3. Modelo Explicativo do Desempenho Logístico nas PMEs
3.2. Um modelo explicativo do desempenho logístico e organizacional nas PMEs
3.2.3. O Framework de Aramyan
Com o intuito de analisar a cadeia de abastecimento de produtos alimentares, Aramyan et al. (2007) desenvolveram um modelo conceptual que tem por base quatro categorias de indicadores, que são: a eficiência, a flexibilidade, a responsabilidade e a qualidade do produto.
Na opinião dos autores, com estes indicadores pretende-se recolher informação sobre as características especificas dessa indústria e, também, outros dados necessários para a análise do desempenho, sejam eles de caracter financeiro ou não financeiro.
Cada uma das categorias é composta por um conjunto de indicadores próprios que podem ser utilizados ao nível organizacional ou, mais amplamente, ao nível global da cadeia logística, em que cada um dos seus membros pode desenvolver um conjunto chave de indicadores comuns aos demais membros que compõem a cadeia logística.
Estes investigadores apoiaram-se em grande medida, em pesquisas anteriores de autores como Li et al. (1999), Christopher (1998) e sobretudo Van der Vorst (2000), os quais referem que a análise do desempenho logístico deverá ser desenvolvida ao longo de três níveis principais: ao nível da cadeia de fornecimento, ao nível da organização (empresa) e ao nível do processo logístico. Mencionam, ainda, o contributo de Lai et al. (2002), com o mesmo propósito de análise do desempenho da logística, que distinguem duas dimensões na análise da performance de um serviço logístico de transporte de valor acrescentado, que são: a eficácia operacional e a eficiência nas entregas aos clientes.
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Tendo por base estas dimensões, os autores identificam quatro tipos de indicadores na análise da performance logística que são: a capacidade de resposta, a fiabilidade, os custos e o capital fixo investido (ativos tangíveis). Baseados nestas linhas de investigação, Aramyan et al. (2007) teorizaram um quadro conceptual de análise do desempenho logístico, onde sugerem a divisão da análise da performance da cadeia logística coletivamente, ou da organização per si, em quatro categorias ou agrupamentos de indicadores que são:
· a Eficiência, que vai ao encontro do exposto por Lai et al.( 2002) e procura medir a forma como os recursos são utilizados, sendo composta por métricas relacionadas, como por exemplo os custos de produção ou distribuição, os custos de transação e os custos de inventário;
· a Flexibilidade, é enquadrada nas definições de Bowersox et al. (1996) e Beamon (1998) e indica o grau com que a cadeia logística responde às mudanças no meio envolvente e aos pedidos requeridos e inopinados dos seus clientes finais. Os índices de análise serão naturalmente a satisfação dos clientes, as devoluções e a perda de clientes.
· a terceira categoria do quadro conceptual designa-se por Capacidade de Resposta
que, de acordo com Persson et al. (2002), ajuda a fomentar os requisitos dos produtos num curto ciclo de tempo; e
· a Qualidade, que para os seus autores se baseava no framework de Lunning et al.
(2002) apud Aramyan et al. (2007) e representa características particulares da cadeia de fornecimento de alimentos, como prazos de validade, segurança do produto e saúde, entre outros.
De seguida, apresentam-se na tabela seguinte as principais características de cada grupo de indicadores do “framework” conceptual proposto por Aramyan et al. (2007), com base numa ampla revisão de literatura. Como já referido, as dimensões que os autores propõem são designadamente a eficiência, a flexibilidade, a capacidade de resposta e a qualidade.
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Tabela 9 - Categorias e Indicadores do Desempenho
Categoria Indicadores Definições Autores
Eficiência
· Custos
produção/custo de distribuição
Combinação de custos de matérias-primas e de pessoal/combinação de custos de distribuição, incluindo transporte e manuseamento de produto. Bowersox et al. (1996); Beamon (1998) e (1999); Gunasekaran et al. (2001); Persson et al. (2002) e Lai et al.(2002) · Custo de transação
Custo para além do preço ou gastos de produção que são incorridos em bens ou serviços comerciais.
· Resultados (lucro) Rendimento de um investimento após dedução dos gastos. · Retorno do
Investimento
Medida de rentabilidade das aplicações de capital (investimentos) da empresa.
· Inventário
Despesas de posse de stocks de matérias- primas, produtos em vias de fabrico, produtos de merchandising e produtos acabados mas não faturados.
Flexibilidade
· Satisfação do cliente Grau de satisfação do cliente em relação aos bens e/ou serviços.
Bowersox et al. (1996); Beamon (1998) e (1999); Gunasekaran et al. (2001); Persson et al. (2002) e Lai et al. (2002) · Flexibilidade de volume
Capacidade para variar o volume de produção de produtos.
· Flexibilidade de entregas/distribuição
Capacidade para alterar o planeamento das entregas.
· Pedidos pendentes Encomenda a aguardar disponibilidade de stock para entrega.
Capacidade de Resposta
· Nível de serviço Percentagem de produtos encomendados que
são enviados ao cliente. Bowersox (1996); et al. Beamon (1998) e (1999); Gunasekaran et al. (2001); Persson et al. (2002); Lai et al.(2002); Womack et al. (2002) e Berry (2006) · Atrasos nas entregas Tempo decorrido entre a entrega inicialmente
prevista e a data real da entrega. · Tempo de resposta
ao cliente
Período de tempo que decorre entre o pedido de encomenda e a entrega.
· Lead Time Tempo necessário para produzir a encomenda do cliente.
· Reclamações de clientes
Quantidade de reclamações registadas acerca dos produtos ou serviços.
· Erros de Expedição
Proporção de pedidos expedidos incorretamente em relação ao total das expedições.
Qualidade
· Qualidade do Produto
Propriedades sensoriais, vida útil, segurança e fiabilidade do produto. Beamon (1999); Lunnig et al. (2002) e Berry (2006). · Qualidade do Processo
Características do sistema de produção, aspectos ambientais e marketing.
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Convém salientar, que este quadro conceptual de investigação da performance da cadeia logística de produtos alimentares foi aplicado e validado num estudo da análise da performance da cadeia logística de produtos alimentares da Holanda para a Alemanha e, posteriormente, o presente modelo foi base de investigação do trabalho de Gellynck et al. (2008), que aborda a análise da performance da cadeia logística de produtos alimentares em três países da Europa.