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Fronteira existente entre Brasil e Paraguai

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5. ALÉM DO TEMA FRONTEIRA, UM DIAGNÓSTICO SOBRE A EXISTÊNCIA

5.1 Fronteira existente entre Brasil e Paraguai

Nos jornais presentes na fronteira entre Ponta Porã e Paraguai há grande diferença no uso que cada um faz dos gêneros jornalísticos. Enquanto o brasileiro é produzido quase que totalmente baseado no gênero informativo, o paraguaio utiliza todos os outros gêneros jornalísticos, com exceção do diversional. O gráfico a seguir mostra a distribuição dos gêneros nos dois jornais:

GRÁFICO 12 – Presença dos gêneros jornalísticos nos jornais da fronteira paraguaia

Fonte: levantamento da pesquisadora

No Jornal Regional foram analisadas 168 unidades de informação, dessas 137 (81,5%) são informativas, 24 opinativas (14,2%) e sete (4,1%) são outros. Em outros estão contidos textos que não são jornalísticos como, por exemplo, os resumos de novelas. Já no ABC Color foram encontradas 1.259 unidades de informação. Dessas, 1050 (83,3%) são informativas, 63 (5%) opinativas, 105 (8,3%) são pertencentes ao gênero serviço, 11 (0,87%) ao interpretativo e 30 (2,38%) a outros. Em outros estão presentes informes publicitários, infográficos e fotolegendas.

Por meio dos dados anteriormente expostos, podemos verificar que ambos os jornais presentes na fronteira entre Brasil e Paraguai são predominantemente informativos. O índice de textos informativos nos dois veículos é praticamente o mesmo. Todavia, o jornal paraguaio possui maior variedade de gêneros uma vez que apresenta formatos pertencentes aos gêneros de serviço, interpretativo, opinativo e informativo. O único gênero que não possui é o diversional, comumente inexplorado em jornais impressos devido à linguagem diferenciada e ao maior tempo de investigação que exige, se comparado com os demais gêneros. Além da variedade de gêneros, o impresso paraguaio apresentou maior variedade de formatos, vejamos o índice de presença dos formatos informativos nos dois veículos:

0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00%

Jornal Regional ABC Color

Gêneros Jornalísticos

Informativo Opinativo Interpretativo Utilitário Outros

GRÁFICO 13 – Presença dos formatos informativos nos jornais da fronteira paraguaia

Fonte: levantamento da pesquisadora

No jornal brasileiro 130 dos 137 textos informativos são do formato notícia, ou seja, 94,89%; os outros sete restantes são do formato nota, o que representa 5,1 % dos textos informativos. Já no jornal paraguaio, dos 1050 textos informativos, 854 (81,3%) são notícias, 177 (16,85%) são notas, nove (0,85%) são reportagens, nove são entrevistas (0,85%) e um é errata (0,09%). Com esses dados podemos verificar que ambos os jornais exploram predominantemente o formato notícia o que é mesmo característica do veículo impresso. Todavia, o jornal brasileiro não usufrui de outros formatos, ao contrário do paraguaio que embora utilize em menor porcentagem, explora todos os outros formatos pertencentes ao gênero informativo. Tal dado também é reflexo da melhor estrutura que o jornal paraguaio possui, bem como da independência de releases que ele tem, ao contrário do jornal brasileiro.

Quanto ao gênero opinativo, ocorre o mesmo que o gênero informativo, ou seja, o jornal brasileiro explora apenas três formatos pertencentes a esse gênero, enquanto que o paraguaio utiliza quase todos os formatos do gênero opinativo. Isso é o que demonstra o gráfico a seguir.

0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00%

Jornal Regional ABC Color

Formatos Informativos

Notícia Nota Reportagem Entrevista Errata

GRÁFICO 14 – Presença dos formatos opinativos nos jornais da fronteira paraguaia

Fonte: levantamento da pesquisadora

Dos nove formatos opinativos presentes na literatura brasileira, o jornal paraguaio utilizou seis e o brasileiro três. No Jornal Regional, dos 24 textos opinativos, 13 (54,16%) são coluna, seis (25%) são artigos e cinco (20,8%) são charges. Todavia esses gêneros não foram distribuídos proporcionalmente nas edições analisadas. As cinco charges, por exemplo, estão presentes em uma única edição. Já no jornal paraguaio, dos 63 textos opinativos encontrados, 18 (28,57%) são artigos, 15 (23,8%) são cartas dos leitores, oito (12,69%) são comentários, oito (12,69%) são charges, sete são editoriais (11,11%) e sete são colunas (11,11%).

Os dados acima demonstram importantes características dos perfis dos jornais analisados. O ABC Color só não apresentou os formatos crônica e resenha, todavia manteve um equilíbrio ao utilizar os outros formatos opinativos, uma vez que alguns, por característica própria, só aparecem uma vez por edição como, por exemplo, o editorial. O Jornal Regional, por sua vez, tem o perfil de não se posicionar diante à sociedade e nem de dar voz a ela. Uma vez que não apresenta nem o editorial nem a carta do leitor. É importante lembrar, conforme já explicado no capítulo dois, que o editorial é o posicionamento oficial da empresa jornalística sobre os acontecimentos atuais e que a carta do leitor é praticamente o único espaço que os leitores possuem para se manifestarem publicamente (MARQUES DE MELO, 2003). Logo, tais dados representam que o impresso abre mão de utilizar formatos que seriam de sua responsabilidade. Além disso, os formatos artigo e coluna são de responsabilidade dos autores que os escrevem, logo, eximem a responsabilidade do veículo e as charges apresentadas são todas de caráter nacional e não local.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%

Jornal Regional ABC Color

Formatos Opinativos

Artigo Coluna Charge Editorial Comentário Carta do leitor

Quanto ao interpretativo, o Jornal Regional não apresentou nenhum e o ABC Color apresentou dois; vejamos:

GRÁFICO 15 – Presença dos formatos interpretativos no jornal ABC Color

Fonte: levantamento da pesquisadora

O jornal ABC Color utilizou nos jornais analisados dois dos quatro formatos pertencentes ao gênero interpretativo. Das 11 unidades de informação pertencentes a esse gênero, sete (63,33%) são enquetes e quatro (36,36%) são cronologia. Importante mencionar que a enquete publicada é o resultado da votação feita no portal digital do impresso e todos os assuntos encontrados nesse formato são de interesse público.

Quanto ao gênero utilitário, como já dito anteriormente, o Jornal Regional não apresentou nenhum formato pertencente a este gênero e o ABC Color apresentou todos, vejamos:

GRÁFICO 16 – Presença dos formatos utilitários no jornal ABC Color

Fonte: levantamento da pesquisadora 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% ABC Color

Formatos Interpretativos

Enquete Cronologia 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% ABC Color

Formatos utilitários

Indicador Cotação Roteiro Serviço Dica Olho

Das 105 unidades de informação pertencentes ao gênero utilitário, 28 (26,66%) são serviços, 24 (22,85%) são roteiros, 17 (16,19%) são cotações, 17 (16,19%) são olhos, 16 (14,28%) são indicadores e quatro (3,8%) são dicas. Todos os olhos encontrados são unidades de informação pertencentes às entrevistas e às reportagens, os indicadores encontrados são de meteorologia e necrologia, os roteiros estão relacionados a apresentações culturais e esportivas. As cotações encontradas são sobre o valor das moedas, o valor de produtos industrializados e de agronegócios como, por exemplo, o boi e a soja.

Por fim, na categoria outros o Jornal Regional apresentou sete textos, todos eles (100%) eram de outros veículos de informação e de caráter de entretenimento, uma vez que abordavam resumos de novela. Já o ABC Color apresentou 30 textos, desses 16 (53,33%) são informes publicitários, nove (30%) são fotolegendas, ou seja, o registro de algum acontecimento por meio da fotografia – geralmente de caráter de denúncia – que gera uma pequena nota que o explica. Os outros cinco (16,66%) são infográficos, ou seja, gráficos informativos que explicam determinados acontecimentos jornalísticos. Importante lembrar que tanto o infográfico quanto a fotolegenda não fazem parte de nenhuma das taxionomias utilizadas nesta pesquisa e, por isso, foram incluídos na categoria “outros”. O gráfico a seguir sistematiza essas informações.

GRÁFICO 17 – Presença da categoria “outros” nos jornais da fronteira paraguaia

Fonte: levantamento da pesquisadora

Depois que fizemos o levantamento dos formatos presentes em cada um dos jornais impressos analisados pudemos verificar que o jornal paraguaio utiliza quase todos os formatos presentes na literatura brasileira e que a classificação paraguaia está muito aquém do que é

0% 20% 40% 60% 80% 100% 120%

Jornal Regional ABC Color

Outros

Entretenimento Informe Publicitário Fotolegenda Infográfico

desenvolvido na prática. O quadro a seguir faz um comparativo entre os formatos classificados e os desenvolvidos no dia a dia do fazer jornalístico do ABC Color.

QUADRO 9 – Comparativo entre os formatos classificados e os encontrados no Paraguai

Gênero de Jornalismo Formato por Pozzo (2007) Formatos encontrados

Informativo Notícia. Notícia, nota,reportagem,

entrevista, errata. Opinativo Editorial, artigo de fundo, suelto

(comentário), ilustrações (caricatura e charge)

Editorial,artigo,comentário, charge, coluna, carta do

leitor.

Literário História de vida Não presente

Sem espaço

Enquete, cronologia, indicador, cotação, roteiro,

serviço, dica, olho, infográfico, fotolegenda.

Fonte: levantamento da pesquisadora

Se levássemos em consideração a classificação de gêneros e formatos presentes na literatura paraguaia, todos os formatos negritados no quadro anteriormente exposto não poderiam ser catalogados, pois não teriam espaço para serem classificados. Seguindo-se a literatura brasileira de Marques de Melo (2003) apenas o infográfico e a fotolegenda não estão presentes na classificação feita pelo autor. O que chama a atenção é que se tivéssemos utilizado a literatura paraguaia para classificar os formatos presentes nos Jornal Regional, ela teria dado conta de enquadrar todos os formatos encontrados neste impresso. Logo, podemos constar que a prática jornalística do impresso analisado em Ponta Porã não dá conta de utilizar os formatos presentes na literatura de seu país e, no Paraguai, a literatura não dá conta dos formatos desenvolvidos na dia a dia pelo jornal ABC Color. Passemos, agora, ao diagnóstico dos gêneros e formatos presentes na fronteira entre o Brasil e Bolívia.

5.2 Fronteira entre Brasil e Bolívia

No Jornal o Diário Corumbaense foram encontrados 73 textos e 84 unidades de informação, o que significa que em todo o jornal foram encontrados 11 formatos que

completavam os textos expostos. A maior parte desses formatos complementares é pertencente ao gênero utilitário. Já no Jornal La Estrella, encontramos 263 textos e 266 unidades de informação, o que significa que apenas três formatos complementares foram utilizados nos sete jornais que compuseram a semana construída desta pesquisa. A seguir, temos o gráfico que demonstra a presença dos gêneros em cada um dos jornais.

GRÁFICO 18 – Presença dos gêneros jornalísticos nos jornais da fronteira boliviana

Fonte: levantamento da pesquisadora

Pelo gráfico, podemos perceber que ambos os impressos tiveram o maior índice de textos pertencente ao gênero informativo. Os outros gêneros encontrados foram o Opinativo, o Utilitário e o Interpretativo. Em nenhum dos veículos foi possível encontrar o gênero Diversional.

No Diário Corumbaense, 71,42%, ou seja, 60 das 84 unidades de informação pertencem ao gênero informativo. Já quanto ao gênero opinativo, a presença é de 9,52%, oito textos; e quanto ao utilitário é de 14,28%, 12 unidades de informação. Em “outros” foram encontradas três unidades, ou seja, 3,57%. Todas as unidades pertencentes a categorias “outros” do Diário Corumbaense são infográficos.

Já no La Estrella, 93,23% dos textos são do gênero informativo, ou seja, 248 das 266 unidades encontradas. Quanto ao gênero opinativo, a presença é de 5,25%, 14 textos. Por fim, quanto ao gênero utilitário, 1,12% das unidades de informação encontradas pertenceram a ele, ou seja, três unidades. Em “outros” foi encontrada uma unidade de informação, ou seja, 0,37%, a qual é uma fotolegenda.

Quanto aos formatos do gênero informativo, o gráfico a seguir demonstra a distribuição dos textos nos formatos jornalísticos segundo os critérios estabelecidos por Marques de Melo (2010). 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00%

Diário Corumbaense La Estrella

Gêneros Jornalísticos

Informativo Opinativo Utilitário Interpretativo Outros

GRÁFICO 19 – Presença dos formatos informativos nos jornais da fronteira boliviana

Fonte: levantamento da pesquisadora

No impresso La Estrella foram encontradas 195 notícias (78,62%), 49 notas (19,75%), três reportagens (1,20%) e uma entrevista (0,40%). Já no Diário Corumbaense, a presença foi de 45 notícias (75%), 13 notas (21,66%) e duas entrevistas (3,33%). Verificamos que além do predomínio do gênero informativo, os dois veículos também tiveram a preponderância do formato notícia.

Já do gênero opinativo, dos oito formatos pertencentes a este gênero e presentes na literatura brasileira apenas dois foram encontrados no jornal boliviano e três no brasileiro. Observemos:

GRÁFICO 20 – Presença dos formatos opinativos nos jornais da fronteira boliviana

Fonte: levantamento da pesquisadora 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00%

Diário Corumbaense La Estrella

Formatos Informativos

Notícia Nota Entrevista Reportagem 0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00% 5,00%

Diário Corumbaense La Estrella

Formatos opinativos

Artigo Editorial Coluna

Dos oito textos opinativos presentes no Diário Corumbaense, três (37,5%) são artigos, três (37,5%) são colunas e dois são editoriais (25%). Já no La Estrella, dos 14 textos opinativos encontrados sete (50%) são artigos e sete (50%) são editoriais. Proporcionalmente, o jornal brasileiro apresenta mais textos opinativos do que o boliviano, uma vez que possui menos unidades de informação. Todavia, o veículo boliviano possui maior equilíbrio quanto à distribuição dos formatos opinativos, uma vez que todos os dias a edição impressa apresenta um editorial e um artigo, enquanto que no jornal brasileiro o aparecimento dos formatos opinativos é esporádico. Por exemplo, das cinco edições analisadas do Diário Corumbaense apenas três apresentam editoriais.

Como já dito anteriormente, o La Estrella não apresentou nenhum formato do gênero interpretativo e o Diário Corumbaense apresentou um, a enquete. Dos formatos pertencentes ao gênero utilitário, foram encontrados no jornal brasileiro, o indicador e o serviço e, no jornal boliviano, o olho e o serviço. No Diário Corumbaense das 12 unidades utilitárias encontradas, duas (16,66%) são do formato roteiro, cinco (41,66%) são do formato indicador e cinco (41,66%) são do formato serviço. Já no La Estrella, um (33,33%) é do formato serviço e dois (66,66%) são do formato olho, os quais compunham uma entrevista. Vejamos:

GRÁFICO 21 – Presença dos formatos utilitários nos jornais da fronteira boliviana

Fonte: levantamento da pesquisadora

Dos formatos utilitários encontrados no jornal brasileiro, todos os indicadores dizem respeito ao nível do rio paraguaio e à previsão meteorológica e todos os serviços abordam sobre o plantão de farmácia do município. Os formatos utilitários, embora tenham tido maior presença que os opinativos, apareceram de forma tímida acompanhando, em sua maioria, os formatos informativos. Dos 12 formatos utilitários do jornal corumbaense apenas dois

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00%

Diário Corumbaense La Estrella

Formatos Utilitários

Indicador Serviço Olho Roteiro

apareceram de forma autônoma, já dos três presentes no La Estrella, todos estavam dando suporte a outros formatos informativos como a reportagem, por meio do olho, e a notícia, através do serviço.

Na categoria outros, o jornal brasileiro apresentou três textos e o boliviano apresentou um, vejamos:

GRÁFICO 22 – Presença da categoria “outros” nos jornais da fronteira boliviana

Fonte: levantamento da pesquisadora

Dos três textos presentes em “outros” no jornal brasileiro, todos (100%) são infográficos, Já no jornal boliviano o único texto que teve que ser enquadrado na categoria outros é uma fotolegenda.

Ambos os veículos demonstraram-se predominantemente informativos. Além disso, nos dois jornais a maior parte do conteúdo do gênero informativo se fez presente por meio do formato notícia. Por fim, ambos os jornais demonstraram-se pouco opinativos, não mais que 10% desses jornais foram dedicados à opinião, o que significa que esses veículos não se posicionam ante a comunidade em que estão inseridos.

Se para a análise dos gêneros bolivianos tivéssemos utilizado a classificação encontrada no próprio país, ou seja, a de Rivadeneira Prada (1977), descrita no capítulo dois desta pesquisa, teríamos o seguinte quadro:

0% 20% 40% 60% 80% 100% 120%

Diário Corumbaense La Estrella

Outros

Infográficos Fotolegenda

QUADRO 10 – Comparativo entre os formatos classificados e os encontrados na Bolívia Gênero de Jornalismo Formato por Rivadeneira Prada Formatos encontrados

Informativo Notícia, nota, nota de redação, entrevista, crônica e comentário.

Notícia, nota, reportagem, entrevista.

Opinativo Editorial, crítica e campanha de imprensa

Editorial e artigo.

Entretenimento Caricatura, nota policial, nota esportiva, nota de sociedade e

sensacionalismo.

Não consideramos

Sem espaço Olho, serviço e fotolegenda

Fonte: levantamento da pesquisadora

Primeiro é preciso expor que não consideramos a categoria Entretenimento de Prada (1977) por não conseguirmos encontrar explicação do autor que diferencie a nota de entretenimento da nota informativa e da nota de sociedade e por não ter havido a presença de nenhuma caricatura. Comparando as duas últimas colunas do quadro acima, se tivéssemos seguido a classificação desse autor não haveria espaço para computar os formatos que na tabela encontram-se negritados, ou seja, reportagem, artigo, olho e serviço. Agora, passemos ao diagnóstico conjunto sobre a presença dos gêneros e formatos nas duas fronteiras aqui estudadas.

5.3 Diagnóstico conjunto sobre a presença dos gêneros nos jornais fronteiriços

Nos quatro impressos analisados notamos que há uma padronização nos gêneros e nos formatos utilizados. Primeiramente, todos os veículos mostraram-se predominantemente informativos, bem como nenhum apresentou o gênero diversional. É possível notar que há uma tendência à padronização dos veículos jornalísticos, esses têm adquirido um caráter transnacional. Para isso, é necessário que haja uma padronização na produção jornalística. Essa tendência foi exposta no capítulo dois deste trabalho quando mencionamos que as pesquisas feitas sobre os gêneros encontraram os mesmo tipos independentemente do país estudado.

Todavia, as particularidades culturais encontradas nos jornais existem e estão na escolha do formato utilizado. se os gêneros são determinados pelo ‘estilo’ e se este depende da relação dialógica que o jornalista deve manter com o seu público, aprendendo seus modos de expressão (linguagem)

e suas expectativas (temáticas), é evidente que a sua classificação restringe- se a universos culturais delimitados. Por mais que as instituições jornalísticas assumam hoje uma dimensão transnacional em sua estrutura operativa, permanecem, contudo, as especificidades nacionais ou regionais que ordenam o processo de recodificação das mensagens importadas (MARQUES DE MELO, 2003, p.44).

No impresso paraguaio, por exemplo, todas as edições apresentaram o indicador necrologia, o que já não aparece nos outros impressos analisados. Tal fato acontece devido à forte relação cultural que o país tem com a questão da morte.

Os formatos também são utilizados conforme a necessidade da comunidade em que estão inseridos. Em Corumbá, por exemplo, as farmácias alternam o plantão, não há uma que funcione todos os dias por 24 horas. Esta situação faz com que o jornal da cidade publique cada dia a farmácia que estará de plantão. Este serviço, já não se faz necessário, por exemplo, nos impressos de circulação nacional ou mesmo no de Ponta Porã, onde há farmácias 24 horas.

Um ponto importante a ser mencionado é que os gêneros jornalísticos correspondem também às funções que a imprensa pode exercer ante a sociedade, conforme teorizado no capítulo um deste trabalho, especialmente, por meio da teoria funcionalista. Os dois impressos brasileiros utilizam predominantemente os gêneros hegemônicos, ou seja, o opinativo e o informativo. O paraguaio, embora também seja predominantemente informativo é o único que mais se diferencia no uso de quatro dos cinco gêneros jornalísticos utilizados e de quase todos os formatos categorizados por Marques de Melo (2010).

Outra questão a ser exposta é a de que ao analisarmos o material empírico encontramos no jornal paraguaio um exemplo de um formato que exemplifica nosso posicionamento teórico sobre o hibridismo feito no primeiro capítulo deste trabalho. Vejamos a imagem a seguir:

Imagem 5 – Coluna e charge presente no jornal ABC Color

Fonte: Conteúdo Jornal ABC Color e imagem autoria própria

A imagem anteriormente exposta poderia ter sido categorizada como híbrida para os teóricos que adotam essa linha, pois é montada de coluna, charge e coluna. Todavia, no nosso posicionamento teórico cremos que o leitor diferencia os formatos acima em duas leituras, a da coluna e a da charge, sendo que ambos, juntos, não formam outro formato.

Outro ponto a ser destacado é que das 1777 unidades de informação analisadas - excluindo-se às presentes na categoria “outros” que já foram explicadas no decorrer deste capítulo - apenas uma não correspondia às estruturas já conhecidas pela literatura brasileira. Observemos a imagem a seguir.

Imagem 6 – Página opinativa do jornal Diário Corumbaense

Fonte: Conteúdo jornal Diário Corumbaense e imagem autoria própria

A imagem anterior é do jornal Diário Corumbaense, o qual abaixo do editorial apresentou um texto nomeado por “Detalhe”. Todavia esse texto não apresenta características compatíveis com os formatos classificados por Marques de Melo. O formato em questão é semelhante à coluna, pelo caráter opinativo e pela estrutura fragmentada que possui, todavia não é assinada e nem fixa, não podendo assim ser caracterizada por coluna.

Exposta a presença dos gêneros e formatos nos quatro jornais analisados, passemos, agora, à terceira etapa a que nos propusemos realizar: a compreensão sobre a produção desses gêneros na fronteira e um pequeno esclarecimento sobre a recepção deles.

CAP VI – OS GÊNEROS PELA ÓTICA DOS SUJEITOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO COMUNICACIONAL DAS FRONTEIRAS

Após compreendermos como se dá a presença dos gêneros e formatos jornalísticos nos quatro jornais impressos analisados, propusemo-nos a verificar um pouco do cenário da produção e da recepção desses veículos jornalísticos. O objetivo de agregar a entrevista a esta pesquisa é o de permitir percebermos a maneira pela qual os conteúdos jornalísticos da mídia impressa são elaborados e recebidos. Para isso, entrevistamos jornalistas e leitores dos quatro jornais, escolhidos por conveniência. Aqueles que se propuseram a colaborar com a pesquisa foram ouvidos, logo, não houve critério de seleção. As entrevistas com os jornalistas foi semiestruturada e o roteiro de investigação encontra-se no apêndice A deste trabalho. Já as entrevistas com os leitores foram do tipo aberta, ou seja, sem nenhuma questão pré-definida. Importante mencionar que para esta etapa da pesquisa obtivemos a aprovação do Comitê de Ética da Universidade Metodista de São Paulo, sob o parecer de número 270.716. Portanto, seguindo-se os critérios éticos estabelecidos, todas as entrevistas realizadas são mantidas no anonimato. Passemos, agora, a compreensão da produção dos jornais na fronteira de Ponta Porã e Pedro Juan.

Por meio dos relatos é possível entender alguns pontos que ficaram latentes na pesquisa, como a pouca variedade de gêneros nos jornais locais, a utilização de releases, a

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