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2. Revisão da Literatura: A gestão logística e a performance

2.4. Logística e gestão da cadeia de abastecimento

Tal como a logística, o conceito de Supply Chain Management é relativamente recente e surge devido à globalização dos mercados e o emergir de uma nova economia, onde as empresas deixam de ser processos relativamente fechados para se tornarem em sistemas cada vez mais abertos e complexos que interagem ao nível global, entrando-se numa nova etapa da Gestão Logística e com ela o surgimento do conceito de cadeia de abastecimento de montante a jusante.

O termo Supply Chain Management ou Gestão da Cadeia de Abastecimento foi originalmente introduzido nos anos oitenta pelos consultores Roger et al. (2004) e desde os anos 90 que os académicos o tentaram enquadrar na função logística (Cooper et al., 19976; Lambert, 1998). Sendo um termo de maior abrangência em relação à logística, rapidamente foi adotado pelos investigadores e profissionais da área, uma vez que o conceito de Supply Chain Mangement se constituía como resposta aos novos paradigmas da gestão dos negócios, como a competição entre cadeia de abastecimento (Landry, 2005).

Ao nível académico, a gestão da cadeia de abastecimento torna-se num conceito amplamente divulgado e transversal, de forma a que nos anos 90 era incomum encontrar, nas revistas especializadas da área da produção, da distribuição e dos transportes, um artigo que não abordasse o tema da cadeia logística ou área conexa (Ross, 1998).

Mentzer et al. (2001) referem que a popularidade do conceito tem numerosas razões, que vão desde os determinantes específicos que estão associados à globalização dos aprovisionamentos e da economia, até à importância crescente da concorrência através do custo e qualidade perante um ambiente de negócios instável. Como as fontes de aprovisionamento são cada vez mais internacionais, as empresas são conduzidas a melhorar a eficácia da coordenação dos fluxos de entrada e saída de produtos. Um dos elementos chave dessa coordenação é o estreitar das relações com fornecedores nas transações comerciais.

Contudo, apesar da popularidade do termo “Supply Chain Mangement” junto dos académicos e no contexto empresarial, a sua significância permanece confusa. Certos

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autores definiam a cadeia logística em termos operacionais para descrever os fluxos de materiais e produtos, outros viam-na como uma filosofia de gestão e, ainda, como um processo de gestão (Mentzer et al., 2001).

Perante a prolixidade conceptual nas áreas de investigação, que encerram as definições de Logística e “Supply Chain Mangement” (Skoett-Larsen, 1999; Larson et al., 2004; Rogers et al., 2004 e Stock et al., 2009), surgiram várias perspetivas em relação às fronteiras nocionais entre os dois conceitos. Neste capítulo destaca-se o trabalho de Larson et al. (2004), que agregaram as várias correntes nos seguintes grupos:

Os “Tradicionalists”, argumentavam que a “Supply Chain Management” era uma pequena parte da logística no exterior da empresa. Para esta corrente conceptual, a Gestão da Cadeia Logística assumia-se como um tipo especial da Logística externa ou de logística inter-organizacional, ou seja, a logística engloba a supply chain management (Stock et al., 2001).

Os “Re-labellings”, em que a sua perspetiva era simplesmente renomear o termo (logística), o que era denominado logística passava a ser designado como “supply chain management”. Alguns investigadores, como Simchi-Levi et al. (2000), referem que não conseguem distinguir o conceito de logística de supply chain management.

Num terceiro grupo encontram-se os “Unionists”, que defendem a tese de que a “supply chain management” é um conceito mais lato do que a logística e que, neste quadro conceptual, a logística é uma parte da SCM (Konezny et al., 1999).

Um quarto grupo, designado como os “Intersectionists”, alegam que a supply chain management não é parte da logística, mas uma estratégia de negócio mais ampla, tanto dentro da empresa como ao longo dos canais de distribuição (Giunipero et al.,1996).

As conclusões da pesquisa de Larson et al. (2004) apontam para a existência destes quatro clusters na definição das fronteiras entre a logística e a supply chain management, com as implicações ao nível dos docentes da área, comunidade científica e profissionais de Logística.

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Na literatura sobre esta temática encontram-se outros autores com referências mais esclarecidas no enquadramento entre a logística e a supply chain management, como Bowersox et al. (2002), que distinguiram ambos os conceitos. Para estes autores:

“…a gestão da cadeia de abastecimentos (às vezes também designada por cadeia da procura) consiste num grupo de empresas que colaboram para alavancar posicionamento estratégico e para melhorar o funcionamento. Para cada empresa envolvida, a relação da cadeia de abastecimento reflete uma escolha estratégica. A estratégia da cadeia de abastecimento é uma distribuição de canais com base na dependência reconhecida e gestão de relacionamento. As operações da cadeia de abastecimento exigem uma gestão de processos que abrangem todas as áreas funcionais dentro das empresas e ligações com clientes e parceiros comerciais através das fronteiras organizacionais.”

Ainda, na opinião dos mesmos:

“…em contraste com a gestão da cadeia de abastecimento, a logística assume-se como o trabalho necessário para mover a posição do inventário ao longo de uma cadeia de fornecimento. Como tal, a logística é um subconjunto que se desenvolve no contexto mais amplo de uma cadeia de abastecimento. A Logística é o processo que cria valor pelo tempo e disponibilidade dos produtos. É numa empresa a combinação da gestão de pedidos, stocks, transporte, armazenagem, manuseamento de materiais, embalagem integrada numa rede de distribuição.”

De acordo com esta definição, dada por investigadores de referência nesta área disciplinar, a logística pode acrescentar valor a um produto ou serviço. Esse valor pode ser acrescentado sob a forma de tempo, local e posse, sendo a logística a grande responsável por essas variáveis, relacionando-se com as funções de Marketing e Finanças.

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Naturalmente, nos tempos mais recentes, a ênfase centra-se na Gestão da Cadeia de Abastecimentos, porque alguns autores, como Guedes et al. (2010), argumentam que as empresas com graus de maturidade elevados em Logística, para continuarem a atingir melhores níveis de qualidade, tempo, custo e utilização dos ativos, é fundamental darem primazia à cadeia de abastecimento como um todo em detrimento da focalização interna. Neste capítulo, torna-se essencial uma concertação com os parceiros de negócio envolvidos na Cadeia de Abastecimento e uma maior capacidade de integração da informação e planeamento.

Perante este racional de integração das empresas em cadeias logísticas, nomeadamente das grandes empresas que podem estar presentes em mais do que uma cadeia logística, os membros do Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP, 2016) geraram uma definição que se traduz no seguinte:

“envolve o planeamento e a gestão de todas as atividades de sourcing e procurement e todas as atividades logísticas. Também inclui a coordenação e a colaboração com os parceiros dos canais que podem ser fornecedores, intermediários, prestadores de serviços logísticos ou clientes. Na essência a gestão da cadeia de abastecimento integra a gestão da oferta no interior e através das empresas”.

De salientar que tem havido alguma coincidência entre as definições da gestão da cadeia de abastecimento e logística, ou mais precisamente gestão logística (Larson et al , 2007). No entanto, correntes mais recentes reorientaram as duas definições, fazendo com que a Gestão da Cadeia de Abastecimentos se posicionasse na integração dos elementos da cadeia logística e a Logística integrasse a gestão da cadeia de abastecimentos.

Assim, das inúmeras definições destaca-se a do CSCMP (2016), apresentada anteriormente na tabela 3, que define o conceito de Logística ou Gestão Logística como uma função ao nível empresarial, envolvida em todos os níveis do planeamento e execução (estratégico, tático e operacional), integradora e coordenadora, procurando melhorar as atividades logísticas e integrar a função (logística) com as outras áreas organizacionais, ao nível comercial, produtivo, financeiro e de tecnologias de informação e comunicação (Carvalho et al., 2010).

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