questão 1 (AFAP/ADVOGADO/2019) Diante do sistema de controle de constitucionalidade
estabelecido pela Constituição da República Federativa do Brasil e consideradas a legislação e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pertinentes,
a) a ação direta de inconstitucionalidade constitui meio de controle de constitucionalidade prévio realizado pelo Poder Judiciário.
b) por conta do princípio da separação de Poderes, o presidente da República não realiza con- trole de constitucionalidade.
c) não é admitida a fungibilidade entre ação direta de inconstitucionalidade e arguição de descumprimento de preceito fundamental.
d) não será admitida arguição de descumprimento fundamental quando houver qualquer ou- tro meio eficaz capaz de sanar a lesividade.
e) a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade não possuem os mesmos legitimados para a sua proposição.
Letra d.
Começarei pelas alternativas incorretas.
Errada a letra a, pois a ADI é meio de controle de constitucionalidade repressivo, que acontece quando a norma já está em vigor.
Também errada a letra b, já que o veto jurídico realizado pelo presidente da República é meio de controle preventivo de constitucionalidade. Na forma repressiva, o Presidente pode orientar a não aplicação da norma que ele entenda ser inconstitucional.
A letra c está errada, na medida em que, segundo o STF, é admitida a fungibilidade entre ADI e ADPF, desde que haja dúvida objetiva e que não haja erro grosseiro. Ah, a fungibilidade é de mão dupla.
Quanto à letra e, no plano federal, a ADI, ADO, ADC e ADPF podem ser ajuizadas pelos mesmos nove legitimados, previstos no artigo 103 da Constituição: presidente da República; Mesas da Câmara dos Deputados ou do Senado; PGR; Governadores dos Estados e do DF; Mesa das
Assembleias ou da Câmara Legislativa; partidos políticos com representação no Congresso; Conselho Federal da OAB; e confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. A única ferramenta do controle concentrado que difere quanto aos legitimados é a ADI inter- ventiva, que só pode ser ajuizada, no STF, pelo PGR; e no TJ, pelo PGJ.
Sobra como correta a letra d. É aqui que entra o § 1º do artigo 4º, segundo o qual não se admi- tirá ADPF quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. Está aí o princípio da subsidiariedade.
Porém, não se engane: no ordenamento jurídico, sempre haverá algum meio capaz de sanar a lesão. Pode ser, por exemplo, um mandado de segurança ou um recurso extraordinário. Então, se você levar o princípio da subsidiariedade ao extremo, a ADPF iria para o brejo.
Atento a isso, o STF entende que o cabimento da ADPF fica restrito àquelas hipóteses em que não houver, no controle concentrado, outro meio capaz de sanar a lesão ao preceito funda- mental (STF, ADPF 77).
Sendo ainda mais claro: para se ajuizar uma ADPF, não pode ser cabível ADI, ADO ou ADC.
questão 2 (DPE-MA/DEFENSOR PÚBLICO/2018) No julgamento do MS 32.033/DF, de re-
latoria do Ministro Gilmar Mendes, com redação do acórdão pelo ex-Ministro Teori Zavascki, de 20/06/2013, o Plenário do Supremo Tribunal Federal enfrentou caso em que o Poder Judi- ciário foi procurado para realizar controle de constitucionalidade prévio de atos normativos. Nessa oportunidade, o Plenário entendeu que
a) em regra, não se deve admitir a propositura de ação judicial para realizar o controle de constitucionalidade prévio dos atos normativos, salvo duas exceções: caso a proposta de emenda à Constituição seja manifestamente ofensiva à cláusula pétrea e na hipótese em que a tramitação violar o Estatuto dos Congressistas.
b) é possível a propositura de ação judicial para realizar controle de constitucionalidade pré- vio dos atos normativos, haja vista que ao Supremo Tribunal Federal cabe a defesa da Cons- tituição Federal.
c) em regra, não se deve admitir a propositura de ação judicial para realizar o controle de constitucionalidade prévio dos atos normativos, salvo duas exceções: caso a proposta de emenda à Constituição seja manifestamente ofensiva à cláusula pétrea e na hipótese em que a tramitação do projeto de lei ou de emenda à Constituição violar regra constitucional que discipline o processo legislativo.
d) é possível a propositura de ação judicial para realizar controle de constitucionalidade prévio dos atos normativos, contanto que seja ela proposta por Parlamentar em exercício de manda- to.
e) não é possível o controle abstrato de constitucionalidade de projetos de lei, pelo Supremo Tribunal Federal, sob nenhuma hipótese.
Letra c.
O controle preventivo jurisdicional é feito somente por meio do mandado de segurança a ser impetrado por parlamentares, os únicos legitimados. Mas por que o MS? É que os parlamen- tares possuem o direito líquido e certo ao devido processo legislativo. Em outras palavras, eles têm que preservar a garantia de participarem de um processo legislativo sem falhas, sem desrespeito à Constituição. Outro ponto importante que você deve ter em mente é o que pode ser questionado nesse MS. A importância dessa discussão é tamanha que já foi objeto de provas discursivas. Então, todo cuidado é pouco! Sobre o tema, a jurisprudência do STF se consolidou no sentido de que o MS só pode ser usado em duas situações:
• para barrar a tramitação de PEC que viole cláusula pétrea: é que o artigo 60, § 4º, da Constituição dispõe que determinadas matérias não podem ser objeto de proposta ten- dente a aboli-las;
Ou seja, a proibição é maior do que permitir que uma matéria seja aprovada. O Constituinte, buscando “cortar o mal pela raiz”, determina que aqueles assuntos não podem ser sequer deliberados, quanto mais aprovados.
• para frear a tramitação de projeto de lei por vício formal: aqui cabe ainda mais atenção. Repare que eu sublinhei a palavra “formal”, exatamente para chamar sua atenção para esse ponto.
Mais uma vez, digo que a regra é o controle de constitucionalidade operar-se após a norma entrar em vigor. O controle preventivo é excepcional, pois, em virtude da separação de pode- res, a lógica é deixar o legislador trabalhar. Pois bem, o STF entende que, em relação a proje- tos de lei, o controle preventivo jurisdicional só pode atuar se houver a comprovação de vício formal no procedimento. Isso significa que não caberá MS para barrar a tramitação de projeto de lei por vício material (conteúdo).
Diante disso, a letra c é a resposta correta.
questão 3 (DPE-MA/DEFENSOR PÚBLICO/2018) A ação que tem como pressuposto fático
a existência de decisões de constitucionalidade, em processos concretos, contrárias à posi- ção governamental é conhecida como ação
a) direta interventiva.
b) direta de inconstitucionalidade. c) declaratória de constitucionalidade.
d) direta de inconstitucionalidade por omissão. e) difusa de constitucionalidade.
Letra c.
O cabimento da ADC depende da comprovação de controvérsia judicial acerca da constitucio- nalidade da norma.
Do contrário, o STF seria transformado em órgão de consulta. Em outras palavras, se não há divergência nos Tribunais sobre a constitucionalidade da norma, não haveria razão para o ajuizamento da ADC. Aliás, a utilidade da ADC está relacionada à busca para se afastar de nosso ordenamento jurídico um cenário de insegurança, de dúvidas sobre a validade daquela norma.
Fique atento(a) para um detalhe: a controvérsia tem de ser judicial. Isso porque são comuns questões de prova falando na “necessidade de demonstração de controvérsia doutrinária ou judicial”.