as possibilidades que a Era Digital ofere-ce, atendendo à diversidade cultural e as necessidades de uma sociedade em constante e intensa mudança (HESS; ASSIS; VIANA, 2019, p. 120).

Nessa perspectiva, em tempos de cibercultura, é necessário propor-mos diferentes situações de aprendizagem aos nossos alunos, de modo a provocar reflexões, despertar argumentações, estimular competências e habilidades. Devemos deixar de lado qualquer prática que tenha como foco o livro didático, a repetição desmedida e a memorização. Precisa-mos deixar de ser professauros e serPrecisa-mos professores, compreendendo

que no momento atual, a educação ganha novos contornos e os alunos devem ser protagonistas de sua aprendizagem, algo possível com as tec-nologias digitais e com uma boa mediação docente (ANTUNES, 2007). A reflexão sobre a formação docente, inicial ou continua-da, é imprescindível, porque, à medida que cada educador se volta para um processo de construção, desconstrução e reconstrução de sua prática, a tendência é que ocorra uma mudança na sua prática pedagógica, qualificando o trabalho docente (MODELSKI; AZEREDO; GIRAFFA, 2018, p. 119)

O professor precisa usar a criatividade para inserir as tecnologias digitais de forma contextualizada, de modo que o aluno perceba que tais tecnologias não servem apenas para o entretenimento, mas para situa-ções diversas. “É nesse sentido de formação e utilização de forma cria-tiva que, quando incorporadas pedagogicamente à docência, as TDIC apresentam-se como elemento agregador de potencialidades significati-vas à aprendizagem” (VIDAL; MERCADO, 2020).

Um dos desafios da formação dos professores para o uso das novas tecnologias é desenvolver nos professores a ca-pacidade de perceber a potencialidade dos recursos edu-cacionais digitais. Essa concepção vai além daquela pre-dominante nos cursos de formação docente, da qual põe em evidência o treinamento para o manuseio correto do computador, deixando de lado o potencial metodológico da ferramenta. Esse foi o principal aspecto a ser apontado pelos professores no processo de formação docente: a fal-ta de aporte metodológico para a utilização dos recursos digitais no processo de ensino aprendizagem (MARTINS; MASCHIO, 2014, p. 17).

O que os autores querem evidenciar é que a formação docente em TDIC não se resume à aprendizagem do uso do computador ou de ou-tros dispositivos móveis. Não se trata do aprendizado técnico, mas de como extrair das ferramentas digitais o máximo de possibilidades possí-veis para o ensino, ou seja, os pontos fortes que elas têm para o processo

de ensino-aprendizagem, como a possibilidade de trabalho colaborati-vo, a interatividade, as possibilidades síncronas e assíncronas, o hibri-dismo, a autonomia e o protagonismo discente, etc. Talvez esse ainda seja o maior desafio do professor quando se inscreve em cursos sobre TDIC – um olhar mais aprofundado para as potencialidades das ferra-mentas digitais. Assim, de acordo com Mendes e Champaoski (2017, p. 420), “somente a formação docente para a apropriação e uso das novas tecnologias no cotidiano escolar pode mitigar a insegurança e romper as resistências dos docentes”.

No documento Organizador Carlos Alberto Vasconcelos (páginas 183-187)

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