É com muita satisfação que venho aqui para fazer esse breve depoimento de minha participação, melhor dizer da Engenharia de Construção na área da segu-rança e do desenvolvimento. E responder a mais algumas perguntas que o senhor quiser me fazer.
General, que missão, voltada concomitantemente para os campos da segurança e do desenvolvimento, gostaria o senhor, como Comandante de Batalhão de Engenharia na época do Governo do Presidente João Figueiredo, de abordar aqui nesse início de sua entrevista?
Meu General, no início do Governo do General Figueiredo, já em vigor a política do General Geisel de abertura lenta e gradual, começou a haver movimentos de perturbação da ordem no Baixo Araguaia, na região de Xambioá. O assunto estava no âmbito do Conselho de Segurança Nacional, e foi criado o Grupo Executivo de Terras do Baixo Araguaia – o GETAT, sendo seu Presidente o Doutor Íris de Oliveira. O grupo foi inspirado no GETSOP (Grupo Executivo de Terras do Sudoeste do Paraná), criado há muitos anos por problemas semelhantes.
Conversando com o General Venturini, este disse ao Dr. Íris: “Por que ele não pedia ao Exército para colocar um destacamento de Engenharia para trabalhar na-quela área tão carente de infra-estrutura e de estradas.” Assim, surgiram os primei-ros contatos e a proposta foi apreciada pelo Chefe do Departamento de Engenharia e pelo Diretor de Obras de Cooperação, respectivamente General-de-Exército Antô-nio Ferreira Marques e General-de-Divisão Rubens Mário Brum Negreiros, que aco-lheram bem a idéia, condicionada a aprovação à realização de reconhecimentos e
avaliação. Foi selecionado o 1o Grupamento de Engenharia, com sede em João
Pes-soa, na Paraíba, para o cumprimento da missão. Era seu Comandante o General-de-Brigada Roberto França Domingues, que a acolheu com entusiasmo.
Foram feitos os reconhecimentos preliminares com a minha presença na
qualidade de Comandante do 2o Batalhão de Engenharia de Construção (2o BEC),
de assessores meus e de assessores do Comando do Grupamento. Fomos para a região de Xambioá, fizemos os reconhecimentos e os levantamentos que nos asse-guraram que havia viabilidade para o que se pretendia.
Logo foi feita uma reunião em Brasília com as presenças dos generais Anto-nio Ferreira Marques, Rubens Mário Brum Negreiros e Roberto França Domingues, da minha também e de assessores do Grupamento e do Batalhão.
Foram, então, discutidos os problemas. O General Marques e assessores apre-sentaram várias ponderações e dificuldades que poderiam surgir para que a obra fosse levada a bom termo, e todos os óbices levantados foram prontamente respondidos
pelos representantes do Grupamento e do Batalhão, o que levou o General Marques a comentar: “Vocês de Construção são muito rápidos para resolver os problemas”. Isso aqui fica como homenagem ao nosso pessoal da Engenharia de Construção.
Que merece mesmo!
Então, foi celebrado um convênio com o GETAT e esse convênio foi assinado lá no meu Gabinete, em Teresina, e editado em setembro de 1980. Por força desse convênio, recebi na hora dois cheques: um de duzentos milhões de cruzeiros e outro de vinte milhões. Os duzentos milhões de cruzeiros eram para as obras e instalações, compra e recuperação de equipamentos, e os vinte milhões de cruzei-ros eram para assistência social. Tratava-se de muito dinheiro na época. Compramos uma série de equipamentos, como, por exemplo, quatro tratores D6, tratores de médio porte, motoniveladoras, carregadeiras, mototransportadores, caminhões, caminhonetes, cavalos-mecânicos, pranchas para transporte do equipamento, com-boios de lubrificação, lanchas e outros equipamentos.
Mobilizamos, então, o pessoal. No planejamento, constava empregar um des-tacamento com base numa Companhia de Engenharia Reforçada, comandada por um major do QEM (Quadro de Engenheiros Militares), mais um capitão de Engenharia, quatro tenentes, um tenente-médico, um tenente-dentista, um tenente QAO, tas 93 praças, sendo que 18 sargentos e 17 cabos. Além disso, ainda, foram previs-tos 262 civis, formando, realmente, uma tropa expressiva.
Esses civis eram da área, General?
Alguns levados do Batalhão e outros seriam contratados na área, inclusive serventes. O pessoal mais especializado teve que ser levado ou convocado...
Quer dizer, isso foi uma forma de aumentar o nível de emprego na área e diminuir a agitação, porque a pessoa começa a arranjar emprego, não fica ociosa; esse trabalho da Engenharia é importante por isso também, porque absorve mão-de-obra.
Sim, sem dúvida nenhuma. A Engenharia de Construção se presta muito para esse tipo de operações. Os planejamentos de aquisições e de lotação dos efetivos foram quase completamente efetivados e foram suficientes para levar a bom termo as obras. O primeiro Comandante desse destacamento, faço aqui uma homenagem, foi o Major QEM Edson Jesus de Paiva e Silva, já falecido infelizmente...
Edson Jesus de Paiva e Silva.
Para o início das instalações, foi organizado um destacamento precursor que já levou equipamentos diversos. Foi com muita dificuldade que chegou à área, uma região muito carente de meios, de pontes etc., e foi necessário muito esforço para lá chegar com o material. Uma das primeiras coisas que esse destacamento
precur-sor fez foi arrumar as ruas da cidade que receberam saibro e foram patroladas. O
destacamento foi comandado pelo 1o Tenente Jorge Ernesto Pinto Fraxe, oficial
muito competente e dedicado.
Que maravilha!
E a resposta da população? Nos dias que se seguiram, pintaram a maioria das casas, em sua maioria de madeira. A vila ganhou nova aparência.
Começaram, então os trabalhos. A maioria dos projetos havia sido feita ou estava sendo feita pela Seção Técnica do Grupamento.
Foram construídos o aquartelamento, hospital, escola e residências para al-guns elementos que não poderiam morar em barracões. Um outro aspecto a desta-car é que o projeto de urbanização manteve quase a totalidade da vegetação. Era um babaçual muito bonito.
A localidade onde foi instalado o Destacamento foi São Geraldo do Araguaia – PA, que é vizinha a Xambioá, do outro lado do Rio Araguaia.
Uma beleza não é?
Infelizmente, não pude assistir a tudo, porque cinco meses depois, estava passando o comando da Unidade.
O senhor foi na verdade o pioneiro, iniciou o projeto.
Exatamente, pioneiro e talvez o único que tenha condições de trazer essas informações, porque os outros já entraram com a obra em andamento, deixando de conhecer esses detalhes iniciais da missão. Felizmente, a missão foi coroada de êxito. Esse Destacamento veio a se chamar Destacamento Rodrigo Octávio em home-nagem a um grande General que tanto defendeu a área amazônica. Outra coisa interessante é que a Companhia de Engenharia foi reforçada por um Pelotão de Equipamento, para fazer a manutenção do material, uma Seção de Assistência Social, com Setor de Saúde, Hospedagem e Armazém; um Setor de Administração, com Contabilidade, Pessoal, Compras, Aprovisionamento, além de uma Seção de Infor-mações e uma Seção de Ligação com o Fundo Rural.
General, a travessia do Araguaia ali, como é feita, existe balsa?
De balsa.
No Tocantins, já havia ponte, mas ali era usada uma balsa. O Rio Araguaia é muito bonito!
Está muito bem.
Bom, resumindo essa parte, é importante destacar o valor da presença do poder do Estado. A nossa presença influiu muito, tranqüilizou a área, melhorou a assistência social.
Na primeira fase da obra, estava prevista a implantação de uma primeira ligação da Fundação Brasil Central ao entroncamento com a Rodovia Transama-zônica, a BR-230, com um ponto de passagem obrigatório em São Geraldo do Ara-guaia, numa extensão aproximada de duzentos quilômetros. Houve posteriormente outras etapas para os trabalhos.
Minha atuação ocorreu na instalação do Destacamento. Deram prossegui-mento às obras os sucessivos comandantes do 2o BEC, os coronéis engenheiros mili-tares QEMA Antônio José Blanco e Arby Ilgo Rech.
Na primeira visita de reconhecimento àquela região, contatei um dos dois padres franceses que atuavam na área (já não lembro qual) – os Padres Aristiles Camiou e Miguel Lemois.
O sucesso da atuação do Destacamento acabou, tudo indica, provocando nova onda de conflitos, levando ao episódio da expulsão dos padres do País (de grande repercussão na imprensa) durante a Presidência Interina do Vice-Presidente Aureliano Chaves, enquanto o Presidente Figueiredo estava sendo operado em Cleveland, nos EUA.
Infelizmente, o Destacamento teve vida curta e as instalações foram transferidas para a Polícia Militar do Pará.
Vou encaixar aqui uma idéia que venho alimentando. Vou aproveitar a “dica” para registrá-la. Julgo que essa experiência de São Geraldo do Araguaia deveria ser estendida para a Transamazônica. A área adjacente da Transamazônica é muito carente e precisa ser desenvolvida. São terras férteis, na região das ca-choeiras dos rios, próximas a locais próprios para a geração de energia elétrica. A rodovia dará condições para, a partir da região ocidental do Acre, ter acesso ao Pacífico e a seu mercado.
Esse trabalho na Transamazônica naturalmente será objeto de oposição dos grupos ecológicos e de todos que terão interesses contrariados por nossa atuação naquele mercado.
Quanto aos problemas ecológicos, tenho um registro interessante a fazer. Em 1992, quando Diretor de Assuntos Culturais, participei, em Curitiba, de seminário promovido por uma ONG que trata da preservação dos sítios históricos e naturais. Falaram na floresta amazônica, e eu me levantei meio encabulado, estava à paisana, era General-de-Brigada e o único militar entre civis. Criei coragem e disse: “Acho que precisamos ocupar a região da Transamazônica, escoando para área parte do contin-gente de população, de mão-de-obra que acaba indo para as favelas. Dar assistência técnica para eles produzirem, vivificando assim as áreas adjacentes à rodovia. Para me precaver, disse que, quanto à floresta, há maneiras de impedir que ela seja destruída.”
Então, o professor Aziz Ab’Saber, da Universidade de São Paulo, bastante co-nhecido nacionalmente, disse que eu tinha razão, e que a floresta, inclusive, pode se recuperar com o tempo, pois ela tem grande poder de recuperação.
Quando menino, na rua em que eu morava, havia uma família Abi Saber. Creio que a grafia era essa. Os rapazes chamavam Latife e Ricardo. Era uma família grande... Eles são sírios, de origem síria. Era um pessoal com o qual nos dávamos bem.
O Professor Ab’Saber mostrou-se muito distinto e afável no trato...
General, que outras realizações da Revolução gostaria o senhor de destacar por tê-las conhecido de perto?
Olha, tomei conhecimento de muitas realizações, mas destacaria o Progra-ma Rodoviário Nacional, muitas obras foram feitas. A ligação Cuiabá-Rondônia, por exemplo.
Cuiabá-Rondônia que entrou pelo Acre.
Depois foi pelo Acre adentro até Cruzeiro Sul, a cidade mais a oeste do Brasil, próxima à fronteira com o Peru.
É a BR-364.
Sim, é a BR-364. Acrescentaria a BR-163, Cuiabá-Santarém e a BR-174, Manaus-Caracaraí-fronteira da Venezuela.
Importantes obras, todas da Engenharia Militar, não é isso General?
Sim, todas importantíssimas e da nossa Engenharia Militar...
Do nosso 2o Grupamento de Engenharia de Construção.
Sim, do 2o Gpt, que depois vim a comandar como General-de-Brigada.
É o Grupamento Rodrigo Octávio.
Exatamente, que depois veio a se chamar Rodrigo Octávio, em homenagem a esse General que tanto fez pela Amazônia.
Tenho um carinho especial pela área, porque quando cheguei com a Brigada das Missões do Rio Grande do Sul, em Tefé...
Ah, sim, você conhece bem a Amazônia.
Inicialmente, fiquei no Grupamento de Engenharia, durante um mês e pouco, e inauguramos uma placa naquela Grande Unidade para marcar a nossa passagem por ali antes de fazer o lance do Comando da Brigada para o destino final, período em que nos preparamos em Manaus, para nos juntarmos com o Escalão Avançado, a Companhia Comando da 16a Brigada de Infantaria de Selva que já se encontrava em Tefé. Então, recebi um apoio valioso do 2o Grupamento e eles nos hospedaram, abri-garam os pioneiros, ali em Manaus, por iniciativa do General Freitas, que comandava
o Grupamento. Ele viabilizou a continuidade dos nossos trabalhos na área, colocando sua administração ao nosso dispor.
Exatamente. Então, o General Freitas foi quem o recebeu naquele momento
difícil. Ele comandou o 2o Grupamento, se não me engano, em 1992 e 1993.
Ele me deu todo o apoio com a sua infra-estrutura. Acompanhei, depois, lá em Tefé o trabalho da Engenharia feito em Urucu – em proveito da Petrobras – os reco-nhecimentos iniciais, as idas do Comandante do Grupamento. Eu o recebi em Tefé e visitei as obras rodoviárias ligando os vários poços de petróleo e o principal na área central. Vi todo o trabalho bonito da Engenharia e, agora, ultimamente, uma Compa-nhia do 8o Batalhão de Engenharia de Construção (8o BEC), terminou o nosso quartel em Tefé, o Posto de Saúde, os arruamentos, as casas dos oficiais e sargentos.
Uma companhia do 8o BEC.
Exatamente, do 8o BEC.
Sediado em Santarém, no Estado do Pará.
Fez o quartel, fez os arruamentos todos, cabendo-lhe, posteriormente, recupe-rar a avenida que liga a cidade ao aeroporto que ganhou o nome de Avenida dos Expedicionários, a qual passa na frente do nosso quartel e das nossas residências, que distam cerca de 1 km do Aeroporto.
Coube a essa Companhia do 8o BEC fazer a ampliação do Aeroporto de Tefé, um trabalho da maior relevância porque passou a permitir ali o pouso de qualquer tipo de aeronave. Então, há uma integração muito grande com a Engenharia, e o 61o
Batalhão da Brigada, que foi para Cruzeiro do Sul, instalou-se no quartel do 7o BEC, que se mudou para Rio Branco, o qual, embora já extinto, veio a ser reativado pelo Ministro Tinoco, por solicitação do General Pacheco, Comandante Militar da Amazô-nia, em 1992, atendendo a uma exposição de motivos da nossa Brigada.
O General Pacheco pediu ao Ministro Tinoco para reativar o 7o BEC de modo a continuar, inclusive, o trabalho na 364 no Estado do Acre, o difícil trabalho de manu-tenção daquela rodovia, na época até Sena Madureira, para aproveitar uma verba do Ministério dos Transportes.
Em direção ao Peru...
Exatamente! Então, foi uma ligação muito estreita com a nossa Engenharia e ficou um pelotão do 7o BEC nos ajudando, apoiando o 61o Batalhão de Infantaria de Selva que vindo do asfalto, no Rio Grande do Sul, de repente se viu na selva, numa área totalmente diferente da que atuava anteriormente.
Onde é que estava o 61o?
O 61o estava em Santo Ângelo...
Foi para lá pelo Rio Juruá, vindo de Belém, em face da BR-364 estar interrom-pida – no trecho entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul; então, ele não pôde usar aquela rodovia, que funcionou, muito bem, na época da Revolução, mas, depois, começou a haver problemas, por falta de manutenção, principalmente das pontes, o que a deixou interrompida e, aí, o pessoal teve que vir de Belém, pelo Rio Amazonas, até Manaus, e, daí, pelo Solimões, passou por Tefé e desceu pelo Juruá até Cruzeiro do Sul, uma viagem longa e ali se juntou ao 7o BEC, à nossa Engenharia, que ensinou tudo para a gente. A Engenharia fazia tudo na região – travessia do Juruá, tratamento de água – temos muito que agradecer ao 7o BEC. Lutamos pelo seu renascimento com um forte argumento – já havia uma Companhia em Rio Branco, então tudo apontava para a solução de juntar o Batalhão àquela Companhia e foi o que aconteceu. Está lá vivo até hoje com toda força, fazendo o seu trabalho muito valioso no Acre, enquanto o 5o BEC faz em Rondônia. Queriam que o 5o BEC trabalhasse também para o Acre, o que seria problemático. Então, os dois Batalhões estão lá, ajudando o desenvolvimento do Brasil; isso tudo a gente viu de perto, por isso a gente admira demais a Engenharia. General, a imagem do Exército Brasileiro vem apresentando elevados índices de acei-tação junto à sociedade que vem sendo medido através de pesquisas de opinião. O que o senhor acha disso?
Respondendo à pergunta, eu diria que, nesses dois anos que permaneci em área da jurisdição do Governo do Estado, pude observar o seguinte: vão demorar muitos anos para que o Brasil venha a ter quadros para administrar o País como o Exército preparou os seus. Essa preparação começa com os soldados e cabos e se estende para as graduações e postos acima. Dá gosto de ver a desenvoltura dos nossos soldados, a forma como operam nossos sargentos. O gabarito das Escolas de Sargentos (EsSA) e o Centro de Instrução e Aperfeiçoamento de Cruz Alta, os cursos de formação de Cabos (CFC), nossos cursos para Oficiais – AMAN, Escola de Aperfei-çoamento de Oficiais (EsAO) e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), por tudo isso, acho que vai levar muito tempo para o Brasil ter quadros administra-tivos do nível dos nossos. Os militares que passam para a reserva e que vão atuar nos mais diversos setores, em geral, agem com muita desenvoltura e correção...
Seriedade.
As pessoas confiam em nós.
Está muito bem, o senhor abordou muito bem a questão.
Então, é por isso que as pesquisas apontam as Forças Armadas e o Exército em particular como as instituições de maior credibilidade no País, mais de 80%, acima de todos os outros.
Exatamente.
Encontrei esses dias um conhecido, que foi meu aluno no IME, e perguntei-lhe a respeito de um companheiro da turma anterior a minha – o Coronel Roehl, como é que vai? “Ele está muito bem, sempre atuante. É professor muito concei-tuado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Diretor do Curso de Engenharia Civil, e atua na Pastoral da Família.” Este é um bom exemplo do eleva-do desempenho eleva-do nosso pessoal.
Eclético, é verdade, o senhor abordou um aspecto importante. Foi a primeira consideração desse tipo feita aqui, mostrando esse outro lado, que é o lado prático da vida no desempenho de suas atividades, onde a gente pode aquilatar bem o valor do homem, através do exercício de suas funções.
General, o senhor gostaria de registrar algo mais para o nosso Projeto de História Oral do Exército na Revolução de 31 de Março?
Bom, acho que essa experiência deve ser ampliada para outros aspectos da participação do Exército no desenvolvimento e na segurança do País... Quando eu era coronel servi no EMFA. Um capitão-de-mar-e-guerra fuzileiro naval, um diplo-mata e eu fomos, a convite da Escola de Estado-Maior da Nigéria, fazer uma palestra na escola, em Kaduna, sobre a contribuição das Forças Armadas para o desenvolvi-mento do País. E, aí, pudemos abordar a grande contribuição dos militares. Da parte do Exército, notadamente nas várias áreas da Engenharia e das Comunicações. Estas, por exemplo, deram origem ao sistema Embratel, que foi criado pelo nosso pessoal formado pelo IME.
Exatamente.
O próprio ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) foi originário de uma especialidade lá da Escola Técnica do Exército (que depois veio a se chamar IME). Julgo, portanto, que o Exército tem muitos campos em que pode vir a dar sua contribuição.
Pois não. Inclusive, General, me permito aqui acrescentar que essa sua idéia já é vitoriosa, porque se resolveu trabalhar com a Engenharia no Projeto de História Oral, ora iniciado, de modo a mostrar o que tem sido a Engenharia Militar dentro dos diversos setores; o IME, as fábricas, os arsenais, os parques, a Engenharia de Cons-trução, a participação dos nossos engenheiros na vida econômica do País. Esse impul-so dado às telecomunicações, transportes etc. deve-se em muito ao nosimpul-so pesimpul-soal técnico, sempre chamado a cooperar nessa área da Ciência e da Tecnologia.
Veja, por exemplo, no setor da energia elétrica, em plena crise de energia, o comentarista da Globo, Arnaldo Jabour, numa das suas crônicas, criticou a
Revolu-ção de 1964, por haver construído as grandes usinas de Itaipu, de Tucuruí, não me lembro bem por que razão, possivelmente por algum problema ocorrido nas estia-gens. Como pode alguém pensar tal absurdo!...
Esse sujeito é um fracasso! Como é que ele não consegue enxergar que a falta d’água, momentânea, não tem nada a ver com essa forte consciência de que a hidrelé-trica é o melhor meio de produção de energia, inclusive não polui, superior, em todos os aspectos, às termoelétricas, que devem ser vistas como complementares.
Realmente, fala sem conhecimento de causa.
No Brasil, há muito pândego falando de coisas sérias. Então, me parece que aí foi o caso bastante clássico do revanchista desesperado tentando denegrir obras intei-ramente consagradas.
Gostaria de acrescentar também os dois Planos Nacionais de Desenvolvimen-to, verdadeiras maravilhas que a Revolução criou. A gente sabia, o que ia se fazer.