O Problema do Caixeiro Viajante com Dependˆencias Temporais ´e uma variante do PCV onde se considera que o custo de cada arco depende da sua posi¸c˜ao no circuito. Em 1978, Picard e Queyranne introduziram uma formula¸c˜ao natural para o problema na qual um conjunto de vari´aveis bin´arias, zh
ij, ´e usado para indicar se o arco (i, j) est´a
na posi¸c˜ao h do circuito, para (i, j) ∈ A e h = 1, .., n. Temos, assim, definida uma vari´avel por par arco–posi¸c˜ao admiss´ıvel. Esta circunstˆancia faz com que seja poss´ı- vel usar este conjunto de vari´aveis para modelar a restri¸c˜ao ao comprimento da rota do PRVC-PU de forma impl´ıcita, atrav´es de uma escolha criteriosa do conjunto das posi¸c˜oes que associamos a cada arco. Nesta sec¸c˜ao, propomos uma formula¸c˜ao desen- volvida com base nestas ideias que mostraremos dominar a formula¸c˜ao F F Agregado+
mas n˜ao ter rela¸c˜ao de dominˆancia nem com F F Desagregado nem com F Corte.
1 2 3 4 5 6 7 1o 2 4 4 4 5 5 5 6 6 6 3 3 3 2 2 7 7 7
Nível: Nível 1 Nível 2 Nível 3
1d
Figura 3.1: Uma solu¸c˜ao do PRVC-PU para n = 7 e Q = 3 e a correspondente representa¸c˜ao num grafo expandido
´e poss´ıvel associar uma posi¸c˜ao a cada um dos v´ertices representados, se se estabele- cerem algumas conven¸c˜oes.
Consideremos, por exemplo, o dep´osito: o v´ertice 1 desempenha um papel duplo na rota, sendo simultaneamente v´ertice origem e v´ertice terminal. Para ultrapassar esta duplicidade, consideramos, no que se segue, duas c´opias do v´ertice 1: 1o, v´ertice
que associamos `a ”fun¸c˜ao”origem do v´ertice 1 e ao qual atribu´ımos a posi¸c˜ao 0 e 1d,
v´ertice que associamos `a ”fun¸c˜ao”destino do mesmo v´ertice e ao qual atribu´ımos a posi¸c˜ao 4.
Da mesma forma, atribuir posi¸c˜oes aos v´ertices em rotas incompletas requer algum cuidado (ordenar os v´ertices associados aos clientes numa rota completa ´e trivial). De facto, podemos optar por seguir a ordem de sa´ıda do dep´osito (realizando uma contagem crescente a partir de 1o, ou seja, a partir da posi¸c˜ao 0) ou a ordem de
chegada ao dep´osito (realizando uma contagem decrescente a partir de 1d, ou seja, a
partir da posi¸c˜ao 4). As duas regras tˆem vantagens e inconvenientes: se a primeira ´e mais intuitiva, a segunda permite relacionar a posi¸c˜ao de um v´ertice com o n´umero de clientes que se lhe seguem na rota.
No nosso trabalho seguimos a segunda regra. Assim, de acordo com a regra adop- tada, dizemos que os v´ertices 2, 5 e 7 est˜ao na terceira posi¸c˜ao, que os v´ertices 4 e 6 est˜ao na segunda e que o v´ertice 3 est´a na primeira. No caso geral, dizemos que um v´ertice ´e visitado na h´esima posi¸c˜ao de uma determinada rota se se lhe seguem outros Q − h clientes na mesma rota.
Estender o conceito de posi¸c˜ao ao conjunto dos arcos levanta o mesmo tipo de quest˜oes. Seguindo a linha da conven¸c˜ao anterior estabelecemos, ent˜ao, que um arco na posi¸c˜ao h ´e um arco que incide num v´ertice visitado na h´esima posi¸c˜ao, para h = 1, . . . , Q + 1.
Este conjunto de observa¸c˜oes permite entender representa¸c˜ao sobre o grafo ex- pandido da solu¸c˜ao do PRVC-PU apresentada na Figura 3.1 e, transpondo-as para o caso geral, concluir que ´e poss´ıvel representar uma solu¸c˜ao do PRVC-PU num grafo expandido, GE = (VE, AE), constru´ıdo por n´ıveis, tantos quantas as posi¸c˜oes que
cada v´ertice j ∈ V pode ocupar numa rota admiss´ıvel. Em cada n´ıvel, colocamos r´eplicas dos referidos v´ertices distribu´ıdas de acordo com as posi¸c˜oes que aqueles po- dem ocupar na rota. Resumindo, teremos 1o no n´ıvel 0, 1d no n´ıvel Q + 1 e r´eplicas
dos v´ertices associados aos clientes nos n´ıveis 1, . . . , Q. De cada uma dessas r´eplicas parte um conjunto de arcos destinados `as r´eplicas colocadas no n´ıvel seguinte, n˜ao sendo admitidos arcos entre r´eplicas do mesmo v´ertice. Para poder representar rotas incompletas inclu´ımos, tamb´em, arcos de 1o para cada uma das r´eplicas dos v´ertices
associados aos clientes.
Num grafo com estas caracter´ısticas uma rota admiss´ıvel em G pode ser represen- tada como um caminho 1o− 1d em G
E. Por outro lado, verificamos que um caminho
1o− 1d em G
E corresponde a um circuito, n˜ao necessariamente elementar, que visita
o dep´osito e que usa, no m´aximo, Q + 1 arcos no grafo original, ou seja, um caminho 1o− 1d em G
E corresponde a uma rota de comprimento n˜ao superior a Q em G. En-
t˜ao, associando vari´aveis bin´arias aos arcos de GE e escrevendo as restri¸c˜oes usuais de
da rota no grafo original. De seguida, apresentamos a referida formula¸c˜ao j´a re-escrita para o grafo original, uma vez que a transposi¸c˜ao de GE para G ´e trivial (a cada um
dos arcos de GE corresponde um e um s´o par arco-posi¸c˜ao em G, pelo que o mesmo
conjunto de vari´aveis pode ser interpretado quer em termos dos objectos de GE quer
em termos dos objectos de G).
Consideremos, ent˜ao, vari´aveis bin´arias zh
ij definidas para (i, j) ∈ A e h ∈ H(i,j),
onde H(i,j) denota o conjunto das poss´ıveis posi¸c˜oes do arco (i, j), com H(1,j) =
{1 . . . , Q}, H(j,1) = {Q + 1} e H(i,j)= {2, . . . , Q}, para (i, j) ∈ A, i, j 6= 1.
Usando aquele conjunto de vari´aveis podemos modelar (2.4) como se segue: X i∈V zijh = X i∈V0 zjih+1 j ∈ V0, 1 ≤ h ≤ Q − 1 (3.1) X i∈V zijQ= zj1Q+1 j ∈ V0 (3.2) X h∈H(i,j) zhij = xij (i, j) ∈ A (3.3) zijh ∈ {0, 1} (i, j) ∈ A, h ∈ H(i,j) (3.4)
As restri¸c˜oes (3.1) e (3.2) indicam que a um v´ertice j ∈ V0 chega um arco na po-
si¸c˜ao h se e s´o se de j parte um arco na posi¸c˜ao h + 1. As restri¸c˜oes (3.3) relacionam as vari´aveis zh
ij com as vari´aveis topol´ogicas, xij, garantindo que os arcos usados est˜ao
na solu¸c˜ao e, finalmente, as restri¸c˜oes (3.4) definem as vari´aveis zh ij.
Como j´a foi observado, o sistema (3.1), (3.2) e (3.4) garante a restri¸c˜ao ao com- primento da rota mas n˜ao ´e suficiente para garantir a sua admissibilidade, i.e. aquele conjunto de restri¸c˜oes garante um circuito com in´ıcio e fim no v´ertice 1, com, no m´aximo, Q + 1 arcos, mas n˜ao garante que esse circuito seja elementar. Essa situa- ¸c˜ao ´e resolvida na presen¸ca das restri¸c˜oes de liga¸c˜ao entre as vari´aveis zh
ij e xij e das
(2.4) de F Esquema pelo sistema (3.1) – (3.4) ´e uma formula¸c˜ao v´alida para o PRVC- PU. Designamos por Formula¸c˜ao de Picard e Queyranne Modificada (F P QM ) essa formula¸c˜ao:
F PQM : min{ X
(i,j)∈A
cijxij : (2.2), (2.3), (3.1), (3.2), (3.3), (3.4), (2.5)}
A formula¸c˜ao F P QM ´e uma formula¸c˜ao compacta com O(Qn2) vari´aveis e O(n2)
restri¸c˜oes.
As restri¸c˜oes (3.3) permitem eliminar as vari´aveis xij da formula¸c˜ao e obter um
modelo escrito apenas nas vari´aveis zh
ij. No entanto, a presen¸ca das vari´aveis xij faci-
lita a compara¸c˜ao de F P QM com outras formula¸c˜oes, pelo que usamos a formula¸c˜ao como a introduzimos.