Atualmente, o trabalho cartográfico que melhor exprime os aspectos
geológicos gerais da área trabalhada, refere-se à Folha de Guarapuava, publicada na escala
1:250.000 (MINEROPAR, 2006).
Naquele trabalho, os dados geológicos foram homogeneizados e compilados a
partir de um grande número de estudos de épocas e enfoques distintos, com defasagem nos
diferentes estágios de conhecimento, oriundas de diversos projetos, em várias escalas,
principalmente 1:50.000 e 1:100.000, sem trabalhos de compatibilização no campo. A base
cartográfica geológica utilizada fundamentou-se em estudos de ANDRADE & SOARES
(1971) e de VIEIRA & MARINGÁ (1972).
Deste modo, a partir da imagem da Folha de Guarapuava, disponibilizada na
internet, foi efetuado um recorte digital, que representa a área objeto deste estudo (figura 3).
Para tanto, foram utilizadas as ferramentas do programa “Photoshop”.
Figura 3. Recorte digital, efetuado sobre a Folha de Guarapuava (MINEROPAR,2006).
Demonstra os aspetos geológicos gerais da área estudada. (Figura sem escala
definida, meramente ilustrativa).
A figura 3 resume o conhecimento bibliográfico acerca dos aspectos
geológicos da região. Tal informação, também é corroborada pelos estudos de BELLIENI et
al. (1984), NARDY, et al. (1986), PICCIRILLO et al. (1988) e CLEMENTE (1988).
É interessante destacar o estudo de SCHNEIDER (1970), que identificou,
naquela época, para a região de Guarapuava, o andesi-basalto pórfiro (rocha mais ácida que o
basalto), o qual apresenta coloração cinza-clara a cinza-escura, com predomínio de
plagioclásio (andesina), piroxênio (hiperstênio e augita), opacos (magnetita) e quartzo.
Tendo em vista que o presente trabalho faz uma abordagem geoquímica, é
importante citar o estudo de MELFI & PEDRO (1977). Estes autores apresentam documentos
cartográficos que devem ser considerados como esboços esquemáticos, por abrangerem todo
o território nacional, e estarem em escala 1:15.000.000.
O enfoque do mapeamento de MELFI & PEDRO (1977), foi estritamente
pedogeoquímico, referindo-se essencialmente ao tipo de evolução da fração mineral nos solos.
Deste modo, a região em epígrafe, enquadra-se na cobertura de alteração ferralítica com
gibbsita. A alteração ferralítica é caracterizada pelo desenvolvimento da paragênese
“caolinita-gibbsita”, com a gibbsita podendo aparecer em maior ou menor quantidade. Ainda
nesse estudo, foi evidenciado que a zona de altitude maior que 500 metros, relativamente fria
(t < 18 ºC) do Brasil Meridional, onde se desenvolve a floresta de araucária e os “campos” de
altitude, apresentam-se como uma das três zonas brasileiras com os meios mais fortemente
aluminizados. Nesse domínio, conforme os autores, a decomposição dos resíduos vegetais dá
origem a ácidos orgânicos relativamente agressivos, que são susceptíveis de atacar os
constituintes do material ferralítico.
Num estudo subseqüente, também em escala 1:15.000.000, MELFI & PEDRO
(1978) complementam o trabalho anterior. Nesse caso, o objetivo principal foi à
caracterização dos mecanismos envolvidos na alteração superficial das rochas, e na formação
dos solos brasileiros. As características termoídricas, definidas pelos elementos clássicos do
clima e do pedoclima tiveram forte influência na forma de classificação. Deste modo, para a
região estudada, as condições atuais da alteração, sob o ponto de vista hidrodinâmico e
físico-químico, enquadram-se no domínio da acidólise.
Portanto, conforme MELFI & PEDRO (1978), essa região é caracterizada,
essencialmente, pela ação dos ácidos orgânicos, ligada à existência de baixas temperaturas.
Nesse caso, acrescenta-se que os reativos presentes são suficientemente ácidos para salificar,
não somente os cátions básicos, mas também o alumínio, que aparece em solução, sob forma
de íons mais ou menos hidroxilados, de acordo com o pH do meio.
Destaca-se, também, o recente estudo de JANASI et al. (2005), situando a
Província Magmática Paraná Etendeka (PMPE) de idade Eocretácea (~ 138-127 Ma).
Representa um dos maiores eventos vulcânicos do planeta, estendendo-se por cerca de
1.200.000 quilômetros quadrados, nos estados do centro-sul do Brasil e países vizinhos
(Paraguai, Argentina e Uruguai). As ocorrências de Etendeka, na Namíbia, representam a
continuidade da província no continente africano. O volume de lavas é estimado em 800.000
quilômetros cúbicos, com espessuras máximas alcançando, localmente, 1.700 metros ao longo
do eixo central da Bacia.
Com relação à idade da Formação Rio do Rasto, existem alguns importantes
dados radiométricos para a Formação Irati e, indiretamente, para a Formação Rio do Rasto.
Nesse sentido, SOUZA (2006) apud FANTON et al. (2006), em sua revisão da
palinoestratigrafia do Permo-Carbonífero da Bacia do Paraná, apresentou informação de que
bentonitas intercaladas na Formação Irati (resultantes da alteração de cinzas vulcânicas)
teriam a idade de 278,4 ± 2,2 Ma, equivalendo aproximadamente ao final do Artinskiano.
STOLLHOFEN et al. (2000) apud FANTON et al. (2006), divulgaram que cinzas vulcânicas,
um pouco acima da últimas ocorrências de bivalves na Formação Gai-As, correlacionáveis a
bivalves da parte inferior da Formação Rio do Rasto, foram datadas como 265 ± 2,5 Ma, o
que equivaleria, aproximadamente, ao meio da Época Guadalupiano (início do Capitaniano).
Tais dados, permitem posicionar a porção superior da Formação Teresina, provavelmente no
Guadalupiano inferior (Roadiano).
3.5 DADOS CLIMÁTICOS
Foram obtidos, do IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná, da Estação
Climática Colégio Agrícola – Guarapuava, localizada no perímetro urbano da cidade de
Guarapuava, numa altitude de 1058 metros, dados climáticos diários de uma série de análises,
num horizonte temporal de 27 anos, ou seja, desde 01/12/1975 até 31/07/2002. O Instituto
Tecnológico SIMEPAR também cedeu gentilmente as séries mensais de dados. As
informações climáticas obtidas foram: radiação solar média (W/m
2); médias das temperaturas
mínimas (graus ºC); média das temperaturas máximas (graus ºC); vento médio mensal (m/s);
vento mínimo mensal (m/s); rajada máxima de vento mensal (m/s); precipitação (mm);
pressão atmosférica média mensal (hPa); pressão atmosférica mínima mensal (hPa);
temperatura média (graus ºC); temperatura mínima absoluta mensal (graus ºC); temperatura
da relva média (graus ºC); temperatura máxima absoluta mensal (graus ºC); umidade do ar
média mensal (%); umidade do ar mínima mensal (%) e; umidade do ar máxima mensal (%).
Como a maioria das aplicações envolvendo a influência do clima no
geoambiente requer um grande volume de dados, utilizou-se como ferramenta computacional,
para facilitar a organização dos dados e geração de produtos, o sistema computacional
CLIMA (Computação Lógica de Informação para Monitoramento Climático), conforme
FARIA, et al. (2002). Trata-se de um programa computacional para organização e análise de
dados meteorológicos. Esse sistema permite, dentre outras aplicações, calcular a
evapotranspiração potencial e determinar médias, desvio padrão e probabilidades para
períodos decendiais, mensais e anuais. Destaca-se ainda que o clima, juntamente com a ação
antrópica, são os principais agentes moduladores da paisagem atual.
3.6 REGIME DE VENTOS
Conforme COPEL (1999), sobre o território paranaense dois fatores principais
conduzem o movimento atmosférico: a) um centro de alta pressão no oceano faz
predominarem os ventos de quadrante nordeste e; b) frentes frias, de periodicidade irregular,
variam a direção do vento em 360º. O efeito secundário de diferenças térmicas e de relevo
também age em escala micro-regional.
Em escalas de tempo, indo de minutos a dias, o vento apresenta grande
variabilidade. Para períodos maiores existe uma regularidade mais acentuada. De modo geral,
todo o interior do Paraná apresenta regimes diurnos semelhantes e, no regime sazonal, em
termos das médias mensais, a velocidade dos ventos apresenta maior intensidade nos períodos
de inverno e primavera, coincidindo com a estiagem na região sudeste do Brasil.
Consultando o Mapa do Potencial Eólico do Estado do Paraná (COPEL, 1999),
especificamente enfocando a área de estudo, as condições médias previstas para 50 metros de
altura sem obstáculos, tem-se 5 a 6,5 m/s (metros por segundo) de velocidade média anual.
No documento
PAULO CÉSAR POLISELI
(páginas 65-71)