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Apresentação do caso de estudo

2.3 Funcionamento do sistema em estudo

No modelo operacional actual, os responsáveis pela gestão municipal dos resíduos sólidos urbanos optaram por particionar a área de recolha em zonas distintas e independentes, a que chamam “giros”. Afectam cada equipa de recolha a um ou mais giros, durante o período de um mês (após o que há rotação das equipas), responsabilizando-a pela recolha e transporte dessa(s) zona(s).

Actualmente a área do concelho está dividida em 13 zonas. A coloração das áreas afectas a cada giro da carta da Figura 2.6 fornece uma percepção visual das localidades

pertencentes aos giros actualmente existentes (no Anexo A esta informação é fornecida com maior detalhe).

Cada equipa funciona em jornada contínua de 6 horas e 45 minutos em dois turnos; o turno da manhã, com início às 5:45m e fim às 12:30, e o turno da noite que ocorre das 17:15 até às 24:00 horas. Ambos os turnos têm a indicação para fazer uma pausa de meia hora, dentro do próprio giro, isto é, a pausa de 30 minutos será feita numa das localidades da rota em curso.

No início de cada turno o motorista parte da garagem, que fica localizada em Repeses, e desloca-se até Cabanões, onde se encontra com os cantoneiros. Daqui seguem para realizar a recolha dos resíduos nas localidades pertencentes ao giro que lhes é afecto. A escolha da rota a seguir é da exclusiva responsabilidade da equipa.

No final da recolha, o camião é pesado e despejado na estação de transferência, localizada no Mundão, seguindo para Cabanões onde o veículo é lavado, se necessário abastecido e onde ficam os cantoneiros. Por fim o motorista dirige-se com o veículo para a garagem, onde acaba o seu turno.

Cabanões (lavagem), Repeses (garagem) e Mundão (estação de transferência) são três locais de visita obrigatória. Cabanões e Repeses são duas localidades próximas da cidade de Viseu, a Sul, enquanto que a estação de transferência fica a Norte, a cerca de 6 km da cidade. Estas zonas encontram-se contornadas a amarelo na carta da Figura 2.6.

Os trabalhadores sabem quantas vezes por semana precisam de ir a cada local do giro que lhes foi atribuído. Assim, à segunda-feira de manhã começam por um local à escolha e vão realizando a recolha. Por não haver garantia de num turno conseguirem percorrer todo o giro, a equipa normalmente retoma o giro no ponto a seguir ao último local de recolha do turno anterior. Este procedimento leva a que, ou por falta de tempo, esquecimento, ou por considerarem que os contentores não estão com uma quantidade de resíduos que justifique a descarga, alguns contentores fiquem por despejar. Na prática, alguns contentores são despejados menos vezes do que as que nos são indicadas pelos serviços camarários, resultando por vezes, numa diminuição da qualidade dos níveis de higiene e limpeza.

Decompondo a operação de colecta nas suas actividades mais elementares consegue-se quantificar alguma informação que se revela útil em qualquer problema de rotas. Além da recolha propriamente dita (carregamento e descarregamento dos contentores), incluímos na operação de colecta a deslocação entre os locais de recolha, a deslocação dentro das localidades, períodos neutros ou não produtivos do ponto de vista estrito da remoção de resíduos e o tempo dispendido com a pesagem e descarregamento do veículo de recolha:

• O tempo gasto em cada localidade depende do número de contentores a recolher nessa zona. Estima-se que o tempo dispendido dentro de cada localidade seja em média 1.8 minutos por cada contentor a descarregar (consultar Matos (1996));

• O tempo médio necessário na estação de transferência para a pesagem e descarregamento do veículo estima-se em cerca de 4 minutos;

Pela observação dos discos dos tacógrafos, onde se encontram registados todos os movimentos do veículo e o número de quilómetros percorridos, foi possível estimar:

• velocidade média entre localidades – cerca de 39 km/hora; • tempos neutros por turno – 2 horas e 15 minutos.

Nos tempos neutros ou não produtivos do ponto de vista estrito da remoção de resíduos, incluímos alguns que são necessários (por exemplo, o “check-in” e o “check-out” dos elementos da equipa de trabalho no início e no fim do dia, os 30 minutos de pausa no meio do turno, tempo dispendido entre a estação de transferência até à guarda do veículo na garagem que inclui a viajem do Mundão a Cabanões, lavagem diária dos veículos, e o percurso de Cabanões a Repezes), enquanto que outros são desnecessários (por exemplo: antecipação do fim do turno, dilatação dos prazos autorizados para refeições, etc).

• O tempo útil médio de cada turno (aplicável quer ao turno da manhã quer ao da noite), resume-se ao somatório dos tempos médios que, efectivamente, a equipa dedica à recolha; tem início em Cabanões e termina na estação de transferência no Mundão, e estima-se em 4 horas e 30 minutos;

• Através da rede viária construiu-se uma matriz triangular 202x202 com a menor distância (em quilómetros) entre quaisquer dois lugares a visitar.

No modelo a desenvolver apenas interessa incluir os trajectos que possam ser optimizados. Assim, os trajectos fixos serão excluídos e o percurso que será utilizado no processo de optimização terá início em Cabanões e fim na estação de transferência do Mundão, com uma duração que não poderá exceder as 4 horas e 30 minutos. É também desejável que não haja grandes desvios nas durações das rotas de cada turno no sentido de não haver desequilíbrios entre equipas.

Em síntese, uma vez identificados os 202 locais que é necessário visitar, conhecida a matriz de distâncias e quantificadas alguns parâmetros do sistema de recolha, é necessário de forma articulada proceder a uma calendarização de visita e estabelecer um conjunto de rotas semanais de modo que:

⇒ cada rota tenha início em Cabanões e termino na estação de transferência, no Mundão;

⇒ os contentores sejam despejados com a frequência indicada pelos serviços camarários (2, 3 ou 6 vezes por semana), obedecendo ao intervalo entre visitas que permita um bom padrão de higiene e limpeza;

⇒ a capacidade dos veículos não seja excedida;

⇒ o tempo de cada rota não ultrapasse as 4 horas e 30minutos; ⇒ o número de rotas não exceda a frota disponível,

de modo optimizado, isto é, percorrendo o menor número de quilómetros possíveis.

Um plano de rotas para cada veículo é a solução pretendida para o problema de recolha de resíduos, sendo o plano um conjunto de rotas para cada dia de recolha. O plano deve ser estabelecido de modo a cumprir todas necessidades de descarga dos contentores e obedecer a restrições relacionadas com os intervalos entre visitas consecutivas.

A solução é estática, visto ser definida uma vez e repetida sem alteração ao longo de vários períodos, isto é, todas as semanas. Evidentemente que sendo uma solução estática é vulnerável a interrupções. Por exemplo, um dia de trabalho não cumprido devido à presença de um feriado, exigirá alterações do plano se não se proceder à recolha nesse dia conforme o plano. Será necessário, nestas situações pontuais, estabelecer planos de contingência adaptados a cada caso particular uma vez que obedecem a um diferente conjunto de restrições.