UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO/ CERES
CURSO DE PEDAGOGIA DISCIPLINA: MONOGRAFIA II
MULHERES QUE EDUCARAM O BRABO
CAICÓ-RN 2019
VALDENIZA PEREIRA DA COSTA
MULHERES QUE EDUCARAM O BRABO
Monografia apresentada ao curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior do Seridó, da universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Caicó/RN como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, sob a orientação da Professora Dra. Tânia Cristina Meira Garcia
CAICÓ-RN 2019
VALDENIZA PEREIRA DA COSTA
MULHERES QUE EDUCARAM O BRABO
Monografia apresentada ao curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior do Seridó, da universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Caicó/RN como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, sob a orientação da Professora Dra. Tânia Cristina Meira Garcia.
Caicó/RN 28 de junho de 2019
BANCA EXAMINADORA
_________________________________________________ Profª Drª Tânia Cristina Meira Garcia - UFRN
Orientador (a)
_________________________________________________ Profª Tulia Fernanda Meira Garcia -
Examinador(a)
_________________________________________________ Prof. Djanni Martinho dos Santos Sobrinho
Dedico esse trabalho a Deus por ter nos sustentado até o momento presente, a meus pais, a meus irmãos, aos professores do curso de pedagogia Campus de Caicó, a minha orientadora Drª. Tânia Cristina Meira Garcia que sem os direcionamentos não teria conseguido realizar o trabalho, a Adimar Medeiros que é a personagem principal da história, aos amigos que me incentivaram, as pessoas que contribuíram com informações e em especial aos meus filhos Lucas, Clara e Eduarda que são a razão do meu viver.
AGRADECIMENTO
O momento é de agradecer, e a primeira palavra é gratidão a Deus, ao Criador que oportunizou que esse momento chegasse depois de tantas batalhas. Foram muitos momentos bons e ruins, momentos de superação, de dor, alegrias e tristezas, mas vencemos. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Caicó, aos professores e funcionários meu muito obrigada. É gratificante saber que curso foi realizado em uma instituição séria, com profissionais qualificados, com professores que foram mais que transmissores de conhecimento, que ao longo do tempo encontramos conforto e amizade nesses educadores.
A minha orientadora Drª. Tânia Cristina Meira Garcia, que com sua sensibilidade me ajudou a escolher o tema para minha monografia, além de me nortear nos caminhos que eu precisava seguir, percebendo a importância de deixar escrita a bela história da educação do Sítio Brabo.
A Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira, a todos que contribuíram com informações, aos que carinhosamente responderam nossos questionários, funcionários, ex-funcionários, ex-alunos, irmãos, primos, amigos, que foram fundamentais para a coleta de dados. Em especial a Adimar Medeiros da Silva e a Valdenira Pereira da Costa.
Aos colegas de trabalho que me deram forças quando tudo ficava muito difícil, que me incentivaram e não deixaram desistir, meu carinho e amizade eternas a eles que são a minha segunda família. Ao meu namorado que me incentiva e me encanta com suas doces poesias.
A meus pais, minha base Vicente e Elisa, grandes professores de amor, carinho e dedicação aos filhos, que nos educaram, com dificuldades porém com caráter, respeito pelo próximo, princípios de humanidade e cidadania, enfim meus ídolos os meus grandes amores. E por fim, porém não menos importantes aos que são minha razão de viver, aos que são meus incentivadores, minha vontade de crescer, aos que me ensinaram um amor incondicional, aqueles que todos os dias me fazem ter forças para prosseguir, meus três filhos amados: Lucas Pereira Medeiros; Maria Clara Pereira de Sales e Maria Eduarda Pereira de Sales muito obrigada por estarem sempre comigo e por me ajudarem durante o curso de Pedagogia. AMO VOCÊS.
RESUMO
Esse trabalho tem por objetivo discutir os impactos no município de Jardim do Seridó/RN positivos causados pela educação escolar na vida dos moradores do Sítio Brabo. Por essa razão vamos descrever como o ensino sistematizado começou a fazer parte da vida dessas pessoas a partir da história de vida da professora Adimar Medeiros, dissertando sobre sua trajetória educacional a qual está intimamente ligada a fundação e existência da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira no Sítio Brabo município de Jardim do Seridó. A professora citada adquiriu seus conhecimentos e certificados através da educação a distância. Partindo dessa oportunidade de conhecimento, nasce a esperança de fundar uma escola, onde as crianças daquela comunidade tivessem acesso ao conhecimento perto de suas casas, para estudar e sonhar com um futuro promissor. Para realização da investigação utilizamos e entrevista como instrumento de construção da história de vida da professora e aplicamos questionário online para levantamento de informações sobre a experiência escolar de ex-alunos da instituição. A pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental nos forneceu o arcabouço teórico a partir do qual foi possível tecermos conclusões sobre a relevância da instituição escolar do Sitio Brabo para a vida daqueles moradores. Com os dados levantados observamos que a escola e comunidade quando se unem os resultados são gratificantes, todos os avanços educacionais refletiram nas famílias e todas os avanços da comunidade melhorou em algum sentido a escola, o que nos leva a crer que são indissociáveis quando o objetivo é a evolução humana. O conhecimento é algo tão magnífico que através de uma semente plantada lá no passado a uma pessoa se expandiu de tal modo que hoje centenas são beneficiadas com seus frutos, que com certeza continuarão o trabalho para mais e mais pessoas tenham acesso a essa dádiva da vida que é a educação. Foram utilizados como referencial teóricos José Carlos Libâneo, João Ferreira Oliveira, Mirza Seabra Toschi, Yves Bertrand, Paul Valois, Paulo Freire, Nara Maria Pimentel, Tânia Cristina Meira Garcia, Djanní Martinho dos Santos Sobrinho.
ABSTRACT
This work aims to discuss the positive impacts caused municipality by Jardim do Seridó/RN, by school education in the lives of the residents of the Brabo Farm. For this reason, we will describe how the systematized teaching started to be part of the lives of these people from the life story of teacher Adimar Medeiros, lecturing on her educational trajectory which is closely linked to the founding and existence of the School Unit Miguel Pereira in Brabo Farm in Jardim do Seridó Municipality. The cited Teacher acquired her knowledge and certificates through distance education. From this opportunity, the hope of founding a school, where the children of that community had access to knowledge close to their homes, to study and dream with a promising future. In order to carry out the research we used an interview as a tool for building the life story of the teacher and applied an online questionnaire for gathering information on the school experience of former students of the institution. The bibliographical research and documentary research provided us with the theoretical framework from which it was possible to draw conclusions about the relevance of the school institution Brabo Farm to the life of those residents. With the data collected we observed that the school and community when come together the results are gratifying, all educational advances reflected in families and all the advances of the community have improved in some sense at school, which leads us to believe they are inseparable when the goal is human evolution. Knowledge is something so magnificent that through a seed planted there in the past someone has expanded to such an extent that today hundreds are benefited with its fruits, which will continue the work to more and more people have access to this gift of life which is education. Were used as theoretical references José Carlos Libâneo, João Ferreira Oliveira, Mirza Seabra Toschi, Yves Bertrand, Paul Valois, Paulo Freire, Nara Maria Pimentel, Tânia Cristina Meira Garcia, Djanní Martinho dos Santos Sobrinho.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Adimar Medeiros ... 11
Figura 2: Certificado do MEB ... 12
Figura 3: Certificado do Madureza Ginasial ... 14
Figura 4: Miguel Arcanjo Pereira ... 15
Figura 5: Residência onde funcionou a escola nos primeiros nove anos ... 16
Figura 6: A casa cedida para fundação da escola ... 17
figura 7: Certificado do Magistério ... 20
Figura 8:Certificado da I Semana Pedagógica 1990 ... 22
Figura 9: Certificado da Semana Pedagógica 2000 ... 22
Figura 10:Certificado de capacitação continuada 2002 ... 23
Figura 11: Certificado de Matemática nas séries iniciais 1995 ... 23
igura 12: Certificado Roteiro Programático para o Ensino da zona rural de 1ª à 4ª séries do 1º grau,1978 ... 24
Figura13: Barragem Passagem das Traíras... 25
Figura14: Visão total Prédio da escola ... 27
Figura15: parte externa da Escola ... 28
Figura 16: Área de Lazer da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira ... 31
Figura 17: Valdenira Pereira da Costa Dias ... 32
Figura 18: Cisterna comunitária na lateral da escola... 43
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 9 2 HISTÓRIA DA PROFESSORA ADIMAR MEDEIROS DA SILVA ... 10 3 HISTÓRIA DA UNIDADE ESCOLAR MUNICIPAL MIGUEL ARCANJO
PEREIRA ... 27 3.1 Função social da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira para a Comunidade do Sítio Brabo ... 40 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 52 5 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO ... 54 ANEXOS
1 INTRODUÇÃO
Essa pesquisa foi realizada para mostrar a importância da educação na vida das pessoas, do ambiente em que convivem e do poder de transformação que a mesma exerce dentro da sociedade. Esse trabalho também tem um resgate de caráter emocional uma vez que moramos durante a infância e adolescência na casa mais antiga da comunidade, estudamos com a professora e na escola pesquisadas, vivenciamos as histórias citadas e convivemos com entrevistados, entendemos que é de suma importância deixar registrado para futuras gerações quais as lutas, batalhas, dificuldades, superações e vitórias alcançadas por essa comunidade.
Para a construção desse trabalho contamos com a orientação da doutora Tânia Cristina Meira Garcia, professora do curso de pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Caicó. A coleta de dados deu-se através de entrevistas e filmagens com o auxílio do celular, também usamos os aplicativos Messenger, whatsapp, além de aplicar questionários via Google Forms.
No período acadêmico, nos deparamos com os grandes pensadores e autores que descrevem a evolução da educação de acordo com a evolução da humanidade, das tecnologias e das mudanças históricas dentro da pedagogia. Analisando esses fatores com a realidade da primeira escola que frequentamos percebemos que as teorias estudadas no curso de pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Caicó, se associa na prática à história da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira, pois os relatos vão se encaixando com os avanços vividos.
No primeiro capítulo descreveremos a trajetória de vida da professora, que desde sua infância lutou por educação, enfrentou muitas dificuldades para estudar através da educação à distância, tendo como veículos de comunicação o rádio e os correios, e assim tornou-se professora-fundadora de uma escola na zona rural do município de Jardim do Seridó na década de 1970.
O segundo capítulo estará dividido em duas partes uma é a história da escola desde sua fundação, descrevendo as atividades pedagógicas, quadro de funcionários, alunos, além da participação da comunidade que sempre esteve integrada a escola não só do ponto de vista estudantil, mas todos avanços e mudanças da comunidade de alguma forma refletiu na escola. A segunda parte desse capítulo fará uma análise do impacto causado na vida das pessoas que se beneficiaram pela educação recebida nessa escola da comunidade.
2 HISTÓRIA DA PROFESSORA ADIMAR MEDEIROS DA SILVA
Esse projeto conta a história de vida, a trajetória estudantil e profissional da professora Adimar Medeiros, a qual entrevistamos na sua residência no Sítio Brabo, para fazer o registro filmamos usando a câmera do celular, bem como aplicativos como Whatsapp,
Messenger para tirar dúvidas que surgiam ao escrever. Também será relatado a fundação da
Escola Miguel Arcanjo Pereira, essa por sua vez foi necessário falar com várias pessoas (anexo II) contudo as redes sociais facilitaram nosso trabalho. Conhecer a vida de Adimar Medeiros é fundamental para que possamos entender o próximo capítulo que é a história da escola.
A professora Adimar de Medeiros Pereira nasceu no dia 22 de novembro de 1955, filha de José Belarmino Pereira (Zé Belo) e Emília de Medeiros Pereira, de uma família numerosa de doze irmãos, prestou relevantes serviços, demonstrando sempre ser uma mulher forte, determinada, destemida e com uma visão educacional revolucionária que transformou a sua vida e de toda uma comunidade rural. Sendo natural da cidade de Jardim do Seridó (RN), residiu sua vida inteira no Sítio Brabo, esse sítio situa-se na divisa de três municípios sendo eles Caicó, Jardim do Seridó e São José do Seridó, por essa razão nessa obra o mesmo sítio será citado em municípios diferentes, pois dependendo da localização considerada o mesmo fica em territórios diferentes.
A infância foi marcada por algumas dificuldades comuns da época como por exemplo: o difícil acesso à escola, as crianças precisavam trabalhar para ajudar aos pais em seus afazeres domésticos e nas atividades do sítio. Professora Adimar Medeiros conta-nos que precisava ajudar a sua mãe nas tarefas domésticas, lavar roupas no rio, plantar e colher os roçados de seus pais, além de pascentar os animais momento em que ela encontrava tempo para estudar, pois enquanto estava no rio pastoreando o gado levava seus livros e assim estudava.
A Profª Adimar Medeiros, (figura 1) cursou até a terceira série primária atual Ensino Fundamental I, na Escola Municipal Seridozinho I, localizada no sítio Seridozinho município de Caicó/RN, que fica distante cerca de um quilômetro da casa de seus pais, precisando ir caminhando a pé para poder chegar à escola, cuja professora era Regina Permina da Costa. Devido à falta de transportes para deslocar os estudantes da zona rural para cidade a maioria das crianças da época só estudava as séries inicias que as escolas rurais ofereciam. Na referida escola só funcionava do primeiro ao terceiro ano, dessa forma as crianças e jovens da época não tinham oportunidades de prosseguir seus estudos e terminavam por seguir as profissões de seus pais, conformando-se em viver com pouco estudo e trabalhar nas profissões rurais que não exigem grau de escolar
A Profª Adimar Medeiros, porém era diferente das crianças da sua comunidade, gostava muito de estudar e, como não tinha séries mais avançadas no sítio ficou repetindo o terceiro ano por alguns anos, até que, quando completou treze anos de idade resolveu deixar de ir para escola mas pediu ao seu pai José Belarmino que comprasse uma enciclopédia1 para ela estudar em casa, o qual foi prontamente atendida, embora custasse caro, mas seu pai era um homem de posses e não se negava a pagar livros e cursos para ver sua filha evoluindo, então todos os dias ao sair para pastoreio do gado levava seus livros e assim adquiria conhecimento.
Figura 1: Adimar Medeiros
Fonte: Arquivo da professora Adimar Medeiros cedida em março de 2019
Uma das diversões à noite era ouvir o rádio à pilha, quando certa noite ao sintonizar a Emissora de Educação Rádio Rural de Caicó, ouviu falar sobre um curso radiofônico oferecido através do Movimento de Educação de Base (MEB), momento em que vislumbrou a oportunidade de concluir o ensino primário (atual Ensino Fundamental I). Com essa expectativa começou a ouvir as aulas e pouco tempo depois descobriu que na Escola Municipal Manuel Regino dos Santos, do sítio Quipauá, no Município de Jardim do Seridó/RN, tinha uma monitora do referido curso, que a motivou a frequentar as aulas. Esses encontros
1Enciclopédia: é uma coletânea de textos bastante numerosos, cujo objetivo principal é descrever o melhor possível o estado
atual do conhecimento humano. Pode-se definir como uma obra que trata de todas as ciências e artes do conhecimento do homem atual.
com a monitora possibilitaram que ela percebesse estar preparada a fazer o teste de qualificação, pois como tinha uma rotina de estudos não encontrou dificuldades para responder a prova, que foi aplicada na cidade de Caicó.
Em1961/65: movimento de Educação de Bases MEB) – Igreja Católica e Governo Federal utilizavam um sistema radio-educativo: educação, conscientização, politização, educação sindicalista, dentre outras.” ( PIMENTEL, 2006 p. 22).
Ao sair o resultado atingiu a nota necessária para aprovação, tendo seu certificado emitido aos 04 de julho de 1975.
Figura 2: Certificado do MEB
FONTE: Arquivo pessoal da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros, maio de 2019.
O conhecimento era encantador, relata a Profª Adimar Medeiros. Ela adorava ler e sonhava com a possibilidade de poder voltar a estudar, mas morando no sítio que não tinha escola era muito difícil seu sonho tornar-se real, até que um dia lendo uma revista encontrou uma reportagem que divulgava um curso ginasial a distância, nas informações tinha o endereço do Instituto Universal Brasileiro (São Paulo/SP), informações sobre os detalhes do curso e as formas de pagamento. Ao ler essa reportagem ficou empolgada pois era mais uma possibilidade para alcançar seus sonhos.
Assim, teria que pedir a seu pai para que pagasse para ela poder se inscrever, o curso tinha a duração de cinco meses, era muito caro e ainda precisaria pagar as postagens dos correios que na época também tinham alto custo. Ao levar a proposta ao pai, ele analisou
com carinho o pedido da filha, atendendo ao seu desejo, porém precisou dividir o valor em cinco parcelas devido ao alto preço cobrado. Mesmo sendo um homem simples com pouco estudo mas acreditava na educação por isso sempre a incentivava a prosseguir em seus sonhos.
Com o Ensino a Distância, o conhecimento passou a ser mais acessível, de forma que as pessoas que antes não estudavam por falta de tempo ou condições encontraram abrigo para continuar o sonho de voltar a estudar. (GARCIA, SANTOS SOBRINHO, 2014, p 196)
Com a matrícula feita restava esperar os livros começarem a chegar para dar início a mais uma etapa de estudos, o Instituto Universal Brasileiro enviava os livros através dos correios, quando os livros chegavam em Caicó ficavam na sede sendo necessário que alguém fosse buscar, porque o serviço não atendia às zonas rurais. Era um tempo difícil, as pessoas não tinham transportes, sendo, assim só vinham a cidade aos sábados que era o dia de fazer a feira, aproveitando para ir buscar suas correspondências nos correios. Mas com persistência e determinação a Profª Adimar Medeiros conclui o curso preparatório Madureza Ginasial2. Para poder receber o certificado o estudante prestava dois exames avaliativos; um que era enviado através dos correios para a sede do Instituto em São Paulo, e outro feito no polo da cidade de Caicó. Realizou ambos conseguindo assim concluir o curso ginasial (atualmente Ensino Fundamental II), tendo seu diploma (figura 3) expedido em 03 de maio de 1976.
Com certificados de primário e ginásio em mãos era a pessoa com maior nível de escolaridade da Comunidade do Brabo na época. O Pai de Adimar Medeiros possuía duas casas no sítio Brabo, sendo uma no município de Caicó e a outra no município de Jardim do Seridó. As quais eram usadas em diferentes épocas do ano de acordo com as necessidades da família, pois no período chuvoso passavam em uma casa e no período de estiagem usavam a outra.
O governo militar, então, criou o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), em 1967, com o objetivo de alfabetizar funcionalmente e promover uma educação continuada. Com esse programa a alfabetização ficou restrita à apreensão da habilidade de ler e escrever, sem haver a compreensão contextualizada dos signos. (STRELHOW, 2010 p. 54)
2 Madureza Ginasial: Em 1970, surge o Projeto Minerva irradiando cursos de Capacitação Ginasial e Madureza Ginasial
produzidos pela Fundação Padre Landell de Moura - FEPLAM e pela Fundação Padre Anchieta. Foi um programa implementado como possível solução para os problemas do desenvolvimento econômico, social e político que o país atravessava. Tinha como cenário um período de crescimento econômico, conhecido como o milagre brasileiro, em que a ênfase na educação era preparar mão de obra para atender a este desenvolvimento e à competição internacional. Este projeto foi mantido até o início dos anos 80, apesar das severas críticas e do baixo índice de aprovação – 77% dos inscritos não conseguiu obter o diploma (RODRIGUES, 1998).)
Nesse período o Brasil tinha o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que visava promover a alfabetização de jovens e adultos analfabetos ou semianalfabetos. Sendo assim a Profª Adimar Medeiros foi convidada pela Prefeitura Municipal de Caicó a assumir uma sala de aula direcionada a Educação de Jovens e adultos, analisou a proposta e ao perceber que na comunidade havia muitas pessoas analfabetas resolveu aceitar, partir daí começou a lecionar numa turma de quinze alunos. As aulas eram ministradas no turno noturno porque durante o dia as pessoas trabalhavam, sendo usada a residência do seu pai, localizada no sítio Brabo Caicó RN, como local das aulas porque na comunidade não tinha uma escola.
Figura 3: Certificado do Madureza Ginasial
Fonte: arquivo pessoal da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros, maio de 2019.
A Prefeitura de Caicó forneceu material básico para as aulas como giz, quadro negro e apagador de giz e assim surge a primeira oportunidade de emprego para a professora Adimar Medeiros.
Ela lembra que era um salário irrisório, mas aceitou a proposta por que dessa forma conseguiria transmitir o conhecimento para aquelas pessoas que não tinham tido a mesma oportunidade que ela. Esse trabalho era gratificante pois ela era jovem e podia ensinar a adultos mais velhos a assinar o nome, a ler e a escrever, que para eles significava muito pois se envergonhavam quando alguém pedia suas assinaturas e eles não sabiam fazer, e a partir daquele momento mudariam essa realidade.
No ano de 1977 o então prefeito de Jardim do Seridó, Edson Medeiros, resolve criar uma escola na Comunidade do Brabo, a pedido de alguns moradores entre eles Antônio Pereira da Costa e Cypriano da Costa Pereira, ambos irmãos que se prontificaram a doar o
terreno no sítio de seu pai Miguel Arcanjo Pereira (na época já falecido), quando um dia a prefeitura municipal de Jardim do Seridó viesse a construir a sede da escola, levando em consideração o lugar onde ia ser construída decidiu-se fazer uma homenagem ao dono das terras tornando-o patrono da escola, (figura 4).
Figura 4: Miguel Arcanjo Pereira
Fonte: Arquivo pessoal da autora 1970.
Para assumir a regência da sala de aula foi convidada Adimar Medeiros que ao receber o convite se recusou, pois não se sentia capaz de assumir tamanha responsabilidade, afinal estava acostumada a ensinar a adultos e ensinar a crianças exigia, segundo ela, mais cuidados. Porém a sua mãe Emília a incentivou motivando-a a aceitar e, então, vai a cidade de Jardim do Seridó para conversar com a Secretária de Educação, Zélia Costa da Cunha que na época além de exercer o cargo de secretária de educação, também assumia a direção de todas as escolas da zona rural).
Nessa conversa a secretária juntamente com as supervisoras Jaci Sabino de Oliveira e Ilza Pereira de Medeiros já aplicaram uma prova que servia como um processo seletivo para saber se a Profª Adimar Medeiros estava capacitada ou não ao cargo.
A nossa memorialista lembra ainda que a redação era a escrita de uma carta, o que diferencia dos tempos atuais. Feito esse processo e aprovada a equipe da educação municipal de Jardim do Seridó não mediram esforços para que a escola fosse fundada.
Passado esse desafio, era hora de adquirir alunos para a abertura da escola, que precisaria de no mínimo vinte e cinco crianças. Porém depois de todos os esforços só foram matriculados vinte e quatro alunos, que cursariam a primeira e a segunda séries. Com a apresentação dos dados ao município a equipe pedagógica responsável decidiu permitir que
a escola iniciasse o ano letivo com essa quantidade de alunos inscritos. Assim passaria funcionar uma escola no sítio Brabo, essas duas turmas funcionariam juntas na mesma sala, configurando classes multisseriada3, o que era comum acontecer maioria das escolas rurais do município na época.
O município de Jardim do Seridó já tinha se proposto a fundar a escola no sítio Brabo, a professora já estava contratada e os alunos matriculados, mas ainda não tinha nada de material de expediente, nem a mobília, nem o local onde funcionar, visto que na comunidade não tinha nenhum prédio público que pudesse ser usado como sede da escola. Tendo em vista esse obstáculo, a Profª Adimar Medeiros recorre novamente ao seu pai que possuía duas casas, como já comentado, pois precisaria de um espaço para dar início aos trabalhos escolares, esse por sua vez cedeu de bom grado uma residência (figura 5 e figura 6) que terminou sendo utilizada por nove anos, e assim deu-se início ao primeiro ano letivo da forma mais improvisada possível.
Figura 5: Residência onde funcionou a escola nos primeiros nove anos
Fonte: arquivo de Valdenira Pereira junho de 2015
Na casa havia um caixote grande de madeira que servia para guardar mantimentos. O qual na escola passou a ser usado como mesa para os alunos escreverem
3As classes multisseriadas são salas com alunos de diferentes idades e níveis educacionais nas quais estão cerca de 60% dos estudantes do campo. Segundo o Censo Escolar 2017, existem 97,5 mil turmas do Ensino Fundamental ness a situação em todo o País, número que vem permanecendo praticament e inalterado nos últimos dez anos.
A baixa densidade populacional na zona rural, a carência de professores e as dificuldades de locomoção são alguns dos fatores que motivaram a criação das classes multisseriadas. Além desses fatores, existem poucos docent es das séries iniciais do Ensino Fundamental com nível superior.
em cima. Os alunos traziam as cadeiras da casa deles para sentar-se, o birô para guardar os livros foi feito por Vicente Maximino da Costa Filho pai de aluno da escola, o quadro era o mesmo que era usado na turma do MOBRAL (outra turma da professora, que funcionava na outra casa) tendo assim que ser transportado todos os dias de uma casa para outra, até que uns quinze dias depois de iniciadas as aulas o município de Jardim do Seridó envia, o quadro, as carteiras e alguns materiais de expediente, oportunizando assim algum conforto para os alunos e para a professora daquela escola que estava nascendo na comunidade.
Figura 6: A casa cedida para fundação da escola
Fonte: arquivo de Valdenira Pereira junho de 2015
Para iniciar uma escola sem prédio público, sem condições, numa comunidade pobre foi necessário empenho e dedicação, aliado a força e a garra da professora que encontrava apoio em alguns pais de seus alunos que sonhavam em ver os filhos estudando. A comunidade é formada por parentes, pois essas terras pertenciam a família Pereira, os ancestrais morreram deixaram a herança para filhos e netos que permanecem possuindo essas terras até os dias atuais, devido o laço familiar e a vontade de ver educação para as crianças que ali residiam, os moradores fizeram uma grande corrente de colaboração para que a unidade escolar prosperasse, cada um ajudava como podia, entendendo que a escola era carente, com muitas necessidades, porém podia contar com o grande esforço da professora que estava sempre à disposição para solucionar os problemas que surgiam.
A escola estava funcionando em uma casa cedida, sem água encanada, sem energia elétrica, sem fogão a gás dificuldades típicas da zona rural nos anos 1970. A prefeitura Municipal de Jardim do Seridó por sua vez tinha acatado o pedido da fundação da escola mas ainda não disponibilizara uma assistente de serviços gerais (ASG) nem merendeira para auxiliar a professora no bom funcionamento da escola. Dessa forma sobrecarregava a Profª Adimar Medeiros com muitas outras obrigações que não eram da competência da educadora.
Podemos citar algumas coisas que ela fazia porque desejava que a escola prosperasse embora não fosse sua obrigação.
Como exemplos de dedicação ao bom funcionamento da escola a professora se responsabilizava de trazer a merenda de Jardim do Seridó para a escola no ônibus que fazia a linha Jardim do Seridó à Caicó, porque o município não fazia entrega na zona rural. A quantidade destinada a escola era muito pouca e, muitas vezes os alunos ficavam com fome. A comida era cozinhada pela própria professora no fogão a lenha da casa e, como não tinha água encanada ficava na responsabilidade da professora ir buscar a água no rio e lenha no cercado próximo, porque não tinha quem o fizesse. Sempre pedia ajuda aos parentes para solucionar os problemas que iam aparecendo na escola, sua avó Tertulina Cecília de Medeiros, fazia a doação da lenha e emprestava o jumento para que fosse trazida a água consumida na escola. Quando estava sobrecarregada com afazeres extra sala de aula, porém da escola, solicitava ajuda as pessoas da comunidade que sempre colaboravam de forma voluntária.
A Educação é um processo de humanização e capacitação para melhoria da vida. Esta capacitação se concretiza pela aprendizagem de novos valores, habilidades e competências. (GARCIA E SANTOS SOBRINHO. 2014 P.204)
Apesar de ser contratada e paga para dar aulas quatro horas por dia, a professora sempre trabalhou muito mais, trabalhava como merendeira, ASG, além de resolver os serviços que deveriam ser da secretaria da escola como por exemplo as matrículas e transferências que ela preenchia e encaminhava para as supervisoras e diretora de Jardim do Seridó analisar e assinar. Devido à falta de uma funcionária a Profª Adimar Medeiros pedia ajuda a comunidade pois não estava conseguindo fazer tudo sozinha, então algumas pessoas iam ajudar como voluntários, até que a prefeitura contratou Maria Aparecida para ser auxiliar dos serviços gerais, porém durou pouco tempo essa contratação, logo após acabar o contrato de Maria Aparecida com a prefeitura de Jardim do Seridó, foi contratada Neusa Pereira de Medeiros para o cargo, essa por sua vez já ajudava a escola como voluntária.
Tantas dificuldades foram enfrentadas nesse primeiro ano, mas a escola conseguiu evoluir e no ano de 1978 aumentaria uma turma, a da terceira série, a professora, analisando o que tinha vivido no ano anterior percebera as dificuldades de algumas crianças para se alfabetizarem pois não tinham tido contato nenhum com escolas então resolveu dividir os horários na tentativa de melhorar o rendimento escolar.
Visto que no sítio não havia turmas de educação infantil, a maioria das crianças de primeira série vinham de casa e assim precisariam desenvolver algumas habilidades como por exemplo a coordenação motora, a socialização, por isso precisavam de um tempo
direcionado só a eles que seria 7 às 9 horas da manhã. O segundo horário de 9 às 11:15 ficaria destinado para os alunos de segunda e terceira séries que já eram alfabetizados visto que na época para evoluir de série era necessário que os alunos passassem em provas, com essa divisão dos alunos aconteceram alguns avanços no desempenho dos alunos.
Perante uma sociedade que concede muito pouco importância ao indivíduo, à sua criatividade, às suas necessidades e à sua imaginação a organização educativa, no quadro do paradigma humanista da educação, centra-se prioritariamente no desenvolvimento da pessoa, para que ela se sinta bem consigo própria e possa funcionar em pleno. Eis o projeto central do paradigma humanista da educação. (BERTRAND E VALOIS 1994 P. 135)
No ano de 1979 a escola passaria a ter quarta série e assim a multisseriação, aumentaria para quatro séries e Profª Adimar Medeiros percebe que não vai dar certo colocar crianças pequenas não alfabetizadas com as crianças maiores que já sabem ler e escrever, opta novamente por dividir a primeira série das 7 às 9 horas, a segunda série de 9 às 11 horas e as turmas de terceira e quarta série ficavam juntas dividindo assim o horário das 11 às 13 horas, dessa forma trabalhava 6 horas por dia; mesmo ganhando para trabalhar quatro horas, mas o importante não era cumprir o horário e sim a missão de transmitir o conhecimento de qualidade à aquelas crianças, o qual sempre fez com muito amor.
Em 1981 a Profª Adimar Medeiros, casa-se com Manoel Pereira da Silva, passando assim a usar o sobrenome do marido. A partir de então começa a assinar com o nome de Adimar Medeiros da Silva, dessa união nasceram quatro filhas: Neusimar Medeiros da Silva, Neusiene Medeiros da Silva, e as gêmeas Neusiane Medeiros da Silva e Neusimere Medeiros da Silva, atualmente tem três netos. Com o casamento passa a residir na casa que funciona a escola, permanecendo assim por mais 5 anos, desde então a sala da casa ficava para a escola e as outras dependências destinada a família, onde todos de sua casa aprenderam a conviver muito bem com essa realidade, até o momento em que a Prefeitura Municipal de Jardim do Seridó construiu um prédio público e assim a escola saiu de dentro de sua casa.
A Profª Adimar Medeiros sempre gostou de se auto avaliar, e nessas avaliações percebia que precisava de estudar mais para melhor atender a seus alunos, então começa a fazer o curso LOGUS II4, (equivalente ao magistério ver figura 7) esse curso também era a
4 Projeto Logos II (Deliberado 018/79 de 07/06/79) foi um programa de educação à distância em implantado em 1975 pelo Governo Federal através do Ministério da Educação e da Cultura (MEC) (PEREIRA; PEIXOTO, 2010), com intuito de formar professores leigos em regime emergencial, com habilitação em segundo grau para exercício do magistério. Foi desenvolvido em estados estratégicos, onde havia a maior quantidade de professores leigos atuando e entre esses estava Estado Rondônia que neste período ainda estava na condição de território federal. Os professores que se matriculavam no Logos II tinham níveis de escolaridade variados, sendo exigida como escolaridade mínima para participar do projeto, a 4ª série do 1º grau e idade mínima de 19 anos, sendo necessário ter 21 anos completos para a conclusão do curso (BRASIL, 1975)
distância porém gratuito, estudava em casa e as provas seriam feitas na cidade de Jardim do Seridó, como sempre se destacou em seus estudos ;torna-se a primeira pessoa a concluir o LOGUS II, na cidade de Jardim do Seridó, lembra que era necessário oitenta por cento de acertos na referida prova para aprovação, o qual foi alcançado com êxito e seu diploma foi emitido aos 30 de agosto de 1982. Durante o período desse curso costumava estudar a noite, usando uma lâmpada de botijão de gás porque na comunidade ainda não tinha energia elétrica.
A EaD surgiu da necessidade do preparo profissional e cultural de milhões de pessoas que, por vários motivos, não podiam frequentar um estabelecimento de ensino presencial, e evoluiu com as tecnologias disponíveis em cada momento histórico, que as quais influenciam o ambiente educativo e a sociedade” (PIMENTEL, 2006, P. 15)
Figura 7: Certificado do Magistério
Fonte: arquivo pessoal da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros maio de 2019
No ano de 1986, a nossa entrevistada presta concurso público no estado Rio Grande do Norte conseguindo a aprovação em primeiro lugar para professora polivalente5, mas não queria deixar de trabalhar na escola que ajudara a fundar, então vai a prefeitura municipal de Jardim do Seridó, conversar com o prefeito Manoel Paulino dos Santos Filho, para conseguir uma permuta entre município e estado. O qual foi atendido prosseguindo
5 . Lima (2007), por sua parte, considera que o professor polivalente seria um sujeito capaz de apropriar-se e articular os
conhecimentos básicos das diferentes áreas do conhecimento que compõem atualmente a base comum do currículo nacional dos anos iniciais do ensino fundamental, desenvolvendo um trabalho interdisciplinar. Para essa pesquisadora, a polivalência estaria associada a uma atuação interdisciplinar
assim seu trabalho na Escola Municipal Miguel Arcanjo Pereira do Sítio Brabo. Nesse mesmo ano a Prefeitura Municipal de Jardim do Seridó também realizou a construção do prédio público da referida escola, em um terreno doado pelo o senhor Antônio Pereira Costa, filho do patrono da escola
Com a inauguração do grupo escolar, a escola sai de dentro da casa de Adimar Medeiros, facilitando sua vida, pois agora conseguiria ter privacidade em sua casa sem os alunos entrando e saindo, nessa época a escola já disponha de auxiliar de serviços gerais, a escola agora estava funcionando de forma mais independente, porém a Profª Adimar Medeiros continuou trabalhando 6 horas por dia pois não conseguia trabalhar quatro turmas juntas, não via bom rendimento quando juntava todos por essa razão sempre optou por dividir os horários, mesmo trabalhando mais do que o que era a obrigação, diz que “se sente feliz em saber que cumpriu de forma digna, responsável e com muito amor a missão que Deus e a comunidade lhe confiou”. Sabe que foi uma grande alfabetizadora, uma grande professora que sempre motivou aos seus alunos com palavras e principalmente com seu exemplo de superação.
Sua trajetória de ensino é marcada pela versatilidade, uma professora polivalente que trabalhava com todas as disciplinas sempre se empenhando para atender aos alunos da melhor forma possível; escrevia músicas e poesias que eram apresentadas em momentos de festejos da escola. Sempre fez comemorações das datas comemorativas, como por exemplo o São João da escola, em algumas vezes com músicas ao vivo com sanfoneiros da região ou mesmo só com um som através de fitas k7, o que importava mesmo era comemorar, dias de mães, dia dos pais que sempre contava com belas apresentações de seus alunos, sempre incentivando-os a explorarem seus dons, fossem através da escrita, da poesia, das danças ou apresentações.
Uma data marcante para os alunos era o dia das crianças pois sempre tinha muitas brincadeiras da cultura popular como barra bandeira, quebra panela, cantigas de rodas, pula corda, corrida do saco, passa anel. As crianças se divertiam muito e a Profª Adimar Medeiros ficava feliz pois sabe que tinha feito sua contribuição para divulgação das brincadeiras populares.
Trabalhar com responsabilidade, sempre inovando para atender aos alunos era o propósito de Adimar Medeiros por essa razão sempre fez questão de participar de todos os cursos que a prefeitura oferecia aos seus funcionários, participava de todas as capacitações de professores pois sabia que a formação continuada é de fundamental importância para o melhor desempenho na sala de aula, tendo assim adquirido alguns certificados de Semanas Pedagógicas, de Paramêtros em Ação, Curso de Reciclagem, Curso de Matemática em
Séries Iniciais. Enfim, sempre se manteve estudando, pois um professor tem sempre o que aprender.(ver figuras 8,9,10,11,12).
Figura 8:Certificado da I Semana Pedagógica 1990
Fonte: arquivo da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros
Figura 9: Certificado da Semana Pedagógica 2000
Fonte: arquivo da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros
Figura 10:Certificado de capacitação continuada 2002
Fonte: arquivo pessoal da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros maio de 2019.
Figura 11: Certificado de Matemática nas séries iniciais 1995
Figura 12: Certificado Roteiro Programático para o Ensino da zona rural de 1ª à 4ª séries do 1º grau,1978.
Fonte da autora, foto autorizada por Adimar Medeiros, maio de 2019.
Suas aulas eram ministradas numa linha tradicional, com uma visão de educação do campo, pois a mesma sempre valorizou as raízes de seus alunos, ao mesmo tempo que em trabalhava a partir da realidade visava o desenvolvimento intelectual, político, social e cultural de seus alunos. Aprendeu a lidar com a realidade da escola e de seus alunos adaptando para alcançar as metas traçadas para a aprendizagem. Muitas vezes trabalhou com o mínimo de recursos didáticos e pedagógicos, alguns anos não tinham livros didáticos para os alunos, tendo como opção o quadro negro e giz para transmitir o conhecimento, mas isso não a impedia de conseguir os objetivos traçados ao início do ano letivo.
Desde a fundação da escola em 1977, até o ano de 1994 a Profª Adimar Medeiros teve a missão de ser a única professora da escola, só se ausentando para cumprir as licenças maternidades quando pariu as filhas, sendo substituída por pessoas da comunidade. Porém em 1995 a Barragem Passagem das Traíras6 ( figura 13) transbordou e essa enchente alagou a Escola Manoel Regino dos Santos que é a escola do sítio Quipauá, Jardim do Seridó, levando aos alunos a migrarem para a Escola Miguel Arcanjo Pereira, aumentando assim a quantidade de alunos, porém com o alagamento da escola as professoras também foram remanejadas, vindo Valdenira Pereira da Costa Dias para assumir as aulas dividindo assim o espaço da escola com Adimar. Após 18 anos de trabalho enfim Adimar começa a trabalhar
6A Barragem Passagem das Traíras é o quarto maior reservatório de águas do Rio Grande do Norte. Faz parte do conjunto de barragens da bacia do rio Piranhas-Açu, sua capacidade total é de 49.702.393,65 metros cúbicos, tendo barrado o rio Seridó. Foi construída e inaugurada em 1994, situa-se na fronteira dos municípios de São José do Seridó, Jardim do Seridó e Caicó. Atualmente está com pouca água devido as estiagens além de problemas na estrutura física e precisa passar por uma restauração.
apenas as quatro horas que eram sua obrigação pois a partir de então passaria a assumir a primeira e segunda séries no turno matutino enquanto que Valdenira assumiria as turmas de terceira e quarta séries no turno vespertino.
Figura13: Barragem Passagem das Traíras
Com a nova parceria a vida profissional torna-se mais fácil, pois agora só tinha duas séries para planejar e se preocupar com o desempenho das mesmas sem contar que as festividades da escola passariam a ser organizada em conjunto com a nova professora dividindo assim as tarefas. E ambas têm as mesmas características de superação e compromisso com a educação o que proporcionou melhoramento para escola.
O sítio já estava mais moderno, tinha energia elétrica, a comunidade havia se tornado ponto turístico devido a construção da barragem, algumas famílias tinham melhorado financeiramente, apesar de ter uma renda ainda baixa mais tiveram avanços pois a maioria dos moradores trabalharam na obra da barragem, alguns já possuíam transportes, acesso a meios de comunicação que antes era mais difícil. Com os avanços da sociedade também há pontos diferentes na educação e a Profª Adimar Medeiros começa a perceber que alguns de seus alunos estavam ficando mais dispersos tornando assim o papel do mais difícil. Recorda que durante os anos oitenta o professor era tratado com mais respeito pelos alunos, pelos pais, pela sociedade de forma geral.
A Profª Adimar Medeiros é uma mulher à frente do seu tempo, que foi capaz de revolucionar uma comunidade através de persistência e vontade de estudar, o que nos leva a refletir que a educação transforma vidas, também analisamos a importância da Educação à Distância, temos um exemplo real de que através de uma pessoa que teve oportunidade de estudar tantas outras se beneficiaram e uma comunidade passou a ter uma escola que já beneficiou centenas de pessoas que hoje exercem as mais diferentes profissões, alguns alunos que estudaram na referida escola conseguiram se formar em universidades, inclusive tem uma filha de Adimar Medeiros, Neusiene Medeiros da Silva que é ex-aluna da escola,
cursou mestrado em Programa Regional de Pós Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Natal.
Uma vida dedicada a aquisição do conhecimento e a transmissão do mesmo, feita com amor, ao todo foram vinte sete anos trabalhando na mesma escola sem que fossem tiradas as licenças prêmios a que todos os funcionários públicos têm direito. Porém no ano de 2004, a Profª Adimar Medeiros começou a se sentir cansada pediu o afastamento da sala de aula para tirar essas licenças, e logo em seguida deu entrada na aposentadoria que foi aprovada no ano de 2005, encerrando assim a brilhante carreira de uma grande profissional, que desempenhou a sua profissão com brilhantismo na Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira.
Ao se aposentar Adimar Mediros passa a se dedicar a sua família e sua casa, permanece morando no mesmo sítio, porém em 2012, constrói uma nova casa maior e melhor desta vez passa a residir no Sítio Brabo na parte que pertence ao município de São José do Seridó. Mantém contato com todos da comunidade e visita a escola sempre que pode principalmente nas festividades das datas comemorativas, a qual sempre é recebida com muito carinho por todos.
A vida vai seguindo seu fluxo normal até que a Profª Adimar Medeiros começa a sentir umas dores no peito, ao fazer uma bateria de exames no ano de 2016 é diagnosticada com câncer de pulmão iniciando assim uma nova batalha, entretanto com a determinação de sempre. A partir desse diagnóstico é encaminhada para a liga do câncer na cidade de Caicó, sendo necessário as aplicações de quimioterapia.
No ano de 2017, sua filha Neusimar Medeiros encontra-se trabalhando como merendeira na escola a qual ela tanto se dedicou, então conversa com a irmã Neusiene Medeiros e resolvem homenageá-la no dia de seu aniversário tendo em vista sua importância para a família e para todos da comunidade. Organizam a festa e convidam para essa confraternização funcionários, professores, alunos da escola, além de supervisores e diretores que trabalharam com a mesma durante sua vida profissional, parentes e amigos da comunidade.
A festa foi realizada na escola que é o cenário de toda uma vida de dedicação e profissionalismo, como era esperado foi um dia marcante para a Escola Miguel Arcanjo Pereira pois todos que ali se encontravam tinha algo a dizer da grande profissional que a professora tinha sido, todos recordaram a importância que a mesma teve não só para a fundação como para a continuidade da escola tendo em vista todas as barreiras enfrentadas e superadas por essa espetacular professora que foi Adimar Medeiros da Silva.
3 HISTÓRIA DA UNIDADE ESCOLAR MUNICIPAL MIGUEL ARCANJO PEREIRA
Nesse capítulo contaremos a história da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira desde a fundação, relatando a evolução até os dias atuais fazendo um paralelo com a história da comunidade, ressaltaremos a importância que a mesma trouxe para a vida dos estudantes abrindo caminhos para a educação e melhoria de vida.
A Escola Municipal Miguel Arcanjo Pereira foi fundada aos 16 de fevereiro de 1977, pelo então prefeito de Jardim do Seridó –RN, Edson Medeiros. O qual na época da campanha eleitoral de 1976, estava andando na comunidade do Sítio Brabo pedindo votos e ouvindo sugestões para seu governo se eleito fosse. Em uma dessas conversas, um morador do Sítio Brabo, Antônio Pereira Costa (In Memoriam) fez a solicitação da fundação de uma escola tendo em vista as dificuldades enfrentadas pelas crianças para estudarem, pois as escolas mais próximas eram em sítios vizinhos e não tinham transportes para conduzi-las até tais escolas
Figura14: Visão total Prédio da escola
Fonte: arquivo de Valdenira Pereira cedido em junho/ 2019
A promessa foi feita e prontamente atendida logo no início do mandato do prefeito. A princípio a escola teve suas atividades iniciadas em uma residência doada pelo pai da professora Adimar Medeiros, o senhor José Belarmino Pereira (In Memoriam), nessa residência as aulas foram ministradas durante nove anos até a construção do grupo escolar. Na época da fundação quem exercia o cargo de secretária municipal de educação era a senhora Zélia Costa da Cunha, a qual tinha como função assumir a direção de todas as escolas municipais, tornando-se assim a primeira diretora da escola
Como já foi citado no primeiro capítulo a professora Adimar Medeiros, era responsável pela parte burocrática na escola devido à falta de secretaria e apoio pedagógico na instituição, sendo assim matrículas e transferências eram realizadas pela professora que preenchia aos documentos e os encaminhava para que a diretora e supervisora pudesse assinar; esse sistema é usado até hoje na maioria das escolas rurais. Porém a escola sempre foi privilegiada podendo contar com diretores responsáveis e comprometidos com a educação, os quais sempre estiveram prontos a atender as solicitações da escola, havendo visitas frequentes e quando necessárias visitas extras e em datas comemorativas.
A Escola Miguel Arcanjo Pereira (figura 15) se destacou no município de Jardim do Seridó, pelo desempenho dos alunos e professores, assumindo uma Concepção Pedagógica Tradicional7, prezando pela alfabetização de qualidade de seus alunos. Em sendo, a professora Adimar Medeiros inteligente e criativa, sempre foi incentivadora das poesias, das apresentações, das danças sem fugir do conteúdo obrigatório. Mesmo só tendo o quadro e giz como seus aliados, trabalhando a maioria dos anos sem o livro didático para os alunos, não deixava a desejar, pois exercia sua profissão com amor e dedicação.
Figura15: parte externa da Escola
Fonte: arquivo de Valdenira Pereira cedido em junho/2019
A professora Adimar Medeiros deu uma grande contribuição educacional para a escola e para a vida de seus alunos, pois era incentivadora e sempre comentava a forma que tinha adquirido o seu conhecimento, mostrava através de seu exemplo que para se realizar sonhos, é necessário sonhar e lutar para conseguir, pois, a maioria de seus conhecimentos
7 Pautando-se pela centralidade da instrução (formação intelectual) pensavam a escola como uma agência centrada no professor, cuja tarefa é transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade segundo uma gradação lógica, cabendo aos a lunos assimilar os conteúdos que lhes são transmitidos. Nesse contexto a prática era determinada pela teoria que a moldava fornecendo-lhe tanto o conteúdo como a forma de transmissão pelo professor, com a consequente assimilação pelo aluno. Essa tendência atinge seu ponto mais avançado na segunda metade do século XIX com o método de ensino intuitivo centrado nas lições de coisas.
adquiridos foram através da educação à distância, dona de habilidades incríveis de conhecimento capaz de transitar por todas as área do conhecimento do fundamental I de forma lúdica e poética, com empenho, levou a escola a ter a primeira turma concluinte do ensino fundamental I no ano de 1980.
Na escola as datas comemorativas eram trabalhadas de forma prazerosa enfatizando a cultura popular, os costumes da comunidade e as tradições nordestinas. Apesar dos recursos escassos, sempre houve grande participação dos alunos e dos pais que não mediam esforços na evolução dos filhos. Como a escola é inserida em uma comunidade onde a maioria são parentes entre todos se conheciam e estavam engajados numa melhoria de vida, de modo que a escola conseguia e ainda consegue integrar os conteúdos obrigatórios com o respeito ao próximo, princípios de honestidade, caráter e perseverança o que refletiu em seus alunos que em grande maioria conseguiu estudar e assim ingressar em diferentes profissões, cursar faculdades, enfim evoluir como cidadãos.
No ano de 1982 a professora Adimar Medeiros pariu a sua primeira filha e em razão da licença maternidade, que na época eram quatro meses foi substituída durante esse por Luzia Alves de Azevedo que deu continuidade aos trabalhos da escola deixando assim sua contribuição para essa instituição.
Com dificuldades e superações a escola vai transformando a realidade dos moradores da comunidade até que enfim em 1986 o então prefeito Manoel Paulino dos Santos Filho resolve construir a sede da instituição escolar. Nessa empreitada cumpre ressaltar mais uma vez a importância do senhor Antônio Pereira Costa e de seu irmão Cypriano da Costa Pereira (ambos In Memoriam), filhos do patrono da Escola Miguel Arcanjo Pereira, que desta vez doaram o terreno no sítio de seus pais, para que a prefeitura municipal de Jardim do Seridó pudesse realizar a construção do prédio público. Era uma construção singela que contava com uma sala de aula, uma biblioteca, uma cozinha, uma despensa, banheiro e uma área pequena.
O prédio da escola foi inaugurado aos 18 dias de outubro de 1986, sendo aquele um momento de muita alegria, pois era mais uma conquista para aquela comunidade tão carente, mas ao mesmo tempo de um povo capaz, lutador, que acredita no poder transformador da educação. Nessa época os alunos que terminavam o Ensino Fundamental I, já tinham a oportunidade de estudar o Ensino Fundamental II na cidade de Caicó-RN, vez que a prefeitura Municipal de Caicó fornecia um uma caminhonete (pau de arara) para transportar os alunos até a cidade.
No ano de 1987 a escola registrou significativa quantidade de alunos matriculados, de modo que levou a professora Adimar Medeiros a solicitar uma professora para lhe auxiliar no desenvolvimento dos trabalhos, sendo contratada Josinete Aparecida de Medeiros
moradora da comunidade que nessa época já tinha estudado na cidade de Caicó-RN e tinha ensino médio. Ela recorda que foi seu primeiro emprego e que foi uma experiência maravilhosa que trabalhava em conjunto com Adimar Medeiros, realizando os planejamentos em conjunto, citando ainda que a escola era uma extensão de suas casas, que havia um ótimo entrosamento entre elas e a merendeira Neusa Pereira de Medeiros, bem como delas com os alunos e com os pais ou responsáveis pelas crianças
No ano de 1987, a professora Adimar Medeiros pariu a sua segunda filha e desta vez quem lhe substituiu no período de quatro meses da licença maternidade foi Janeide Maria de Medeiros, que nos relatou que se sentiu privilegiada em poder lecionar naquela unidade escolar, lembra do bom relacionamento e interesse dos alunos, que na época respeitavam os professores, e que apesar das limitações que existiam nas escolas públicas o rendimento escolar era muito significativo. Segundo a mesma, a melhor coisa que aconteceu na comunidade foi a fundação da escola, citou ainda o brilhante trabalho da professora Adimar Medeiros que desempenhava sua função com responsabilidade e amor.
Apesar de terem prestado um excelente trabalho na escola, Josinete Aparecida e Janeide Maria, ambas irmãs, precisaram ausentar-se em função da mudança de sua família para cidade de São José do Seridó-RN, dessa forma Adimar Medeiros volta a trabalhar sozinha porque não tinha na comunidade pessoas com estudo suficiente para assumir o cargo de professora. Porém os alunos que já haviam concluído o ensino fundamental I, estavam estudando na cidade de Caicó, e a maioria, ao sair da Escola Miguel Arcanjo Pereira, passavam a estudar na Escola Santo Estêvão Diácono na cidade de Caicó-RN.
A escola segue desenvolvendo suas atividades com os alunos, e aos poucos a comunidade vai evoluindo. No ano de 1992 a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN) coloca a rede de alta tensão na comunidade, mas como em sítio as residências são distantes não era fornecido as redes de acesso para as casas, para isso seria necessário que os moradores comprassem os transformadores, postes e fios para poder ter a energia elétrica instalada em suas casas, o Banco do Nordeste por sua vez tinha umas linhas de créditos para pequenos proprietários de terras no qual um dos projetos era justamente para redes elétricas.
A comunidade mais uma vez se une e faz os empréstimos, uma vez que precisavam de avalistas, uns vizinhos tornaram-se avalistas dos outros e assim conseguiram comprar as redes elétricas que levavam energia para cada casa. Mesmo com esse projeto, alguns moradores não puderam fazer o empréstimo e suas casas e a Escola Miguel Arcanjo
Pereira permaneceram sem energia elétrica, até que veio o Projeto Pau Amarelo8 no ano de 1993, e assim beneficiou as pessoas mais carentes e a escola que passaram a ter acesso à energia e seus benefícios. Com a rede de energia a prefeitura municipal de Jardim do Seridó fez a instalação da rede no prédio e a partir daí abre-se a oportunidade para algum eletrodoméstico vir para a escola.
No ano de 1992, Adimar Medeiros, pariu gêmeas e durante o período de sua licença maternidade foi substituída por Judeni Pereira Dias ex-aluna da escola Miguel Arcanjo Pereira, que nessa época cursava o magistério no Centro Educacional José Augusto (CEJA), na cidade de Caicó, a qual diz que esse trabalho foi muito significativo pois a fortaleceu no curso além de abrir as portas para novas oportunidades uma vez que foi uma experiência para seu currículo.
No ano de 1994, a prefeitura municipal de Jardim do Seridó começou a construção da área de lazer anexa à escola, a qual foi inaugurada em 1995, a qual passa a ser usada nos eventos da escola e da comunidade, sendo esse espaço utilizado até hoje pelos alunos inclusive em períodos de férias, para brincar, jogar bola, andar de bicicleta. Porém por alguns anos essa área também foi usada como espaço para o ensino infantil, pois como a área é coberta e não havia outra sala de aula, e na comunidade havia muitas crianças entre três e seis anos de idade, no ano de 1997 esse espaço foi dividido com “madeirites” e transformado em uma sala de aula
Figura 16: Área de Lazer da Unidade Escolar Miguel Arcanjo Pereira
Fonte: arquivo de Valdenira Pereira cedido em junho/2019
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O Projeto Pau Amarelo assegurava energia elétrica com tarifa social para os consumidores de baixa renda, porém nesse
projeto a Companhia Energética do Rio Grande do Norte não forneciam a rede elétrica de alta tensão nas zonas rurais, então como os moradores do Sítio Brabo já tinham feito o empréstimo para comprar a rede elétrica, as famílias carentes foram contempladas.
A comunidade no início dos anos 1990 teve algumas evoluções, pois logo após a chegada da energia elétrica o sonho da construção da Barragem Passagem das Traíras tornou-se real no ano de 1994, pelo então governador do estado do Rio Grande do Norte Vivaldo Costa. Essa construção gerou emprego e renda para a comunidade pois a maioria dos moradores trabalharam na construção e com o dinheiro ganho muitos fizeram reformas em suas casas, compraram eletrodomésticos ou transportes, melhorando assim a qualidade de vida.
No ano de 1995, logo a sua inauguração, a Barragem das Traíras enche e transborda dessa forma alaga as comunidades vizinhas do Sítio Brabo que ficam na margem da barragem, assim sendo alagou o Sítio Quipauá, onde funcionava a Escola Manoel Regino dos Santos. Por esse motivo foi necessário o remanejamento de professores e alunos que faziam parte da referida escola, alguns alunos e a professora Maria José dos Santos que era professora do estado foram transferidos para cidade de Jardim do Seridó enquanto que Valdenira Pereira da Costa Dias (professora), Maria Gilza Costa Melo (auxiliar de serviços gerais) e alguns alunos vieram para a Escola Miguel Arcanjo Pereira.
Figura 17: Valdenira Pereira da Costa Dias
Com a chegada de mais alunos na escola da comunidade vizinha a professora Adimar Medeiros foi beneficiada, pois como a mesma tinha uma sobrecarga devido ter que trabalhar com todas as disciplinas e turmas, a partir desse momento conta com a presença da professora Valdenira Pereira ex-aluna e neta do patrono da Escola Miguel Arcanjo Pereira, que começa a trabalhar na escola gerando divisão das turmas entre as duas professoras. Adimar Medeiros fica com primeiro e segundo ano das 7 às 11:15 horas e Valdenira Pereira das 12:00 as 16:15 horas. Essa divisão de horário visa facilitar a volta das crianças as suas casas, pois como não tinha transportes e sua moradia era distante com a falta de iluminação pública como nas cidades, fazia-se necessário usar a luz do sol, além do fato de que no período chuvoso sempre há a incidência de chuvas nos finais da tarde, acarretando a cheia dos riachos fato que impedia a passagem dos alunos.
A vinda desses alunos também trouxe benefícios para Neusa Pereira (ASG), que agora dividia a cozinha e a limpeza da escola com Maria Gilza, ambas de fundamental importância para o bom desempenho das atividades escolares, pois além de manterem a escola limpa, organizada, todos bem alimentados com suas comidas deliciosas, sempre estiveram atentas as necessidades da escola como por exemplo orientar as crianças evitando brigas antes das aulas começarem, ou mesmo nos recreios, sempre arrumavam os livros pois a escola não tinha bibliotecária. Estavam sempre à disposição para ajudar, fosse na confecção de lembrancinhas para as comemorações, nas ornamentações ou cozinhando, não mediam esforços para o bom andamento da instituição.
A escola aumentou a quantidade de alunos, as professoras Valdenira Pereira e Adimar Medeiros uniram-se para melhoria da escola sempre se preocuparam de fazer planejamento para que as aulas fossem de qualidade, contavam com o apoio pedagógico da equipe da secretaria municipal de Jardim do Seridó que se reuniam com todas as professoras das escolas rurais debatendo melhorias, traçando metas de ensino fazendo planejamento bimestrais, organizavam as confraternizações e reuniões para que a comunidade sentissem satisfação ao vir a escola.
No ano de 1997, a Escola Municipal Miguel Arcanjo Pereira, começou a ofertar o Ensino Infantil para crianças de três a seis anos, residentes no Sítio Brabo e nos sítios vizinhos. No início esse nível de ensino teve como professora Valdenira Pereira que assumia dois expedientes porque a tarde permanecia nos terceiros e quartos anos do ensino fundamental I. Mas com pouco tempo passou a turma para Valdeniza Pereira da Costa, ex-aluna da Escola Miguel Arcanjo Pereira a qual assume a turma até o fim do ano letivo. Esse ano foi também foi o primeiro ano que a festa junina teve banda de música fazendo a animação da festa a qual se tornou tradicional para a comunidade até os dias atuais.
Em 1998 a Educação Infantil muda de professora porque Valdeniza Pereira passa no vestibular para cursar pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no horário matutino, desse modo quem assume a sala de aula é Cristina Isabel de Azevedo. A mesma recorda que foi seu primeiro emprego, e nos diz que trabalhar na escola foi gratificante pois lhe trouxe grande aprendizagem, mas optou por seguir outra área de atuação profissional, exercendo atualmente a função de agente penitenciária.
No ano de 1998, Valdenira Pereira se ausenta para a licença maternidade, e quem assumi seu lugar na escola é Valdeniza Pereira ministrado aulas para o terceiro e quarto ano. Nesse ano a Escola Miguel Arcanjo Pereira recebeu a implantação do Projeto da Escola Ativa9, no qual foi ofertado cursos de capacitação para os professores na cidade de Natal, e a prefeitura municipal de Jardim do Seridó viabilizou a ida das professoras Adimar Medeiros e Valdeniza Pereira bem como demais professores e supervisores do município
No ano de 1999, Cristina Isabel que estava na educação infantil foi aprovada no Curso de Geografia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na cidade de Caicó, e por isso deixou de lecionar, não teve quem a substituísse, mais uma vez a escola ficou sem educação infantil por alguns anos, desse modo as crianças passaram a frequentar as creches em Jardim do Seridó, sendo transportadas em ônibus escolares oferecido pelo município se deslocando com os alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
Em 1999, o prédio da escola passa por uma reforma geral patrocinada pelo Fundo de Fortalecimento da Escola (Fundescola)10, foi restaurada a estrutura da escola, além de receber fogão industrial, televisão, vídeo cassete, kit educativo contendo, mapas, globo terrestre, ábacos, material dourado, círculos fracionários, damas, jogos educativos, bem como o mobiliário contendo carteiras, birô. Além de promover capacitações para as professoras.
As professoras Adimar Medeiros e Valdenira Pereira participaram de encontros de capacitação em São Luiz (MA), Recife (PE), Natal (RN) os quais eram com professores de toda região nordeste que integrava o Programa Escola-Ativa, o projeto disponibilizou uma supervisora que fazia visita semanal para auxiliar na execução das atividades na sala de aula, e nesse período também foi implantado os Cantinhos de Aprendizagem, principal incentivo à leitura. Esse foi um ano de grande destaque para a escola, pois a mesma recebeu a visita de professores de vários estados do nordeste, inclusive Fernando Pizza (representante do MEC).
9 O programa Escola Ativa busca melhorar a qualidade do desempenho escolar em classes multisseriadas das escolas do
campo. Entre as principais estratégias estão: implantar nas escolas recursos pedagógicos que estimulem a construção do conhecimento do aluno e capacitar professores.
10Fundescola (Fundo de Fortalecimento da Escola) é um programa Ministério da Educação, cofinanciado pelo BIRD (Banco
Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento) e elaborado em parceria com as secretarias estaduais e municipais de educação. Estabelece um conjunto de ações para o ensino público fundamental regular nos estados das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste
Por se tornar uma escola modelo do Projeto Escola-Ativa a instituição passou a receber visita de estudantes universitários, professores de outras escolas do município de Jardim do Seridó, de professores da cidade de Caicó-RN, tornando essa fase foi muito proveitosa para os alunos que ali estudavam, pois as visitas e contribuições de outros educadores ocasionaram grandes avanços educacionais gerando motivação para a continuidade dos estudos vez que percebiam que além da melhoria física a escola estava tendo um olhar de admiração da sociedade e de outras instituições.
No ano de 2000, sentindo a necessidade de se qualificar e melhorar suas habilidades profissionais, Valdenira Pereira faz o vestibular na Universidade Vale do Acaraú , (UVA) com polo na cidade de Patos no estado da Paraíba, a qual foi aprovada em segundo lugar para o curso de pedagogia, embora a faculdade fosse de Patos as aulas foram ministradas na cidade de Santa Luzia, pois esse turma era direcionada somente para professores que exerciam o magistério sem formação superior, sendo a formação exigência da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de N° 9.396/96. Após concluir o curso a professora fez algumas capacitações e pós-graduação em psicopedagogia. As atividades na escola seguem seu curso normal levando conhecimento as crianças da comunidade até que em 2004 Adimar Medeiros, se aposenta deixando assim de prestar seus serviços à comunidade, na qual tanto contribuiu para o desenvolvimento, por essa razão foi realizado uma missa de ação de graças e um jantar em sua homenagem e agradecimento pelos anos de dedicação e amor a escola, nesse ano a escola também recebeu uma reforma do prédio, foi feito a pintura, construção do piso do terraço, colocou uma grade de proteção no final da área de lazer prevenindo assim possíveis acidentes com os alunos.
A escola segue desenvolvendo suas atividades educacionais como sempre, incentivando aos alunos na leitura e escrita, em alguns anos houve a confecção de livros produzidos por alunos com direito a noite de autógrafos na cidade de Jardim do Seridó, onde estiveram presente a equipe pedagógica, diretor e professores do município bem como as famílias dos alunos, preocupa-se em desenvolver seus alunos em todos os aspectos sejam cognitivos, educacionais e sociais, são desenvolvidos projetos de leitura e letramento, incentivo a matemática sempre orientados pela equipe pedagógica do município de Jardim do Seridó.
Para o desenvolvimento do cidadão de forma plena é necessário que ele tenha consciência de seus direitos e deveres, bem como o acesso a saúde, educação, segurança e lazer, a instituição escolar como formadora tenta conscientizar os educandos desses valores, entretanto na zona rural as crianças tem poucas opções para a diversão, e por ser uma