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LIPÍDIOS TOTAIS

5.2 As práticas alimentares das famílias

5.2.1 O consumo alimentar das famílias

5.2.1.2 Frutas e sucos naturais, legumes e verduras

Para esta categoria o guia alimentar contempla os produtos alimentares ricos em vitaminas, minerais e fibras.

Para esse grupo é indicado no guia o consumo diário de legumes e verduras de pelo menos 3 vezes ao dia como parte das refeições e 3 vezes ou mais de frutas nas sobremesas e lanches.

Desse grupo alimentar os produtos que tiveram uma freqüência maior de consumo diário referido foram o alface, as frutas e os sucos naturais. O alho e a cebola também se destacaram no consumo diário na forma de temperos. Dentre as demais hortaliças o brócolis, a couve-flor, a escarola, o pepino, o repolho e a vagem foram as mais citadas para uma freqüência de consumo de 2 a 4 vezes por semana, na época de produção. As famílias que produzem a berinjela e a rúcula visam essencialmente a comercialização, pois mencionaram que quase não as utilizam para o auto-consumo.

Quando indagadas sobre o porquê não consomem a berinjela e a rúcula, as respostas destacaram que “ninguém da família gosta” e/ou por que não sabem preparar. Em relação à berinjela outro comentário manifestado foi “ela é esquisita

prá corta, parece uma borracha” e quanto a rúcula expressaram: “rúcula não tem gosto”. O gosto nessa fala parece estar mais relacionado ao sabor da rúcula que não é atraente para eles.

Certeau et al. (2002) destaca que toda prática alimentar depende em linha direta de uma rede de pulsões (de atração e de repulsa) quanto aos odores, cores, sabores, formas e consistência. Considera ainda que esta rede é tão fortemente culturalizada quanto as representações da saúde e da boa educação à mesa e , portanto é historicizada. Certeau et al. (p. 251 - 252) expõe que

no final das exclusões e das escolhas, o alimento escolhido, permitido e preferido é o lugar do empilhamento silencioso de toda uma estratificação de ordens e contra-ordens que dependem ao mesmo tempo de uma etno-história, de uma biografia de uma climatologia e de uma economia regional, de uma invenção cultural e de uma experiência pessoal. Sua escolha depende de uma soma de fatores positivos e negativos, fatores por sua vez dependentes das determinações objetivas do tempo e do lugar, da diversidade criadora dos grupos humanos e das pessoas, da contingência indecifrável de micro-histórias.

A falta de afinidade pela berinjela e a rúcula por este grupo revela um forte componente cultural, pois estes alimentos não fazem parte da história da sua origem cultural e social, e, portanto não estão impressos na sua memória. Certeau refere que nos comportamentos alimentares e nas suas variações de pessoa à pessoa, se superpõem histórias e memórias que juntas inspiram hábitos, costumes e preferências.

O fato de produzir a berinjela e a rúcula essencialmente para a comercialização demonstra que a atividade agrícola desenvolvida por estas famílias segue uma demanda comercial e que nem sempre conciliam a produção para a venda com o auto-consumo.

Os sucos naturais de hábito comum são o de limão ou de maracujá quando é época.

Desse grupo alimentar a maioria dos produtos são produzidos nas propriedades, apenas as frutas como a banana e a maçã são convencionais e compradas em supermercados.

Tabela 7 - Freqüência do consumo de frutas e sucos naturais, legumes e verduras, agricultores ecológicos*, Rio Branco do Sul/RMC, 2006

Freqüência do Consumo

**= salsa, cebola e cebolinha são usados quase que diariamente por todos, como tempero.

Em relação à composição das refeições, os produtos deste grupo alimentar foram citados fundamentalmente no almoço e no jantar e representados pelas hortaliças e legumes, sendo que nas famílias onde as entrevistadas enfatizaram que estes alimentos não podem faltar na mesa, disseram que costumam preparar sempre dois a três tipos de saladas cruas e um refogado de legumes, buscando sempre satisfazer os gostos de quem come.

Embora no inquérito de freqüência alimentar tenha sido mencionado o consumo diário de frutas e sucos naturais pela maioria dos entrevistados, ao relatar de forma espontânea o que as famílias comem nas refeições as frutas não foram citadas em nenhuma refeição e os sucos foram citados apenas por três entrevistadas no jantar.

Após serem indagados sobre o que suas famílias costumam comer entre as refeições, apenas oito responderam que às vezes comem uma fruta.

Ao verificar o número de produtos que constam na lista dos legumes e hortaliças (18 produtos), desconsiderando o alho e a cebola, observa-se na tabela 4, que apenas oito são os mais consumidos, e dentre estes o pepino, o brócolis, a couve-flor e a vagem são de época. Assim, observa-se uma baixa variação no consumo destes produtos, mesmo sendo produzidos pelos agricultores.

Quanto à composição das refeições verifica-se que provavelmente a freqüência diária de consumo de legumes e hortaliças é contemplado pelas famílias, com exceção daquelas onde foi mencionado que nem todos os componentes familiares costumam comer estes alimentos. No entanto, o consumo de frutas provavelmente é suprido apenas na família que mantém uma prática vegetariana onde a entrevistada 10 enfatizou o consumo intenso de frutas ao longo do dia cotidianamente por todos.

5.2.1.3 - Feijões e outros alimentos vegetais ricos em proteínas

Nessa categoria estão incluídas as leguminosas como os feijões e as oleaginosas como as castanhas e sementes.

Tabela 8 - Freqüência do Consumo de Feijão e Amendoim, Agricultores Ecológicos*, Rio Branco do Sul/RMC, 2006

Freqüência do Consumo

Desse grupo alimentar o feijão preto e o carioquinha são a leguminosa essencialmente consumida por todas as famílias diariamente. O amendoim também aparece neste grupo, mas com um consumo pouco expressivo, sendo que as famílias que tem um ou outro componente familiar que gosta de amendoim produzem este alimento apenas para consumo doméstico.

As leguminosas como soja, grão de bico, ervilha, lentilha e fava, sugeridas pelo guia alimentar do Ministério da Saúde para promover a variação no consumo desse grupo, não fazem parte do hábito das famílias estudadas, pois não foram mencionadas.

Embora o feijão seja consumido por todas as famílias diariamente nem todas o produzem. Oito das vinte famílias estudadas mencionaram que compram o feijão que consomem, em supermercado, sendo este convencional.

As famílias não apresentaram uma diversidade no consumo de leguminosas.

No entanto o consumo de feijão com arroz é praticado no almoço por todas as famílias e em treze das famílias estudadas o feijão também faz parte do cardápio do jantar, seja na sopa, seja combinado com o arroz ou ainda com chicória. Desta forma, como o guia alimentar recomenda um consumo diário de feijão uma vez por dia, algumas famílias o consomem com uma freqüência maior do que a recomendada, aspecto esse que pode ser considerado positivo frente às orientações traçadas pelo guia.