3 HISTÓRIA DA UNIDADE ESCOLAR MUNICIPAL MIGUEL ARCANJO PEREIRA
3.1 Função social da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira para a Comunidade do Sítio Brabo
A educação molda o ser humano para viver na sociedade, a Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira visando essa realidade, trouxe para a comunidade do Sítio Brabo várias melhorias sociais, tanto do ponto de vista social financeiro onde as pessoas tiveram oportunidade de estudar e consequentemente adquirir qualificação profissional melhorando assim a qualidade de vida. Na escola também é onde as pessoas se encontram para reuniões da associação comunitária e confraternizações como por exemplo o São João e festejos de finais de ano.
A escola representa um marco sócio-político-educacional para a comunidade, pois além de desenvolver atividades escolares, é o espaço usado para tomadas de decisões da
comunidade como por exemplo reuniões da associação, reuniões religiosas, confraternizações da comunidade, bem como já serviu de ponto de apoio para o atendimento do Programa Saúde da Família12, enfim a comunidade e escola andam de mãos dadas buscando melhorias e crescimento coletivo para os que ali vivem.
A educação como prática da liberdade, ao contrário daquela que é prática da dominação, implica a negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo, assim como também a negação do mundo como realidade ausente dos homens. (FREIRE, 1987, p. 70).
Refletindo sobre as histórias vividas e relatadas queremos aqui ressaltar que existe uma indiscutível relevância enquanto instituição formadora de seres humanos no âmbito da educação, também podemos observar a serventia do prédio público que oferece conforto aos moradores quando necessário. Porém enaltecemos o brilhante trabalho dos funcionários que desenvolveram ou que ainda desenvolvem suas funções de forma digna e responsável, lembrando que além de transmissora de conhecimento, o espaço escolar é um lugar de construção de ideias, de opiniões, caráter, de seres humanos que lutam por uma sociedade mais humanitária.
Partindo dessa tese, queremos destacar em especial o trabalho de duas professoras; Adimar Medeiros citada no primeiro capítulo, que é a responsável pelos primeiros passos da escola, pois, sem os esforços e o conhecimento dela não teríamos essa história tão emocionante da educação do Sítio Brabo. A segunda é Valdenira Pereira (minha irmã) que é a uma profissional que está na Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira desde 1995, desse período até os dias atuais muitos professores já passaram por lá, porém ela permanece, por ser funcionária pública do Município de Jardim do Seridó e morar na comunidade, tornando-se viável não mudar de instituição.
Seu trabalho deu prosseguimento ao que Adimar Medeiros vinha desenvolvendo, o amor e dedicação ao magistério é na mesma proporção pois é filha de moradores da comunidade, sua família tem um laço direto com a instituição, pois é neta do patrono da escola e sobrinha dos doadores do terreno onde a escola foi construída, sua casa é do lado da
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A Estratégia Saúde da Família (ESF) busca promover a qualidade de vida da população brasileira e intervir nos fatores que colocam a saúde em risco, como falta de atividade física, má alimentação, uso de tabaco, dentre outros. Com atenção integral, equânime e contínua, a ESF se fortalec e como a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
A proximidade da equipe de saúde com o usuário permite que se conheça a pessoa, a família e a vizinhança. Isso garante uma maior adesão do usuário aos tratamentos e às intervenções propostas pela equipe de saúde. O resultado é mais problemas de saúde resolvidos na Atenção Básica, sem a necessidade de intervenção de média e alta complexidade em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) ou hospital.
escola, seus filhos estudaram lá. Todos esses motivos fazem sua vida pessoal e profissional se entrelaçarem de tal forma que não há uma separação, ao pensar na escola hoje se pensa em Valdenira Pereira.
Valdenira Pereira é considerada uma líder, estar sempre envolvida em todos os movimentos educacionais, sociais, políticos e religiosos da comunidade como por exemplo, já ministrou aulas de catequese, é madrinha de várias crianças, já foi secretária da Associação Comunitária por quatro anos, faz campanhas para ajudar aos alunos que estejam com dificuldades financeiras para que possam prosseguir estudando, é uma incentivadora dos seus alunos, mostrando que é possível permanecer na comunidade e mesmo assim conseguir estudar e trabalhar. Ela é a pessoa que teve sua iniciação estudantil na escola e hoje é uma das responsáveis por dar o prosseguimento a esse trabalho árduo, porém belo que é a tarefa de educar, é na sala de aula o lugar onde crianças começam a viajar através dos livros, ter esperanças em um futuro promissor, sonhar com profissões e realizações pessoais.
Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir juntos e igualmente resistir aos obstáculos a nossa alegria. (FREIRE, P.72).
Os pais das crianças que frequentam a escola depositam a confiança de que mesmo em uma comunidade carente, que enfrenta dificuldades é possível que elas recebam educação. Sabemos que o Brasil enfrenta uma crise política e financeira, estamos vivenciando momentos difíceis e sobretudo isso se reflete nas instituições de ensino, porém não é motivo para desanimar pois apesar do cenário político do país, a escola encontra-se com boas condições de funcionamento e o povo dessa comunidade tá acostumado a superar, a vencer desafios, e lutar por um país melhore mais igualitário.
Falando em lutas e igualdades, a escola tem um papel importante nas decisões políticas da comunidade, podemos observar como exemplo as reuniões da Associação Comunitária dos Criadores e Produtores Rurais das Traíras (ACOCPRUTIRA), fundada aos 08 de janeiro de 1999, essa associação tem por finalidade criar projetos que busquem recursos juntos ao governo federal para melhorias dos que ali residem. Existe uma parceria da escola com a associação a qual a escola entra com o prédio e impressão ou xerox de documentos através da secretaria municipal de educação em troca a associação fornece água vinda da Barragem das Traíras na mini adutora.
A associação já conseguiu elaborar projetos que trouxeram melhorias para o sítio, esses projetos são realizados com verbas do Banco Mundial, o primeiro projeto aprovado foi
o criatório de ovinos (Projeto Ovinocultura da ACOCPRUTIRA), em seguida construção do açude comunitário (Açude Comunitário do Sítio Brabo) que foi construído para que a comunidade voltasse a ter água potável pois desde a construção da Barragem Passagem das Traíras o nível de salinização do rio ficou muito alto, então a água de consumo humano que antes vinha de cacimbas do Rio Seridó ficou imprópria, por essa razão a construção do açude melhorou a vida dos moradores que passaram a buscar água de qualidade para as necessidades do dia a dia.
A comunidade continuou se reunindo através da associação comunitária, até que conseguiram o Projeto da Mini Adutora que traz água da Barragem Passagem das Traíras para as casas e para a escola, essa mini adutora possui uma bomba de captação na margem do reservatório e a tubulação de PVC (Policloreto de vinila) que conduz a água para todos os imóveis do Sítio Brabo, como não tem fins lucrativos é cobrada uma taxa ao consumidor apenas para manutenção e consertos necessários. Porém essa água não é tratada, servindo somente para atividades domésticas e uso animal, desse modo ainda é necessário que as pessoas continuem indo buscar água (jumentos com barris outros em carros com tambores) para beber no açude da associação. Devido essa necessidade de se ter água potável elaboraram mais um projeto para conseguir a construção das cisternas que armazenam as águas das chuvas, nesse projeto a escola não foi contemplada por não ser sócia.
Na lateral da escola já havia uma cisterna comunitária (figura 18) que foi construída pelo governo do estado do Rio Grande do Norte no ano de 2000, esse era um projeto que beneficiou algumas comunidades rurais, e o Sítio Brabo tinha sido contemplada. Na época a cisterna foi construída com intuito de fornecer água potável para os moradores rurais, esse reservatório era abastecido através de caminhões pipas, porém com o novo projeto onde cada associado teria direito a construção das cisternas em suas residências, a cisterna comunitária passou a ser usada somente pela escola, que atualmente tem o sistema de bicas coletoras de água da chuva.
Figura 18: Cisterna comunitária na lateral da escola
Figura19: Cisterna com capacidade para 52 mil litros de água
Fonte: arquivo de Valdenira Pereira cedido em junho/2019
No ano de 2016, foi construída uma cisterna que possui a capacidade para o armazenamento de 52 mil litros de água, (figura 19) através do Projeto Cisternas nas Escolas13 do Semiárido. Em anos com inverno regular, tais reservatórios são suficientes para o consumo humano, porém nos últimos 5 anos devido as estiagens foi necessário o abastecimento pipa, durante alguns meses de 2017 e a escola e as famílias foram abastecidas por caminhões pipas, projeto do governo federal com a participação e execução do Exército Brasileiro, onde semanalmente recebiam água potável que eram colocadas nas cisternas.
No âmbito social e da saúde a escola também tem sua contribuição a partir do ano de 2005 quando passa a receber a visita quinzenal do médico da família e da dentista no Programa Saúde da Família-SUS, o trabalho é realizado atendendo as famílias com consultas, agendamento de exames e distribuição de remédios, esses atendimentos foram realizados por um período de três anos, o médico clínico geral atendia a população rural na própria comunidade, quando necessário encaminha para a cidade para outros especialistas, facilitando desse modo a vida das pessoas que moram no sítio.
13 Cisternas nas Escolas é uma ação que tem como objetivo proporcionar o acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para atender às necessidades de alunos e professores de escolas da zona rural em localidades com dificuldades de acesso à água.
A tecnologia social implementada neste caso é a Cisterna de placas de cimento com capacidade para armazenar até 52 mil litros de água, com captação da água da chuva a partir do telhado da escola. A água captada supre as necessidades da escola - beber e cozinhar - durante até 8 meses.
Assim como nas outras tecnologias sociais instituídas pelo Programa, a participação da comunidade é essencial para sucesso da ação. Dessa forma, são realizadas formações dos professores e alunos para a gestão da água, práticas de convivência e educação contextualizada. Além da implementação da tecnologia e da realização dos processos de formação, são realizadas, caso necessário, melhorias das estruturas de captação e distribuição da água junto a unidade escolar.
O atendimento médico realizado na escola ficava distante para algumas pessoas, diante dessa constatação, uma moradora que tem uma residência grande com um espaço que já foi usado para realizações de festas, ofereceu o espaço de sua casa para esse trabalho ser realizado, pois é mais central levando em conta as comunidades que usam o serviço de saúde. Por esse motivo, o Programa Saúde da Família saiu da escola e permanece no espaço ofertado.
Ao pensarmos nos benefícios educacionais para as pessoas que vivem na comunidade a Escola Miguel Arcanjo Pereira possibilitou oportunidades para as crianças realizarem estudos próximos as suas casas, como também adquirirem conhecimentos no processo ensino-aprendizagem, fato esse, que contribuiu para o avanço de estudos posteriores, possibilitando assim, ingresso nas mais diferentes profissões. Essa escola forma o cidadão consciente, que luta por seus objetivos e por seus direitos, reconhecendo suas origens ao mesmo tempo que visa ampliar os conhecimentos.
Na perspectiva profissional e financeira analisamos que no início da fundação da escola, os moradores do Sítio Brabo em grande maioria realizavam trabalhos braçais direcionados a agricultura, pecuária, pesca, além da, quebra de pedra calcária para fabricação de alicerces e cal, pedreiros, serventes e algumas mulheres trabalhavam com artesanato (crochê, bordados, pinturas em tecidos, costuras). Atualmente algumas pessoas prestam serviços a uma mineradora que faz a extração de mármores e alguns moradores mais antigos ainda desenvolvem essas atividades, porém os filhos desses moradores foram para as cidades em busca de melhores condições de estudo e de vida.
Diante de tantas oportunidades surgidas para estudar, hoje essas pessoas desenvolvem as mais diferentes profissões na sociedade, temos vendedores, comerciante, motoristas, recepcionista, mecânicos, professores, assistente de aluno, cozinheiras, pescadores, operador de caixa, agentes de saúde, técnicos de enfermagem, advogada, bombeiro militar, arquivista de documentos, analista de planejamento e controle de produção, administrador, operador de máquinas industriais, eletricista montador industrial, técnico de telecomunicações, apoio técnico administrativo, subcoordenadora de secretaria, contador, corretor de imóveis, técnico em vestuário, técnico-agrícola, eletrotécnico.
A escola propiciou que os filhos dos moradores do Sítio Brabo e adjacências tivessem oportunidades de estudar em outras instituições na cidade de Caicó como por exemplo na Escola Estadual Santo Estêvão Diácono, (EESED) Centro Educacional José Augusto (CEJA), Escola Estadual Calpúrnia Caldas de Amorim (ECCAM), Escola Senador Guerra, Colégio Diocesano Seridoense (CDS), Escola Estadual Antônio Aladim (EEAA) Instituto Federal de Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) Campus de Caicó,
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), campus de Caicó, Faculdade Católica Santa Terezinha.
As escolas de Caicó foram frequentadas por alunos do Sítio Brabo até 1990, A partir de 1991 a prefeitura municipal de Jardim do Seridó começou a fornecer transportes para que os alunos fossem estudar o fundamental II e ensino médio na cidade de Jardim do Seridó, frequentando as seguintes instituições: Centro Educacional Felinto Elísio, Escola Municipal Maria de Lourdes Medeiros Cunha, Escola Estadual Antônio de Azevedo, Escola Municipal Zélia Costa da Cunha.
A partir de 2009 o IFRN (campi avançado) foi fundado em Caicó e os ex-alunos da Escola Miguel Arcanjo Pereira começaram a concorrer às vagas e dessa forma alguns concluíram cursos técnicos naquela instituição.
A cidade de São José do Seridó também recebeu alunos da Escola Miguel Arcanjo Pereira, os quais foram direcionados à Escola Municipal Raul de Medeiros Dantas e Escola Estadual Professor Raimundo Silvino da Costa, Escola Estadual Jesuíno Azevedo. Ao concluir o ensino médio nas cidades da região os alunos foram em busca de novos conhecimentos, partindo então para as faculdades sejam públicas ou privadas, dentro ou fora do estado do Rio Grande do Norte.
Além das escolas citadas registra-se presença de alunos em universidade do estado da Paraíba como é o caso Colégio Agrícola Vidal de Negreiros(CAVN), Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias (CCHSA) na Universidade Federal da Paraíba Campus de Bananeiras, Universidade Vale do Acaraú (UVA), Faculdade Integrada de Patos. No Rio Grande do Norte temos na UFRN Campus de Caicó, Universidade Federal Rural do Semi- Árido (UFERSA) Campus de Angicos, Escola Superior de Magistratura do Rio Grande do Norte em Mossoró, Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Estadual de São Paulo UNESP).
Temos estudantes nas mais diversas áreas do conhecimento (eletrotécnica, vestuário, medicina, ciências e tecnologias, pedagogia, administração, ciências contábeis, engenharia civil, mestrado em alimentos e nutrição,). Alguns dos ex-alunos tem especialização em psicopedagogia e educação inclusiva com ênfase em Atendimento Educacional Especializado (AEE), Especialização em saúde da família, especialização em Direito e Jurisdição, Gestão em Saúde, especialização em histórias dos sertões, mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente, mestrado em História.
De acordo com os 45 questionários aplicados em nossa pesquisa, a quantidade de pessoas que estudaram na Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira e continuam estudando e ou estudaram em outras instituições superiores é bem significativa de acordo com a pesquisa realizada, os dados mostram que 11,1% tem ensino médio incompleto, 35,6%
ensino médio completo, 17,8% ensino superior incompleto, 24,4% ensino superior completo restando apenas 11,1 % para o ensino fundamental (incompleto e/ou completo).
Os alunos que concluíram o ensino médio nos anos 1980 e 1990 alguns não ingressaram nas universidades, porém conseguiram emprego em cargos públicos que não necessitava escolaridade de nível superior, temos exemplos de agente comunitário de saúde, alguns técnicos de enfermagem, assistente de serviços gerais e magistério enfim empregos com estabilidade. Diante das exigências da sociedade modernas vem a exigência onde professores teriam que ter nível superior para poder continuar lecionando, por essa razão as primeiras aprovações em instituições superiores dos alunos que estudaram na Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira foram na Área de Humanas: Geografia, História, Matemática e principalmente a Pedagogia.
Porém aos poucos começou a ter representação nas mais diversas áreas, em 2006 tivemos o primeiro aluno no curso de enfermagem na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, (UERN) Campus de Caicó, em seguida especialização em saúde pública na Escola de Enfermagem Natal, UFRN, o qual após concluir não se acomodou e em 2018 entrou em medicina na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Campus de Mossoró, que é um dos cursos que exige a maior nota de corte nas universidades, temos exemplos ainda de alunos na engenharia civil na Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA) os quais adentraram através do exame nacional do ensino médio (ENEM).
O que nos leva a observar que a maioria dos alunos deu prosseguimento aos estudos, após saírem da referida escola conseguindo galgar novos degraus na hierarquia social e, portanto, melhor qualidade em suas vidas tanto no setor profissional como no financeiro.
Atualmente temos ex-alunos cursando o ensino superior nas diversas cidades do país como por exemplo em: Bananeiras (PB), Angicos (RN), Mossoró (RN) e São Paulo (SP) o que é significativo pois os mesmos se destacam em suas áreas de formação e também porque servem de incentivo e exemplo para os alunos que ainda estão no Sítio Brabo, pois as professoras da Escola Miguel Arcanjo Pereira mostram para as crianças que se os outros conseguiram eles também conseguirão.
De acordo com relato dos entrevistados na pesquisa quando outros estudantes passam para as mesmas faculdades os que já estão lá acolhem dando apoio moral. A cada aprovação a comunidade inteira comemora, pois todos sabem a importância da educação para a formação humana, em contraponto o sítio está com poucas famílias residindo, mas há a visita constante dos que moram fora. Analisamos os quão fortes são essas famílias pois todos da comunidade são politizados e lutam por seus direitos e melhorias, relatamos nesse trabalho todas as conquistas da comunidade que também são da escola.
Ao refletirmos sobre a evolução da comunidade percebemos que as lutas começaram para a fundação da escola, a partir daí não pararam, conseguiram a energia elétrica, açude comunitário, as cisternas, encanar água para as residência através de mini adutora, internet, colocaram seus filhos nas universidades e em profissões diversas, demonstrando a força desse povo simples, forte, guerreiro e inteligente, que vão continuar persistindo em alcançar sonhos e objetivos, pois moradores do Sítio Brabo não desistem, persistem.
Observamos ainda que os estudantes que concluíram o ensino fundamental I, durante os primeiros 20 anos (1977-1997) de atuação da escola alguns estudaram até o ensino médio e paravam, há casos de pessoas que não conseguiram concluir o ensino médio por causa das dificuldades da época, uns precisavam trabalhar para se sustentar e ajudar as famílias. Além de o acesso as universidades ser mais restrito, na região tinha menos cursos ofertados, existiam menos faculdades particulares na cidade de Caicó. Porém anos depois de pararem de estudar alguns sentiram que a sociedade passava a exigir mais qualificação profissional exigindo assim que os mesmos voltassem para as salas de aulas e concluíssem cursos superiores.
A pesquisa nos mostra que os alunos que nas últimas duas décadas concluíram o ensino médio e logo em seguida entraram nas faculdades é bem crescente, visto que houve mais abertura quanto ao acesso as universidades com programas de bolsas, universidade aberta, FIES ProUni, mudança de vestibular para Enem, entre outros fatores que viabilizaram aos estudantes carentes permanecerem estudando e se qualificando para o mercado de trabalho. É notório também o ingresso de ex-alunos da Escola Miguel Arcanjo Pereira no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus de Caicó, temos o exemplo de uma casa onde quatro irmãos já conseguiram a aprovação nessa instituição.
Outra importante mudança no ensino superior é o Programa de Apoio a