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2.5. CARACTERÍSTICAS DA INDÚSTRIA DE SOFTWARE

2.5.4. Tributação e Políticas para software no Brasil

De acordo com Guedes Filho et al. (2006), a tributação sobre software depende de

onde eles são desenvolvidos e comercializados e no regime tributário brasileiro, três são os

fatores geradores de tributos (impostos e contribuições) para o setor de software.

1. Tributos sobre o faturamento: Imposto sobre a renda e proventos de qualquer

natureza de pessoas jurídicas (IRPJ); Contribuição social sobre o lucro líquido

das pessoas jurídicas (CSLL); Contribuição para os programas de integração

social e formação do patrimônio do servidor público (PIS/PASEP);

Contribuição social para o financiamento da seguridade social (COFINS) e

Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS);

2. Tributos sobre o desembaraço aduaneiro: para as empresas que importam

software do exterior, incidem tributos como: PIS/PASEP de importação;

COFINS de importação; Imposto sobre operações relativas à circulação de

mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e de

comunicação (ICMS); Imposto de renda retido na fonte (IRRF); Imposto sobre

importação (II); Imposto sobre produtos industrializados (IP) e Imposto sobre

serviços de qualquer natureza (ISS);

3. Tributos sobre a remessa para o exterior para o pagamento de direitos autorais:

nesse caso, estão sujeitos a cobrança de IRRF, as empresas que comercializam

software estrangeiro no país sob contrato de cessão de direito autorais.

A seguir, tem-se um quadro a partir do relatório do SOFTEX (2009a) com relação aos

principais tributos incidentes sobre software e serviços de informática, considerando modelos

Quadro 6 - Principais tributos que incidem sobre software e serviços de informática Fonte: SOFTEX (2009a, p. 30)

É possível perceber ainda nos dados do SOFTEX (2009a), as empresas da indústria

brasileira de serviços de software, por região do Brasil, a partir do seu regime de tributação.

Tabela 5 - Número de empresas da IBSS, considerando regime de tributação e localização da sede da empresa – Brasil, ano 2005

Fonte: SOFTEX (2009a, p. 62).

Em se tratando de políticas, a SOFTEX (2009a) afirma que ainda não existe no Brasil

uma política individualizada e específica para software, apesar de que ele é um dos pilares das

políticas públicas que vieram a partir do início dos anos 90. Antes, como completa o relatório

SOFTEX (2009a), a política estava amparada pela Lei 7.232/1984 voltada a reserva de

mercado para as empresas de capital nacional, principalmente para a proteção da indústria de

hardware.

É então, a partir de 1991, que a política se volta para o estímulo a pesquisa e

desenvolvimento (P&D) com incentivos fiscais para fabricantes de equipamentos que

realizem atividades de P&D no Brasil e é a partir de então que o software surge como

prioridade (SOFTEX, 2009a).

Dessa forma, nascem projetos como:

“Projeto DESI-BR (Programa de Desenvolvimento Estratégico em

Informática no Brasil), uma iniciativa do MCT (Ministério da Ciência e

Tecnologia), coordenada pelo CNPq (Conselho Nacional de

Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com apoio do PNUD

(Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)” (SOFTEX, 2009a,

p. 222).

O programa DESI foi composto por três programas: ProTem-CC, RNP e

SOFTEX-2000. O ProTem – CC (Programa Temático Multiinstitucional em Ciência da Computação)

voltava-se para incentivos às atividades de P&D e para formação de recursos humanos

(SOFTEX, 2009a).

Já o RNP (Rede Nacional de Pesquisa) tinha como objetivo criar e operar um serviço

de “backbone de internet, interligando em rede a comunidade de ensino e pesquisa das

diferentes universidades e centros de pesquisa” (SOFTEX, 2009a, p. 223).

E o Programa SOFTEX-2000 foi criado no intuito de estimular o desenvolvimento da

indústria de software no Brasil com meta de até o ano 2000 colocar o Brasil entre os países

que se destacam na produção e exportação de software e que teve o foco expandido quando a

Sociedade SOFTEX foi criada em 1996 (SOFTEX, 2009a).

A partir dos anos 90 então, os marcos regulatórios da política brasileira incluem

(SOFTEX, 2009a):

1. Secretaria de Política de Informática (SEPIN/MCT): a secretaria é

responsável por políticas e programas que objetivam a capacitação tecnológica

da indústria de computação, automação, telecomunicações, micro-eletrônica,

software e serviços técnicos correlatos.

2. Comitê da Área de Tecnologia da Informação (CATI): criado em 2001, é

responsável pela gestão do Fundo Setorial CT-Info que tem como objetivo

promover projetos estratégicos de P&D em tecnologia da informação a partir

de depósitos feitos pelas empresas beneficiadas pela Lei de Informática;

3. Lei de Informática: seu objetivo principal é incentivar a produção e a

comercialização de novas tecnologias a partir da redução de impostos. Foi a

partir dessa lei que muitas multinacionais se sentiram estimuladas a se instalar

no Brasil;

4. Lei de Software (Lei 9.609/98): essa lei atua sobre a proteção da propriedade

intelectual de programa de computador e sobre sua comercialização no Brasil;

5. Programa Brasileira de Qualidade e Produtividade em Software

(PBQP/SW): tem como objetivo estimular a adoção de normas, métodos,

técnicas e ferramentas da qualidade e da engenharia de software, visando a

capacitação das empresas para competir no mercado global.

A partir dos anos 2000, mais três políticas foram criadas no Brasil. A PITCE (Política

Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior) foi criada em 2004, e conta com um plano de

ação do Governo Federal para aumentar a eficiência da estrutura produtiva, da capacidade de

inovação e a expansão das exportações (SOFTEX, 2009a).

Em 2008 é iniciado o PDP (Programa de Desenvolvimento Produtivo) que coloca o

software e serviços de TI entre as cinco áreas das TICs tidas como estratégicas (SOFTEX,

2009a). O programa tem como desafios: “(1) ampliar a capacidade de oferta; (2) preservar a

robustez do Balanço de Pagamentos; (3) elevar a capacidade de inovação; e (4) fortalecer as

pequenas e médias empresas” (SOFTEX, 2009a, p. 228).

Por último, o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI/MCT) conta

com 21 linhas de ação que giram em torno de quatro prioridades estratégias:

1) Expansão e consolidação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia,

2) Promoção da inovação nas empresas,

3) P, D & I em áreas estratégicas; e,

4) Desenvolvimento social por intermédio de políticas públicas de C & T.

A seguir, pode ser observada uma síntese das principais políticas públicas que afetam,

direta ou indiretamente, a indústria brasileira de software e serviços de TI (SOFTEX, 2009a).

Quadro 7 - Políticas federais de software e inovação Fonte: SOFTEX (2009a, p. 232).