O XV C APÍTULO G ERAL DA C ONGREGAÇÃO DO V ERBO D IVINO
5. Fundamentos teológicos da expressão «diálogo profético» e o documento final do Capítulo
O dia 8 de Julho de 2000 foi reservado para reflexão, e os capitulares passaram- no em recolecção espiritual, à semelhança do que já tinham feito em duas outras ocasiões no decorrer do Capítulo292. O P. Antonio Pernia, o novo Superior Geral, eleito
290 Cf. Ibid., sessão 38, C.
291 84 votos a favor, 41 contra, 5 abstenções e 1 juxta modum. Cf. Ibid., sessão 38, C. 292
As outras duas recolecções tiveram lugar nos dias 10 de Junho e 23 e 24 de Junho. A primeira recolecção foi orientada pelo Superior Geral, Heinrich Barlage e, tendo em consideração que era véspera de Pentecostes, versou sobre a acção do Espírito Santo na Igreja e na Congregação. A dado passo, afirmou: «Estamos aqui [no Capítulo Geral] para explicar o que significa ser seguidores da Palavra e servidores do Espírito. Para isto é importante ver com os olhos da fé – ou numa frase da qual gosto – ver com os olhos do coração de maneira a que possamos colocar-nos ao serviço do principal agente de toda a actividade missionária». H. Barlage, «Primer retiro del Capítulo General 2000», AG-SVD, XV CG, folder VI, doc. 211, p. 2. A recolecção dos dias 23 e 24 de Junho foi orientada por Ittoop Panikulam e Jorge Fernandes e serviu de preparação espiritual para a eleição do novo Superior Geral e do seu Conselho que iria ter lugar nos dias seguintes. Panikulam fez duas prelecções, sendo uma sobre o discernimento e a outra sobre o perfil de um líder religioso. Cf. I. Panukulam, «Saludable disposición para discernir en un
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no dia 26 de Junho293, foi o pregador desta recolecção espiritual e aproveitou a ocasião para reflectir sobre o diálogo e a Palavra. Sobre o diálogo «porque – explicou – creio que este Capítulo Geral versou sobre o diálogo», sobre a Palavra porque é a Palavra «que nos ocupa, a nós, missionários do Verbo Divino»294. Antonio Pernia partilhou alguns pensamentos sobre o diálogo porque, segundo as suas palavras, «em breve estaremos a dizer aos nossos confrades do mundo inteiro que a interpretação mais profunda e melhor da nossa vocação missionária se expressa pelo termo ‘diálogo’, ou mais especificamente, ‘diálogo profético’»295. A. Pernia escolheu reflectir também sobre a Palavra, dada a importância das palavras, pois «somos humanos e formamos comunidades humanas porque podemos falar e intercomunicar-nos». E, como cristãos,
«acreditamos que através das palavras os povos não se dividem nem se destroem, antes se constroem e se curam. Porque acreditamos num Deus que falou, e o mundo foi criado; num Deus que falou outra vez e foi o começo da família humana. E, quando na plenitude dos tempos o Verbo se fez carne, uma profunda comunhão entre Deus e a humanidade tornou-se possível. Realmente, como cristãos, somos um povo da Palavra. Portanto, o que nos interessa como humanos e como cristãos, é a Palavra»296.
Também os membros da SVD, pela sua origem, carisma e missão, são «sócios e colaboradores do Verbo Divino» e, em virtude do seu nome, «aquilo que nos pertence como religiosos missionários é a Palavra»297. Na sua palestra, Antonio Pernia destacou Capítulo», AG-SVD, XV CG, folder VI, doc. 215; Id., «Perfil de un líder religioso», AG-SVD, XV CG, folder VI, doc. 217. Jorge Fernandes fez uma palestra sobre a evangelização como testemunho de Jesus Cristo, a partir do texto dos Actos dos Apóstolos: «sereis minhas testemunhas» (Act 1,8), acentuando a presença do Espírito Santo na missão. Cf. J. Fernandes, «Sereis mis testigos», AG-SVD, XV CG, folder VI, doc. 216.
293 O Superior Geral eleito, Antonio Pernia, nasceu nas Filipinas em 1949. Em 1961 entrou no Seminário Menor da SVD em Cebu City e depois frequentou o Seminário Christ the King em Quezon City, Manila. Em 1967 entrou para o Noviciado no Divine Word Seminary, em Tagaytay City e, em 1969, fez os primeiros votos. Fez os votos perpétuos em 1975 e foi ordenado sacerdote em 1975. Depois da ordenação, ensinou filosofia no Divine Word Seminary, em Tagaytay. Em 1987 fez o doutoramento em teologia na Universidade Gregoriana, em Roma. A. Pernia foi membro do Conselho Provincial da Província das Filipinas Sul de 1982 a 1985 e Vice-Provincial de 1990 a 1993. Foi delegado da sua Província ao XII Capítulo Geral (1982), foi membro da Comissão Preparatória do XIII Capítulo Geral (1988) e foi escolhido para Coordenador Zonal da Ásia-Pacífico (ASPAC) em Fevereiro de 1992. Em Janeiro de 1993, foi eleito Superior Provincial das Filipinas Sul. No Capítulo Geral de 1994, foi eleito Vice-Superior Geral da Congregação do Verbo Divino.
294 O texto da sua palestra intitula-se «Diálogo con el Verbo» e encontra-se em AG-SVD, XV CG, folder VI, doc. 220. A série de publicações que, anualmente, o Generalato publicou na sequência do XV Capítulo Geral tem precisamente este título.
295
A. Pernia, «Diálogo con el Verbo», p. 1. 296 Ibid., p. 2.
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três dimensões do diálogo com o Verbo. Em primeiro lugar, defendeu que a missão é um diálogo com o Verbo, ou seja, ao dialogar com outros, o missionário verbita deveria fazê-lo imbuído da Palavra; estar disponível para partilhar a Palavra e ao mesmo tempo disponível para escutá-la através dos outros e das suas culturas e tradições religiosas. Em segundo lugar, a oração e a espiritualidade também fazem parte integrante do diálogo com o Verbo, na medida em que o missionário vive e trabalha, reza e celebra os sacramentos, medita e escuta a Palavra. Finalmente, a vida comunitária é diálogo com o Verbo, pois o Verbo era a razão pela qual os missionários verbitas se reuniam em comunidade, uma comunidade que não é uma mera justaposição de indivíduos que se associaram para estar, viver ou trabalhar juntos; é necessário que seja uma comunidade de irmãos caracterizada por um diálogo activo enraizado na Palavra que os convoca a todos para a unidade.
Num outro ponto da sua conferência, Antonio Pernia chamou a atenção dos capitulares para a mudança de paradigma na compreensão da missão que a Congregação do Verbo Divino aceitara, pondo em destaque a fundamentação trinitária do diálogo e afirmando que uma das intuições fundamentais que provocaram a mudança de paradigma foi a de que a missão tem a sua origem, não na Igreja, mas em Deus, Uno e Trino, que é comunhão e comunicação, interacção e diálogo. E esta comunicação interna, este diálogo, abraça a criação inteira e a história. A missão verbita deveria ser entendida como a participação no ininterrupto diálogo de Deus com o mundo e com a humanidade. Neste sentido, ainda antes de ser uma tarefa específica, por exemplo o diálogo inter-religioso, «diálogo é a própria natureza da missão, uma vez que é a natureza do próprio Deus»298. Deste entendimento da missão decorrem, segundo Pernia, três atitudes fundamentais que o missionário verbita deve ter em conta: contemplação, respeito pelo outro e humildade. Assim,
«o primeiríssimo desafio na missão é procurar, discernir e fortalecer a presença de Cristo e a acção do Espírito no mundo. Por isso, será impossível discerni-lo se não nos abeiramos à missão numa atitude de contemplação. Porque contemplar significa precisamente observar, escutar, aprender, discernir, responder, colaborar»299.
298 Ibid., p. 3. 299 Ibid., p. 4.
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O respeito pelo outro deveria levar o missionário a procurar «não impor a sua própria agenda, mas a descobrir a agenda de Deus» no permanente diálogo de Deus com os povos do mundo. Neste sentido, o missionário
«respeitará a liberdade de Deus, presente e actuando entre os povos, e respeitará igualmente a liberdade das pessoas que estão dando a sua resposta à sua maneira. Ele ou ela evitará a tendência que alguns missionários tiveram no passado, de proclamar o Evangelho como se eles fossem os seus donos, ditando os termos pelos quais deve ser entendido, vivido e celebrado por um povo específico, num lugar particular e numa cultura concreta. Pelo contrário, num espírito de diálogo respeitoso, o missionário partilhará a Palavra de Deus como um presente que ele ou ela recebeu de outros, consciente de que não é mais do que um administrador e não o seu dono ou mestre»300.
Por seu turno, a humildade é fruto da consciência de saber que «a missão não é nossa mas de Deus». Por isso, o missionário não deve procurar o poder – económico, cultural, tecnológico ou até o poder dos meios de comunicação – pois o único poder de que necessita é «o poder da Palavra e do Espírito»301. A compreensão da missão como diálogo implica também consequências na própria pessoa do missionário. Segundo Antonio Pernia, não basta anunciar o Evangelho, é necessário partilhar a própria experiência de Deus; não é suficiente narrar a história de Deus, é preciso narrar como a história de Deus e a do missionário estão profundamente interligadas. Não basta proclamar Jesus como Salvador, é necessário «testemunhar como Cristo me salvou». Neste sentido, «a missão não é simplesmente uma profissão ou uma ocupação ou um trabalho oficial que cumpro durante certas horas do dia. Nem pode haver distinção entre a minha vida missionária e a minha vida pessoal. Toda a minha vida é missão», conclui302.
A propósito da oração, Antonio Pernia falou da sua natureza dialogal, chamando a atenção para duas consequências303. Em primeiro lugar, a oração entendida como diálogo conduz a um êxodo para fora dos nossos pequenos mundos, onde nos consideramos o centro do mundo, entrando no grande mundo de Deus. A partir desta perspectiva começamos a ver, por exemplo, quanta dor há no mundo, quantas pessoas passam fome, quantas crianças morrem prematuramente. Em segundo lugar, a oração 300 Ibid., p. 4. 301 Ibid., p. 5. 302 Ibid., p. 5. 303 Cf. Ibid., p. 6.
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produz um reconhecimento de que tudo é um dom, que o mundo não foi criado por nós, mas é um presente de Deus. Isto permite ter consciência de que não somos os donos do mundo. Na oração descobrimos, de forma libertadora, que não somos deuses, mas simples criaturas. Ainda a propósito da oração, Antonio Pernia disse que «quando o diálogo com o Verbo se torna um hábito, ou seja, algo que fazemos não porque nos foi imposto, mas porque temos alegria em fazê-lo, então o diálogo com o Verbo torna-se espiritualidade».304
As comunidades religiosas de vida e de missão são expressões do diálogo com o Verbo e deveriam ser «comunidades do Verbo» não só no sentido de serem «comunidades que valorizam a presença do Verbo Divino, mas também no sentido de serem comunidades nas quais valorizamos as palavras que escolhemos para falar ou não falar».305 O Superior Geral eleito concluiu a sua reflexão insistindo na importância do diálogo para a vida e missão do missionário verbita, defendendo que numa Congregação tão diversificada e plural é necessário um diálogo cada vez mais profundo e permanente entre as diferentes zonas, províncias e confrades, para que esta diversidade se torne uma bênção e não uma maldição. Como comunidades de fé, as comunidades verbitas estão unidas por laços espirituais que é necessário reforçar através do diálogo inter-pessoal e do diálogo com o Verbo. Antonio Pernia terminou a sua prelecção desejando «que todos nós consigamos de verdade, como filhos espirituais do padre Arnaldo e seguidores do Verbo Divino, ser pessoas de diálogo!».306
Entretanto, a equipa de redacção, dando seguimento ao mandato recebido, preparou a segunda versão revista do documento final, tendo em conta a contribuição dos grupos de trabalho e as discussões no plenário307. Esta segunda versão revista, datada de 10 de Julho de 2000, começou a ser discutida no plenário, na sessão da manhã do dia seguinte. No parágrafo 39 esta versão continuava a manter o texto de Lucas 4. No parágrafo 46 fora inserida a expressão «nas situações de fronteira», conforme ficara decidido anteriormente. A secção 3.2. do segundo capítulo incorporara a expressão «the
304 Ibid., p. 6. 305
Ibid., p. 8. 306 Ibid., p. 9.
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fourfold prophetic dialogue» (quádruplo diálogo profético). Entretanto também tinham sido introduzidas algumas alterações de índole redactorial e editorial sugeridas pelos grupos. De facto, a maioria das novidades desta segunda versão eram de ordem técnica e estilística.
A maioria dos delegados indicou, através de uma votação de braço no ar, que naquela sessão queriam discutir a nova versão do capítulo terceiro308. Anteriormente, os capitulares tinham pedido que a comissão de redacção reelaborasse o terceiro capítulo usando a estrutura da versão original e incorporando o conteúdo quer da versão original quer da primeira versão revista. R. Kisala e R. Salazar foram os autores da revisão do terceiro capítulo, ou seja, dos parágrafos 77-102. Após a discussão no plenário, foram votadas algumas alterações substanciais. Assim, os capitulares aprovaram uma moção pedindo que se elaborasse um parágrafo acerca da «colaboração inter-religiosa e ecuménica» e incumbindo esta tarefa à comissão de redacção. Foi também aprovada uma moção pedindo que se adicionasse um parágrafo sobre o problema da SIDA, deixando à discrição da equipa de redacção quer a sua formulação quer a localização na estrutura do documento. Depois, foi aprovada uma moção para que se incorporasse uma frase no parágrafo 87 acerca da «promoção do processo de inculturação a nível paroquial». E, finalmente, os capitulares aprovaram uma moção a favor da inclusão de um parágrafo sobre o ministério pastoral entre os povos indígenas, tendo deixado a sua formulação e o seu lugar no corpo do documento à consideração da equipa de redacção.
Na sessão da tarde do mesmo dia, 11 de Julho, os capitulares continuaram a debater o terceiro capítulo da segunda versão do documento309. Foi decidido substituir o parágrafo 95 por um novo parágrafo de modo que a espiritualidade verbita aparecesse melhor identificada310. No final desta sessão foi anunciado que qualquer sugestão complementar de ordem redactorial deveria ser submetida por escrito à equipa de redacção até às nove horas da manhã do dia seguinte.
308 Cf. «Minutes», sessão 41, A. 309 Cf. Ibid., sessão 42, A. 310
Na declaração final este novo parágrafo corresponde ao §100. Este parágrafo inspira-se, também, na RM 87 que fala dos traços essenciais de uma espiritualidade missionária e na RM 90 que coloca a universal vocação à missão no contexto da universal vocação à santidade.
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A discussão da segunda versão prosseguiu na sessão da manhã do dia seguinte, 12 de Julho. T. Hughes passou em revista a Introdução e o primeiro capítulo da segunda versão do rascunho da declaração capitular que foram depois submetidos a votação com as mudanças redactoriais aprovadas nas discussões do plenário. A moção foi aprovada sem dificuldade311. De seguida, M. Cleary e R. Kisala recapitularam o segundo capítulo que, posto a votação, foi aceite por larga maioria312. Ainda nesse dia, mas na sessão da tarde, foi apresentada uma nova revisão da terceira parte do documento, intitulada «a nossa resposta missionária»313. Seguiu-se a discussão desta nova versão da terceira parte, assim como da conclusão do documento. De salientar que no parágrafo 92, que falava sobre o ministério entre os povos indígenas, foi aprovada a inserção da seguinte frase: «comprometemo-nos a aprender as suas línguas e cultura ao trabalhar para o crescimento das Igrejas indígenas».
No dia 13 de Julho de 2000, na sessão da manhã, os capitulares retomaram a discussão do terceiro capítulo da terceira versão do rascunho314. Foi proposta e aprovada uma nova versão do parágrafo 92 de modo a remover uma frase sobre a autonomia dos povos que poderia ser mal interpretada por alguns governos315. Depois, os capitulares aprovaram o texto do capítulo três e a conclusão316. Seguidamente procedeu-se à votação do texto completo da terceira versão revista da declaração capitular, com as mudanças redaccionais e de conteúdo aprovadas na Aula. O texto completo, intitulado «À escuta do Espírito: a nossa resposta missionária hoje» e consistindo nos parágrafos 1-109, foi aprovado por larga maioria317. Na mesma ocasião foi decidido que o texto final da declaração capitular seria publicado e distribuído por correio electrónico assim
311 Cf. «Minutes», sessão 43, A. A favor: 126; contra: 4; abstenções.
312 Cf. Ibid., sessão 43, A. A favor: 128; contra: 2; abstenções: 2; juxta modum: 1. 313
Cf. Ibid., sessão 44, A. O texto, em inglês, desta versão do capítulo terceiro intitula-se «Part III – Our missionary response» e encontra-se em AG-SVD, XV CG, folder V, doc. 202.
314 Cf. «Minutes», sessão 45, A.
315 A frase original era a seguinte: «Through prophetic dialogue and the process of inculturation, we unite with the people in their struggle to uphold their culture and language and to be autonomous in their own territory». Removida a última parte, «and to be autonomous in their own territory», foi aprovada com a seguinte votação: 126 a favor; 4 contra; 0 abstenções; 1 juxta modum.
316 Cf. Ibid., sessão 45, A. A favor: 126; contra: 2; abstenções: 1; juxta modum: 2. 317
Cf. Ibid., sessão 45, A. A favor: 124; contra: 4; abstenções: 0; juxta modum: 3. O texto original inglês tem como título: «Listening to the Spirit. Our missionary response today. Statement of the SVD 15th General Chpater», Nuntius XV, fasc. 2 (2000), pp. 93-120.
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que tivessem sido introduzidas as necessárias alterações editoriais e feita a tradução para outras línguas. A versão impressa seria enviada mais tarde.
No dia 14 de Julho de 2000, no decorrer da última sessão plenária, os membros do Capítulo delegaram no Conselho Geral, através de uma aclamação unânime, a autoridade para editar e traduzir o documento capitular318. Ainda nesta sessão, os representantes das quatro zonas apresentaram ao plenário um breve resumo das respostas das respectivas zonas acerca da futura implementação da declaração capitular. Depois, o Superior Geral eleito, Antonio Pernia, apresentou uma moção em que, em nome do XV Capítulo Geral, exprimia a gratidão de todos ao padre Heinrich Barlage pelos doze anos de serviço à Congregação do Verbo Divino como Superior Geral. Toda a assembleia, de pé, manifestou o seu reconhecimento com um entusiástico e unânime aplauso. Seguidamente, e tendo os capitulares votado a favor por larga maioria, H. Barlage declarou encerrado o XV Capítulo Geral319.
Na tarde desse mesmo dia, todos se reuniram na igreja da casa SVD de Nemi para celebrar a Eucaristia de encerramento do XV Capítulo Geral, à qual presidiu o Superior Geral em exercício, H. Barlage320. Dada a solenidade e a importância do evento, é justo destacar algumas ideias que o padre Barlage acentuou na homilia que proferiu na ocasião321. Face à diversidade de opiniões e de expectativas presentes no Capítulo Geral, Barlage considerou que o documento capitular era a expressão de um esforço de mudança de paradigma que deveria ajudar a Congregação para prosseguir na sua missão permanecendo, porém, criativamente fiel ao seu Fundador, Arnaldo Janssen. Barlage confessou que estava satisfeito com o processo de preparação, de interpretação dos sinais dos tempos e das conclusões alcançadas ao longo de três anos de reflexão individual e comunitária. Depois, tomando como ponto de reflexão o quinto capítulo do
318 Cf. «Minutes», sessão 46, C. O documento aprovado no Capítulo Geral tem 109 parágrafos; o texto publicado pelo Conselho Geral tem 111 parágrafos. A discrepância é fruto da edição final. Provavelmente para facilitar a leitura e tornar o texto mais compreensível, os editores optaram por dividir os §§32 e 52, dando origem a mais dois parágrafos no texto final.
319 Cf. Ibid., sessão 46, H. A favor: 122; contra: 3; abstenções: 1; juxta modum: 7.
320 O Superior Geral eleito, Antonio Pernia, tomou posse no dia 29 de Setembro de 2000. Cf. A. Pernia, «New general administration of the Society of the Divine Word. P 07/2000», Nuntius XV, fasc. 2 (2000), p. 67.
321 Cf. H. Barlage, «Homily for the closing of the XV General Chapter», AG-SVD, XV CG, folder VI, 222.
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livro do Apocalipse, que o Fundador tomara como inspiração para a decoração que mandou esculpir no centro do altar principal da igreja da casa missionária de Steyl322, perguntou se a missão verbita não seria realmente «partilhar a tarefa do Cordeiro de abrir o livro da história, de dar sentido à vida dos povos, de testemunhar a presença do Espírito de Deus nas diferentes culturas?». E, prosseguiu, questionando a assembleia da seguinte forma: «Não é o convite ao quádruplo diálogo profético uma clara expressão da nossa participação na tarefa de abrir o livro da história?»323. Articulando o XV Capítulo Geral e a noção de «diálogo profético» com a visão missionária do Fundador, Barlage pediu aos capitulares que, ao regressarem aos seus países, mobilizassem todos os seus confrades para implementar esta visão missionária. A terminar a sua alocução apontou dois desafios. Primeiro, dado que ninguém pode escolher por si próprio ser