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5. AS EMPRESAS DE SOFTWARE E SUA CAPACIDADE TECNOLÓGICA:

6.1. FUNÇÃO ENGENHARIA DE SOFTWARE E INTERNACIONALIZAÇÃO

A capacidade tecnológica foi definida nesse trabalho como sendo a habilidade da

empresa em promover aprimoramentos internos nas diferentes funções tecnológicas, como

colocou Figueiredo (2003). Porém, pode-se ainda dizer que a capacidade tecnológica está

relacionada ao acúmulo de conhecimento e experiência que possibilita a empresa adquirir e

desenvolver novas tecnologias para o alcance de vantagem competitiva (HOBDAY; RUSH,

2007).

Destaca-se também a relação com o conceito de internacionalização como o processo

em que as empresas gradualmente aumentam seu envolvimento internacional (JOHANSON;

VAHLNE, 1977; WELCH; LUOSTARINE, 1988). E que é, segundo Zander (2002), através

de uma expansão internacional que a empresa aumenta o comprometimento gradativo com o

mercado externo, acumulando experiências.

Assim, é importante observar a partir do Quadro 26 os níveis de capacidade

tecnológica alcançado pelas empresas. É possível notar a empresa do Caso A, que não tem

experiência com o mercado externo, passando entre os dois níveis primários de capacidade

tecnológica na função engenharia de software. Observa-se nessa empresa que ela está muito

de software de forma irregular, enquanto que as empresa dos Casos B e C fazem um melhor

uso dessas ferramentas, integrando a seus processos todos os dias e em todos os casos.

Ao analisar o caso relacionando com a internacionalização, percebe-se que pelo fato

das empresas B e C atuarem internacionalmente, há maior exigência de um aprimoramento e

uma melhor utilização das ferramentas de engenharia de software. E isso ocorre também com

a execução de práticas para garantia da qualidade do produto.

Existe também uma diferença na utilização dessas ferramentas que colocam a empresa

do Caso C um nível mais avançado que as demais; o fato dela desenvolver ferramentas

próprias de engenharia de sofwtare, o que nos mostra um nível mais avançado de

disponibilidade de pessoal e de experiência acumulada para o desenvolvimento dessas

ferramentas.

O fato é que, a empresa do caso A afirma que as atividades e trabalhos vão

acontecendo na empresa e que ela não tem muito tempo para fazer uso das ferramentas de

maneira formal e organizada. Enquanto nas outras empresas existe uma cultura e uma

estrutura organizacional que se adéqua a essa utilização e que gira em torno de tornar

processos mais automatizados e formalizados.

Assim, pode-se observar no Quadro 26 a comparação das principais características

dessa função tecnológica entre as empresas.

Caso A Caso B Caso C

Grau de Internacionalização

Pré-envolvimento:

Foco no mercado doméstico Envolvimento Passivo/Ativo Envolvimento Comprometido

Níveis de Capacidade Tecnológica

Rotineiro

Utilização de ferramentas e práticas de forma irregular. Formalização incipiente das

práticas de engenharia de

software.

Intermediário

Utilização de ferramentas de terceiros. Mas alterna-se com pouca utilização de ferramentas

próprias.

Melhor utilização das ferramentas de engenharia de software; Somente utilização de ferramentas

desenvolvidas por terceiros.

Inovador

Integração de ferramentas e práticas.

Criação e controle de versões automatizadas.

Utilização de ferramentas e práticas de forma integrada. Algumas desenvolvidas por terceiros e algumas próprias.

Busca de melhoria continua dos seus processos. Integração com ferramentas

de outras áreas. Quadro 26 - Matriz comparativa entre as empresas na função tecnológica engenharia de software e grau de internacionalização

A partir da Figura 14, tem-se uma noção gráfica de onde se localizam as empresas

com relação ao nível de capacidade tecnológica nessa função. Percebe-se o fato da empresa A

ainda está localizada no nível rotineiro de capacidade tecnológica.

Como coloca Figueiredo (2003), as capacidades do nível rotineiro são capacidades

necessárias para fazer uso das tecnologias, conhecimentos e arranjos organizacionais, sem o

poder de modificar tecnologias e melhorar produtos e processos da organização da produção.

É nesse sentido que se encontra a empresa do caso A. Percebe-se uma tentativa de avanço

dessa empresa para outros níveis, porém ainda de forma incipiente e irregular.

A empresa do caso B, observado na Figura 14, está nos níveis intermediários e

inovador dessa função tecnológica. Lall (1992) afirma que no nível intermediário a empresa

busca por novas fontes de tecnologias, por pessoal mais capacitado e por melhorar a qualidade

dos seus produtos, fato observado com relação à empresa B.

Já a empresa C se encontra totalmente no nível inovador dessa função tecnológica.

Nesse nível a empresa busca por inovações em produtos na própria empresa com realização

de pesquisa básica para produtos e processos (LALL, 1992).

Figura 14 - Comparativo nível de capacidade tecnológica Função engenharia de software Fonte: dados da pesquisa

Dessa forma, percebe-se que a empresa que possui um envolvimento comprometido

com o mercado internacional, no caso a empresa C, está em um nível de capacidade

tecnológica para a função engenharia de software totalmente inovador em relação às outras

A empresa sem nenhum tipo de relação com o mercado internacional está mais voltada

a uma rotinização da utilização de ferramentas e práticas de engenharia de software. Aqui se

coloca o fato do pouco contato com novas tecnologias e conhecimento externos aos que a

empresa normalmente encontra no mercado nacional, e dessa forma, as exigências e pressões

competitivas pelas quais ela passa são diferentes daquelas pelas quais a empresa C passa com

relação ao mercado internacional, onde a competitividade está mais acirrada e os padrões de

qualidade são diferentes.

Na empresa B ocorrem esforços na melhor utilização das ferramentas e práticas de

engenharia de software, resultado do pouco contato que a empresa teve e tem com o mercado

internacional. Seus produtos e processos não sofrem tanta influencia do mercado externo com

relação a essa função, como sofre a empresa C, mas já se percebe um esforço para melhor se

adequar às exigências internacionais.