6.5 Fun¸ c˜ oes Trigonom´ etricas Inversas
6.5.2 Fun¸ c˜ ao inversa do cosseno
A fun¸c˜ao cos-seno ´e definida por f : R → R tal que f (x) = cos x, n˜ao ´e bijetora e, portanto, n˜ao tem inversa. Observe graficamente:
Restringindo o contradom´ınio ao intervalo [−1; 1], a fun¸c˜ao ´e sobrejetora. Convencionamos restringir o dom´ınio ao intervalo [0; π], no qual a fun¸c˜ao ´e injetora. Dessa forma temos a fun¸c˜ao:
Ent˜ao, a fun¸c˜ao ´e bijetora e, portanto, tem inversa:
F−1: [−1; 1] → [0; π] tal que F−1(y) = arc cos y O gr´afico da fun¸c˜ao inversa do cosseno ´e o seguinte
Exemplo 27 Determinar y : a) y = arc cos 1 2 Solu¸c˜ao: y = arc cos 1 2 ⇒ 0 6 y 6 π e ⇒ y =π 3 cos y = 1 2 Portanto: y =π 3rad b) y = arc cos − √ 3 2 ! Solu¸c˜ao: y = arc cos − √ 3 2 ! ⇒ 0 6 y 6 π e ⇒ y =5π 6 cos y = − √ 3 2 Portanto: y =5π 6 rad
6.5.3
Fun¸c˜ao inversa da tangente
A fun¸c˜ao tangente ´e definida: f : R1→ R tal que f(x) = tan x, com R1= {x ∈ R|x 6=
π
2 + k ∗ π, k ∈ Z} e seu gr´afico ´e o seguinte:
PET Matem´atica - UFSM 63
Nessas condi¸c˜oes a fun¸c˜ao ´e sobrejetora, pois tan x assume qualquer valor real, mas n˜ao ´e injetor. Desse modo n˜ao ´e bijetora e, portanto n˜ao tem inversa. Vamos restringir o dom´ınio a um intervalo onde ela assume todos os valores reais e, al´em disso, seja injetora. Existem infinitos intervalos onde isso ocorre. Convencionamos restringir o dom´ınio ao intervalo abertoi−π
2, π 2 h
. A fun¸c˜ao fica assim determinada: F :i−π
2, π 2 h
→ R, definida por F (x) = tan x A fun¸c˜ao agora ´e bijetora e, portanto, tem inversa:
F−1:i−π 2,
π 2 h
, definida por F−1(y) = arc tan y O gr´afico da fun¸c˜ao inversa da tangente ´e o seguinte
Exemplo 28 Determinar y : a) y = arc tan√3 Solu¸c˜ao: y = arc tan√3 ⇒ −π 2 < y < π 2 tan y =√3 Portanto: y =π 3rad
b) y = arc tan 1 + arc tan √
3 3
!
Solu¸c˜ao: Chamando z = arc tan 1, temos que: −π 2 < z < π 2 e ⇒ z = π 4rad tan z = 1
Chamando t = arc tan √ 3 3 ! , temos que: −π 2 < t < π 2 e ⇒ t = π 6rad tan t = √ 3 3 Como y = z + t ⇒ y =π 4rad + π 6rad ⇒ y = 5π 12rad
6.6
Fun¸c˜oes Hiperb´olicas
As fun¸c˜oes hiperb´olicas s˜ao definidas como combina¸c˜oes de fun¸c˜oes exponenciais e est˜ao diretamente relacionadas com a hip´erbole, da mesma maneira com que as fun¸c˜oes trigonom´etricas est˜ao relacionadas com o circulo.
As fun¸c˜oes seno e cosseno hiperb´olicos s˜ao denotadas e definidas, respectivamente, como:
f (x) = senh(x) = e
x− e−x
2 f (x) = cosh(x) =
ex+ e−x
2 sendo que Dom(senh) = Dom(cosh) = R, Im(senh) = R e Im(cosh) = (1, +∞). Os gr´aficos das fun¸c˜oes seno e cosseno hiperb´olicos s˜ao, respectivamente:
Importante ´
Cap´ıtulo 7
Fun¸c˜oes Polinomiais
Uma fun¸c˜ao f ´e chamada de fun¸c˜ao polinomial se para um n´umero n, inteiro e n˜ao negativo, temos: f (x) = anxn+ an−1xn−1+ an−2xn−2+ ... + a2x2+ a1x1+ a0
Observe que a fun¸c˜ao polinomial est´a definida em todos os valores reais e, por isso, o dom´ınio desta fun¸c˜ao ´e o conjunto dos n´umeros reais, ou seja, Dom(f ) = R. A imagem, no entanto, depende diretamente do grau do polinˆomio e do coeficiente an. Se tomarmos, por exemplo, as fun¸c˜oes f (x) = x4−2 e g(x) = x5+1,
teremos: Os n´umeros a0, a1, ..., ans˜ao constantes reais chamadas de coeficientes do polinˆomio. O grau do
(e) f (x) = x4− 2 (f) g(x) = x5+ 1
polinˆomio ´e determinado pelo maior expoente j tal que aj 6= 0.
7.1
Gr´aficos
O gr´afico, da mesma maneira que a imagem de f ´e determinado pelo grau do polinˆomio e pelo coeficiente an. Assim, ´e interessante observar que:
. Sempre que um valor k ´e multiplicado por esta fun¸c˜ao ela tende a se contrair ou se expandir. Assim, quanto maior o valor de k, mais contra´ıdo ser´a o gr´afico da fun¸c˜ao. Consequentemente, quanto menor o valor de k mais expandido ser´a o gr´afico da fun¸c˜ao. Graficamente, temos:
7.2
Resolu¸c˜ao de equa¸c˜oes polinomiais de grau n
A resolu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao de 1o grau ´e feita apenas isolando-se a vari´avel x. Para uma equa¸c˜ao de grau 2 podemos fazer uso da equa¸c˜ao de B´ascara e obter as solu¸c˜oes. Mas quando a equa¸c˜ao ´e de grau superior a 2, ou seja, uma equa¸c˜ao c´ubica, quadr´atica, ...?
7.2.1
O algoritmo de Briot-Ruffini
Para resolver equa¸c˜oes de grau maior que 2, podemos fazer uso do algoritmo de Briot-Ruffini, que per- mite, a partir do conhecimento de uma das ra´ızes da equa¸c˜ao, diminuir o grau desta equa¸c˜ao de forma a torn´a-la mais simples, e, por consequencia, descobrir as demais ra´ızes. Assim, na parte superior coloca-se os coeficientes do termos da equa¸c˜ao de xm at´e x0, preenchendo com zeros os coeficientes que est˜ao
faltando. Em seguida, no canto superior esquerdo coloca-se a raiz que j´a ´e conhecida. A partir disto, a sequencia de passos ´e a seguinte:
1. Copia-se o primeiro coeficiente (Coef.1) para a linha de baixo; 2. Multiplica-se o primeiro coeficiente pela raiz;
3. O valor obtido na multiplica¸c˜ao ´e somado ao segundo coeficiente (Coef.2); 4. O valor final desta soma ´e colocado logo abaixo o segundo coeficiente (Coef.2); 5. O valor obtido no processo anterior ´e multiplicado pela raiz de f (x);
6. Este resultado ´e somado ao valor do terceiro coeficiente (Coef.3);
7. O valor final desta soma ´e colocado logo abaixo do terceiro coeficiente (Coef.3); e assim, sucessivamente at´e o ultimo coeficiente.
PET Matem´atica - UFSM 67
onde Coef.1, Coef.2,..., Coef.n correspondem aos coeficientes de xm, xm−1,...,x1,x0, nesta ordem. A raiz
de f (x) corresponde ao valor da raiz da equa¸c˜ao j´a conhecido e o valor de p ´e o resultado da soma. Note que o grau da equa¸c˜ao vai diminuindo ap´os cada etapa, at´e tornar-se uma equa¸c˜ao do 2ograu e ser
resolvido utilizando a f´ormula de B´ascara.
Exemplo 29 Determinar as ra´ızes da seguinte fun¸c˜ao f (x) = x4− 9x3+ 29x2− 39x + 18 = 0.
Utilizando o algoritmo de Briot-Ruffini temos:
Assim, a equa¸c˜ao f (x) = x4− 9x3+ 29x2− 39x + 18 = (x − 1)(x − 2)(x − 3)2= 0 e, portanto, suas ra´ızes
s˜ao x = 1, x = 2 e x = 3.
Exerc´ıcio 38 Resolva as seguintes equa¸c˜oes utilizando o dispositivo pr´atico de Briot-Ruffini: a) g(x) = 2x3+ 3x2− 3x + 2 b)
Exerc´ıcios Propostos
1. Mostre que a fun¸c˜ao f (x) = x2+ 1
x2 ´e uma fun¸c˜ao par.
2. Seja f : R → R uma fun¸c˜ao bijetora tal que f (5) = 2. Se g : R → R ´e a fun¸c˜ao inversa da fun¸c˜ao f , ent˜ao g−1(5) ´e igual a:
a) 2 b) 7 c) 5 d) 3
3. Dadas as fun¸c˜oes f (x) = x2− 1 e g(x) = 2x + 1. Ent˜ao a fun¸c˜ao composta f ◦ g assume o menor
valor em um ponto do intervalo: a) ] − 1, 0[ b) ]0, 1[ c) ]1 2, 2[ d) ] − 1, −1 2[
4. Dadas as fun¸c˜oes f (x) = 4x − k e g(x) = 1 − x. Determine o valor de k de modo que f ◦ g = g ◦ f . 5. Demonstrar que a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes afins ainda ´e uma fun¸c˜ao afim.
6. Se f (x) = 5x, com x ∈ R, o valor de f (x + 2) − f (x + 1) ´e: a) 30 ∗ f (x)
b) 24 ∗ f (x) c) 20 ∗ f (x) d) 9 ∗ f (x) e) 5 ∗ f (x)
7. Dada a inequa¸c˜ao (x − 2)7∗ (x − 10)4∗ (x + 5)3< 0, o conjunto solu¸c˜ao ´e:
a) {x ∈ R | x < −5}
PET Matem´atica - UFSM 69
b) {x ∈ R | 2 < x < 10} c) {x ∈ R | −5 < x < 2} d) {x ∈ R | −5 < x < 10} e) ∅
[1] BIANCHINI, Edwaldo; PACCOLA, Herval; Matem´atica: S˜ao Paulo, Editora Moderna, 1996. [2] FERNANDEZ, Vicente Paz; YOUSSEF, Antonio Nicolau; Matem´atica - conceitos e fundamen-
tos: S˜ao Paulo, Editora Scipione, 1995.
[3] MACHADO, Antonio dos Santos; Matem´atica na escola do segundo grau: S˜ao Paulo, Editora atual, 1996.
[4] PAIVA, Manoel; Matem´atica - conceitos, linguagem e aplica¸c˜oes: S˜ao Paulo, Editora Moder- na, 2002.