• Nenhum resultado encontrado

2.1 CAPITAL INTELECTUAL

2.1.2 Gestão competitiva e capital intelectual

Quanto se utiliza o termo capital intelectual, no primeiro momento, pode parecer que é a composição única de capital humano, por entender-se que o intelecto é peculiar, porém, é importante ressaltar que este entendimento precisa ser desdobrado a outros ativos que resultam da aplicação do conhecimento. Para Edvinsson e Malone (1998, p. 40), o capital intelectual “é a posse de conhecimento, experiência aplicada, tecnologia organizacional, relacionamentos com clientes e habilidades profissionais que proporcionam a empresa uma vantagem competitiva no mercado”, e por meio desta definição, pode-se chegar ao valor de mercado da empresa, conforme representado na Figura 03.

Figura 03 - Mensuração do capital intelectual

Fonte: Adaptado de Vaz et al. (2015, p. 80), com base em Edvinsson e Malone (1998, p. 47). Valor de Mercado Capital Financeiro Capital Intelectual

Capital Humano Capital

Estrutural Capital Organizacional Capital de Inovação Capital de Processos Capital de Clientes

31 Observa-se na Figura 03 que Edvinsson e Malone (1998) organizam o capital estrutural, subdividindo em: capital organizacional, que abrange os investimentos da empresa em sistemas, instrumentos e filosofia operacional; capital de inovação, que incluiu os dois ativos tradicionais que não possuem natureza física: a propriedade intelectual e o saldo remanescente dos ativos intangíveis, como a filosofia com a qual a empresa é administrada; e capital de processos, que é constituído por técnicas e programas direcionados aos empregados, que aumentam e ampliam a eficiência da produção ou da prestação de serviços.

O capital de clientes pode ser considerado como um terceiro componente do capital intelectual, ampliando as relações com o ambiente externo, principalmente clientes e fornecedores. É no relacionamento com os clientes que o fluxo de caixa tem início, tornando- se fator determinante para a formação do resultado e para a continuidade e amplitude dos negócios. (EDVINSSON; MALONE, 1998). Com base nos mesmos autores, pode-se considerar a seguinte fórmula apresentada na Figura 04.

Figura 04 - Fórmula do capital intelectual Fonte: Elaborado pela autora (2016).

O CH (Capital Humano) é consequência direta do somatório das especialidades e habilidades de seus empregados, e, portanto, não pertence à empresa. O capital estrutural pertence à empresa, e constitui o ambiente real construído pela companhia, é composto por todos os processos internos e externos que existem dentro da firma. O somatório dos elementos do capital humano e capital estrutural formam o capital intelectual. (EDVINSSON; MALONE, 1998).

Diante deste contexto, alguns autores afirmam que os investimentos em capital intelectual trazem retornos positivos a longo prazo, conforme pode-se observar em Sveiby (1998), Edvinsson e Malone (1998), Stewart (1998) e Lev (2001). Os estudiosos citados sugerem também que os administradores precisam considerar, nos modelos de gestão, os elementos que compõem o capital intelectual otimizando a aplicação e se beneficiando das consequências, buscando exclusivamente obter condições para atuar de forma competitiva no contexto que estão inseridos de constantes mudanças e ainda com as rápidas alterações tecnológicas. CAPITAL HUMANO CAPITAL ESTRUTRAL CAPITAL INTELECTUAL

32 Para Stewart (1998, p. 113) “um jardim de conhecimentos será tão triste quanto um playground construído ao lado de um prédio onde só moram idosos.” Esta metáfora tem o sentido de afirmar que o capital intelectual de uma empresa, habita na mente das pessoas que podem estar dispostas a compartilhar seus conhecimentos ou não em consequência do ambiente interno da organização. Pode-se considerar ainda que uma organização sem uma cultura de trabalho em equipe, desenvolvimento, remuneração e recompensas que o sustentem, ou seja, estes fatores trabalhados isoladamente não têm valor. (STEWART, 1998).

A recente onda de interesse nos ativos intangíveis diz respeito à combinação de dois fenômenos, quais sejam: a ativa competição entre as empresas e a ampliação da tecnologia da informação. Os elementos citados, um político e econômico e o outro tecnológico, têm afetado a estrutura e a estratégia das organizações e elevado os intangíveis à categoria de maior direcionador de valor das empresas nos países desenvolvidos. Logo, a inevitável globalização da economia e as facilidades empregadas pelo comércio eletrônico exaltaram a competição entre as empresas, em consequência disso às margens foram reduzidas, exigindo um diferencial competitivo em busca de uma melhor qualidade para que as organizações pudessem se destacar dos concorrentes. (PEREZ; FAMÁ, 2006).

De acordo com Silva e Fonseca (2007) se observa constantemente as firmas que detém um diferencial por meio da produtividade, controle dos custos e qualidade nos produtos e/ou serviços e que estes fatores dependem também de investimentos em capital humano e em pesquisa e desenvolvimento. Os mesmos autores acreditam que quando se aliam os fenômenos apresentados acima com a conjuntura da nova sociedade do conhecimento, pode-se compreender a importância estratégica dos ativos intangíveis, bem como as coerentes e drásticas alterações que podem ser observadas na estrutura das firmas.

Muitas empresas já estão voltadas a investir e a estreitar cada vez mais os ativos intangíveis como, estreitar o relacionamento com os clientes, inovação nos produtos e serviços prestados, investimento em tecnologia e ainda capacitar e habilitar os funcionários. Estes ativos correspondem às marcas, patentes, capital intelectual ou direitos autorais, exemplos de ativos singulares geralmente oriundos de inovação e conhecimento. (PEREZ; FAMÁ, 2006).

Considerando o aumento da competitividade entre as organizações e com base no que ponderam Silva e Fonseca (2007), o fenômeno de “commoditização” dos produtos e/ou serviços prestados vem aumentando a importância estratégica dos ativos intangíveis. Estes estão sendo considerados fatores de distinção entre empresas, objetivando gerar vantagem competitiva para que as firmas que detém este fenômeno possam sobressair a concorrência e subsistir com

33 maestria nos mercados em que atuam. Podendo considerar ainda que os ativos tangíveis como fábricas ou equipamentos, não seriam mais os responsáveis pela maior parte da geração de valor em uma empresa.

O acúmulo de capital intelectual na visão de Silva e Fonseca (2007) torna-se o recurso mais proeminente entre os ativos da organização e exige uma prioridade para sua gestão e mensuração, portanto, a economia baseada no conhecimento exige das firmas técnicas atuais e novas formas de administração. Para Gelain et al. (2014) esses ativos são difíceis de ver, analisar e medir, pelo fato de se estar tratando de um valor abstrato. Porém, quando estudado ele pode contribuir para que este conhecimento cresça e seja o principal recurso da competitividade. Conforme se observa na Figura 05, Vaz et al. (2015) abordam o tema capital intelectual e consideram que pode ser encontrado em três lugares, ou seja, nas pessoas, nas estruturas e nos clientes.

Figura 05 - Elementos do capital intelectual Fonte: Adaptado de Vaz et al. (2015).

Vaz et al. (2015) contextualizam os três elementos do capital intelectual conforme observados na Figura 05 como: capital humano (recursos humanos, competência dos empregados, pessoas); capital estrutural (capital organizacional, ativos intelectuais, estrutura interna); e capital relacional (capital de cliente, estrutura externa). O conhecimento é a base do capital intelectual, é o componente mais importante dos ativos intangíveis e a principal fonte de recursos de sistemas de inovação no processo de criação de valor para as organizações na obtenção de vantagens competitivas. (ZEA; MARTINÉZ, 2015). O CI não inclui só conhecimento individual e organizacional, mas também elementos como a fidelidade do cliente, satisfação do empregado, bases de dados ou informações de mercado.

As distribuidoras de produtos alimentícios também valorizam o capital intelectual e este deve estar alinhado com a estratégia da empresa e com os líderes que são os decisores das firmas

34 e promovem o compartilhamento das informações. O ambiente competitivo que estas empresas estão suscetíveis exige que mensurem o seu patrimônio inclusive o CI. Para Lizote, Verdinelli e Nascimento (2015) o valor de uma organização vem sendo influenciado diretamente pelo conhecimento e sua aplicação. Conforme a Figura 05 o CI é composto pelo capital humano, estrutural e relacional, portanto, esta pesquisa aborda de maneira mais aprofundada os componentes do CH por entender que uma das características marcantes da economia do conhecimento é a valorização do capital humano.