• Nenhum resultado encontrado

4.7 O RESULTADO – REINVENÇÃO DA POLÍTICA?

5.1.3 Fundamentos do Modelo de Gestão do Walmart

A cultura da empresa ainda preserva os valores defendidos pelo fundador, Sam Walton. Embora a gestão esteja profissionalizada, a família participa do conselho e na tomada de decisões estratégicas da organização. As palavras ética e transparência são recorrentemente citadas como referência para conduta nas operações. Entre os valores destacados ao visarem às boas práticas no mercado varejista, segundo a Diretora de Comunicação, Daniela Castany de Fiori (apud TEREPINS, 2005), estão: (i) respeito ao

indivíduo - funcionário, cliente, fornecedor ou membro da comunidade. De acordo com a

Diretora, a empresa não apresenta uma estrutura hierárquica vertical, as salas não são fechadas e há estímulo ao diálogo; (ii) atendimento ao cliente – superação das expectativas. Para Fiori, todos estão na empresa para atender o cliente. As ações devem estar voltadas para agregar valor a ele; (iii) busca pela excelência - inovando sempre na seleção e promoção de produtos e serviços. Tal busca ocorre também pelos desafios lançados aos colaboradores e que encontram como contrapartida o crescimento dentro da empresa.

A missão e a visão da organização voltam-se aos consumidores. A missão enfatiza a sua filosofia de menor preço e qualidade de vida e consiste em: “Nossa missão é vender por menos para as pessoas viverem melhor”. Quanto à visão, há um apelo racional e emocional na distinção: “ser a melhor varejista do Brasil na mente e no coração dos consumidores”. Como estratégias corporativas para atender as prerrogativas da missão e visão, destacam-se:

 Ser a melhor opção e experiência de compra para o consumidor;

 Foco em custo baixo;

 Crescer de forma lucrativa e contínua;

 Engajar e motivar funcionários;

 Liderar em sustentabilidade;

 Ser o melhor canal entre fornecedor e o consumidor. (RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE, 2009, p. 17).

Na atenção ao capital humano reside um dos principais fatores que sustentam a cultura organizacional. De acordo com o atual Diretor de Responsabilidade social da Walmart Brasil e Diretor do Instituto Walmart, Paulo Mindlin (apud TEREPINS, 2005), a Walmart defende que o respeito ao indivíduo esteja alinhado em todas as unidades no mundo onde atuam. É enfatizado o argumento de que uma equipe bem motivada, feliz e dedicada resulta na excelência no atendimento. Desse modo, a constante capacitação das equipes, estímulo ao

diálogo, benefícios, promoções e valorização do tempo de trabalho são fundamentais para um clima organizacional favorável e fazem parte da rotina e política dos recursos humanos. Os investimentos em novas lojas são demonstrações reais de oportunidades de trabalhos e de crescimento profissional. A maior parte do efetivo de lideranças é composta por funcionários que ascenderam ao cargo. (TEREPINS, 2005).

O relacionamento com os fornecedores é outro fator preponderante na atenção das estratégias de gestão do Walmart. Entre os valores destacados no relacionamento estão: (i) trabalho em parceria; (ii) desenvolvimento em conjunto; (iii) fortalecimento dos fornecedores regionais; (iv) valorização da economia local; e (v) exportação de produtos locais. Os fornecedores locais representam 40% do volume da compra do Walmart. Em 2007, a empresa viabilizou a exportação de uma soma de R$ 720 milhões dos produtos das empresas locais. Tais produtos abastecem a rede em escala global. Os produtores interessados em participar do programa de exportação, devem seguir a legislação brasileira e do país para o qual vão exportar, assim como obedecer às diretrizes mundiais de sustentabilidade do Walmart. Tais fornecedores também são avaliados quanto à responsabilidade social e ambiental, aos padrões éticos e à conformidade tributária e fiscal. (WALMART BRASIL, 2009).

A dedicação ao cliente é descrita como central na abordagem da empresa. Para a busca de excelência no atendimento, o Walmart diversifica nas suas ações: (i) sustenta que vender a preços mais baixos permite elevar o padrão da qualidade de vida das pessoas; (ii) auxilia os consumidores em suas escolhas, orientando-os para o consumo sustentável; (iii) solicita o engajamento dos clientes para as ações de responsabilidade social; (iv) mantém uma Central de Relacionamento localizadas em três pontos estratégicos do País, a fim de atender as solicitações dos clientes, originados de diferentes culturas; (v) transforma as manifestações dos clientes em processo de melhoria contínua; (vi) busca legitimar a voz dos cliente por meio da disponibilização de diferentes canais de comunicação. (WALMART BRASIL, 2009).

Outro importante elo no modelo de gestão do Walmart é manifestado nos seus discursos e nas suas práticas de sustentabilidade. Compreendem como um dever da organização, minimizar os impactos gerados pelas suas operações, assim como de influenciar os fornecedores e clientes para adoção de práticas e posturas socioambientais condizentes com novas exigências. A empresa adota a sustentabilidade “como diretriz que norteia todas as nossas ações: o trabalho dos nossos funcionários, o relacionamento com os fornecedores, o atendimento ao cliente, a atuação na comunidade e o investimento social”. (WALMART BRASIL, 2009). A visão de sustentabilidade, então, enfatiza que as ações sustentáveis

devem exceder o negócio da organização e passar a envolver toda a cadeia produtiva. Tais medidas estão alinhadas ao compromisso global de sustentabilidade, assim como o acompanhamento sistemático das transformações do mercado. A partir de 2005, a empresa decidiu orientar-se por metas ambientais globais, que envolvem três pilares: (i) clima e

energia – visa a redução de energia e utilização de tecnologias mais eficientes; (ii) produtos

– define que a cadeia de suprimentos deve estar alinhada às metas do Walmart e o aumento de produtos sustentáveis, tais como os orgânicos; (iii) resíduos – prioriza a reutilização e reciclagem de materiais e uma política de descarte. (RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE, 2009).

Em junho de 2009, o Walmart assumiu o Pacto pela Sustentabilidade, cujo objetivo foi firmar o seu comprometimento e o da sua cadeia de suprimentos com as práticas de sustentabilidade. O evento foi realizado em São Paulo e reuniu trezentos fornecedores, duzentas organizações não-governamentais, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o diretor do Corporate Environmental Strategy Project em Yale, EUA, Andrew Winston, além de parceiros e funcionários. O compromisso foi assumido pelo presidente da Walmart-Brasil, Héctor Núñez, e outras vinte empresas. As empresas signatárias do Pacto pela Sustentabilidade da Walmart-Brasil são: 3M do Brasil, Ambev, Brinquedos Estrela, Bunge Alimentos, Coca-Cola Brasil, Diageo Brasil, Grupo JBS/Friboi, Johnson&Johson, Kimberly- Clark Brasil, Marfrig, Nat Cereais, Pepsico, Petit Sable, Procter & Gamble do Brasil, Sara Lee, Colgate Palmolive, Grupo Bertin, Cargil, Unilever do Brasil e Nestlé Brasil. Entre os relevantes temas do compromisso assumido, destacam-se o comprometimento com o desenvolvimento sustentável; com o desenvolvimento da cadeia de suprimento; e com a responsabilidade socioambiental da Amazônia Brasileira. Para o presidente, Héctor Núñez, “queremos a liderança em sustentabilidade no Brasil e estamos cada vez mais empenhados em buscar soluções que contribuam para o futuro do planeta”. (REVISTA PRIMEIRO PLANO, jul./2009, p. 44-45).

Para alcançar a liderança planejada, o Walmart propõe como objetivos e metas: tornar os produtos de limpeza mais concentrados até 2012 para reduzir o consumo de água, e reduzir em 70% os níveis de fosfato em detergente e sabão; vender um produto orgânico para cada categoria de alimento em todas as lojas até 2012; estimular o desenvolvimento e a venda de produtos pertencentes ao ciclo fechado, tais quais os reciclados, os alimentos orgânicos e os produtos de origem de cooperativas; promover a utilização de 100% de energias renováveis; reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 20% nas lojas; reduzir o tamanho das embalagens dos produtos de marca própria em 5%; diminuir em 50% o consumo de sacolas

plásticas; e construir novas unidades ECO, que visam a redução de 40% de água e 25% de energia. (REVISTA PRIMEIRO PLANO, jul./2009).

As construções sustentáveis são uma tendência do setor supermercadista e, apesar de representar um custo maior, em média de 5%, traz retornos positivos para a imagem da empresa, economias de manutenção e de custos operacionais, segundo os arquitetos Alexandre Yamaguti e Eduardo Laterza. Para o presidente do grupo Sustentax, Newton Figueiredo, o que caracteriza um supermercado sustentável é um estabelecimento que se preocupa com a saúde dos colaboradores e dos clientes e com a qualidade de vida da população que o cerca, buscando se relacionar com os núcleos carentes que vivem nas imediações. Além disso, procura causar o menor impacto ambiental possível na região onde está ou será instalado. (REVISTA SUPERHIPER, fev. 2009, ano 35, n. 394, p. 30).

Entre as soluções disponíveis para a construção sustentável, destacam-se: (i) materiais – utilização de tintas, vernizes e colas que não sejam nocivos à saúde; (ii) projeto paisagístico – preservar a biodiversidade local e optar por plantas que consomem pouca água; (iii)

armazenagem de água pluvial – para utilização de lavagem das dependências e irrigação do

jardim; (iv) torneiras e descargas – torneiras com temporizadores e descargas com duplo fluxo; (v) piso – calçamento que fazem com que a grama nasça entre as lajotas de concretos; (vi) cobertura e fechamento – evitar cores escuras e colocar papel alumínio entre telhas e o forro; (vii) iluminação – sensores de presença, lâmpadas eficientes e aberturas voltadas para o Sul. (REVISTA SUPERHIPER, fev. 2009, ano 35, n. 394, p. 32). Para a diretora de construções, Elisabete Freitas, “a partir de agora, todos os hipermercados da rede, que incluem as bandeiras Big, Walmart Supercenter e Bompreço, serão construídos com o conceito de ecoeficiência”. (REVISTA SUPERHIPER, maio 2009, ano 35, n. 397, p. 12)62.