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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO

3 PROGRAMA EXPERIMENTAL

O presente trabalho é um estudo de caso e busca investigar a recuperação de fachadas expostas à ação da umidade proveniente de precipitação, a partir da utilização de revestimentos disponíveis no mercado da construção civil. Esta investigação se efetivou com a aplicação dos revestimentos em uma parede de fachada com orientação solar sul existente e degradada pela umidade. Diante disso, o desenvolvimento experimental da pesquisa foi delineado em três etapas: a primeira se constitui pela seleção e aplicação dos revestimentos, a segunda pelos ensaios tecnológicos e a terceira etapa abrange a análise de custos. O detalhamento destas etapas está demonstrado na Figura 30.

Figura 30 – Delineamento da pesquisa

D es en vol vi m en to exp er im en tal ETAPA I - Seleção e aplicação dos revestimentos Identificação da manifestação patológica Revestimentos Revestimentos de argamassa Revestimentos hidrorrepelentes Limpeza da fachada Aplicação dos revestimentos ETAPA II - Ensaios tecnológicos Ensaios laboratoriais

Permeabilidade ao vapor de água EN 1015-19 (CEN, 2004) Absorção de água por capilaridade

NBR 9779 (ABNT, 2005) Evaporação No. II.5 (RILEM, 1980) Resistência à tração na flexão e à

compressão

NBR 13279 (ABNT, 2005)

Ensaios in loco

Permeabilidade à água líquida No. II.4 (RILEM, 1980) Absorção e evaporação da água

Empírico Termografia EN 13187 (CEN, 1999) Resistência de aderência à tração

NBR 13528 (ABNT, 2010) ETAPA III - Análise

preliminar de custos

Composição de custos dos revestimentos

Para o desenvolvimento inicial da pesquisa, foi necessário identificar qual o principal agente responsável pela manifestação patológica na fachada em estudo, bem como o tipo de anomalia existente, para que fosse possível, em seguida, realizar a escolha dos revestimentos utilizados com o intuito de recuperação desta fachada, sendo posteriormente realizada a sua limpeza e aplicação dos revestimentos. Estes são os níveis correspondentes da Etapa I.

Os ensaios tecnológicos compreendem a Etapa II e são divididos em dois níveis. O primeiro abrange os ensaios laboratoriais de permeabilidade ao vapor da água, absorção da água por capilaridade, evaporação e resistência à tração na flexão e à compressão. O segundo nível é composto pela apresentação dos ensaios realizados in loco de permeabilidade à água líquida, absorção e evaporação da água, termografia e resistência de tração à aderência.

Após a seleção e aplicação dos revestimentos, foi possível realizar a composição de custos, envolvendo as variáveis de materiais e mão de obra para cada tipo de revestimento estudado. Esta composição de custos pertence à Etapa III, aliada aos resultados dos ensaios tecnológicos, permitiu apresentar quais os revestimentos que melhor se sobressaem no requisito de custo/benefício.

3.1 ETAPA I – SELEÇÃO E APLICAÇÃO DOS REVESTIMENTOS

A pesquisa desenvolvida, identificada como um estudo de caso, utilizou uma parede de fachada com orientação solar sul localizada em um edifício residencial na cidade de Santa Maria/RS, a qual se encontrava em estado de degradação pela ação da umidade. A Figura 31 indica a localização da fachada em estudo.

Na determinação de quais os tipos de tratamentos que seriam utilizados para análise de recuperação desta fachada, foi necessário, inicialmente, determinar os fatores causadores da degradação e quais os tipos de anomalias existentes, podendo, em seguida, realizar-se pesquisa de campo a partir de levantamento e seleção de revestimentos disponíveis no mercado da construção civil. Antes da aplicação dos revestimentos, foi necessário realizar a limpeza da fachada para remover as anomalias existentes. As formas pelas quais se realizaram estes processos estão detalhadas na sequência.

3.1.1 Identificação das manifestações patológicas

Para se realizar a identificação das manifestações patológicas, procedeu-se à avaliação de suas causas, seu diagnóstico e, logo após, à definição da conduta a ser seguida. Deste modo, iniciou-se pelo levantamento dos subsídios, conhecendo os materiais que foram empregados e a técnica construtiva. Isto foi realizado por meio de vistoria do local e anamnese.

A fachada em estudo se localiza em um edifício com predominância de uso residencial, e conforme dados coletados com o auxílio do proprietário, a edificação foi construída em torno do ano de 1970. O revestimento de argamassa existente da fachada foi executado nesta mesma época juntamente à construção da edificação, diretamente sobre o tijolo em uma única camada, sem o emprego de chapisco. Há indícios de que seus materiais constituintes sejam cimento, cal e areia. Sobre a camada do revestimento de argamassa, observou-se a aplicação de diversas camadas de tintas, principalmente na área inferior da fachada, aplicadas no decorrer dos anos.

As anomalias se distribuem ao longo de toda a fachada, sendo representadas por degradação biológica e destacamento da pintura, que podem ser observados na Figura 32. A degradação biológica se manifesta por meio da presença de musgos e fungos de tonalidade escura (variando entre marrom e preto). Por ser uma manifestação patológica que surgiu há muito tempo, observa-se que, primeiramente, ocorreu a manifestação patológica de sujidades, pois há aspectos de escorrimento, proporcionando o surgimento de degradação biológica combinado pela constante presença de água e variação de temperatura e umidade relativa do ar. Já os destacamentos da pintura são provocados pela perda de aderência entre a tinta e o substrato, a qual pode ter sido ocasionada pela presença da degradação biológica que acarretou a diminuição de resistência superficial, e ainda pela própria idade desta camada de revestimento.

Figura 32 – Manifestações patológicas existentes na fachada

De acordo com relato do proprietário, as manifestações patológicas começaram a surgir há muitos anos, sem precisão de quanto tempo, e vêm se agravando ao longo do

período. Por se tratar de uma fachada com orientação sul, não há a incidência solar em nenhum período do dia, dificultando a retirada de umidade em excesso provocada pela ação da precipitação que incide sobre a superfície. A umidade de condensação da água na fachada provocada pelos altos valores de umidade relativa do ar e diferenças de temperatura também facilitou o surgimento das manifestações patológicas ao longo do tempo.

Portanto, dá-se o diagnóstico da situação determinando que os principais agentes causadores das manifestações patológicas ocorreram pela umidade proveniente de precipitação, da condensação e pela falta de manutenção periódica no decorrer dos anos. Deste modo, é possível seguir para a definição da conduta, indicando qual a técnica de recuperação a ser adotada. A partir da escolha dos revestimentos que foram utilizados para o desenvolvimento desta pesquisa, determinaram-se as alternativas de intervenção, e o estudo do comportamento de cada revestimento por meio dos ensaios tecnológicos permitiu o relato de quais revestimentos melhor se enquadram na decisão da terapia, a fim de encontrar a resolução do problema.

3.1.2 Revestimentos

Após constatação de que as manifestações patológicas da fachada em estudo se originaram da presença de umidade proveniente de precipitação, condensação e principalmente pela ausência de pintura em grande parte da fachada, buscaram-se produtos disponíveis no mercado da construção civil que permitam a proteção dos paramentos externos deste tipo de agressão. Além de pesquisa de mercado, realizou-se a investigação de emprego de práticas utilizadas por construtores que visem à recuperação de fachada. Inicialmente, procedeu-se ao levantamento dos produtos, entre os quais se selecionaram aqueles que mais são empregados, ou ainda aqueles que estão surgindo com a proposta de impermeabilização e/ou recuperação de fachadas expostas à ação da umidade da chuva. Todos foram adquiridos na região da cidade de Santa Maria/RS.

Estes produtos podem ser divididos essencialmente em dois grandes grupos: revestimentos de argamassa e revestimentos hidrorrepelentes. Podem-se caracterizar como revestimentos utilizados como recuperação profunda, em que há a remoção de todo revestimento degradado, ou ainda como revestimento de recuperação superficial, em que não ocorre a remoção do revestimento degradado, utilizando apenas técnica de limpeza com intuito de retirar somente a anomalia. Ao todo foram empregados 12 revestimentos. Entre eles, 8 são revestimentos de argamassa e 4 são revestimentos hidrorrepelentes.

Verifica-se que as soluções adotadas são: substituição dos elementos e materiais afetados, e proteção contra os agentes agressivos. Ou seja, houve a substituição de todo o revestimento de argamassa existente com recuperação profunda, ou substituição da película de tinta existente se aplicando recuperação superficial, sendo que ambos os métodos irão proteger a fachada contra os agentes agressivos, porém, sem eliminá-los. Ainda, classificam- se em técnicas de recuperação curativas que irão eliminar a anomalia, mas não a causa.

3.1.2.1 Revestimentos de argamassa

Foram utilizados revestimentos de argamassa dos tipos tradicionais dosados em obra e industrializados, classificados de acordo com a NBR 9575 (ABNT, 2010) como materiais cimentícios para impermeabilização, os quais estão descritos no Quadro 6. Salienta-se que a sua composição, características e utilização são descritas com base nos catálogos técnicos do fabricante. Dentre estes revestimentos, foi selecionada uma argamassa sem componente impermeabilizante (AP-IND-RM), para servir de referência na avaliação dos demais revestimentos, tanto de argamassa quanto de hidrorrepelentes.

Quadro 6 – Discriminação dos revestimentos de argamassa

(continua) NOMENCLATURA

ADOTADA TIPO COMPOSIÇÃO CARACTERÍSTICAS UTILIZAÇÃO RECUPERAÇÃO TIPO DE

AS-PSP