SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.2 FORMAS DA MANIFESTAÇÃO DA UMIDADE EM EDIFICAÇÕES
A umidade que atinge uma edificação pode ter várias origens, podendo penetrar em uma parede por ascensão capilar e transferir a água existente no solo para a edificação. Ainda, pode ser proveniente da água da chuva que atinge o exterior da edificação, das condensações do vapor de água existente na parte interior dos cômodos, e da própria água utilizada na construção. São diversas as formas de manifestações de umidade que podem afetar os elementos construtivos e conhecê-las facilita a análise e o diagnóstico (GUTERRES, 2009).
As causas da umidade, conforme Henriques (2007), correspondem a conjuntos bem definidos de sintomas que podem ser detectados por simples inspeção visual, por meio de ensaios, análises in loco, ou ainda a partir de cálculos baseados em várias características dos materiais e do local. Porém, muitos destes sintomas não são específicos somente de uma determinada causa, mas sim de várias. Segundo o mesmo autor, as formas de manifestações de umidade podem ocorrer em seis diferentes grupos:
a) umidade de construção; b) umidade do terreno; c) umidade de precipitação d) umidade de condensação;
e) umidade devida a fenômenos de higrospicidade; f) umidade devido a causas fortuitas.
A umidade é uma das principais causas de manifestações patológicas em edificações, portanto, é essencial conhecer suas formas de manifestações, identificar sua origem e determinar as soluções que mais se adequam para tal.
2.2.1 Umidade de construção
A maioria dos materiais da construção civil, como é o caso de argamassas e concreto, necessitam de uma quantidade de água mínima para promover sua cura. Porém, se esta quantidade for modificada, poderá ocorrer a alteração das propriedades físicas do material e, por consequência, intervenções em seu desempenho (SILVA, 2007). Basicamente, a umidade da construção é proveniente do uso da água durante os processos de fabricação e construção, é um tipo de umidade própria de materiais porosos, conforme explica Zanoni (2015).
Este tipo de umidade pode gerar anomalias generalizadas ou localizadas, em decorrência da evaporação da água nos materiais ou simplesmente pelo fato de existência de um teor de água elevado e acima do normal no material. No caso da evaporação da água, poderão ocorrer expansões ou deslocamentos de certos materiais, e por fazer diminuir a temperatura superficial dos materiais, pode-se dar origem a condensações. Já quando houver água em excesso nos materiais, podem-se ocasionar manchas de umidade ou condensações, pois a condutibilidade térmica dos materiais varia em função do referente teor de água (HENRIQUES, 2007).
2.2.2 Umidade do terreno
A forma de implantação de uma edificação no terreno feita com técnicas construtivas impróprias ou por seu uso ser inadequado, está ligada diretamente à capacidade da água existente no solo em variável quantidade entrar em contato direto com a alvenaria. Assim, pela ação capilar, poderá subir acima do nível do solo, através da parede e gerar anomalias de pequena ou grande magnitude (GUTERRES, 2009).
Quando não há nenhum tipo de barreira capaz de impedir a ascensão capilar pela alvenaria, a migração da água poderá ocorrer, de acordo com Henriques (2007), horizontalmente ou verticalmente. Esta migração ocorrerá quando estiver envolvida pela existência de zonas das paredes em contato com a água do solo, existência de materiais com grande capilaridade nas alvenarias e a inexistência ou deficiência da posição das barreiras estanques presentes na alvenaria.
Para que ocorra umidade nas paredes de edificações provenientes do terreno, é preciso que estas estejam em contato com a água do solo, podendo se manifestar, de acordo com Guterres (2009), em várias situações: nas fundações de paredes executadas abaixo do nível do lençol freático, nas fundações de paredes executas acima do nível do lençol freático que se encontram em zonas de solos de grande capilaridade, e em terrenos com pequena permeabilidade e/ou com caídas direcionadas à edificação sem sistema de drenagem.
2.2.3 Umidade de precipitação
A chuva e o vento associados se constituem em uma ação grave para as paredes de edifícios. A precipitação, acompanhada, na maioria das vezes, pelo vento, origina a trajetória da chuva em uma componente horizontal tanto maior for a intensidade do vento. Quando pelo efeito do vento a trajetória da chuva se afasta da vertical, as paredes das edificações se sujeitam a uma ação de molhagem, constituindo um enorme fator de risco de umedecimento das faces interiores e da redução da resistência térmica de seus materiais constituintes (HENRIQUES, 2007).
Conforme apresenta Nappi (2002), a ação da água da chuva pode assumir distintos componentes sobre uma alvenaria. A penetração direta da água pode ser provocada pela energia cinética das gotas, quando houver incidência sobre as fissuras ou em juntas mal vedadas. Esta ação continuada da chuva pode, também, desenvolver uma cortina de água que
poderá escorrer e penetrar na parede por gravidade, em decorrência da sobrepressão ocasionada pelo vento ou pela ação da capilaridade dos materiais.
2.2.4 Umidade de condensação
A condensação é um fenômeno ocasionado pela produção de vapor de água proveniente da transpiração das pessoas, produzido pelo cozimento dos alimentos, pelos banhos, defeitos de calefações, falta de ventilação, e está ligado diretamente com a térmica dos materiais de construção (GEWHER, 2004). Zanoni (2015) explica que a condensação se origina do vapor da água quando se atinge a temperatura do ponto de orvalho. Quando a temperatura externa à edificação está elevada e a temperatura interna está mais baixa, ocorre a condensação. Ainda, Guterres (2009) complementa que, no Brasil, as condensações não causam grandes desconfortos ao bem-estar pessoal, entretanto, podem ocasionar muitos prejuízos no estrago de materiais da construção e nas instalações.
2.2.5 Umidade devida a fenômenos de higrospicidade
Certos materiais possuem característica higroscópica, que consiste na capacidade de absorver a umidade contida no ar. Boa parte dos materiais de construção apresenta sais solúveis incorporados em seu interior, que primeiramente não representam um fator de agressão aos componentes das paredes. Mas, se sofrerem processos de umedecimento, serão dissolvidos e migrarão ao lado da água até as superfícies, e quando ocorrer a secagem da água, irão se manifestar em forma de eflorescências e/ou criptoflorescências (GUTERRES, 2009).
As anomalias oriundas do fenômeno de higrospicidade são caracterizadas pelo surgimento de manchas de umidade em locais com grande concentração de sais, podendo estar relacionadas a degradações dos revestimentos das alvenarias. Estas manifestações podem ocorrer no período de fortes umidades relativas do ar, ou de frequentes variações do estado higrométrico, durante todo o ano (HENRIQUES, 2007).
2.2.6 Umidade devido a causas fortuitas
É muito complexo resumir todas as possíveis causas da umidade proveniente de causas fortuitas, pois há grande número de formas de manifestações. Procede especialmente de falhas de equipamentos ou defeitos de construção oriundos de acidentes ou falta de manutenção das instalações hidrossanitárias e/ou pluviais, podendo ser originárias também de coberturas mal executadas e/ou acabadas (NAPPI, 2002).